Museu da Casa Brasileira

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Museu da Casa Brasileira
Tipo Artes decorativas, História
Inauguração 1970
Visitantes 150.472 (2014)[1]
Diretor Miriam Lerner
Website www.mcb.org.br
Geografia
País  Brasil
Cidade São Paulo

O Museu da Casa Brasileira (MCB), instituição da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, se dedica às questões da cultura material da casa brasileira. Localizado na Avenida Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo, no antigo solar que pertenceu a Fábio da Silva Prado e sua esposa, Renata Crespi Prado, é o único museu brasileiro especializado em design e arquitetura, tendo se tornado uma referência nacional e internacional nesses temas.

Dentre suas inúmeras iniciativas, destacam-se o Prêmio Design MCB, realizado desde 1986 com o objetivo de incentivar a produção brasileira no segmento, e o projeto Casas do Brasil, de resgate e preservação da memória sobre a diversidade de morar do brasileiro.

O Museu dedica seu espaço a duas mostras de longa duração: Coleção MCB, com um recorte do acervo da instituição constituído por móveis e objetos representativos da casa brasileira desde o século 17 até os dias de hoje, e A Casa e a Cidade - Coleção Crespi Prado, que aborda o uso residencial do imóvel que hoje abriga o museu por meio do cotidiano e da trajetória de seus moradores originais: o casal Renata Crespi e Fábio Prado, protagonista de transformações históricas, culturais e urbanísticas na cidade de São Paulo.

A programação do MCB contempla exposições temporárias e uma agenda com base em debates, palestras e publicações que contextualizam a vocação do museu para a arquitetura e o design, contribuindo na formação de um pensamento crítico em temas diversos como urbanismo, habitação, economia criativa, mobilidade urbana e sustentabilidade. A instituição investe em atividades de extensão educacional, com atenção a públicos especiais e no desenvolvimento de técnicas e material de suporte tanto para visitas orientadas quanto para audiência espontânea. Na agenda cultural destaca-se, ainda, o projeto Música no MCB, que traz apresentações musicais gratuitas nas manhãs de domingo, entre março e dezembro. Todas essas ações representam um notável crescimento na agenda do museu e a gradativa evolução da quantidade de público acolhido, para patamares superiores aos 100 mil visitantes anuais.

Além disso o MCB mantém o Arquivo Ernani Bruno, um fichário de citações sobre equipamentos, usos e costumes domésticos da sociedade brasileira ao longo de toda sua história que traz, em versão digital, 28 mil arquivos contendo relatos de viajantes, leitura ficcional, inventários de família e testamentos que revelam hábitos culturais da casa brasileira. Produzido na década de 1970 por um grupo de pesquisadores da Universidade de São Paulo, a obra está organizada em 24 temas entre alimentação, construção, costumes domésticos, mobiliário e outros, e integra o acervo arquivístico do museu. O arquivo é o único em seu tipo existente no país.

Histórico[editar | editar código-fonte]

Fundação do museu[editar | editar código-fonte]

Durante a administração do governador Abreu Sodré, seu secretário da Fazenda, Luís Arrobas Martins, envolvido no projeto de aquisição de obras de arte para os palácios Bandeirantes e Boa Vista e no processo de criação de uma rede estadual de museus e equipamentos culturais, idealizou uma instituição voltada à conservação, restauração, pesquisa e exposição de móveis, alfaias e objetos de arte e de decoração de residências, considerados de valor histórico ou artístico para o país. Assim, já em março de 1970, era inaugurado o então denominado "Museu do Mobiliário Artístico e Histórico Brasileiro". O historiador Ernani Silva Bruno foi convidado para dirigir o novo museu.

A princípio, o museu foi instalado em um casarão na alameda Nothmann, no bairro Campos Elísios. Ernani Silva Bruno presidiu o Conselho Diretor do museu, composto ainda por intelectuais como Paulo Duarte e Sérgio Buarque de Hollanda. O objetivo da incipiente instituição era adquirir peças de excepcional qualidade, representativas para a cultura brasileira. Assim, a direção do museu passou a distribuir notícias na imprensa, de forma que surgissem propostas de venda e doação de objetos. Criou-se uma comissão para avaliar as peças a serem adquiridas, tendo por base seu valor sociológico, histórico e artístico.

Transferência para o solar[editar | editar código-fonte]

Acervo do museu

Em novembro de 1970, a Fundação Padre Anchieta cedeu por comodato o uso do Solar Fábio Prado para o governo do estado, que tinha a intenção de instalar ali o recém-fundado museu. Nessa ocasião, a denominação da instituição foi alterada para "Museu da Cultura Paulista" e seu campo de atuação foi ampliado: o objetivo era tornar o museu um centro de estudos, destinado a pesquisar a complexa gama de informações acerca da evolução material da cultura de São Paulo e do Brasil. A nova denominação não alcançou consenso, causando um longo debate entre os conselheiros. Em 1971, após quase um ano de debates, a proposta de Sérgio Buarque de Hollanda e de Ernani da Silva Bruno de denominar o espaço como “Museu da Casa Brasileira” foi aprovada.

A transferência do museu para o Solar Fábio Prado alongou-se por mais um ano. Foi somente em 1972 que o museu passou a ocupar as suas atuais instalações. Em 1976, seria concluída uma ampla reforma para o melhor aproveitamento museológico do espaço. Paralelamente à adaptação da nova sede, o Conselho Diretor buscou, sobretudo durante os cinco primeiros anos de vida da instituição, uma expressiva ampliação do acervo, caracterizando o atual perfil sociológico e histórico da coleção. A grande quantidade de peças adquiridas durante a administração de Ernani Bruno permitiu a ampliação da atuação didática do museu, que passou a apresentar exposições permanentes e temáticas acerca da evolução do mobiliário brasileiro.

Consolidação do museu[editar | editar código-fonte]

Mobiliário da coleção do museu

Ernani Bruno também empenhou-se em consolidar o museu como centro de pesquisas, especializado na evolução dos equipamentos da casa brasileira e nos seus usos e costumes. Nesse sentido, foi fundamental a transferência para o museu de um arquivo desenvolvido ao longo da década de 70 pelo professor Carlos Alberto Cerqueira Lemos e por alunos da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP. Esse arquivo, que atualmente leva o nome do primeiro diretor do museu, é composto por mais de 28 mil fichas com citações e informações sobre arquitetura, mobiliário e equipamentos domésticos, do século XVI ao XIX, e revela toda a trajetória da cultura material do Brasil, além das peculiaridades, transformações e assimilações sofridas pela sociedade brasileira ao longo de seus quatro primeiros séculos de história.

A ampliação do perfil museológico da instituição possibilitou, ao longo dos anos, o surgimento de novas propostas e abordagens, em que a arquitetura e o design foram ganhando considerável espaço, por meio de exposições temporárias, conferências, premiações e concursos. Em 1986, foi criado o Prêmio Design do Museu da Casa Brasileira, que rapidamente se consagrou como uma das mais conceituadas premiações na área de design de produto no país, e uma importante referência para os profissionais e estudantes da área. Desde 1993, o museu também sedia o Prêmio Jovens Arquitetos, promovido pelo Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB).

Na década de 90, o solar passou por nova reforma e o acervo do museu foi organizado em uma nova disposição espacial, seguindo critérios cronológicos. Nessa mesma época, o MCB recebeu em regime de comodato parte do rico acervo da Fundação Crespi-Prado. As obras, pertencentes à coleção particular dos primeiros proprietários do solar, Fábio da Silva Prado e Renata Crespi Prado, haviam sido retirados da residência quando Renata doou o imóvel para a Fundação Padre Anchieta. Atualmente, a Coleção Crespi-Prado pode ser vista em exposição permanente no segundo andar e no hall de entrada do edifício. Além das exposições permanentes e temporárias, o Museu da Casa Brasileira possui uma agenda cultural fixa, promovendo apresentações musicais regulares. Também possui uma editora própria, especializada em publicações sobre design, mobiliário, cultura material, costumes e usos da sociedade brasileira.

O Solar Fábio Prado[editar | editar código-fonte]

Saguão do Solar Fábio Prado

O solar foi erguido durante a década de 40, como residência do ex-prefeito de São Paulo, Fábio da Silva Prado, e sua esposa, Renata Crespi da Silva Prado. O projeto é do arquiteto paraense Wladimir Alves de Souza, amigo do casal. A pedido de Renata Crespi, o arquiteto reproduziu as linhas do Palácio Imperial de Petrópolis, projeto dos discípulos de Grandjean de Montigny. Wladimir também se inspirou nas villas italianas de Palladio, como forma de imbuir na residência um caráter simbólico de riqueza e poder.

O projeto do edifício ia na direção contrária ao panorama arquitetônico da cidade à época, que se caracterizava por edifícios de plantas arrojadas - o que não impediu que o interior da residência adotasse os padrões de modernidade e funcionalidade de então. O edifício é constituído por um bloco central com dois pavimentos e por duas alas laterais. Na sua construção, foram utilizados alvenaria de tijolos rebocados, piso de arenito proveniente de Minas Gerais, mármore português e telhas “canal”. Na decoração do solar, foram utilizados materiais nobres e importados, desde o revestimento do piso em mármore e portas em madeira nobre aos mosaicos italianos ornamentando os banheiros. A obra foi concluída em 1945.

O casal viveu na residência por mais de quinze anos. Durante esse período, o solar se tornou um local de recepções oficiais, onde hospedaram-se importantes autoridades do cenário político nacional e internacional, como o príncipe Ali Khan, a rainha Elizabeth II da Inglaterra e o príncipe Phillip, entre outros. Também era frequentado por personalidades do meio artístico e intelectual brasileiro, sediando anualmente o "Prêmio Fábio Prado de incentivo às Ciências Humanas, à Literatura, ao Teatro e ao Cinema" - que conferiu honrarias a nomes como Florestan Fernandes e José Lins do Rego. Com a morte de Fábio Prado em 1963, Renata Crespi deixou o solar. Em março de 1968, Renata transferiu a posse do Solar Fábio Prado à Fundação Padre Anchieta, em conformidade com o desejo expresso em vida por seu marido. Em 1972, a Fundação Padre Anchieta cedeu o uso do solar em regime de comodato ao Museu da Casa Brasileira.

Jardim[editar | editar código-fonte]

Inicialmente, o Solar Fábio Prado encontrava-se inserido em uma das extremidades de um extenso jardim com aproximadamente 15.000 metros quadrados de área. Uma série de desapropriações e alterações urbanísticas do entorno, no entanto, reduziram a área verde a menos da metade de seu tamanho original. Mesmo assim, o atual jardim de aproximadamente 6.000 metros quadrados chama a atenção em meio à densa massa de concreto da região onde está o solar. Abriga aproximadamente 200 espécies de árvores brasileiras e várias espécies de pássaros.

Ver também[editar | editar código-fonte]

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Ligações externas[editar | editar código-fonte]

  1. Edison Veiga (4 de abril de 2015). «Diretor do Museu de Arte do Rio quer inverter eixo cultural da cidade». O Estado de S. Paulo. Consultado em 4 de abril de 2015