Parada do orgulho LGBT de São Paulo

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17ª Parada LGBT de São Paulo, em 2012

Parada do orgulho LGBT de São Paulo é uma parada gay em prol da garantia dos direitos civis da população de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT) que acontece desde 1997 na Avenida Paulista, no município de São Paulo. O evento conta com a participação de LGBT e simpatizantes passando no local. A principal reivindicação contida no evento tem sido o combate à homofobia (tema recorrente desde 2006).

Em sua primeira edição, no dia 28 de junho de 1997, a Parada do Orgulho Gay reuniu cerca de 2 mil pessoas, com o tema "Somos muitos, estamos em várias profissões”. Em 1999, a ONG Associação da Parada do Orgulho GLBT (APOGLBT), organizadora do evento, alterou o nome para Parada do Orgulho GLBT (gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transgêneros). Nove anos mais tarde, em 2008, a ONG alterou a sigla para LGBT, a fim de promover maior visibilidade às lésbicas no movimento e de padronizar o nome do protesto com os de outros países, adotando o nome Parada do Orgulho LGBT. Atualmente, o protesto é um dos maiores do mundo.

Segundo a SPTuris (empresa estatal de turismo do município de São Paulo), a parada é o evento que atrai mais turistas à cidade. No Brasil inteiro, fica atrás apenas do Carnaval do Rio, quando se consideram os turistas internacionais.[1] Segundo os organizadores, a edição de 2011 apresentou o maior número de participantes estimados: 4 milhões de pessoas.

Histórico[editar | editar código-fonte]

A utilização de imagem de santos atléticos em 2011 causou protestos da Igreja Católica.[1]

A edição de 2005 levou entre 1,8 milhão (dados da polícia local: estimativa de assistência às 17h) e 2,5 milhões (dados dos organizadores: estimativa de participantes durante toda a parada) de pessoas à rua, preenchendo por completo a Avenida Paulista. O tema do ano foi "Parceria Civil Já: Direitos Iguais, Nem Mais Nem Menos". Em 2006, a Polícia Militar estimou o público em 2,5 milhões de pessoas (os organizadores estimaram em 3 milhões), sendo essa a última vez que a PM divulgou sua contagem. Esse número foi para o Guiness Book, considerado como a maior parada gay do mundo.[2]

Em 2008, a Parada do Orgulho LGBT de São Paulo foi realizada no dia 25 de maio, com uma grande variedade de eventos associados (palestras, seminários, shows, apresentações e etc.) que ocorrem, usualmente, antes e depois do dia da marcha oficial.

Em 2009, ao evento aconteceu em 14 de junho, com o tema “Sem homofobia, mais cidadania – Pela isonomia dos direitos”, enfatizando o apoio ao projeto que criminaliza a homofobia no Brasil (Projeto de Lei da Câmara PLC 122/06).[3] A parada deixou bares lotados e contou com a presença da ex-prefeita Marta Suplicy, do prefeito em exercício Gilberto Kassab,[4] e do governador José Serra, além de ter sido aderido por sindicalistas (CTB, CUT, Força Sindical e UGT) e de comunidades religiosas, como a Comunidade Cristã Nova Esperança,[5][6], além dos tradicionais ativistas e simpatizantes.

No dia 24 de maio de 2016, ano em que a manifestação completou vinte anos, o prefeito em exercício Fernando Haddad (PT), assinou um decreto incluindo a Parada do Orgulho LGBT no calendário oficial de eventos da cidade. Desse modo, o evento se torna oficial, acontecendo no mês de maio ou de junho, anualmente. Além disso, também ficou determinado que a administração municipal poderá, se quiser, colaborar financeiramente com o protesto. Na edição de 29 de maio do mesmo ano, houve grande mobilização pela aprovação da Lei de Identidade de Gênero

Nesse mesmo ano, o elenco da série “Sense8”, da Netflix, gravou cenas da segunda temporada no evento. Os atores Jamie Clayton (Nomi Marks), Max Riemelt (Wolfgang Bogdanow), Alfonso Herrera (Hernando), Freema Agyeman (Amanita), Miguel Ángel Silvestre (Lito Rodriguez) e a diretora, Lana Wachowski, subiram em um trio elétrico para gravar as filmagens.[7] Na cena gravada, Lito, personagem de Miguel Ángel Silvestre, que é um ator homossexual não assumido, declara-se gay para a multidão e beija o namorado Hernando (Alfonso Herrera). Os outros integrantes de “Sense8” também participaram da filmagem, protagonizando beijos quentes e performances ao som de Beyoncé e funk[7].

Esta não foi a primeira vez em que atores de séries da Netflix participaram da Parada LGBT de São Paulo, apesar de nunca terem gravado uma cena no evento antes. Em 2014, a atriz Lea DeLaria, que dá vida à personagem Big Boo, em “Orange Is the New Black”, participou da Parada[8]. Já em 2015, colegas de elenco de DeLaria, Uzo Aduba (Crazy Eyes), Natasha Lyonne (Nicky Nichols) e Samira Wiley (Poussey Washington) também marcaram presença na Avenida Paulista.[9]

Recepção[editar | editar código-fonte]

Público presente[editar | editar código-fonte]

Oitava Parada LGBT reuniu milhões de pessoas na Avenida Paulista, em São Paulo.

Uma das maiores dificuldades nas Paradas LGBT consiste no cálculo aproximado das pessoas presentes no evento. Tomando-se como exemplo as edições de São Paulo, realizadas na Avenida Paulista, o evento comportaria um público aproximado de 300.000 pessoas num determinado instante.[10] Em contrapartida, dados de ocupação de hotéis e estabelecimentos de hospedagem em 2008 indicam a presença de 300.000 turistas que se dirigiram à capital paulista para participar do evento.[11] Dados de pesquisa de campo, realizados pela APOGLBT em 2005, estimam que 70% dos participantes residem na região metropolitana de São Paulo, ou seja, utilizando essa informação para extrapolar o número de participantes chegaríamos a um número próximo de 1.000.000 de pessoas que compareceram ao evento em diferentes momentos, caracterizando uma rotatividade de seus participantes.

VIII Parada LGBT em São Paulo.

Segundo estimativas a Polícia Militar de São Paulo, que não fornece estimativas oficiais para o evento, a região da avenida Paulista e regiões próximas de aglomeração, poderia comportar um público fixo de 978 mil pessoas. Com uma taxa de renovação de 2:1 durante o evento, a região da avenida Paulista poderia comportar 1,9 milhão de pessoas segundo estimativas da Polícia Militar.[12] Pode-se supor que a taxa de renovação dos participantes da região metropolitana de São Paulo seja maior que a dos turistas considerando a proximidade de deslocamento, permitindo que números maiores de participantes sejam estimados. Com essas dificuldades em se calcular a rotatividade dos participantes, o público de 2007 foi estimado em 3,5 milhões de participantes. Em 2008 o público estimado pela organização do evento foi de 3,4 milhões de pessoas.[13] Em 2009, os organizadores estimaram o público em 3,1 milhões.[14] As paradas LGBT não são o único evento onde persiste a dificuldade em se estimar o público presente: nas Diretas Já o número de participantes foi estimado em 300 mil pessoas na Praça da Sé cuja dimensão comportaria apenas 50 mil pessoas.[10]

Desde de 2011, quando os organizadores do evento pararam de divulgar no fim do mesmo dia do evento o número de participantes com alegando que mais importante que recordes era a mensagem passada com o evento, apareceram algumas controvérsias como um cálculo realizado pelo instituto de pesquisa Datafolha em 2011.

O instituto alegou média de 250 mil pessoas possivelmente presentes na Avenida Paulista. Os organizadores do evento defendem o fato de que é um evento longo com rotatividade, onde milhares de pessoas chegam, saem e andam não só na Avenida mas também nas ruas próximas até o final da passeata que ocorre no centro da cidade, onde há mais de três quilômetros de percurso. A edição 2007 do "Guinness" foi a última que trouxe o registro do recorde do evento. Na página 89, foi destacado 2,5 milhões de pessoas.[15][16]

XIII Parada, em 2009, em frente à Fiesp.
Trio Parceria Civil, na XIII Parada, em 2009.
Parada de 2012
Parada de 2014
Estimativa de público da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo
Ano Edição Organizadores Polícia Militar Datafolha
1997 I 2.000[17]
1998 II 8.000[17]
1999 III 35.000[17]
2000 IV 120.000[18] 100.000[17]
2001 V 200.000[19]
2002 VI 700.000[20] 400.000[20]
2003 VII 1.000.000[21] 800.000[22]
2004 VIII 1.800.000[23] 1.500.000[23]
2005 IX 2.500.000[23] 1.800.000[23]
2006 X 3.000.000[24] 2.500.000* [24]
2007 XI 3.500.000[25]
2008 XII 3.400.000[26]
2009 XIII 3.100.000[14]
2010 XIV 3.500.000[27]
2011 XV 4.000.000[28]
2012 XVI 4.500.000[15] 270.000[16]
2013 XVII 4.000.000[29][30] 600.000[31] 220.000[16]
2014 XVIII 100.000[32]
2015 XIX 2.000.000[33] 20.000[34]
2016 XX 3.000.000[35] 190.000[36]

* valor incluído no Guiness Book.

Pesquisa entre os participantes[editar | editar código-fonte]

Uma pesquisa realizada durante a edição de 2005 do evento, realizada pela associação que coordena o evento e várias universidades (dentre elas, UERJ, USP e UNICAMP), revelou que 57,6% das pessoas que compareciam ao evento o faziam para que os homossexuais tenham mais direitos; 26,7% por curiosidade ou diversão; 8,9% por solidariedade com amigos ou parentes homossexuais; 4,1% para "paquerar"; 1,6% para trabalhar e 1% por outros motivos. Dentre os participantes, 25,9% se declararam heterossexuais. Quando perguntados que leis ou projetos beneficiam a população LGBT, 40,4% lembraram a parceria civil e 26,7%, leis antidiscriminação. 24,1% dos participantes não souberam especificar.[37]

Temas abordados pelas edições de SP[editar | editar código-fonte]

  • 1997 - "Somos muitos, estamos em todas as profissões"
  • 1998 - "Os direitos de gays, lésbicas e travestis são direitos humanos"
  • 1999 - "Orgulho gay no Brasil, rumo ao ano 2000"
  • 2000 - "Celebrando o Orgulho de Viver a Diversidade"
  • 2001 - "Abraçando a Diversidade"
  • 2002 - "Educando para a Diversidade"
  • 2003 - "Construindo Políticas Homossexuais"
  • 2004 - "Temos Família e Orgulho"
  • 2005 - "Parceria civil, já. Direitos iguais! Nem mais nem menos"
  • 2006 - "Homofobia é Crime! Direitos Sexuais são Direitos Humanos"
  • 2007 - "Por um mundo sem Racismo, Machismo e Homofobia"
  • 2008 - "Homofobia Mata! Por um Estado Laico de Fato"
  • 2009 - "Sem Homofobia, Mais Cidadania – Pela Isonomia dos Direitos!"[38]
  • 2010 - "Vote Contra a Homofobia: Defenda a Cidadania!"[39]
  • 2011 - "Amai-vos uns aos outros: basta de homofobia!"[40]
  • 2012 - "Homofobia tem cura: educação e criminalização."
  • 2013 - "Para o armário nunca mais – União e conscientização na luta contra a homofobia."[41]
  • 2014 - "País vencedor é país sem homolesbostranfobia: chega de mortes! Criminalização já!"[42]
  • 2015 - "Eu nasci assim, eu cresci assim, vou ser sempre assim: respeitem-me"
  • 2016 - "Lei de identidade de gênero, já! - Todas as pessoas juntas contra a Transfobia!"[43]

Ver também[editar | editar código-fonte]


Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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