Avenida Brigadeiro Faria Lima

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Avenida Brigadeiro Faria Lima
Avenida Brigadeiro Faria Lima com o distrito de Pinheiros ao fundo.
Nomes anteriores Rua Iguatemi
Inauguração 1970
Extensão 4.600 m
Início Av. Pedroso de Morais
Cruzamentos Cardeal Arcoverde
Teodoro Sampaio
Eusébio Matoso
Rebouças
Cidade Jardim
Juscelino Kubitschek
Subprefeitura(s) Pinheiros
Distrito(s) Pinheiros e Itaim Bibi
Bairro(s) Pinheiros, Jardim Europa, Jardim Paulistano e Itaim Bibi
Fim Av. Hélio Pellegrino

A avenida Brigadeiro Faria Lima é uma das mais importantes artérias da cidade de São Paulo. É também um importante centro comercial e financeiro, que rivaliza com o Centro, a avenida Paulista e a região das avenidas Luís Carlos Berrini e Nações Unidas.

História[editar | editar código-fonte]

A avenida, na altura do cruzamento com a Avenida Eusébio Matoso.
Obras na via em 1995.

A lei determinando a abertura da via foi promulgada em janeiro de 1968, prevendo uma ligação de cinco quilômetros entre os bairros de Pinheiros e Brooklin, mesmo sem a Prefeitura saber a quantidade de edifícios que deveriam ser desapropriados.[1] Segundo a lei, a avenida começaria na Praça Roquete Pinto e seguiria até a atual Avenida dos Bandeirantes, seguindo pelas ruas Pedroso de Moraes, Coropés, Miguel Isasa e Martim Garcia, alcançando, a partir daí, a Rua Iguatemi após cruzar interiores de quarteirões.[1] A lei também previa cruzamentos em desníveis com as avenidas Eusébio Matoso, Rebouças e Cidade Jardim, com o Córrego do Sapateiro e com a Rua Doutor Eduardo de Souza Aranha.[1]

A avenida teve sua construção iniciada na segunda metade dos anos 1960, com o alargamento do trecho da rua Iguatemi compreendido entre o Largo da Batata, em Pinheiros, e o cruzamento com a Avenida Cidade Jardim, no Itaim Bibi (atual praça Luís Carlos Paraná), cruzando todo o bairro denominado Jardim Paulistano. As obras foram iniciadas na gestão do prefeito José Vicente Faria Lima e obrigaram a demolição de cem prédios.[2] Com a morte deste, em 1969, a nova artéria, que se chamaria Radial Oeste, recebeu o seu nome,[3] oficializado quando da inauguração do trecho duplicado da avenida, em 28 de abril de 1970 — a primeira pista já havia sido entregue ao tráfego no fim de 1969.[2]

José Eduardo, filho de Faria Lima, participou da cerimônia, descerrando uma placa de bronze.[4] Em seu discurso, o prefeito Paulo Maluf elogiou o homenageado: "Faria Lima não nasceu em São Paulo, mas deu sua vida em holocausto a esta capital. Esta homenagem, que ora prestamos ao saudoso administrador, era o mínimo que a Prefeitura Municipal poderia fazer pela sua memória. Ela deverá lembrar, às gerações futuras, a figura marcante que foi o Brigadeiro."[2]

Com o atraso da entrega e o aumento dos custos, as informações constantes de uma placa conjunta do Governo Abreu Sodré e da Prefeitura foram alteradas com tinta branca.[4] Maluf brincou com o atraso em seu discurso, dizendo que poderia ter sido escrito um livro sobre a obra, com o título "Odisseia da Construção de uma Avenida".[4] Poucos minutos após a nova via ser aberta, operários começaram a quebrar o asfalto na esquina com a Avenida Cidade Jardim, em busca das tampas de ferro das galerias subterrâneas, cobertas durante o asfaltamento, promovido às pressas.[4]

Além disso, em frente ao Shopping Center Iguatemi haviam sido fechados buracos cujas obras não estavam prontas, que teriam de ser abertos novamente.[4] "Em poucos dias, irão reabri-los, mas, então, a inauguração já terá passado", contou um morador da região ouvido por O Estado de S. Paulo.[4] O jornal, entretanto, destacou os aspectos positivos da avenida, considerada "muito boa", como a marcação das faixas em relevo, faixas de pedestres (embora nenhuma delas com semáforo) e iluminação feita por postes altos, com luz de mercúrio.[4] Os dois únicos semáforos da avenida inteira ficavam no início (à época, a Avenida Cidade Jardim) e no fim (à época, a Avenida Rebouças).[4]

Na inauguração, Maluf já falou sobre os planos de prolongamento: de um lado, até as proximidades do CEASA, correndo em paralelo à Avenida Pedroso de Morais; de outro, em diagonal rumo ao Córrego da Traição (atual Avenida dos Bandeirantes), que era previsto no projeto original.[4] Esse último prolongamento, entretanto, já estava descartado, porque o prefeito pretendia entregar em breve a pista da marginal esquerda do Rio Pinheiros.[4]

O projeto ainda previa um "canteiro-balão" entre a Rua Tucumã e a Avenida Cidade Jardim, em formato de "v", para a construção de um "parque-estacionamento" com capacidade para sessenta veículos e largura máxima de sete metros.[2] A largura da avenida variava de quarenta metros, na altura da Alameda Gabriel Monteiro da Silva, a sessenta metros, no cruzamento com a Avenida Cidade Jardim.[2]

Já no início da década de 1970, teve início a construção de inúmeros edifícios comerciais que romperam com a antiga paisagem residencial arborizada do Jardim Paulistano, e que caracterizariam a avenida como uma espécie de "segunda Avenida Paulista", dada a semelhança entre seus skylines. Desde essa época, já existia a expectativa de ampliação da avenida no sentido sul: em 1972, essa ampliação avançou os primeiros quarteirões após a Avenida Cidade Jardim, entre as ruas Amauri e Jorge Coelho, mas a obra parou ali e, dois anos depois, os moradores da região já se preocupavam com uma eventual desapropriação que parecia nunca sair do papel.[5] Em 1974, o prolongamento era tratado como prioridade da Prefeitura, para ligar a avenida (e, consequentemente, os bairros da zona oeste) à Avenida Santo Amaro, por meio da Avenida Juscelino Kubitschek, cujas obras de construção estavam sendo finalizadas juntamente com a canalização do Córrego do Sapateiro, que passa por baixo dela.[6]

Entretanto, esse prolongamento levaria mais de vinte anos para ser concluído. Na década de 1990, Maluf, novamente ocupando o cargo de prefeito, promoveu a extensão da avenida em suas duas extremidades: entre o Largo da Batata e a Avenida Pedroso de Moraes (alargando a antiga rua Miguel Isasa), e entre as avenidas Cidade Jardim e Hélio Pellegrino (já na Vila Olímpia), alargando pequenas ruas residenciais do Itaim Bibi. O traçado originalmente projetado passaria pela Rua Elvira Ferraz, causando a demolição de vários imóveis, porém a pressão da associação de moradores do bairro fez com que a Prefeitura optasse por um novo traçado.[7] Depois, esse traçado seria alterado para o que acabou efetivamente sendo construído.

A inauguração do novo trecho de Pinheiros, com 1,38 quilômetro, até a Avenida Pedroso de Moraes, deu-se em 23 de outubro de 1995, embora ele tenha sido mantido no início com os nomes de Rua Corupés e Rua Miguel Isasa, por depender ainda de uma mudança nos cadastros dos imóveis que não foram demolidos e ainda ocupavam o que agora era a Avenida Brigadeiro Faria Lima.[8] A construção desse trecho custou cerca de quatro milhões de reais e foram desapropriados 107 imóveis para a obra, causando protesto entre os donos desses imóveis.[8] O trecho do Itaim estava, então, previsto para ser entregue entre março e maio de 1996, embora a Prefeitura tivesse a intenção de antecipá-lo para janeiro.[8]

Em 25 de maio de 2010, foi inaugurada a Estação Faria Lima, da Linha 4-Amarela do metrô. Ela foi, juntamente com a Estação Paulista, uma das primeiras da linha a ser inauguradas.[9] Está situada na Avenida Brigadeiro Faria Lima, na altura do Largo da Batata.

Atrações[editar | editar código-fonte]

Na Avenida Faria Lima, estão localizadas importantes atrações paulistanas, tais como:

Nos arredores da avenida, encontram-se também outros importantes pontos de visitação da cidade, tais como o Shopping Eldorado, localizado próximo à Estação Hebraica-Rebouças da CPTM (Linha 9-Esmeralda), e os luxuosos restaurantes e hotéis da região próxima aos cruzamentos com as avenidas Cidade Jardim e Juscelino Kubitschek.

Referências

  1. a b c «Lei da Iguatemi sancionada». S.A. O Estado de S. Paulo. O Estado de S. Paulo. 14 páginas. 4 de janeiro de 1968. Consultado em 11 de fevereiro de 2015 
  2. a b c d e «Iguatemi já é Avenida Brigadeiro Faria Lima». São Paulo: Diário Popular. Diário Popular (27 540): 3. 29 de abril de 1970 
  3. "Investigação ameaça marca Faria Lima", Otávio Cabral, Folha de S. Paulo, 15/8/1999, acessado em 14/7/2009
  4. a b c d e f g h i j «Inauguração acaba, começam os buracos». São Paulo: S.A. O Estado de S. Paulo. O Estado de S. Paulo (29 158). 16 páginas. 28 de abril de 1970. ISSN 1516-2931 
  5. «Há seis anos os moradores esperam a av. Faria Lima». Folha de S. Paulo (16 627). São Paulo: Empresa Folha da Manhã. 19 de setembro de 1974. 16 páginas. ISSN 1414-5723. Consultado em 6 de maio de 2017 
  6. «Decisão do prolongamento somente sairá em novembro». Folha de S. Paulo (16 627). São Paulo: Empresa Folha da Manhã. 19 de setembro de 1974. 16 páginas. ISSN 1414-5723. Consultado em 6 de maio de 2017 
  7. Flávio Mello (8 de março de 1995). «Maluf recua e projeto da Faria Lima é aprovado». S.A. O Estado de S. Paulo. O Estado de S. Paulo: C3. Consultado em 6 de março de 2015 
  8. a b c Flávio Mello (24 de outubro de 1995). «Faria Lima é aberta com outros nomes». S.A. O Estado de S. Paulo. O Estado de S. Paulo: C3. Consultado em 25 de outubro de 2015 
  9. «Conheça as novas estações da Linha Amarela que Metrô inaugura hoje». G1. 25 de maio de 2010 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]