Rua Augusta (São Paulo)

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Rua Augusta (São Paulo)
Esquina da rua Augusta com a rua Luis Coelho.
Extensão 3.020 metros
Início Rua Martinho Prado, 212 junto a Praça Roosevelt
Subprefeitura(s) , Pinheiros
Bairro(s) Cerqueira César e Jardins
Fim Rua Colômbia, 26 com a Rua Estados Unidos

A Rua Augusta é uma importante via arterial da cidade de São Paulo, ligando os Jardins ao Centro da cidade.

Desde de seu início na Rua Martins Fontes com a Martinho Prado e Praça Franklin Roosevelt até o cruzamento com a Avenida Paulista é uma subida, e a partir deste ponto começa a descer até o seu término na rua Colômbia, que nada mais é que uma continuação da via, com outro nome.

Atualmente, o trecho que vai do início dela até o cruzamento com a Paulista, que se localiza na Região Central de São Paulo, tendo a presença de boates, saunas e casas de espetáculos, sendo um dos pontos de meretrício na cidade[1].

Na restante da sua extensão é tomada por bancos, lojas e boutiques de alto nível, teatros, restaurantes de luxo e cinemas, possuindo um aspecto eventualmente considerado mais nobre, sofisticado e até mesmo um shopping center a céu aberto. Destacam-se as travessas: a Alameda Santos, a Rua Oscar Freire e a Estados Unidos.

História[editar | editar código-fonte]

As primeiras referências dela datam de 1875, chamando-se primeiramente Rua Maria Augusta; em 1897 já aparece como Rua Augusta. Foi parte das terras do português Mariano António Vieira, dono da Chácara do Capão desde 1880, quando abriu várias ruas no Bairro da Bela Sintra, inclusive a Rua da Real Grandeza, atual Avenida Paulista. Resolveu abrir uma trilha, pois os caminhos eram muito íngremes, para posteriormente serem instalados bondes puxados por burros, em 1890. Apenas em 1891, com a inauguração da luz elétrica, foram movidos com eletricidade. Entre 1910 e 1912 ela foi estendida até a Rua Álvaro de Carvalho, ficando oficial em 1927. Até 1942 a Rua Martins Fontes fazia parte da Rua Augusta. Ela aos poucos virou um grande ponto de prostituição, ocasião em que foi desmembrada (Decreto Lei N.º 153). Do lado oposto, em direção aos "Jardins", o seu prolongamento até a Rua Estados Unidos foi oficializado em 1914. O nome "Augusta": tudo leva a crer, que o responsável pela sua abertura, o português Mariano Antonio Vieira, não quis homenagear uma pessoa e sim aplicar algo como um título de nobreza (ou adjetivo) ao chamá-la de "Rua Augusta". Colabora para esta versão o fato de que o mesmo Mariano, ao abrir uma "picada" no alto do Morro do Caaguaçu, chamou este logradouro de "Rua da Real Grandeza".[2]

Com o tempo, os loteamentos, quando surgiram confortáveis residências e algum comércio para servi-las. Pouco a pouco começaram a surgir pequenos edifícios de moradia.

Grande parte de comércio fino de decoração se instalou na região central-ascendente, a partir da Rua Marquês de Paranaguá. As casas residenciais deram lugar ao comércio de rua. Shoppings e Cinemas de categoria se instalaram frequentados pelas famílias e mais tarde pelos jovens que buscavam distração. Caminho certo rumo aos bairros dos Jardins e seus clubes, como o Club Athletico Paulistano, a Sociedade Harmonia de Tênis e o Esporte Clube Pinheiros.

Também consta que , por ARACY AMARAL (diretora da Pinacoteca do Estado de S.Paulo (1975-79) e do Museu de Arte Contemporânea da USP (1982-86) que o nome da RUA AUGUSTA tem origem curiosa, batizada de "a louca do Juquety". Diz Aracy:

Quando realizava minhas pesquisas sobre o modernismo, em meados dos anos 1960, quis conversar pessoalmente com René Thiollier. Mas quem me recebeu foi sua mulher, Sylvinha de Carvalho Thiollier, que faleceria pouco depois, no mesmo ano de seu marido, 1968, na Villa Fortunata, à avenida Paulista numero 1853, na confluência da Alameda Ministro Rocha Azevedo (onde hoje está “montado” um jardim municipal). Recebeu-me então para um depoimento pois René Thiollier, que como lembrou, também era seu primo em segundo grau, achava-se no dia acamado e não pude conhecê-lo pessoalmente.

Na ocasião ela falou-me de sua infância, na casa de seu avô, à rua Barão de Itapetininga, casa que se alongava até a rua 24 de maio. Conversamos sobre O contratador de diamantes levado à cena em 1919, tendo participado da representação René Thiollier alem de Dona Antonieta Prado Arinos de Mello Franco. Também relembrou a Ceia dos Cardeais, encenada em 1920, ocasião em que atuaram Aguiar de Andrade, Gofredo Silva Telles, Caio Prado Junior, alem de René Thiollier. Era um tempo em que a alta sociedade paulistana “curtia” o teatro e prova disso, lembro agora, seria a devoção de Alfredo Mesquita por essa área, e fundador da Escola de Arte Dramática, hoje integrada à USP.

Mas, recordando fatos da cidade, lembrou de seu tio-avô, Antonio Bento de Souza e Castro, abolicionista. Seu irmão Dr. Clementino Souza e Castro, intendente de São Paulo à época, (cargo que equivaleria hoje ao de prefeito) perguntou à irmã a propósito de uma rua que estava abrindo: “Que nome vou dar a essa rua?”  E logo depois, acrescentou: “Ah, dou o nome dessa menina que não é ninguém”. Tratava-se de menina, órfã pela epidemia de febre amarela (ou varíola?) que depois da Abolição, no fim do século, se abatera sobre o Rio de Janeiro, ocasião em que morreram os pais da pequena Augusta Cinegalia, recém-chegados da Europa. O irmão ficara no Rio, mas ela foi criada por Tereza de Souza e Castro, irmã do Intendente. “Infelicitada”, como se diria no tempo, por um dos freqüentadores da casa, em virtude da incompreensão da época sofreu depressão nervosa, a ponto de Tereza Souza e Castro ir com ela viver em casa separada, e finalmente, Augusta morreu em asilo de loucos.

Inspirado na historia de Augusta, Thiollier registraria de maneira ficcional o drama dessa menina, em seu livro de contos A louca do Juquery editado nos anos 1930, e que contou com capa e ilustrações de Tarsila, além de desenhos de autoria de Flávio de Carvalho para outras histórias. Nesse conto que é o titulo do livro, “Beatriz” é a menina infelicitada, “carcamana imigrante” (assim chamada preconceituosamente pelos que frequentavam a casa), filha de criação de “Maria Raimunda”, criticada por muitos de sua família por ter feito a opção de adotar a menina. Já “Trajano”, que narra sua historia e descreve o Juquery parece-se antes com Osório Cesar, que trabalhou durante anos em Franco da Rocha.

Portanto, como se vê, o nome da rua da moda dos anos 1960 em São Paulo, vem de inspiração numa personalidade infeliz, Augusta Cinegalia, reflexo da mentalidade estreita de uma época.

sobre a autora

Aracy Amaral foi diretora da Pinacoteca do Estado de S.Paulo (1975-79) e do Museu de Arte Contemporânea da USP (1982-86).

Anos 60

[3]

A Rua Augusta representou para jovens paulistanos na década de 1960 glamour e diversão. A partir da década de 1970, começou a se adaptar às mudanças, dado o pesado tráfego de automóveis e ônibus e a criação de de inúmeras galerias e centros comerciais, aliado à falta de estacionamento. Mesmo assim, os jovens continuaram a estar por lá com suas motos, carros envenenados e muito congestionamento, principalmente, entre 1976 e 1980. Havia muitas discotecas para acompanhar os "embalos de sábado à noite", pistas de esqui no gelo, doceiras, academias de musculação e aeróbicas.

Sempre sendo atualizada desde aquela época, com a reforma do calçamento, decoração com vasos, retirada de uma parte dos postes de iluminação pública (que estavam obsoletos), colocação de carpete, estacionamento Zona Azul e subterrâneo e a construção de um boulevar e por fim a eliminação dos ônibus elétricos com as novas calçadas.

Atualidade[editar | editar código-fonte]

Rua Augusta, vista da Avenida Paulista, no sentido Bela Vista.

Na década de 70 a rua Augusta perdeu seu prestígio e comércio por conta da abertura de shoppings center na cidade de São Paulo. Nessa época também foram abertos diversos prostíbulos em seu entorno. A rua se modernizou em 1993 com a abertura do cinema Espaço Unibanco. A partir da década de 2000, a Rua Augusta voltou a ser parte da vida noturna dos jovens. Nessa época a Augusta abriu o Vegas Club, The Pub, Club Noir, o Comedy Club Comedians, primeiro clube de comédias do Brasil, YO restaurante, entre outros. Seu entorno está movimentado por bares, restaurantes, casas noturnas, lojas e os antigos prostíbulos.[4]

Conjunto Nacional[editar | editar código-fonte]

Esquina da Rua Augusta com Alameda Santos.

Entre a Avenida Paulista e a Alameda Santos se localiza o Conjunto Nacional.

Referências

  1. SEGALIA, Vinicius (18 de julho de 2008). «"Deixei meu 13° nas saunas", diz estudante "viciado" em prostíbulos da Augusta». UOL. Consultado em 25 de julho de 2015 
  2. Legislação Municipal, Acervo do Arquivo Histórico Municipal e Vieira, Antonio Paim - "Chácara do Capão", "Revista do Arquivo Municipal", Vol. CXVIII, S.P., Departamento de Cultura, 1952
  3. http://mais.uol.com.br/view/ywvc7xsyq1pu/rua-augusta--ronnie-cord-0402366CE0A15327?types=A&
  4. name=Veja SP{citar web|url=http://vejasp.abril.com.br/materia/rua-augusta-movimentada-por-bares-baladas-restaurantes-lojas%7Ctítulo=Rua[ligação inativa] Augusta movimentada por bares baladas restaurantes lojas|publicado= Veja SP|acessodata= 02 de maio de 2014}}

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Dicionário de ruas de São Paulo