Viaduto do Chá

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Viaduto do Chá à noite, com do Teatro Municipal (direita).
Viaduto do Chá visto do Vale do Anhangabaú.

O Viaduto do Chá é o primeiro viaduto da cidade, localizado no Vale do Anhangabaú, no centro da cidade de São Paulo. Foi idealizado pelo francês Jules Martins em 1877, mas só foi inaugurado em 6 de novembro de 1892. Inicialmente sua construção foi projetada com armações metálicas, que cederam com o uso, até que a antiga estrutura foi substituída por vigas de concreto presentes ainda hoje.

Por ser uma região de intenso trânsito de pessoas, o Viaduto do Chá costuma servir de plano de fundo para entrevistas e enquetes de programas de televisão. Também é um local muito usado para locações externas de novelas e filmes que se passam no centro de São Paulo, como a telenovela da Rede Globo Tempos Modernos, que teve grande parte de suas cenas gravadas no Vale do Anhangabaú e no chamado Centro Velho da capital paulista.

História[editar | editar código-fonte]

Antes da construção do Viaduto do Chá, o Vale do Anhangabaú era separado pelo rio de mesmo nome dividindo a região. Parte dela estruturada, que findava na Rua Direita e outra, conhecida como Morro do Chá, onde hoje se encontram os distritos da República e da Consolação.[1]

Os moradores do morro tinham dificuldades de se locomover da atual Rua Líbero Badaró para o lado em que está o Theatro Municipal. Era preciso descer a encosta, atravessar a Ponte do Lorena sobre o Anhangabaú e subir a Ladeira do Paredão, atual Rua Xavier de Toledo. Na Líbero Badaró, havia a chácara e a casa da Baronesa de Tatuí, que se opunha à construção do viaduto. Onde se localiza o Teatro Municipal era a serraria do alemão Gustavo Sydow e logo depois havia a chácara do Barão de Itapetininga, delineada pelas ruas Formosa, 24 de Maio e D. José de Barros.[2]

Idealizado pelo cidadão francês Jules Martin, foi o primeiro viaduto construído na cidade.[3] A proposta da ponte sobre o vale foi apresentada à Intendência Municipal em 1887. Seu nome derivou do Morro do Chá, que ficava próximo às plantações de chá da Índia. Os trabalhos só começaram em 1888, mas foram interrompidos um mês depois, por causa da resistência dos moradores da região, entre eles o Barão de Tatuí, cuja casa seria uma das desapropriadas. A população favorável à obra conseguiu reverter a situação logo depois, dando continuidade ao projeto.[3]

A Companhia Paulista de Chá ficou com os direitos do projeto, quando foi retomada em 1889, porém enfrentou problemas financeiro e quase foi à falência. Então o município transferiu a responsabilidade da concepção para a Companhia de Ferro Carril de São Paulo.[4] Esta encomendou uma armação metálica à empresa alemã Harkort, de Duisburgo, que chegou ao Brasil em maio de 1890. O viaduto foi concluído dois anos depois, tendo sua inauguração em 6 de novembro de 1892. Em um primeiro momento, possuía 240 metros de comprimento, sendo 180 de estrutura metálica e 60 da Rua Barão de Itapetininga aterrada; catorze metros de largura, sendo nove da passagem central e cinco metros de passarelas laterais (com assoalhos de prancha de madeira); vinte metros de distância do rio; e arco central de 34 metros. O viaduto era iluminado por 26 lâmpadas a gás e contava, para fins estéticos, com obras de arte em suas quatro extremidades e balaustrada de bronze, com o logotipo da Companhia de Ferro.[5]

Para pagar as despesas, eram cobrados sessenta réis ou três vinténs para utilizar a passagem, o que na época garantiu o apelido de Viaduto dos Três Vinténs.[3] Existia um portão no local para controlar a passagem e restringir seu uso à noite. Só foi removido, tornando o viaduto gratuito, em 1897, quando o vereador Pedro Augusto Gomes Cardim, apoiado por uma petição popular, levou uma moção à Municipalidade.[5]

Por lá sempre passavam pessoas refinadas, dirigindo-se aos cinemas e às lojas da região. Por muito tempo, o Viaduto do Chá também foi utilizado por suicidas. A cidade cresceu e, em 1938, a construção de metal alemão com assoalho de madeira já não suportava mais o grande número de pessoas que por lá passavam diariamente.[4] No mesmo ano, o viaduto foi demolido, dando lugar a um novo, feito de concreto armado e com o dobro de largura. Hoje, o viaduto é usado como passarela para carros e pedestres, sendo referência da Zona Central da cidade.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «Como era São Paulo sem o Viaduto do Chá - noticias - Estadao.com.br - Acervo». Consultado em 2016-09-12. 
  2. Moura, Paulo Cursino de. São Paulo de outrora: evocações da metrópole. Belo Horizonte: Ed. Itatiaia; São Paulo: Ed. da Universidade de São Paulo, 1980. 312p.
  3. a b c «Viaduto do Chá». www.cidadedesaopaulo.com. Consultado em 2016-09-12. 
  4. a b "Como se fêz o Viaduto do Chá", Veja São Paulo, "IV Centenário de São Paulo, especial Memória", janeiro de 2004
  5. a b Jorge, Clovis de Athayde (1989). «Consolação, uma reportagem histórica.». Consolação, uma reportagem histórica. Consultado em 14/09/2016. 
Ícone de esboço Este artigo sobre Geografia de São Paulo é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.