Sala São Paulo

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Sala São Paulo
Logotipo
Salasaopaulo.jpg
Interior da Sala São Paulo.
Tipo Sala de concerto
Fim da construção 9 de julho de 1999 (17 anos)
Proprietário atual Governo do estado de São Paulo
Dimensões
Altura 24 metros
Área do andar 10.000
Local São Paulo, SP,
 Brasil

A Sala São Paulo é um local onde ocorrem apresentações sinfônicas e de câmara. Faz parte do Centro Cultural Júlio Prestes, na antiga Estação Júlio Prestes. Fica localizada na Praça Júlio Prestes, no bairro de Campos Elísios, na cidade de São Paulo. Inaugurada no dia 9 de julho de 1999, foi a primeira sala de concertos do Brasil, considerada uma das melhores do mundo desde a sua concepção. A estação foi completamente restaurada e remodelada pelo Governo do Estado como parte do projeto de revitalização do centro da cidade. Ao lado dela encontra-se a Estação Pinacoteca, que abriga exposições de arte.

A sala tem uma capacidade de 1.498 lugares e 22 camarotes e é a sede da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (OSESP). Foi concebida de acordo com os mais atualizados padrões internacionais e muitos especialistas consideram a Sala São Paulo uma das salas de concerto com melhor acústica no mundo. É comparada a muitas salas dos Estados Unidos ou da Europa mundialmente conhecidas, como Symphony Hall de Boston, o Musikverein, em Viena, e o Concertgebouw, em Amsterdã.

A renovação começou em novembro de 1997, mas os primeiros passos foram dados em 1995, sob a supervisão do arquiteto Nelson Dupré. O Governador Mário Covas visualizava a Estação Júlio Prestes como um espaço ideal para apresentações sinfônicas, uma vez que faltava ao Brasil lugares adequados para este tipo de apresentação e principalmente porque a Orquestra sinfônica do Estado de São Paulo não possuía um centro permanente. Em 2015, o jornal britânico The Guardian classificou a Sala São Paulo como uma das dez melhores casas de concerto do mundo.[1][2] Em 1999, a Sala São Paulo foi tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico Arqueológico, Artístico e Turístico (CONDEPHAAT).[3]

História[editar | editar código-fonte]

Sala São Paulo, vista interior durante um concerto da OSESP.

A Estação Júlio Prestes foi construída entre 1926 e 1938 para ser a sede e ponto de partida para a Estrada de Ferro Sorocabana - uma empresa criada pelos barões do café, para transportar o produto até ao porto de Santos. O Estado adquiriu a empresa em 1905 e tornou-a Ferrovia Paulista S/A, na década de 1970.[4]

Desde a década de 1980, a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) assumiu a linha e a estação tornou-se ponto de chegada. O nome Júlio Prestes é uma homenagem ao ex-governador do estado de Sâo Paulo. Christiano Stockler das Neves, o projetista da estação, baseou seu projeto em um estilo eclético, descrito como neoclássico Luís XVI, que foi uma reação ao estilo barroco, que predominava na época. Neves também foi claramente influenciado pelas estações da Pensilvânia e de Nova Iorque.[4]

Enquanto a estação estava sendo construída, na década de 1920, o Grande Hall, onde encontra-se atualmente a sala de concertos, teve uma pequena estação ferroviária no meio do trabalho de construção. Desta forma, os materiais poderiam ser trazidos de outras cidades e da Europa.[4]

No início do século XXI, os engenheiros que trabalharam na transformação do Grande Hall tiveram dificuldades em conciliar a tecnologia de hoje com a conservação histórica. O antigo trem foi substituído por um gigantesco guindaste de 150 toneladas. Esta foi a única maneira de transportar as imensas vigas a 25 metros de altura, que mais tarde se transformariam em parte da estrutura que suporta o teto ajustável ao longo do novo corredor.[4]

Restauro[editar | editar código-fonte]

A restauração da Estação Júlio Prestes foi uma obra do Governo do Estado de São Paulo, que entregou à União a estação como forma de quitar uma dívida que a empresa ferroviária Fepasa tinha. O encarregado pelo projeto arquitetônico e pela adequação da antiga estação para o uso da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo foi o arquiteto Nelson Dupré em parceria com Luizette Davini, arquiteta responsável pela coordenação do projeto, e José Augusto Nepomuceno, consultor acústico.[5]

Para a reforma, Dupré buscou inspiração em salas de concerto da América do Norte e Europa, analisando todos os detalhes que atendessem às necessidades acústicas e estruturais, tais como palco, sistema acústico, áreas de apoio, acessos e fluxos.[5]

Em 2000, o projeto da Sala São Paulo recebeu o prêmio internacional de honra da United States Institute for Theatre Technology USITT como a primeira sala de concertos no Brasil.[5]

Teto ajustável[editar | editar código-fonte]

Teto ajustável.

O teto ajustável da Sala São Paulo pode ficar a uma altura máxima de 25 metros acima do piso principal. O teto possui 15 painéis, cada um pesando 7,5 toneladas e são detidos por 20 cabos metálicos enrolados[6]. Os painéis podem ser controlados individualmente, permitindo que o volume do hall possa ser ajustado para entre 12 mil e 28 mil . Isso garante que a intensidade de qualquer composição tenha o seu conceito acústico respeitado.[7]

Os painéis podem ser ajustados independentemente ou em conjunto, através do uso de computadores, travas e sensores automáticos. Junto com o limite máximo da flexibilidade, 26 banners de veludo podem travar a 8 metros de altura, de acordo com as vibrações necessárias. É uma vantagem adicional, pois esse sistema une elementos da arquitetura original do edifício com novos conceitos de arquitetura.[7]

Ao longo do teto, há uma cobertura de policarbonato com extremidades arredondadas, que respeita o conceito do projeto original do edifício, mas usa materiais mais modernos. Telhas termo-acústicas foram usadas, ao invés de cobre, e de policarbonato ao invés de vidro.[7]

É composto por um baralho de aço reforçado, apoiado em uma grade de aço estrutural. O piso é anexado às colunas de suporte do equipamento eletromagnético para pendurar o forro, painéis, equipamentos e dutos de ar condicionado.[7]

Escolha do Grande Hall[editar | editar código-fonte]

O grande hall da estação foi escolhido porque suas dimensões são similares às salas de concerto do século XIX, ou seja, é moldado de acordo com o estilo Shoebox. Especialistas consideram esse estilo de construção o melhor para salas de concerto, como é o caso das salas de Boston, de Viena e de Amesterdã.

A Sala São Paulo possui 22 balcões no mezanino e no primeiro andar. Eles foram colocados entre as grandes colunas e o teto ajustável, criado pela empresa estadunidense Artec (a maior especialista do mundo em salas de concerto). Seu espaço é de 10000 m² e o limite máximo é de 24 m de altura.

Grande Hall

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Folha de S. Paulo, : (5 de março de 2015). «Jornal 'The Guardian' inclui Sala São Paulo entre as 10 melhores do mundo». Consultado em 6 de março de 2015. 
  2. The Guardian, : (5 de março de 2015). «10 of the world’s best concert halls». Consultado em 6 de março de 2015. 
  3. Secretaria da Cultura (: ). «Bem Tombado». Consultado em 16 de setembro de 2016. 
  4. a b c d Sala São Paulo (: ). «História». Consultado em 6 de março de 2015. 
  5. a b c Sala São Paulo (: ). «Restauro». Consultado em 11 de setembro de 2016. 
  6. Sala São Paulo moderniza movimentação de teto com tecnologia Rockwell Automation, acesso a 15 de abril de 2016
  7. a b c d Sala São Paulo (: ). «Acústica». Consultado em 6 de março de 2015. 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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