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Cratera de Colônia

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Cratera de Colônia
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A cratera de Colônia é uma cratera localizada no distrito de Parelheiros, zona sul de São Paulo, sendo o principal patrimônio geológico da cidade.

Aspectos gerais

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A cratera está localizada na região de Parelheiros, no extremo sul da cidade de São Paulo, e foi criada com um impacto de um meteorito de estimados 200 metros de diâmetro em uma data estimada entre há 36 milhões e 5 milhões de anos, formando uma cratera de 3,6 km de diâmetro, com cerca de 300 metros de profundidade e uma borda soerguida de 120 metros.[1][2]

Com uma área de aproximadamente 53 hectares, o Parque se encontra no Distrito de Parelheiros que dista cerca de 40 km da região central da capital paulista, encontrando-se dentro da Cratera de Colônia e no interior de uma outra unidade de conservação, a Área de Proteção Ambiental (APA) Capivari-Monos. Em termos regionais, o PNMCC está inserido na Bacia Hidrográfica do Alto Tietê, na sub-bacia Billings.[3]

No Brasil existem apenas cinco destas estruturas, e cerca de 70 no mundo todo. Porém, a cratera de Colônia é a mais próxima de um ambiente urbano (está a 35 km do centro da cidade). É um patrimônio natural tombado pelo Condephaat.[4]

Suspeita-se que o impacto do meteoro dividiu ao meio de curso de água do Rio Capivari, no qual sua seção alta passou a ser tributária do Rio Embu, e sua seção baixa é o que atualmente se é conhecido como Rio Caulim. Eventualmente, o Rio Capivari foi vítima de captura fluvial pelos tributários do Rio Itanháem e passou a correr diretamente ao oceano.[5][6]

Em seu interior há uma coluna de sedimentos de 400 metros de profundidade onde, através de estudos de datação, é possível identificar alguns fatores paleoclimáticos, biogeográficos e até arqueológicos da história natural e de ocupação, tanto do antigo sertão santamarense como do próprio planalto paulista.[7]

História

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Foi descrita como cratera no início da década de 1960, por meio de fotos aéreas[8], apesar de que a área já era conhecida por ser uma anomalia de drenagem ao menos desde a década de 40, devido aos trajetos não-usuais dos riachos da região bem como a presença de uma várzea ampla na ausência de um grande curso.[5][9]

A primeira referência, no qual a cratera é citada explicitamente, na literatura acadêmica foi registrada em 1961, com a publicação do Boletim da Sociedade Brasileira de Geologia, no artigo “Estudos preliminares de uma depressão circular na região de Colônia: Santo Amaro, São Paulo”, assinado pelos professores Rudolph Kollert, Alfredo Björnberg e André Davino, da Universidade de São Paulo (USP).[8]

Em 11 de junho de 2007, o governo municipal criou um parque para conter a habitação humana, que passa a ocupar os limites da cratera desde 1989 - dando origem ao bairro de Vargem Grande, com cerca de 40 mil habitantes em 2010.

Desde 2017 estudos estão sendo realizados em busca de reconstruir a evolução da Mata Atlântica, sua expansão e regressão e a formação e extinção de espécies, a variabilidade climática e as sucessões de ciclos da insolação da Terra através da análise de sedimentos formados dentro da cratera desde o seu impacto. Os estudos são conduzidos por cientistas da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e do Instituto Francês de Pesquisa para o Desenvolvimento (IRD).[2]

Ver também

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Referências

  1. «Colônia» (em inglês). Planetary and Space Science Centre, University of New Brunswick. Consultado em 4 de abril de 2016 
  2. a b «A enorme cratera causada por um corpo celeste que virou bairro na zona sul de SP». BBC Brasil. Consultado em 11 de março de 2019 
  3. Parque Natural Municipal da Cratera de Colônia prefeitura.sp.gov.br
  4. «Cratera de Colônia». Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo. Consultado em 23 de março de 2017. Cópia arquivada em 20 de dezembro de 2016 
  5. a b Pedrosa, Paula. A Cratera de Colônia. São Paulo: Ecótono Micro-editora. p. 3 
  6. Santos, André Henrique Bezerra dos; Oliveira, Déborah de (19 de outubro de 2022). «Trajetórias do Rio Capivari: implicações de um impacto meteorítico na drenagem no reverso da Serra do Mar, São Paulo, Brasil». Revista Geografias (2): 69–76. ISSN 2237-549X. doi:10.35699/2237-549X..13253. Consultado em 4 de novembro de 2025 
  7. «Brasil tem uma das duas crateras de impacto habitadas no mundo». Agência FAPESP. Consultado em 4 de abril de 2016 
  8. a b «Cratera guarda a memória de impacto de corpo celeste na periferia de São Paulo». Agência FAPESP. Consultado em 11 de março de 2019 
  9. Ab'Sáber, Aziz (1954). Geomorfologia do Sítio Urbano de São Paulo. São Paulo: [s.n.] p. 78-90 

Ligações externas

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