Central Única dos Trabalhadores

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Bandeira da CUT.

Central Única dos Trabalhadores (CUT) é uma entidade de representação sindical brasileira, fundada em 28 de agosto de 1983 na cidade de São Bernardo do Campo, no estado de São Paulo, durante o Primeiro Congresso Nacional da Classe Trabalhadora, Conclat.

História[editar | editar código-fonte]

De 1964 até 1985 o Brasil viveu sob o regime militar no qual direitos constitucionais foram suprimidos, adversários do regime perseguidos, torturados e muitos foram mortos. A sociedade brasileira vivia sob censura. Em fins da década de 1970 inúmeros setores da sociedade civil começaram a se reorganizar e mesmo sobre forte repressão passaram a se manifestar publicamente: as greves dos metalúrgicos do ABCD, os camponeses sem terra, movimento negro, movimentos das mulheres, movimento contra a carestia, organizações estudantis, debates públicos nas universidades entre tantos movimentos e ações enfraqueceram o regime militar e forçaram o início do processo de redemocratização do Brasil.

O Brasil estava mergulhado numa imensa crise econômica, inflação de 150%, dívida externa de 100 bilhões de dólares e dependência do Fundo Monetário Nacional, os salários arrochados e altas taxas de desemprego. É neste contexto que surge a Central Única dos Trabalhadores (CUT), fundada em 28/08/1983 no Pavilhão Vera Cruz, em São Bernardo do Campo, São Paulo, durante o 1º Conclat –Congresso Nacional da Classe Trabalhadora, ocorrido em agosto de 1983, ainda durante o regime militar e em contraponto à ditadura civil militar.

Participaram desta fundação 5.059 delegados, de 912 entidades (335 urbanos, 310 rurais, 134 associações pré-sindicais, 99 associações de funcionários públicos, 5 federações, 8 entidades nacionais e confederações). Esse número de delegados representava mais de 12 milhões de trabalhadores.

O congresso de fundação da CUT aprovou as lutas pelo fim da Lei de Segurança Nacional e do Regime Militar, exigindo eleições diretas para presidente da República. Os delegados aprovaram o combate às políticas econômica e salarial do governo, reivindicando reajustes trimestrais dos salários, a luta contra o desemprego, a defesa da liberdade e autonomia sindical com o fim das intervenções nos sindicatos; a reforma agrária, sob controle dos trabalhadores. Para coordenar essas lutas foi eleita uma direção colegiada, presidida por Jair Meneguelli, então presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema.

De acordo com o histórico da Cut-Sergipe[1]: "A criação da CUT significou um rompimento com os limites da estrutura sindical oficial corporativa, que proibia a existência de organizações interprofissionais. Mas sua legalização (existência jurídica) só foi possível a partir da promulgação da Constituição de 1988, que, também devido à forte pressão social, significou um relativo avanço na conquista de direitos."

Organização[editar | editar código-fonte]

Milhares de Sindicatos, dezenas de federações e confederações são filiados a CUT. As organizações sindicais de base buscam aglutinar as atividades afins ou por ramo de atividade econômica em suas formas organizativas como os sindicatos, federações e confederações.

A Central Única dos Trabalhadores está presente em todos os 26 estados e no Distrito Federal, por meio das CUTs estaduais. No estado de São Paulo, a CUT possui subsedes regionais. A subsede de São Carlos, sendo que foi inaugurada em 9 de maio de 2013, abrange 24 cidades e 19 sindicatos da Região Central.[2] [3]

A CUT também tem 7 escolas de formação, distribuídas regionalmente:

Norte: Escola Chico Mendes

Nordeste: Escola Marise Paiva de Moraes  

Centro Oeste: Escola Apolônio de Carvalho

Sudeste: Escola 7 de Outubro

São Paulo: Escola São Paulo

Sul: Escola Sul e Escola de Turismo e Hotelaria

A CUT conta com um centro de documentação responsável pela memória e história da luta da classe trabalhadora no país, o CEDOC-CUT e com organismos para o desenvolvimento de políticas específicas e assessoria: Agência de Desenvolvimento Solidário (ADS), Instituto Observatório Social (IOS), Instituto Nacional de Saúde no Trabalho (INST), o Departamento de Estudos Sócio-Econômicos e Políticos (DESEP).

Ex-Presidentes[editar | editar código-fonte]

Dissidências a partir de 2003[editar | editar código-fonte]

Historicamente relacionada ao Partido dos Trabalhadores, a Central Única dos Trabalhadores participou das greves sindicais dos anos 80 no Grande ABC, principalmente no município de São Bernardo do Campo. É característica da Central Única dos Trabalhadores, sua tendência em oposição ao chamado "Velho Sindicalismo" praticando com Getúlio Dornelles Vargas do Partido Trabalhista Brasileiro, considerado a integração entre os sindicatos e o Ministério do Trabalho, baseado na Carta del Lavoro da Itália Fascista, reivindicando o Novo Sindicalismo independente do Governo Federal, completando-se em 1º de Maio de 2008 (30 anos) democrático e socialista.

A partir do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, diversos grupos políticos, principalmente da esquerda, descontentes com a relação da CUT com o governo federal do PT, romperam com a central, fundando, em 2004, a Conlutas (ligada ao PSTU, setores do PSOL e diversas outras correntes); em 2005 a Intersindical (ligada a setores do PSOL, do Polo Comunista Luiz Carlos Prestes e setores de esquerda que romperam ou não com a CUT) e em 2007 a CTB (ligada à Corrente Sindical Classista - CSC do PCdoB, PSB e outros setores de esquerda).

Outras Centrais Sindicais[editar | editar código-fonte]

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]