Central Única dos Trabalhadores

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Bandeira da CUT.

Central Única dos Trabalhadores (CUT)[1] é uma entidade de representação sindical brasileira, fundada em 28 de agosto de 1983 na cidade de São Bernardo do Campo, no estado de São Paulo, durante o Primeiro Congresso Nacional da Classe Trabalhadora, Conclat. Tem como fundamentos de sua atuação o compromisso com a defesa dos interesses imediatos e históricos da classe trabalhadora, a luta por melhores condições de vida e trabalho e o engajamento no processo de transformação social e construção de uma sociedade justa, democrática e igualitária. Tem como objetivo integrar, articular e dirigir, numa perspectiva classista, a luta dos trabalhadores brasileiros da cidade e do campo, ativos e inativos, do setor público e privado.

História[editar | editar código-fonte]

Contexto histórico da Fundação da CUT De 1964 até 1985 o Brasil viveu sob o regime militar no qual direitos constitucionais foram suprimidos, adversários do regime perseguidos, torturados e muitos foram mortos. A sociedade brasileira vivia sob censura. Em fins da década de 1970 inúmeros setores da sociedade civil começaram a se reorganizar e mesmo sobre forte repressão passaram a se manifestar publicamente: as greves dos metalúrgicos do ABCD, os camponeses sem terra, movimento negro, movimentos das mulheres, movimento contra a carestia, organizações estudantis, debates públicos nas universidades entre tantos movimentos e ações enfraqueceram o regime militar e forçaram o início do processo de redemocratização do Brasil.

O Brasil estava mergulhado numa imensa crise econômica, inflação de 150%, dívida externa de 100 bilhões de dólares e dependência do Fundo Monetário Nacional, os salários arrochados e altas taxas de desemprego. É neste contexto que surge a Central Única dos Trabalhadores (CUT), fundada em 28/08/1983 no Pavilhão Vera Cruz, em São Bernardo do Campo, São Paulo, durante o 1º Conclat –Congresso Nacional da Classe Trabalhadora, ocorrido em agosto de 1983, ainda durante o regime militar e em contraponto à ditadura civil militar.

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1º Congresso Nacional da Classe Trabalhadora - 26 a 28 de agosto de 1983 Prefeitura Municipal de Sao Bernardo do Campo

Participaram desta fundação 5.059 delegados, de 912 entidades (335 urbanos, 310 rurais, 134 associações pré-sindicais, 99 associações de funcionários públicos, 5 federações, 8 entidades nacionais e confederações). Esse número de delegados representava mais de 12 milhões de trabalhadores.

O congresso de fundação da CUT aprovou as lutas pelo fim da Lei de Segurança Nacional e do Regime Militar, exigindo eleições diretas para presidente da República. Os delegados aprovaram o combate às políticas econômica e salarial do governo, reivindicando reajustes trimestrais dos salários, a luta contra o desemprego, a defesa da liberdade e autonomia sindical com o fim das intervenções nos sindicatos; a reforma agrária, sob controle dos trabalhadores. Para coordenar essas lutas foi eleita uma direção colegiada, presidida por Jair Meneguelli, então presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema.

De acordo com o histórico da Cut-Sergipe[1] : "A criação da CUT significou um rompimento com os limites da estrutura sindical oficial corporativa, que proibia a existência de organizações interprofissionais. Mas sua legalização (existência jurídica) só foi possível a partir da promulgação da Constituição de 1988, que, também devido à forte pressão social, significou um relativo avanço na conquista de direitos."

Objetivos, bandeiras e princípios[editar | editar código-fonte]

A CUT defende os interesses imediatos e históricos da classe trabalhadora, melhores condições de vida e trabalho e o engajamento no processo de transformação da sociedade brasileira em direção à democracia e ao socialismo. A Central Única dos Trabalhadores considera que a classe trabalhadora tem na unidade um dos pilares básicos que sustentarão suas lutas e suas conquistas. Defende que esta unidade seja fruto da vontade e da consciência política dos trabalhadores da cidade e do campo.

Tem como objetivos organizar, representar sindicalmente e dirigir numa perspectiva classista a luta dos trabalhadores brasileiros da cidade e do campo, do setor público e privado, dos ativos e inativos.

Fazem parte de seus princípios e ações: 

Desenvolver, organizar e apoiar todas as ações que visem a conquista de melhores condições de vida e trabalho para o conjunto da classe trabalhadora da cidade e do campo;

Desenvolver sua atuação de forma independente do estado, do governo e do patronato, e de forma autônoma em relação aos partidos e agrupamentos políticos, aos credos e às instituições religiosas e a quaisquer organismos de caráter programático ou institucional;

Lutar para a superação da estrutura sindical corporativa vigente, desenvolvendo todos os esforços para a implantação de sua organização sindical baseada na liberdade e autonomia sindical;

Lutar pelo contrato coletivo de trabalho, nos níveis geral da classe trabalhadora e específico, por ramo de atividade profissional, por setores, etc.; 

Lutar pela emancipação dos trabalhadores como obra dos próprios trabalhadores, tendo como perspectiva a construção da sociedade socialista. 

Apoiar as lutas concretas do movimento popular da cidade e do campo, desenvolvendo uma relação de unidade e autonomia de acordo com os princípios básicos da Central;

Defender e lutar pela ampliação das liberdades democráticas como garantia dos direitos e conquistas dos trabalhadores e de suas organizações; 

Defender o direito da organização nos locais de trabalho, independentemente das organizações sindicais, através das comissões unitárias, com o objetivo de representar o conjunto dos trabalhadores e dos seus interesses; 

Defender que os trabalhadores se organizem com total independência frente ao Estado e autonomia em relação aos partidos políticos, e que devem decidir livremente suas formas de organização, filiação e sustentação material; 

Construir a unidade da classe trabalhadora baseada na vontade, na consciência e na ação concreta; 

Promover a solidariedade entre os trabalhadores, desenvolvendo e fortalecendo a consciência da classe, em nível nacional e internacional; 

Garantir a mais ampla democracia em todos os seus organismos e instâncias, assegurando completa liberdade de expressão aos seus filiados, desde que não firam as decisões majoritárias e soberanas tomadas pelas instâncias superiores e seja garantida a unidade de ação;

Solidarizar-se com todos os movimentos da classe trabalhadora, em qualquer parte do mundo, desde que os objetivos e princípios desses movimentos não firam os princípios da CUT. A Central defende a unidade de ação e mantem relações com o movimento sindical internacional, assegurando a liberdade e autonomia de cada organização.[2]


Organização[editar | editar código-fonte]

Milhares de Sindicatos, dezenas de federações e confederações são filiados a CUT. As organizações sindicais de base buscam aglutinar as atividades afins ou por ramo de atividade econômica em suas formas organizativas como os sindicatos, federações e confederações.

A Central Única dos Trabalhadores está presente em todos os 26 estados e no Distrito Federal, por meio das CUTs estaduais. No estado de São Paulo, a CUT possui subsedes regionais. A subsede de São Carlos, sendo que foi inaugurada em 9 de maio de 2013, abrange 24 cidades e 19 sindicatos da Região Central.[2] [3]

A CUT também tem 7 escolas de formação, distribuídas regionalmente:

Norte: Escola Chico Mendes

Nordeste: Escola Marise Paiva de Moraes  

Centro Oeste: Escola Apolônio de Carvalho

Sudeste: Escola 7 de Outubro

São Paulo: Escola São Paulo

Sul: Escola Sul e Escola de Turismo e Hotelaria

A CUT conta com um centro de documentação responsável pela memória e história da luta da classe trabalhadora no país, o CEDOC-CUT e com organismos para o desenvolvimento de políticas específicas e assessoria: Agência de Desenvolvimento Solidário (ADS), Instituto Observatório Social (IOS), Instituto Nacional de Saúde no Trabalho (INST), o Departamento de Estudos Sócio-Econômicos e Políticos (DESEP).

Instâncias de Deliberação[editar | editar código-fonte]

O Congresso e a Plenária Nacional são os órgãos máximos de deliberação da Central Única dos Trabalhadores. O Congresso Nacional é realizado a cada três anos, quando é eleita a Executiva Nacional composta por 25 membros efetivos e 7 suplentes. A Direção Nacional é composta pela Executiva Nacional e mais 83 membros efetivos escolhidos conforme o estatuto da Central. Eles e elas representam as estaduais da CUT e as organizações sindicais de base, as entidades sindicais por ramo de atividade econômica e as federações e confederações.

Para cumprir eficazmente os seus objetivos e as deliberações, a CUT tem uma estrutura interna complexa com funções vinculadas a Administração, Comunicação, Formação, Políticas Sociais, Política Sindical, Mulher Trabalhadora, Relações Internacionais e Organização. Conta ainda com comissões sobre a Amazônia, Meio Ambiente e Combate à Discriminação Racial. 

Ex-Presidentes[editar | editar código-fonte]

Galeria de Imagens[editar | editar código-fonte]

Dissidências a partir de 2003[editar | editar código-fonte]

Historicamente relacionada ao Partido dos Trabalhadores, a Central Única dos Trabalhadores participou das greves sindicais dos anos 80 no Grande ABC, principalmente no município de São Bernardo do Campo. É característica da Central Única dos Trabalhadores, sua tendência em oposição ao chamado "Velho Sindicalismo" praticando com Getúlio Dornelles Vargas do Partido Trabalhista Brasileiro, considerado a integração entre os sindicatos e o Ministério do Trabalho, baseado na Carta del Lavoro da Itália Fascista, reivindicando o Novo Sindicalismo independente do Governo Federal, completando-se em 1º de Maio de 2008 (30 anos) democrático e socialista.

A partir do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, diversos grupos políticos, principalmente da esquerda, descontentes com a relação da CUT com o governo federal do PT, romperam com a central, fundando, em 2004, a Conlutas (ligada ao PSTU, setores do PSOL e diversas outras correntes); em 2005 a Intersindical (ligada a setores do PSOL, do PCB e setores de esquerda que romperam ou não com a CUT) e em 2007 a CTB (ligada à Corrente Sindical Classista - CSC do PCdoB, PSB e outros setores de esquerda).

Outras Centrais Sindicais[editar | editar código-fonte]

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]