Viaduto do Chá

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Viaduto do Chá à noite, com do Teatro Municipal (direita).
Viaduto do Chá visto do Vale do Anhangabaú.

O Viaduto do Chá foi o primeiro viaduto a ser construído na cidade de São Paulo, localizado no Vale do Anhangabaú, no centro da cidade. Foi idealizado pelo francês Jules Martins[1] em 1877, mas inaugurado apenas em 6 de novembro de 1892. Inicialmente sua construção foi projetada com armações metálicas, que acabaram cedendo com o uso. Por causa disso, a antiga estrutura foi substituída por vigas de concreto presentes ainda hoje na construção. == Por ser uma região de intenso trânsito de pessoas, o Viaduto do Chá costuma servir de plano de fundo para muitas entrevistas e enquetes de programas de televisão.[2]} A construção também é um local muito usado para locações externas de novelas e filmes que se passam no centro de São Paulo[3], como por exemplo a telenovela da Rede Globo Tempos Modernos, que teve grande parte de suas cenas gravadas no Vale do Anhangabaú e no chamado "Centro Velho" da capital paulista.

História[editar | editar código-fonte]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Antes da construção do Viaduto do Chá[4], o Vale do Anhangabaú era separado pelo rio de mesmo nome dividindo a região. Parte dela estruturada, que findava na Rua Direita e outra, conhecida como Morro do Chá (que ganhou esse nome por causa de inúmeras plantações de chá-da-índia que havia na área)[5], onde hoje se encontram os distritos da República e da Consolação.[6]

Os moradores do morro costumavam ter dificuldades para se locomover da atual Rua Líbero Badaró para o lado em que se localiza o Theatro Municipal: era preciso descer a encosta, atravessar a Ponte do Lorena sobre o Anhangabaú e subir a Ladeira do Paredão, atual Rua Xavier de Toledo. Na Líbero Badaró, havia ainda a chácara e a casa da Baronesa de Tatuí, que se opunha à construção do viaduto. Onde se localiza o Teatro Municipal era a serraria do alemão Gustavo Sydow e, logo depois, havia a chácara do Barão de Itapetininga, delineada pelas ruas Formosa, 24 de Maio e D. José de Barros.[7]

Construção[editar | editar código-fonte]

Idealizado pelo cidadão francês Jules Martin, foi o primeiro viaduto construído na cidade.[8] A proposta da ponte sobre o vale foi apresentada à Intendência Municipal em 1887. Seu nome derivou do Morro do Chá, como era conhecida a chácara baronesa de Tatuí (em que era plantado esse tipo de erva), que ficava próximo às plantações de chá da Índia. Ao ser criado, o viaduto tinha como intenção ligar as ruas Direita e Barão de Itapetininga. Os trabalhos começaram apenas em 1888, mas foram interrompidos um mês depois, por causa da resistência dos moradores da região, entre eles o Barão de Tatuí, cuja casa seria uma das desapropriadas. A população favorável à obra conseguiu reverter a situação logo depois, e o projeto pôde ter continuidade.[8]

A Companhia Paulista de Chá ficou com os direitos do projeto, quando foi retomado em 1889, porém enfrentou problemas financeiros e quase foi à falência. Então o município transferiu a responsabilidade da concepção para a Companhia de Ferro Carril de São Paulo.[9] Esta encomendou uma armação metálica que compõe o viaduto[10] à empresa alemã Harkort, de Duisburgo, que chegou ao Brasil em maio de 1890. O viaduto foi concluído dois anos depois, tendo sua inauguração em 6 de novembro de 1892. Em um primeiro momento, possuía 240 metros de comprimento, sendo 180 de estrutura metálica e 60 da Rua Barão de Itapetininga aterrada; catorze metros de largura, sendo nove da passagem central e cinco de passarelas laterais (com assoalhos de prancha de madeira); vinte metros de distância do rio; e arco central de 34 metros. O viaduto era iluminado por 26 lâmpadas a gás e contava, para fins estéticos, com obras de arte em suas quatro extremidades e balaustrada de bronze, com o logotipo da Companhia de Ferro.[11]

Para pagar as despesas, eram cobrados sessenta réis ou três vinténs para a utilização da passagem, o que na época garantiu o apelido de Viaduto dos Três Vinténs.[8] Existia um portão no local para controlar a passagem e restringir seu uso no período da noite. O portão só foi removido, tornando o viaduto gratuito, em 1897, quando o vereador Pedro Augusto Gomes Cardim, apoiado por uma petição popular, levou uma moção à Municipalidade.[11]

Por lá costumavam passar pessoas refinadas, que se dirigiam aos cinemas e às lojas da região e, depois de 1911, ao Theatro Municipal. Por muito tempo, o Viaduto do Chá também foi utilizado por suicidas.

Reconstrução[editar | editar código-fonte]

Com o passar do tempo, a cidade foi crescendo, e o número de pessoas que passavam pelo viaduto aumentando a cada dia. Em 1938, a construção de metal alemão com assoalho de madeira passou a não suportar mais esse volume.[9] Assim, no mesmo ano, o viaduto foi demolido, dando lugar a um novo, feito de concreto armado e com o dobro de largura. Dessa forma, até os dias de hoje o viaduto é usado como passarela para carros e pedestres, sendo referência da Zona Central da cidade. Durante o centenário, o viaduto sofreu sua ultima mudança até os dias de hoje, a reforma dos pisos.[12]

Estado atual[editar | editar código-fonte]

Hoje em dia, o Viaduto do Chá possui 204 metros de extensão e liga duas ruas tradicionais de São Paulo: a Barão de Itapetininga e a antiga Rua do Chá, atual Rua Direita. Durante muito tempo, o viaduto foi um dos principais cartões postais de São Paulo e importante ponto turístico da cidade. Atualmente, apesar de ser importante tanto para a locomoção quanto turisticamente, ele perdeu um pouco de sua "essência" e passou a ser mais um local tradicional.[13] Hoje o viaduto passou a ser um dos locais mais fotografados para cartões postais de São Paulo.[14]

Eventos[editar | editar código-fonte]

Mesmo sendo um viaduto, já ocorreram eventos local, como o evento de moda Casa de Criadores, que ocorreu em 2006 e em 2015.[15]

Ver também[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Viaduto do Chá

Referências

  1. Cultural, Instituto Itaú. «Jules Martin | Enciclopédia Itaú Cultural». Enciclopédia Itaú Cultural 
  2. «PLANO DE FUNDO» 
  3. «LOCAÇÃO» 
  4. «Viaduto do Chá, 120 anos de um símbolo - noticias - Estadao.com.br - Acervo». Estadão - Acervo 
  5. «Viaduto do Chá - lugares - Estadao.com.br - Acervo». Estadão - Acervo 
  6. «Como era São Paulo sem o Viaduto do Chá - noticias - Estadao.com.br - Acervo». Consultado em 12 de setembro de 2016 
  7. Moura, Paulo Cursino de. São Paulo de outrora: evocações da metrópole. Belo Horizonte: Ed. Itatiaia; São Paulo: Ed. da Universidade de São Paulo, 1980. 312p.
  8. a b c «Viaduto do Chá». www.cidadedesaopaulo.com. Consultado em 12 de setembro de 2016 
  9. a b "Como se fêz o Viaduto do Chá", Veja São Paulo, "IV Centenário de São Paulo, especial Memória", janeiro de 2004
  10. Sampaio, Leandro. «Viaduto do Chá». www.cidadedesaopaulo.com. Consultado em 26 de abril de 2017 
  11. a b Jorge, Clovis de Athayde (1989). «Consolação, uma reportagem histórica.». Consolação, uma reportagem histórica. Consultado em 14 de setembro de 2016 
  12. «Pontos Turísticos Viaduto do Chá - São Paulo - Guia da Semana». Guia da Semana (em inglês). Consultado em 25 de abril de 2017 
  13. Sampaio, Leandro. «Viaduto do Chá». www.cidadedesaopaulo.com. Consultado em 20 de abril de 2017 
  14. «Viaduto do Chá - São Paulo». InfoEscola 
  15. «Casa de Criadores - Notícias, eventos e desfiles de estilistas da moda brasileira!». Casa de Criadores. Consultado em 26 de abril de 2017 
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