Edifício Prestes Maia

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Edifício Prestes Maia visto da Pinacoteca do Estado de São Paulo

O Edifício Prestes Maia é um prédio de 23 andares, localizado no bairro da Luz, na cidade de São Paulo, Brasil, como parte de um bloco de dois prédios.[1] O edifício era de uma fábrica de tecidos, a Companhia Nacional de Tecidos, até o final década de 1970, quando a fábrica e a sede foram movidas para o interior do estado de São Paulo. Após passar por vários donos, incluindo o Banco Citibank Brasil e o empresário Jorge Nacle Hamuche,[1][2] a ocupação do prédio por movimentos sem teto viria a acontecer em 2002, resistindo a várias ordens judiciais desde então.[3][4][5] Em 2007, quando 468 famílias viviam no local, houve um acordo entre os moradores e a prefeitura, que ofereceu auxílio financeiro e apartamentos do CHDU,[6] mas foi reocupado por outro movimento sem teto em 2010.[1][7]

Em 2015, o edifício foi comprado pela prefeitura de São Paulo, então sob o mandato de Fernando Haddad,[8] com o objetivo de criar moradia popular aos residentes locais.[9]

Em 2022, a prefeitura de São Paulo anunciou que vai fazer um retrofit do prédio. A reforma, de acordo com a prefeitura, contará com apartamentos de 30 a 50 metros quadrados. As famílias contempladas incluem as que já vivem no edifício e as que moraram anteriormente no edifício.[10][11]

História[editar | editar código-fonte]

Edifício Prestes Maia em abril de 2022

Antecedentes e primeira ocupação[editar | editar código-fonte]

O Edifício Prestes Maia é um dos dois prédios no centro de São Paulo. Inicialmente, o plano era construir um hotel, mas optou-se pela expansão da fábrica de tecidos. Em 1978, a sede e a fábrica se mudaram para o interior do estado de São Paulo. Os próximos proprietários incluem o Banco Citibank, a Secretaria das Finanças do Estado de São Paulo, e o empresário Jorge Nacle Hamuche. O prédio continuou sem uso definido e vazio até a ocupação por movimentos sem teto em 2 de novembro de 2002.[1] A primeira ocupação foi marcada pela criação de uma biblioteca comunitária[1][12].

O prédio foi desocupado em 2007 após reuniões, assembleias e um pedido judiciário.[1]

Segunda ocupação[editar | editar código-fonte]

No dia 5 de outubro de 2010, o edifício Prestes Maia é ocupado novamente com coordenação do Movimento de Moradia na Luta por Justiça (MMLJ). A ocupação teve um ápice de 478 famílias, num total de quase 2 mil pessoas.[1] Em 2015, o prédio foi comprado pela prefeitura, que era de propriedade de Jorge Nacle Hamuche.[2]

Em novembro de 2018, o prédio sofreu um incêndio, poucos meses após o incêndio e consequente desabamento do Edifício Wilton Paes de Almeida, também ocupado por um movimento sem teto. No momento do incêndio, cerca de 230 famílias viviam no Prestes Maia.[13] Após o incêndio, foram realizados mutirões para restaurar o prédio.[5]

As famílias participantes do movimento de moradia recebem uma pontuação de acordo com a sua participação em atividades, como a limpeza do prédio, e eventos, como participação em assembleias e manifestações, servindo na formação política dos ocupantes. O ranqueamento é criticado por parte da sociedade e da imprensa.[1][14][15]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d e f g h Murad, Júlia (25 de abril de 2019). «Ocupação, uma alternativa de moradia? O caso Prestes Maia» (pdf). doi:10.11606/d.16.2019.tde-30092019-153332Acessível livremente. Consultado em 11 de abril de 2022. Cópia arquivada (PDF) em 10 de março de 2020 
  2. a b Cruz, Fernanda (20 de outubro de 2015). «Segunda maior ocupação da América Latina será convertida em moradia popular». EBC. Consultado em 19 de agosto de 2021 
  3. «Edifício Prestes Maia, o maior símbolo das ocupações na América Latina». noticias.uol.com.br. 10 de Maio de 2018. Consultado em 29 de abril de 2019. Cópia arquivada em 11 de junho de 2019 
  4. Barca, Antonio Jiménez (11 de fevereiro de 2016). «Reportagem | A vida no Prestes Maia, o maior imóvel ocupado por sem-teto do Brasil». EL PAÍS. Consultado em 29 de abril de 2019. Cópia arquivada em 11 de junho de 2019 
  5. a b «Ocupação Prestes Maia resistiu a incêndio com prevenção, organização e afeto». Ponte Jornalismo. 23 de novembro de 2018. Consultado em 29 de abril de 2019. Cópia arquivada em 11 de junho de 2019 
  6. «G1 > Edição São Paulo - NOTÍCIAS - Após cinco anos, Prestes Maia é desocupado». g1.globo.com. Consultado em 2 de novembro de 2019 
  7. «Centro de SP abriga o maior símbolo das ocupações na América Latina». EXAME. Consultado em 2 de novembro de 2019 
  8. Paulo, Anne BarbosaDo G1 São (17 de outubro de 2015). «Prefeitura de SP compra edifício Prestes Maia por R$ 22 milhões». São Paulo. Consultado em 29 de abril de 2019. Cópia arquivada em 11 de junho de 2019 
  9. Brasil, Agência (20 de outubro de 2015). «Edifício Prestes Maia será transformado em moradia popular - Brasil - iG». Último Segundo. Consultado em 2 de novembro de 2019 
  10. «Uma das maiores ocupações verticais do país vai ser transformada em habitação popular em SP». Jornal Nacional. Globo. 14 de março de 2022. Consultado em 11 de abril de 2022 
  11. «Edifício Prestes Maia, maior ocupação vertical do país, está próximo de ser reformado». https://revistapegn.globo.com. Estadão Conteúdo. 14 de fevereiro de 2022. Consultado em 11 de abril de 2022 
  12. Bonadio, Luciana (9 de dezembro de 2006). «G1 > Edição São Paulo - NOTÍCIAS - "Livro é a minha sobremesa", diz catador de papel a José Mindlin». G1. Consultado em 11 de abril de 2022 
  13. «Prédio que pegou fogo nesta quarta no Centro foi vistoriado após desabamento de edifício no Largo do Paissandu». G1. 22 de novembro de 2018. Consultado em 11 de abril de 2022 
  14. «Haddad desapropriará 41 prédios para habitação popular». Época Negócios. Estadão Conteúdo. 8 de junho de 2014. Consultado em 11 de abril de 2022 
  15. Quintella, Sérgio; Rosário, Mariana; Moretti, Juliene (3 de maio de 2018). «Desabamento de edifício no Largo do Paissandu expõe drama das ocupações em SP». VEJA SÃO PAULO. Consultado em 11 de abril de 2022 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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