Museu de Geociências do Instituto de Geociências da USP

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Museu de Geociências
Museu de Geociências do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo
Identificação em relevo nas paredes do museu no interior do Instituto de Geociências da USP
Inauguração 1934 (82–83 anos)
Diretor Prof. Dr. Marcos Egydio da Silva (Gestão 2016 - 2019)
Website http://www.igc.usp.br/museu/
Área 550 m²
Geografia
País  Brasil
Cidade São Paulo
Localidade Cidade Universitária da USP

O Museu de Geociências do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo é um museu localizado no interior da Universidade de São Paulo, mais precisamente no campus do Butantã, na Cidade Universitária Armando de Salles Oliveira. Seu acervo é diversificado e conta com áreas de geologia, mineralogia e paleontologia, estando aberto à visitação pública. Trata-se de uma unidade auxiliar ligada ao Instituto de Geociências da USP. Desde 1991, o Museu ocupa uma área de 550 m², localizada no primeiro andar do edifício principal do Instituto de Geociências da USP, mas possui também espaços abertos para outras e maiores exposições.[1][2]

História[editar | editar código-fonte]

O Museu de Geociências desenvolveu-se a partir do antigo Museu de Mineralogia do Departamento de Mineralogia e Petrologia da então Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP (FFCL). Teve início em 1934, por iniciativa do Prof. Dr. Ettore Onorato, Cadeira de Mineralogia e Petrologia da FFCL-USP no período de 1934 a 1939.[3]

O acervo do Museu foi formado, inicialmente, por pequenas coleções de professores, ampliando-se com a integração da coleção Araújo Ferraz, com a aquisição da coleção Luiz Paixão em 1954 e com a doação da coleção C.L.Schnyder em 1984. Essas pessoas ajudaram na composição e criação do museu, o qual iniciou com objetivo de apoiar trabalhos de ensino e pesquisas. No ano de 1960 foi quando a Universidade de São Paulo inaugurou o curso de Geologia e, nesse momento, o museu passou a ser também um laboratório para aulas práticas dos graduandos.[1]

Com apoio da Fundação Amparo à Pesquisa de São Paulo (FAPESP), o museu pôde ser reformado ao final dos anos 90.[4]

Em 1991 foi quando o museu abriu para o público geral. Antes desta data ele era utilizado e visitado apenas pelos professores da Universidade, alunos e pesquisadores.[1]

Em 1994 o Museu de Geociências da USP começou a ter um acolhimento diferenciado para fins didáticos, ou seja, visitas escolares. Este foi o momento em que começou a ter uma atenção à linguagem que era utilizada para explicação do acervo de acordo com a faixa etária dos visitantes.[1]

O Setor Didático disponibilizou monitores para acompanhamento em visitas monitoradas a partir de 2004.[1]

Atualmente, o acervo vem sendo aumentado, principalmente, por doações feitas por professores, colecionadores particulares, alunos do curso de geologia e, também, pela aquisição de peças individuais.[1]

Acervo[editar | editar código-fonte]

O Museu de Geociências possui um dos mais importantes acervos do país, contendo mais de 45 000 amostras de minerais, minérios, gemas, rochas, espeleotemas, meteoritos (entre estes o Itapuranga, o terceiro maior do Brasil) e uma grande coleção de fósseis - com importantes espécimes brasileiras. A partir de 1981, houve uma grande reestruturação e diversificação no acervo, quando foram incluídas, além das amostras de minerais e cristais, amostras de rochas, gemas, meteoritos e fósseis. O Museu, antes predominantemente mineralógico, transformou-se no atual Museu de Geociências.[1]

O acervo atual conta com aproximadamente 5 000 peças que estão em exposição permanente.[3]

A maioria das peças e amostras são brasileiras, mas há amostras de diferentes partes do mundo.[3]

Cada uma das categorias - minerais, cristais, rochas, etc - tem critérios próprios de apresentação e particular atenção se dá aos minerais, que por serem mais numerosos são cuidadosamente expostos, obedecendo às normas internacionais de classificação.[3]

Classificação do acervo mineralógico[editar | editar código-fonte]

Parte do acervo de rochas, minérios e minerais. Classificados de acordo com James Dwight Dana.

O museu conta com um acervo mineralógico separado e classificado (colocar foto) de acordo com composições e afinidades químicas e aniônicas estabelecidas por James Dwight Dana (1813-1895) e por Karl Hugo Strunz (1910-2006), desta forma facilitando a identificação de cada material. Todos os museus de geociências utilizam dessa classificação, com exceção os alemães.[3]

Reserva técnica[editar | editar código-fonte]

Visto que o museu é pequeno em questões de espaço, seu acervo está dispersado em três ambientes.Sua reserva técnica se encontra no térreo do Instituto de Geociências da USP e conta com a maioria das amostras do museu localizadas em quatro armários deslizantes com as amostras organizadas a partir da classificação aniônica de Dana. [3] Essas amostras precisam de um ambiente e materiais para acondicionamento. [2]

Acervo de gemas do Museu de Geociências da USP.

Conservação[editar | editar código-fonte]

As amostras presentes no Museu de Geociências da USP precisam se manter conservadas mesmo após retiradas de seu ambiente natural, para isso compreende-se um conjunto de condições ideais. Em decorrência disto, as amostras devem estar sob "amostras de exposição (luz, temperatura, umidade relativa, impurezas do ar) e de reserva técnica (ambientes e materiais para acondicionamento). Contudo, apesar do cuidado, muitas amostras sofrem deterioração por variações das condições ambientais, seja por oxidação, umidade relativa do ar (causando desidratação), exposição a luz (alterando a cor), além do isolamento de materiais radioativos. [2]

Réplica de fóssil em exposição no Museu de Geociências da USP. 12 metros de comprimento.

Paleontologia[editar | editar código-fonte]

As exposições do Museu de Geociências da USP contam com uma parte reservada para os dinossauros. O Professor Doutor Luiz Eduardo Anelli é o responsável pelo acervo e estudo de modo didático dos dinossauros brasileiros quanto de outras espécies desconhecidas com uma exposição temporária inaugurada em novembro de 2015.[5]

Essa exposição tem como objetivo auxiliar no aprendizado dos visitantes. Cada fóssil exposto possui perguntas para o público refletir.[5]

Há réplicas de fósseis de dinossauros agrupados com outros animais, assim promovendo uma visita mais completa. Ao fundo da maior réplica, 12 metros de comprimento, possui uma vegetação similar a da época em que esse dinossauro viveu. Assim, as folhas são constituídas por pteridófitas.[6] Essas visitas são, geralmente, em foco de escolas públicas e particulares e são realizadas junto a um mediador e assim se promove, junto ás perguntas e legendas, discussões com os visitantes.[5]

Réplica de fóssil de dinossauro em exposição no Museu de Geociências da USP. Imagem em escala.

No livro Dinossossauros e outros monstros, Luiz Eduardo Anelli fala sobre a vegetação e sobre os dinossauros que, alguns, podem ser visualizados a partir das réplicas no próprio Museu de Geociências da USP.[7]

O diretor do Instituto de Geociências da USP, Wilson Teixeira, confirma que a Oficina de Réplicas recebe financiamento da Fundação Vitae, além do apoio do Instituto de Geociências da USP.[6]

Reforma[editar | editar código-fonte]

O Museu de Geociências da USP ficou 8 meses fechado para reformas e reabriu no meio do ano de 2000. Ele foi remodelado para se tornar mais didático e confortável.[4]

Para essa reforma, o museu contou com um financiamento de R$ 200 mil reais, concedido pela FAPESP. [4]

Difusão[editar | editar código-fonte]

O Museu de Geociências da USP está com seu acervo disponível em plataformas digitais. As imagens são de domínio público e estão digitalizadas no Wikimedia Commons. Este projeto foi realizado por alunos da Faculdade Cásper Líbero e tem como objetivo aumentar o alcance sobre as informações do museu. Mas, já é uma tendência mundial a digitalização de imagens de acervos para livre acesso. [8]

Os museus da USP como Matemateca, Museu de Anatomia Veterinária e de Geociências fazem parte do Glam: Gallery Library Archive & Museums. Este processo conta com pessoas e organizações do mundo todo para viabilizar informações e imagens através do acesso pela internet e sem custo. [8]

Esse processo constitui de três etapas: primeiro, a digitalização das imagens; depois , o relicenciamento delas; e, por fim, a produção de um verbete sobre o museu relacionado às fotos para uso educacional. Assim, os museus podem ser estudados e acessados de qualquer lugar. [8]

Didática[editar | editar código-fonte]

Área infantil no Museu de Geociências da USP.

Por contar com visitas para o público em geral mas principalmente para escolas de ensino básico, fundamental e médio (87%) e superior (6%), o museu conta com materiais além dos necessários para as aulas do curso de Geologia da USP junto com uma monitoria de guias para que a compreensão da exposição seja eficaz.[3][1]

Esses monitores, além de especializados na área que o museu exige, são estudantes do LiGEA (Curso de Graduação em Licenciatura Geologia e Educação Ambiental) e outros são voluntários do curso de Geologia da USP. De qualquer modo, todos os monitores recebem orientação para exercerem a função de mediador educativo.[1]

Imagem em escala. Museu de Geociências da USP.

Além da monitoria durante as visitas, o Museu de Geociências da USP disponibiliza dois cursos de férias: para crianças e para professores. [1]

Outro curso oferecido é o Curso de Gemologia, o qual é ministrado por professores do Instituto de Geociências da USP.[1]

Há, além, de uma área destinada para um público infantil, amostras especiais para toque destinadas aos deficientes visuais.[3]

Extensão[editar | editar código-fonte]

O Museu é objeto de teses de estudantes de várias áreas voltadas a temas educacionais. Amostras de seu acervo são disponibilizadas para a realização de trabalhos científicos e fotos para livros didáticos. [1]

Galeria[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d e f g h i j k l Costa, Ideval. «Museu de Geociências da USP: espaço para formação de conceitos sobre as ciências da Terra.» (PDF). Consultado em 25 de maio de 2017 
  2. a b c Azevedo, Miriam. «Conservação de coleções geológicas utilizando o acervo do Museu de Geociências da USP». Consultado em 24 de maio de 2017 
  3. a b c d e f g h Azevedo, Miriam Della Posta de; Lama, Eliane Aparecida Del (19 de janeiro de 2015). «Conservação de coleções geológicas». Geologia USP. Publicação Especial. 7 (0): 5–105. ISSN 2316-9087 
  4. a b c «Uma evolução contada pelas rochas». www.bv.fapesp.br. Consultado em 31 de maio de 2017 
  5. a b c de Vasconcellos; de Cerqueira; da Silva, Iara; Bruno; Tainá (2016). «AS PERGUNTAS NAS VISITAS ORIENTADAS A MUSEUS, EXPOSIÇÕES ITINERANTES E FEIRAS DE CIÊNCIAS.» (PDF). Revista da SBEnBio - Número 9. Consultado em 31 de maio de 2017 
  6. a b «USP: Museu de Geociências expõe réplica de dinossauro de 12 metros de comprimento | Governo do Estado de São Paulo». Governo do Estado de São Paulo. 27 de novembro de 2003 
  7. «Dinossauros brasileiros e seus conterrâneos | Revista Pesquisa Fapesp». Consultado em 31 de maio de 2017 
  8. a b c «Quais museus brasileiros estão liberando uso de imagem de seus acervos». Nexo Jornal