Museu Lasar Segall

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Museu Lasar Segall
Tipo Artes
Inauguração 1967
Diretor Jorge Schwartz
Website www.museusegall.org.br
Geografia
País  Brasil
Cidade São Paulo

O Museu Lasar Segall foi criado como uma Associação Civil brasileira sem fins lucrativos[1] para reunir, divulgar e preservar as Obras de Lasar Segall, pintor[2], Escritor e gravurista[3] nascido em 1889 na capital da Lituânia, Vilnius[4]. O local foi idealizado pela viúva do Artista, Jenny Klabin Segall,[5] e criada pelos filhos do casal, Mauricio Klabin Segall e Oscar Klabin Segall.[6][7][8]

Localizado à Rua Berta, 111, na Vila Mariana, Zona Sul de São Paulo no Brasil, está instalado na antiga residência[9] e ateliê de Lasar Segall, projetada em 1932 por seu concunhado[10], o arquiteto de origem russa, Gregori Warchavchik.[11]

Jardim do Museu Lasar Segall

Em 1985 foi incorporado à Fundação Nacional Pró-Memória, integrando hoje o Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM), do Ministério da Cultura, como unidade museológica.[12] O principal objetivo do museu é conservar, pesquisar, divulgar, documentar e estudar as obras de Lasar Segall, o acervo possui cerca de três mill (3.000) trabalhos do artista os quais foram doados pelos seus filhos, além do próprio arquivo pessoal e fotográfico[13] que somados chegam a mais de seis mil itens catalogados.[12]

O Museu[14] também possui diversas atividades culturais, oferecendo cursos relacionados[15], programas de visitas monitoradas, projeção de cinema[16], e ainda possui uma grande biblioteca.[4]

No museu também é possível encontrar a Área de Ação Educativa do Museu Lasar Segall.[4] Esta, recebe somente grupos agendados que possuam o interesse e o propósito de trazer a aproximação para com as obras do pintor.[4] As ações são realizadas à partir de educadores os quais fazem Pesquisas vínculadas a obra de Lasar Segall e então emergem em questões de grupos sociais e culturais.[4] Então, essas pesquisas acabam por resultar em cursos, vivências, práticas artísticas[17] e laboratórios. [4]

Embora as obras de Lasar Segall sejam as mais procuradas, o museu também é uma enorme referência em diversas outras áreas da cultura.[12] Sua biblioteca reúne o acervo mais importante de Teatro no país[18], contando com livros que já pertenceram a críticos[19] de renome como Lopes Gonçalves, Georges Raeders e Anatol Rosenfeld.[12] O Cine Segall[20] também faz parte do famoso circuito cultural paulistano e frequentemente exibe filmes de arte nas dependências internas do museu.[12]

Histórico[editar | editar código-fonte]

Em uma das vindas de Lasar Segall ao Brasil, em 1932, uma pessoa próxima a ele ergueu um ateliê ao lado de sua casa e teve a ideia de introduzir a "Escola de Arte de Lasar Segall", porém não obtendo sucesso[21]. Ao decorrer dos anos, Lasar Segall teve muitos projetos executados, criou cenários e figurinos, obteve diversas obras em Exposições, Filmes, Documentários e Livros de seus admiradores feitos sobre ele e as mesmas, não só no Brasil como no fundo a fora.[21] Faleceu em 1957, em sua própria residência e após quase 10 anos, sua mulher teve a perspectiva da criação de um museu.[22]

Durante muitos anos o lugar serviu como ponto de encontro para artistas e pessoas ligadas à arte e abrigou o processo seletivo de Lasar Segall que era pintor, desenhista, gravador e escultor.[23] Esse foi um dos motivos para que, após sua morte, em 1957, Jenny Klabin Segall tenha decidido reunir e catalogar as obras do marido, e transformar a antiga residência do casal no hoje Museu Lasar Segall.[23]

Em 1963, uma ala da residência e do ateliê de Lasar Segall foi aberto à visitação. Em 1965, ainda com infraestrutura precária, foi permitido que o público desfrutasse das outras instalações, além da ala inicial. [24]Em 2 de agosto de 1967, a idealizadora do Museu, Jenny Klabin Segall, esposa do artista que dá nome ao museu, faleceu. O projeto foi então continuado pelos filhos do casal, Mauricio Klabin Segall e Oscar Klabin Segall, para que em 21 de setembro do mesmo ano houvesse a inauguração simbólica do Museu Lasar Segall, marcada com a exposição de obras do artista.[24] A Inauguração oficial ocorreu em 27 de fevereiro de 1970, com a criação da Associação Museu Lasar Segall. Em 1973, foi definitivamente aberto ao público com horários regulares para Visitação.[24]

O Museu Lasar Segall foi um ambiente de resistência durante o período militar.[25] Em 13 de dezembro de 1968, foi promulgado o Ato Institucional Número Cinco, que deu início ao período mais duro do regime, com punições arbitrárias, tortura e aprisionamento àqueles que fossem considerados inimigos do governo.[26][27][28] Espaços culturais pioneiros surgiram como ambientes de resistência, assim como o museu, que fez parte destes espaços culturais ao veicular obras de cunho social e crítico.[25] Promoveu ciclos cinematográficos que atraia o público interessado em manifestações culturais. Posteriormente, essa atividade voltou-se para a inclusão de um novo público que não tinha proximidade com o meio cultural: colegiais, donas de casa, trabalhadores e outros segmentos sociais, com o intuito de democratizar a cultura.[25]

O museu passou a oferecer cursos para que seu público fosse artisticamente ativo. [25]Os cursos de fotografia, Artes plásticas (desenho, pintura, escultura), Redação e a criação e manutenção de um coral tornaram-se parte das atividades do museu. O público que frequentava os cursos viam a sensibilização do estético como forma de obter uma melhor compreensão crítica do mundo.[25]. Entre os anos de 1970 e 1980, Hélio Cabral, Hugo Gama, Eva Furnari, Silvio Dworecki, José Antonio Pasta Jr., Luís Paulo Pires de Lima, Sérgio Muniz, Marco Antonio da Silva Ramos atuaram como responsáveis das atividades artístico-culturais. [24]

Lasar Segal nasceu em Vilnius, Lituânia, em 1889. Ele é considerado um artista de obras impressionistas[29], realista[30] e expressionista[31], além de ser destaque na arte moderna um representante das vanguardas europeias[32] no Brasil.[33] Ele morreu na Cidade de São Paulo em 1957[34].

Reforma[editar | editar código-fonte]

Em dezembro de 2013, o Museu Lasar Segall fechou suas portas para reformas por aproximadamente um ano e meio[35][36]. O orçamento total foi de R$2,5 milhões, sendo que, deste montante, R$1,5 milhão veio do Fundo Nacional da Cultura (FNC) e R$1 milhão restante, da Petrobras. O motivo da reforma foi apenas reparação: infraestrutura, instalações elétricas, alguns reparos como infiltrações, telhado, climatização e sistema de segurança. [37]. Foi reaberto em 12 de setembro de 2015 recebendo a exposição "Mário de Andrade e seus dois pintores: Lasar Segall e Candido Portinari"[38], que reúne três excepcionais nomes da arte brasileira. A partir deste ano, o museu começou a apresentar e oferecer uma melhor infraestrutura ao público com todos os problemas alarmantes solucionados e com algumas novidades como, a implementação de um novo ateliê de gravuras e a introdução de uma sala de Cinema aberta ao público. [39][40]

Acervo[editar | editar código-fonte]

O museu é composto por 3.199 obras originais de Lasar Segall. Seu neto Oscar Klabin Segall doou mais 110 obras do artista para o acervo em 2013.[4] Entre as 35 pinturas a óleo que permanecem no local, está disponível uma das mais famosas do pintor, a Navio de Emigrantes, feita de 1939 a 1941. Dentre as obras pode-se encontrar mais de 400 gravuras, 2 mil desenhos, de diferentes técnicas, como também pinturas e esculturas.[4]

Para complementar o Patrimônio do museu, também estão amostra cerca de 80.00 Documento reunidos durante a vida do artista. Correspondências, textos em vários idiomas[41], traduções do artista, fotografias que registram o seu dia a dia, sua família e amigos, suas viagens e o processo de suas obras, livros que pertenciam a sua antiga biblioteca, principalmente sobre arte modernista e expressionista e objetos pessoais como caixas com Selos e uma coleção de rótulos de Charutos também compõem o acervo. [42]

Teatro, Ópera, Circo, Dança[editar | editar código-fonte]

O acervo nesse espaço conta com mais de 25 mil textos teatrais[43]. Ele foi criado com coleções da Jenny Klabin Segall e de críticos teatrais como Lopes Gonçalves e Anatol Rosenfeld.[44]

A coleção de programas e criticas de encenações da história do teatro, ópera e dança em São Paulo e em regiões do Brasil, são além dos textos teatrais, outra aquisição muito importante para a formação do acervo nesta área.

O museu ainda continua sendo engrandecido com doações ou até mesmo com compras de importantes obras.[44]

Cinema, televisão, rádio[editar | editar código-fonte]

O principal meio de agregação desse acervo é através de compras dos mais importantes periódicos e livros. Desde 1974 foi sendo juntado grande variedade de matérias para a criação do acervo como fichas técnicas de filmes, folhetos, documentação jornalistica de rádio, cinema e televisão, roteiros. E devido a este fato, o acervo, hoje, possui grande diversidade de instrumentos.[44]

Fotografia[editar | editar código-fonte]

Um dos mais completos e especializado acervo de fotografia está localizado no Museu Lasar Segall, na biblioteca. A coleção de livros e periódicos nacionais e estrangeiros, documentos de fotógrafos e catálogos de exposições fotográficas, formam está área tão completa sobre a fotografia.[44]No meio de poucos acervos capacitados em fotografia na cidade de São Paulo, o acervo da Biblioteca Jenny Klabin Segall é uma referência quando o assunto é fotografia.[45]

Documentação Lasar Segall[editar | editar código-fonte]

Publicações que citem o personagem principal do museu, Lasar Segall, produzem esse acervo. Livros, reportagens de revistas e jornais, álbuns, cartazes, etc, são mais de seis mil artigos que completam essa documentação de Sagall.[44]Abrange-se a esta documentação, trabalhos sobre o Expressionismo alemão e o Modernismo paulista.[46]

Biblioteca[editar | editar código-fonte]

O Museu possui ainda uma biblioteca especializada em Artes dos Espetáculos (Cinema, Teatro, Rádio e Televisão, Dança, Ópera e Circo) e em Fotografia, com um dos maiores acervos da América do Sul. A biblioteca, denominada Jenny Klabin Segall, está aberta ao público desde maio de 1973 e carrega o nome da escritora, tradutora, idealizadora do Museu e esposa de Lasar Segall [47]. O acervo conta com livros que já pertenceram a críticos de renome como Lopes Gonçalves, Georges Raeders e Anatol Rosenfeld.[12]

Estão disponíveis também mostras equiparáveis de artistas contemporâneos que dialogam e se relacionam com as obras de Segall, como Egon Schielle e Paul Klee.

O acervo não possui sistema de empréstimo. Dentro de limites da legislação vigente acima do direito autoral e política da conservação é oferecido cópias das obras.[48]

Cine Segall[editar | editar código-fonte]

O Museu Lasar Segall também conta com uma sala de cinema com capacidade de 92 lugares[49], o Cine Segall. Com a reforma de 2014 e 2015, a programação da sala se tornou mais restrita, contando com tardes temáticas e poucos filmes correspondendo à programação normal, tornando possível que o Cine Segall adquirisse novos equipamentos. A reforma desse cinema terminou em fevereiro de 2016 e hoje a sala conta com um novo projetor 35mm e um novo sistema de Som Dolby Surround.[50]

Área de Atividades Criativas[editar | editar código-fonte]

Com a intenção de ser um espaço também de criação, o Museu Lasar Segall ainda promove oficinas e cursos na chamada Área de Atividades Criativas do Museu; com setores de Criação Literária, Ateliê de Gravura e Fotografia oferecem atividades paralelas que estimulam maior agência dos visitantes dentro do ambiente do Museu. [51]

Ação Educativa[editar | editar código-fonte]

O Museu Lasar Segall possui uma Área de Ação Educativa, onde os educadores desempenham atividades a partir de pesquisas pessoais totalmente relacionadas as obras de Lasar Segall, produções contemporâneas e algumas questões que afloram de determinados grupos sociais e culturais.[52] Todas essas pesquisas são consolidadas em vivências, práticas artísticas e laboratórios específicos[52].

Informações e serviços[editar | editar código-fonte]

O Museu, que conta com cafeteria, conexão, sala de cinema, oficina e cursos, funciona de quarta a segunda-feira com horário das 11h às 19h. Sua entrada é franca para todos os visitantes. [53]

Referências

  1. «Organização sem fins lucrativos». Wikipédia, a enciclopédia livre. 1 de dezembro de 2015 
  2. «Pintura». Wikipédia, a enciclopédia livre. 28 de março de 2017 
  3. «Gravura». Wikipédia, a enciclopédia livre. 1 de abril de 2017 
  4. a b c d e f g «Museu Lasar Segall». www.museusegall.org.br. Consultado em 16 de abril de 2017 
  5. «Museu Lasar Segall refaz trajetória de Jenny Klabin». Folha Uol. Consultado em 27 de abril de 2014 
  6. «Cultura - Maurício Segall». Consultado em 27 de abril de 2014 
  7. «Museu Lasar Segall». www.museusegall.org.br. Consultado em 29 de abril de 2017 
  8. «Museu Lasar Segall - lugares - Estadao.com.br - Acervo». Estadão - Acervo 
  9. «Casa». Wikipédia, a enciclopédia livre. 17 de fevereiro de 2017 
  10. «Parentesco». Wikipédia, a enciclopédia livre. 18 de abril de 2017 
  11. «O museu Lasar Segall na década de 70 - Maria Lúcia Alexandrino Segall». EdUSP. Consultado em 27 de abril de 2014 
  12. a b c d e f «Museu Lasar Segall aumenta seu acervo». Folha Uol. Consultado em 27 de abril de 2014 
  13. «Fotografia». Wikipédia, a enciclopédia livre. 21 de abril de 2017 
  14. «Museu». Wikipédia, a enciclopédia livre. 29 de outubro de 2016 
  15. «oficinas e cursos». Museu Lasar Segall 
  16. «Cine Segall». Museu Lasar Segall 
  17. «Arte». Wikipédia, a enciclopédia livre. 21 de abril de 2017 
  18. «Brasil». Wikipédia, a enciclopédia livre. 10 de abril de 2017 
  19. «Crítica». Wikipédia, a enciclopédia livre. 9 de janeiro de 2017 
  20. «Museu Lasar Segall». www.museusegall.org.br. Consultado em 29 de abril de 2017 
  21. a b Cultural, Instituto Itaú. «Lasar Segall | Enciclopédia Itaú Cultural». Enciclopédia Itaú Cultural 
  22. Arte, Escritório de. «Lasar Segall - Obras, biografia e vida». www.escritoriodearte.com. Consultado em 26 de abril de 2017 
  23. a b «Museu Lasar Segall e Casa Modernista». CHK. 5 de abril de 2016 
  24. a b c d «Museu Lasar Segall». Enciclopédia Itaú Cultural. Consultado em 12 de setembro de 2016 
  25. a b c d e «O Museu Lasar Segall na Década de 70». edusp. Consultado em 12 de setembro de 2016 
  26. «Atos Institucionais». Wikipédia, a enciclopédia livre. 7 de março de 2017 
  27. «Ditadura militar». Wikipédia, a enciclopédia livre. 25 de abril de 2017 
  28. «Ditadura militar no Brasil (1964–1985)». Wikipédia, a enciclopédia livre. 28 de abril de 2017 
  29. «Impressionismo». Wikipédia, a enciclopédia livre. 26 de abril de 2017 
  30. «Realismo». Wikipédia, a enciclopédia livre. 23 de fevereiro de 2017 
  31. «Expressionismo». Wikipédia, a enciclopédia livre. 28 de março de 2017 
  32. «Vanguarda». Wikipédia, a enciclopédia livre. 28 de março de 2017 
  33. Cultural, Instituto Itaú. «Lasar Segall | Enciclopédia Itaú Cultural». Enciclopédia Itaú Cultural 
  34. «Biografia de Lasar Segall». eBiografia 
  35. http://agenciabrasil.ebc.com.br/cultura/noticia/2015-09/museu-lasar-segall-reabre-ao-publico-apos-um-ano-e-meio-de-reformas
  36. «Museu Lasar Segall reabre ao público após um ano e meio em reforma». EBC. 12 de setembro de 2015 
  37. "Museu Lasar Segall". Acessado em 12 de setembro de 2016
  38. «Museu Lasar Segall». www.museusegall.org.br. Consultado em 29 de abril de 2017 
  39. "Museu Lasar Segall". Acessado em 12 de setembro de 2016
  40. «Museu Lasar Segall é reaberto com exposição inédita e gratuita». Catraca Livre. 4 de agosto de 2015 
  41. «Língua natural». Wikipédia, a enciclopédia livre. 11 de outubro de 2016 
  42. «Obras Acervo Museu Lasar Segall». Museus Lasar Segall. Consultado em 12 de setembro de 2016 
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  46. «Museu Lasar Segall». www.museusegall.org.br. Consultado em 24 de abril de 2017 
  47. "Biblioteca Jenny Klabin Segall". Acessado em 12 de setembro de 2016
  48. «Museu Lasar Segall». www.museusegall.org.br. Consultado em 23 de abril de 2017 
  49. Museu Lasar Segall, Guia da Semana.[1]Consultado em 14 de setembro de 2016
  50. Programação do Cine Segall, Museu Lasar Segall website.[2]Consultado em 14 de setembro de 2016.
  51. Oficinas e Cursos, Museu Lasar Segall website.[3]Consultado em 14 de setembro de 2016.
  52. a b Paulo, Bienal São. «32ª Bienal Laboratório com professores e educadores - Museu Lasar Segall - Bienal». www.bienal.org.br. Consultado em 28 de abril de 2017 
  53. «Museu Lasar Segall | Museus | SP360° | A maior viagem virtual pela cidade». www.sp360.com.br. Consultado em 30 de abril de 2017 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]