Estação Pinacoteca

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Estação Pinacoteca
Estação São Paulo
Vista da Estação Pinacoteca.
Arquiteto Ramos de Azevedo
Início da construção c.1908[1]
Fim da construção 1914
Inauguração 1914 [2]
Restauro 2 de julho de 2002 (restauro)[3]
21 de janeiro de 2004 (inauguração)[4]
Proprietário inicial E.F.Sorocabana (1914-1942)
Deops-SP (1942-1983)
Polícia Civil (1983-2002)
Função inicial Estação ferroviária, armazém geral e sede da E.F. Sorocabana (1914-1942)
Delegacia (1942-2002)[5]
Proprietário atual Pinacoteca do Estado de São Paulo (2002-)
Função atual Museu
Website http://pinacoteca.org.br/
Património
Classificação nacional Tombado pelo
Iphan (2011)
Condephaat (1999)[3]
Conpresp (2020)
Geografia
País Brasil
Cidade São Paulo

A Pina_Estação é um local de exposições artísticas da cidade de São Paulo, mantida pelo Governo do Estado de São Paulo. Fica localizada no centro da cidade, no Largo General Osório, 66, no bairro da Luz ao lado da Sala São Paulo e da Estação Júlio Prestes. Abriga exposições temporárias da Pinacoteca de São Paulo, o Memorial da Resistência de São Paulo, o Centro de Documentação e Memória da Pinacoteca do Estado (Cedoc) e a Biblioteca Walter Wey.

História[editar | editar código-fonte]

Estação ferroviária[editar | editar código-fonte]

Obras da estação, 1912. Acervo da Biblioteca Nacional.

Após arrendar a Estrada de Ferro Sorocabana em 1907, a Brazil Railway Company de Percival Farquhar anunciou a intenção de construir uma nova sede para a Sorocabana, agora rebatizada "Sorocabana Railway Company", dadas as condições da existente e primitiva estação desta ferrovia na capital paulista.

O projeto do prédio foi contratado junto ao escritório do arquiteto Ramos de Azevedo, autor de outros edifícios símbolos de São Paulo como o Mercado Municipal, o Teatro Municipal, o Palácio das Indústrias, entre outros. Em estilo eclético conta com seis pavimentos, construído em três módulos em uma área de 7550 metros quadrados. O revestimento da fachada é em tijolos cerâmicos aparentes e praticamente quase todo o material foi importado da Inglaterra e Alemanha [6].

Suas obras foram iniciadas em meados de 1908, como parte de um grande plano de remodelação do pátio, armazéns e da estação ferroviária terminal de São Paulo.[1] Após seis anos de obras, a nova estação e sede da Sorocabana Railway foi entregue em 1914. Apesar de ser um prédio moderno, a Sorocabana o classificou como provisório pois tinha a intenção de construir uma nova estação de passageiros para rivalizar com a Estação da Luz. [7][2]

Com a construção e aberta da nova estação São Paulo na década de 1930, o prédio perdeu sua função de estação e passa a ser uma sede administrativa da Sorocabana até ser transformada em sede da delegacia do Departamento Estadual de Ordem Política e Social de São Paulo pelo interventor Fernando de Sousa Costa em 1942.[8][5]

Sede do Deops (1942-1983) e Delegacia (1983-2002)[editar | editar código-fonte]

O mesmo prédio, durante o período da ditadura militar, deu lugar ao Deops (Departamento Estadual de Ordem Política e Social), a polícia política do governo paulista, órgão criado em 1924. O então líder sindical Luiz Inácio Lula da Silva ficou preso 31 dias lá durante uma greve em 1980. Também passaram por lá Caetano Veloso e Gilberto Gil, antes da deportação [9]. Com o fim do Deops, o prédio abrigou a Delegacia de Defesa do Consumidor da Polícia Civil até 2002.[5][10]

Foi transformado no Memorial da Resistência, com a exposição de longa duração que faz uma reflexão do controle, repressão e resistência durante o período da ditadura militar [11].

Pinacoteca do Estado (2002-)[editar | editar código-fonte]

O prédio foi incorporado pela Pinacoteca do Estado em 2002 e é administrado e mantido pela instituição.[5]

Roubo[editar | editar código-fonte]

No dia 11 de junho de 2008 dois assaltantes à mão armada roubaram quatro obras de arte no valor de quase 400 mil euros, expostas no museu.

As obras roubadas foram Mulheres na Janela (Di Cavalcanti, 1926), O Pintor e seu Modelo (1963), Minotauro, Bebedouro e Mulheres (1933), ambas de Picasso, e uma gravura, Casal, do lituano naturalizado brasileiro, Lasar Segall.

Todas as obras viriam a ser recuperadas. A obra O Pintor e seu Modelo foi recuperada na madrugada de 20 de julho de 2008 pela Polícia Civil de São Paulo. As obras de Di Cavalcanti e Segall foram encontradas numa vivenda em Guaianases, bairro da zona leste de São Paulo, após uma operação policial que conduziu à captura de um dos homens acusados do roubo na Pinacoteca. A gravura «Minotauro, bebedor e mulheres», de Pablo Picasso, foi recuperada pela polícia em 15 de agosto.

A gravura foi encontrada abandonada à beira de uma estrada na zona oeste de São Paulo, na sequência de uma operação levada a cabo pela polícia numa favela próxima.

A recuperação apenas foi confirmada no dia 18, quando os peritos da Pinacoteca verificaram tratar-se da obra original roubada.

Acervo[editar | editar código-fonte]

Reúne 200 obras do acervo da Fundação José e Paulina Nemirovsky, composto por obras de artistas como Lasar Segall, Cândido Portinari, Di Cavalcanti, Alfredo Volpi e Victor Brecheret [11].

Artistas que já tiveram mostras[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b Sorocabana Railway Company (1909). «Obras novas». Relatório Anual de 1908, página 39/Memória Estatística do Brasil-Biblioteca do Ministério da Fazenda no Rio de Janeiro, republicado no Internet Archive. Consultado em 2 de junho de 2020 
  2. a b Ralph Mennucci Giesbrecht. «São Paulo». Estações ferroviárias do Brasil. Consultado em 2 de junho de 2020 
  3. a b «Edifício do antigo DOPS – atual Estação Pinacoteca». Condephaat. Consultado em 2 de junho de 2020 
  4. Assessoria de Imprensa da Secretaria da Cultura (20 de janeiro de 2004). «Cultura: Estação Pinacoteca vai funcionar no antigo prédio do Dops». Portal do Governo do Estado de São Paulo. Consultado em 2 de junho de 2020 
  5. a b c d José Luiz Araújo (12 de janeiro de 2005). «Conheça a prisão que virou museu». A Tribuna (Santos)/republicado pelo Portal do Governo do Estado de São Paulo. Consultado em 2 de junho de 2020 
  6. «Histórico Estação Pinacoteca». Fórum Permanente. Consultado em 13 de junho de 2020 
  7. Ralph Mennucci Giesbrecht. «São Paulo (1875)». Estações ferroviárias do Brasil. Consultado em 2 de junho de 2020 
  8. Ralph Mennucci Giesbrecht. «Julio Prestes». Estações ferroviárias do Brasil. Consultado em 2 de junho de 2020 
  9. «Conheça a prisão que virou museu». Governo do Estado de São Paulo. 12 de janeiro de 2005. Consultado em 13 de junho de 2020 
  10. «Estação Pinacoteca inaugura mostra sobre Ditadura Militar». Estadão. 1 de maio de 2008. Consultado em 2 de junho de 2020 
  11. a b Andrade, Patricia de (7 de setembro de 2016). «13 museus e centros culturais para ir de metrô». Passeios Baratos em São Paulo. Consultado em 13 de junho de 2020 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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