Viaduto Santa Ifigênia

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Viaduto e Igreja de Santa Ifigênia.
Avenida Prestes Maia vista do Viaduto Santa Ifigênia
Deteriorado pelo tempo, detalhe de um dos postes de iluminação do viaduto está com a pintura descascando.

O Viaduto Santa Ifigênia é um viaduto localizado no centro de São Paulo, com uso exclusivamente para pedestres. Ele começa no Largo de São Bento e termina em frente a Igreja de Santa Ifigênia interligando dois pontos históricos importantíssimos para a cidade de São Paulo.[1]

A estrutura pensada pelo arquiteto Giulio Micheli e os engenheiros Giuseppe Chiapori e Mário Tibiriçá, foi totalmente fabricada na Bélgica e tinha o intuito de melhorar o trânsito e a circulação de carros, carruagens e bondes que atravessavam o Vale do Anhangabaú. O viaduto foi montado entre os anos 1910 e 1913 e inaugurado em 26 de julho de 1913, pelo prefeito Raymundo Duprat.[2]

Atualmente, o viaduto é uma das principais ligações dos pontos mais altos do centro de São Paulo, passando sobre o Vale do Anhangabaú e a avenida Prestes Maia. O Viaduto Santa Ifigênia, de estilo Art Nouveau, é um dos principais cartões postais da cidade de São Paulo. Ele encanta turistas e moradores da cidade pela sua estrutura metálica com adornos de cor ouro.[3]

História[editar | editar código-fonte]

São Paulo teve sua população multiplicada e sua malha urbana expandida ao final do século XIX, por conta da economia do café, criando uma demanda por melhorias no transporte e trânsito pela capital. Em 1901 foi apresentado à Câmara Municipal um projeto de um viaduto que ligaria o Largo de São Bento ao Largo Santa Ifigênia Seria o segundo viaduto a transpor o Vale do Anhangabaú, já que já existia o Viaduto do Chá, inaugurado em 1892.[4].

A construção do Viaduto Santa Ifigênia só começou, de fato, em 1910 e foi concluída apenas em setembro de 1913. Para a construção do projeto 250 mil libras foram emprestadas dos ingleses, foi o primeiro endividamento externo realizado pela Prefeitura de São Paulo. [5].

A estrutura do viaduto foi totalmente fabricada na Bélgica. Cerca de mil e cem toneladas de estrutura metálica, desembarcaram no porto de Santos e chegaram na região pela estrada de ferro São Paulo Railway. A montagem foi realizada pela empresa Lidgerwood Manufacturing Company Limited, sob a direção do engenheiro Giuseppe Chiappori, sócio de Giulio Micheli e Mário Tibiriçá, enquanto a execução das fundações ficou a cargo do mestre de obras e carpinteiro alemão Johann Grundt. Um ano além do prazo previsto, devido às desapropriações e indenizações, falta de mão-de-obra qualificada e orçamento comprometido, o Viaduto Santa Ifigênia foi finalmente inaugurado no dia 26 de julho de 1913, pelo prefeito Raymundo Duprat, com festa e travessia de bondes e automóveis.[6]

O objetivo ao construir este viaduto era, além de ligar os Largos São Bento e Santa Ifigênia, melhorar o trânsito de carros e carruagens que enfrentavam a ladeira da Av. São João, além de melhorar o trânsito das ruas XV de Novembro e São Bento, por onde passavam os bondes. Assim, haveria uma maneira mais eficiente de ligar um lado do Anhangabaú ao outro. Na década de 1970, a estrutura foi protegida por Lei Municipal de Zoneamento. No final da mesma década o Viaduto passou por uma reforma que recuperou sua estrutura e passou a ser exclusivo para passagem de pedestres. Com essa reforma, as luminárias foram substituídas por luminárias antigas, conhecidas como São Paulo Antigo, o calçamento passou a ser de pastilhas coloridas e foi colocada uma escada que dá acesso ao Vale do Anhangabaú.[7].

Arquitetura[editar | editar código-fonte]

O Viaduto Santa Ifigênia é uma via elevada para a passagem de pedestres sobre a Avenida Prestes Maia une o Largo de São Bento ao Largo de Santa Ifigênia. Possui bases de concreto decorados com pilares de onde se elevam arcos metálicos que proporcionam aparente leveza ao viaduto projetado pelo arquiteto Giulio Micheli e os engenheiros Giuseppe Chiapori e Mário Tibiriçá.[8]

O piso pavimentado de pastilhas sobre lajes de concreto, formam tapetes geométricos tricolores. Junto ao piso, destaca-se também pequenas valas com grelhas metálicas para captação de água da chuva.[9]

O Viaduto Santa Ifigênia também pode ser acessado a partir de uma escada pavimentada por pastilhas de borracha localizada na Praça Pedro Lessa, onde, atualmente, encontra-se o Terminal Bandeira.[10]

O estilo Art nouveau fica nítido nas grades de proteção do viaduto, que, seguindo o conceito do estilo, destaca as linhas curvas e formas inspiradas em flores e folhagens.[11]

Importância cultural[editar | editar código-fonte]

O Viaduto Santa Ifigênia é uma via com 225 metros de extensão marcada pelo avanço econômico e cultural da cidade de São Paulo durante o século XIX. As atividades cafeeiras demandaram uma nova estrutura para o trânsito de carroças, bondes e para o trânsito de uma população que só aumentava. O viaduto veio como uma proposta de melhoria na circulação da cidade e, no decorrer dos anos, transformou-se em um dos principais pontos turísticos de São Paulo. Atualmente, o viaduto é exclusivamente para a travessia de pessoas, interligando pontos importantes do centro novo e do centro velho da cidade, otimizando o tempo dos paulistanos e turistas de todo mundo.[12].

Estado atual[editar | editar código-fonte]

O Viaduto Santa Ifigênia, apesar de protegido pela Lei de Zoneamento e tombado como um patrimônio histórico e cultural da cidade de São Paulo, é alvo de vandalismo. Atualmente, sua estrutura encontra-se firme, porém gasta pelo tempo e pela depredação. Em toda a sua extensão, o viaduto tem pichações contrastando com a arquitetura Art Noveau. Ainda sim, possui postes quebrados e utilizados como lixeiras, ferrugem nas partes metálicas, pastilhas soltas pelo piso e pelas escadas e também moradores de rua localizados na Praça Pedro Lessa que vivem sob a cobertura do viaduto. [13].

Galeria de fotos[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Commons
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Referências