Museu Lasar Segall

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Museu Lasar Segall
Tipo Artes
Inauguração 1967
Diretor Jorge Schwartz
Website www.museusegall.org.br
Geografia
País  Brasil
Cidade São Paulo

O Museu Lasar Segall foi criado como uma associação civil brasileira sem fins lucrativos para reunir, divulgar e preservar as obras de Lasar Segall, pintor, escritor e gravurista lituano. O local foi idealizado pela viúva do artista, Jenny Klabin Segall,[1] e criada pelos filhos do casal, Mauricio Klabin Segall e Oscar Klabin Segall.[2]

Localizado à Rua Berta, 111, na Vila Mariana, São Paulo, está instalado na antiga residência e ateliê de Lasar Segall, projetada em 1932 por seu concunhado, o arquiteto de origem russa, Gregori Warchavchik.[3]

Jardim do Museu Lasar Segall

Em 1985 foi incorporado à Fundação Nacional Pró-Memória, integrando hoje o Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM), do Ministério da Cultura, como unidade museológica. O Museu Lasar Segall tem como principal objetivo conservar, pesquisar, divulgar, documentar e estudar a obra de Lasar Segall, possuindo acervo de cerca de três mil trabalhos do artista, doados por seus filhos, além de arquivo pessoal e fotográfico, chegando a mais de seis mil itens catalogados.[4]

Histórico[editar | editar código-fonte]

Em 1963, uma ala da residência e do ateliê de Lasar Segall foi aberto à visitação. Em 1965, ainda com infraestrutura precária, foi permitido que o público desfrutasse das outras instalações, além da ala inicial. Em 2 de agosto de 1967, a idealizadora do museu, Jenny Klabin Segall, esposa do artista que dá nome ao museu, faleceu. O projeto foi então continuado pelos filhos do casal, Mauricio Klabin Segall e Oscar Klabin Segall, para que em 21 de setembro do mesmo ano houvesse a inauguração simbólica do Museu Lasar Segall, marcada com a exposição de obras do artista. A inauguração oficial ocorreu em 27 de fevereiro de 1970, com a criação da Associação Museu Lasar Segall. Em 1973, foi definitivamente aberto ao público com horários regulares para visitação.[5]

O Museu Lasar Segall foi um ambiente de resistência durante o período militar. Em 13 de dezembro de 1968, foi promulgado o Ato Institucional Número Cinco, que deu início ao período mais duro do regime, com punições arbitrárias, tortura e aprisionamento àqueles que fossem considerados inimigos do governo. Espaços culturais pioneiros surgiram como ambientes de resistência, assim como o museu, que fez parte destes espaços culturais ao veicular obras de cunho social e crítico. Promoveu ciclos cinematográficos que atraia o público interessado em manifestações culturais. Posteriormente, essa atividade voltou-se para a inclusão de um novo público que não tinha proximidade com o meio cultural: colegiais, donas de casa, trabalhadores e outros segmentos sociais, com o intuito de democratizar a cultura.[6]

O museu passou a oferecer cursos para que seu público fosse artisticamente ativo. Os cursos de fotografia, artes plásticas (desenho, pintura, escultura), redação e a criação e manutenção de um coral tornaram-se parte das atividades do museu. O público que frequentava os cursos viam a sensibilização do estético como forma de obter uma melhor compreensão crítica do mundo.[6]. Entre os anos de 1970 e 1980, Hélio Cabral, Hugo Gama, Eva Furnari, Silvio Dworecki, José Antonio Pasta Jr., Luís Paulo Pires de Lima, Sérgio Muniz, Marco Antonio da Silva Ramos atuaram como responsáveis das atividades artístico-culturais. [5]

Reforma[editar | editar código-fonte]

Em 2013, o Museu Lasar Segall fechou suas portas para reformas por aproximadamente um ano. O orçamento total foi de R$2,5 milhões, sendo que, deste montante, R$1,5 milhão veio do Fundo Nacional da Cultura (FNC) e R$1 milhão restante, da Petrobras. O motivo da reforma foi apenas reparação: infraestrutura, instalações elétricas, alguns reparos como infiltrações, telhado, climatização e sistema de segurança. [7]. Foi reaberto em 12 de setembro de 2014 com todos os problemas infraestruturais resolvidos e com um novo ateliê de gravuras, além de uma sala de cinema aberta ao público. [8]

Acervo[editar | editar código-fonte]

O museu é composto por 3.199 obras originais de Lasar Segall. Seu neto Oscar Klabin Segall doou mais 110 obras do artista para o acervo em 2013. Entre as 35 pinturas a óleo que permanecem no local, está disponível uma das mais famosas do pintor, a Navio de Emigrantes, feita de 1939 a 1941.

Para complementar o patrimônio do museu, também estão amostra cerca de 80.00 documentos reunidos durante a vida do artista. Correspondências, textos em vários idiomas, traduções do artista, fotografias que registram o seu dia a dia, sua família e amigos, suas viagens e o processo de suas obras, livros que pertenciam a sua antiga biblioteca, principalmente sobre arte modernista e expressionista e objetos pessoais como caixas com selos e uma coleção de rótulos de charutos também compõem o acervo. [9]

Biblioteca[editar | editar código-fonte]

O Museu possui ainda uma biblioteca especializada em Artes dos Espetáculos (Cinema, Teatro, Rádio e Televisão, Dança, Ópera e Circo) e em Fotografia, com um dos maiores acervos da América do Sul. A biblioteca, denominada Jenny Klabin Segall, está aberta ao público desde maio de 1973 e carrega o nome da escritora, tradutora, idealizadora do Museu e esposa de Lasar Segall [10]. O acervo conta com livros que já pertenceram a críticos de renome como Lopes Gonçalves, Georges Raeders e Anatol Rosenfeld.[4]

Estão disponíveis também mostras equiparáveis de artistas contemporâneos que dialogam e se relacionam com as obras de Segall, como Egon Schielle e Paul Klee.

Cine Segall[editar | editar código-fonte]

O Museu Lasar Segall também conta com uma sala de cinema com capacidade de 92 lugares[11], o Cine Segall. Com a reforma de 2014 e 2015, a programação da sala se tornou mais restrita, contando com tardes temáticas e poucos filmes correspondendo à programação normal, tornando possível que o Cine Segall adquirisse novos equipamentos. Hoje a sala conta com um novo projetor 35mm e um novo sistema de Som Dolby Surround.[12]

Área de Atividades Criativas[editar | editar código-fonte]

Com a intenção de ser um espaço também de criação, o Museu Lasar Segall ainda promove oficinas e cursos na chamada Área de Atividades Criativas do Museu; com setores de Criação Literária, Ateliê de Gravura e Fotografia oferecem atividades paralelas que estimulam maior agência dos visitantes dentro do ambiente do Museu. [13]

Referências

  1. «Museu Lasar Segall refaz trajetória de Jenny Klabin». Folha Uol. Consultado em 27 de abril de 2014. 
  2. «Cultura - Maurício Segall». Consultado em 27 de abril de 2014. 
  3. «O museu Lasar Segall na década de 70 - Maria Lúcia Alexandrino Segall». EdUSP. Consultado em 27 de abril de 2014. 
  4. a b «Museu Lasar Segall aumenta seu acervo». Folha Uol. Consultado em 27 de abril de 2014. 
  5. a b «Museu Lasar Segall». Enciclopédia Itaú Cultural. Consultado em 12 de setembro de 2016. 
  6. a b «O Museu Lasar Segall na Década de 70». edusp. Consultado em 12 de setembro de 2016. 
  7. "Museu Lasar Segall". Acessado em 12 de setembro de 2016
  8. "Museu Lasar Segall". Acessado em 12 de setembro de 2016
  9. «Obras Acervo Museu Lasar Segall». Museus Lasar Segall. Consultado em 12 de setembro de 2016. 
  10. "Biblioteca Jenny Klabin Segall". Acessado em 12 de setembro de 2016
  11. Museu Lasar Segall, Guia da Semana.[1]Consultado em 14 de setembro de 2016
  12. Programação do Cine Segall, Museu Lasar Segall website.[2]Consultado em 14 de setembro de 2016.
  13. Oficinas e Cursos, Museu Lasar Segall website.[3]Consultado em 14 de setembro de 2016.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]