Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão em Neuromatemática

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Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão em Neuromatemática
NeuroMat
Fundação 2013
Tipo Centro de pesquisa
Sede Universidade de São Paulo  Brasil
Filiação Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo  Brasil
coordenador Antonio Galves
Sítio oficial neuromat.numec.prp.usp.br

O Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão em Neuromatemática (CEPID NeuroMat ou NeuroMat) é um centro de pesquisa científica fundado em 2013 e situado na Universidade de São Paulo.[1] O centro é especializado no uso da modelagem matemática e da neurociência teórica para desenvolver uma nova teoria do cérebro chamada de neuromatemática.[2][3][4][5][6] É coordenado desde sua fundação pelo matemático Antonio Galves e financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).[7] O NeuroMat reúne pesquisadores em matemática, ciência da computação, estatística, neurociência, biologia, física e comunicação, entre outros, de universidades brasileiras e estrangeiras.[4][8][9] O projeto se embasa na ideia de que a neurociência desenvolveu ferramentas para gerar bases de dados a partir de recursos experimentais, mas não tem o quadro conceitual adequado para analisá-la, usando a matemática para conectar tais dados observados e análises mais abstratas.[5][9][10]

O NeuroMat também é um centro de pesquisa que defende o conhecimento livre[11] e a ciência aberta.[8][12]

História[editar | editar código-fonte]

Em 1998, a FAPESP iniciou um programa de financiamento de centros de excelência com foco em pesquisa, inovação e difusão (CEPID). No ano 2000, um edital criou os primeiros 10 centros, com duração prevista de 11 anos, de 2001 a 2013.[13][14] Um segundo edital começou a seleção de projetos em 2011.[15][16] Os 17 CEPIDs aprovados no segundo edital, com um investimento previsto de 1,4 bilhão de reais ao longo de todo o período de financiamento, foram anunciados pela Fundação em 2013,[15][17][18] e, entre eles, foi criado o CEPID NeuroMat.[19]

Sede do NeuroMat na Universidade de São Paulo, em São Paulo

O NeuroMat foi então instalado no prédio do Núcleo de Apoio à Pesquisa em Modelagem Estocástica e Complexidade (NUMEC), no Instituto de Matemática e Estatística da Universidade de São Paulo, sob a direção do matemático Antonio Galves, professor do Departamento de Estatística do instituto.[9][20] Entre outros membros de destaque à época da criação do centro estão os pesquisadores Ernst Hamburger,[21] Jorge Stolfi, e Yoshiharu Kohayakawa.[22][23]

Relações com outras instituições[editar | editar código-fonte]

Reunião da equipe de difusão científica do NeuroMat, na Universidade de São Paulo, em São Paulo, em janeiro de 2015.

O NeuroMat reúne pesquisadores e instituições associadas de diversas universidades brasileiras, como Universidade de São Paulo, Universidade Federal do Rio de Janeiro,[8][24] Universidade Federal do ABC,[25] Universidade Estadual de Campinas, Universidade Federal do Rio Grande do Norte,[26] Universidade Federal de Ouro Preto[27] e Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada.[9][23] e internacionais, como a Princeton University,[28] a Harvard Medical School,[29][30] a Rockefeller University e o Thomas J. Watson Research Center[31][32] dos Estados Unidos, a Universidad de San Andrés[33] e a Universidad de Buenos Aires da Argentina, o Centre National de la Recherche Scientifique da França, a Sapienza Università di Roma da Itália, a Universidad de la Republica do Uruguai e a Universiteit Utrecht da Holanda.[23]

Como parte da exigência para ser um CEPID,[7][34][35] o centro possui um comitê científico internacional, responsável por avaliar o trabalho realizado no segundo, quarto e sétimo ano do centro. Entre os membros do comitê do CEPID NeuroMat estão cientistas como Béla Bollobás.[23] O objetivo do comitê é garantir a qualidade da contribuição científica e dar mais visibilidade às pesquisas.

Produção científica[editar | editar código-fonte]

A produção dos CEPIDs tem foco em pesquisa de ciência de ponta, transferência de tecnologia e difusão do conhecimento.[34] Para o caso do CEPID NeuroMat, isso envolve:

Publicações acadêmicas[editar | editar código-fonte]

As publicações científicas ligadas ao NeuroMat estão presentes em diversas revistas e jornais acadêmicos de relevância, como a PLOS ONE,[33] publicada pela Public Library of Science, a Scientific Report, ligada a revista Nature,[36] a Journal of Statistical Physics, da Springer,[37] e outros, abordando dimensões variadas da neuromatemática, tanto teóricas quanto aplicadas e técnicas, como estatística,[38] neurologia,[3] psicologia e psiquiatria.[39][40]

O artigo Infinite Systems of Interacting Chains with Memory of Variable Length - A Stochastic Model for Biological Neural Nets (ou Sistemas infinitos de cadeias em interação com memória de alcance variável: um modelo estocástico de redes biológicas neurais, em português), de autoria de Antonio Galves e Eva Löcherbach, apresenta originalmente uma nova classe de modelos matemáticos,[41] descrevendo a partir de uma formulação estocástica, interativa e evolutiva a probabibilidade de neurônios dispararem.[42]

Transferência de tecnologia[editar | editar código-fonte]

Entre os trabalhos de transferência do CEPID NeuroMat, destaca-se o Neuroscience Experiments System (ou NES) um software livre para criar e gerenciar um banco de dados de neurociências de acesso público, incluindo medidas fisiológicas e avaliações funcionais.[43] O NES permite armazenar dados clínicos e avaliações médicas de diferentes pesquisas, mantendo a privacidade dos voluntários. A construção desse banco de dados é feita por cientistas da computação do IME-USP e da UFOP e neurocientistas da UFRJ, e está em fase de implementação como projeto-piloto no Instituto de Neurologia Deolindo Couto, no Rio de Janeiro.[44] O banco de dados é de acesso livre, ligado ao foco na ciência aberta do centro.[45]

Difusão científica[editar | editar código-fonte]

O trabalho de difusão do NeuroMat trabalha tanto em formação,[46] quanto de comunicação. Especificamente na comunicação, o NeuroMat trabalha com o uso da Wikipédia na difusão científica.[47]

Pesquisadores ligados ao CEPID NeuroMat participam de eventos ligados ao desenvolvimento da ciência, tanto como expositores,[48] palestrantes,[49][50] e organizadores,[51] que levam o centro a ser também sede de alguns destes eventos.[51]

Além disso, membros do NeuroMat também trabalham junto a museus, tanto realizando a curadoria de exposições especiais, como no Museu do Amanhã,[52] como também apoiando a difusão de acervos, com na parceria com o Museu de Anatomia Veterinária.[53]

Referências

  1. «Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão em Neuromatemática - NeuroMat». Biblioteca Virtual. FAPESP. 1 de agosto de 2013. Consultado em 25 de outubro de 2016 
  2. Rothman, Paula (abril de 2015). «Cálculo nervoso». Info Exame 
  3. a b Gueiros, Pedro Motta (10 de abril de 2014). «A ciência traz valores fundamentais à sociedade». O Globo 
  4. a b Alves Filho, Manuel (16 de maio de 2013). «Unicamp terá três novos CEPIDs». UNICAMP - Universidade Estadual de Campinas. Consultado em 25 de outubro de 2013 
  5. a b Ribeiro, Sidarta (2013). «Tempo de cérebro». Estudos Avançados. 27 (77): p.07–22. ISSN 0103-4014. doi:10.1590/S0103-40142013000100002 
  6. Naoe, Aline (14 de abril de 2014). «Neuromatemática, a nova ciência do cérebro». Agência USP. USP. Consultado em 25 de outubro de 2016 
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  9. a b c d Zolnerkevic, Igor (abril de 2014). «Conexões dinâmicas» (PDF). FAPESP. Revista Pesquisa FAPESP (218): p.74-79 
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  14. Izique, Claudia (setembro de 2000). «Um novo paradigma para a organização da pesquisa». FAPESP. Revista Pesquisa FAPESP (57) 
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  16. Sugimoto, Luiz (13–26 de junho de 2011). «Fapesp desafia pesquisadores a ousarem com pesquisas mundialmente competitivas». UNICAMP. Jornal da UNICAMP: p.10. Consultado em 25 de outubro de 2016 
  17. Maciel, Camila (7 de junho de 2013). «Dezessete novos centros de pesquisa em São Paulo vão receber R$ 1,4 bilhão em investimentos nos próximos 11 anos». Agência Brasil. EBC. Consultado em 25 de outubro de 2016 
  18. Lafer, Celso (16 de junho de 2013). «O interesse do saber desinteressado». O Estado de S. Paulo. Consultado em 25 de outubro de 2016 
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  24. «Orientadores - Fisiologia». Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho. Consultado em 4 de novembro de 2016 
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  53. Machado, Roberta (22 de setembro de 2016). «Museu de Anatomia Veterinária da USP divulga acervo na internet». Conselho Federal de Medicina Veterinária. Consultado em 4 de novembro de 2016 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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