Economia criativa

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Economia criativa é o setor da econômico formado pelas indústrias criativas ( o conjunto de atividades econômicas relacionadas a produção e distribuição de bens e serviços que utilizam a criatividade e as habilidades dos indivíduos ou grupos como insumos primários.)[1]

Conceito[editar | editar código-fonte]

Segundo o autor inglês John Howkins no livro “The Creative Economy”, publicado em 2001, são atividades nas quais a criatividade e o capital intelectual são a matéria-prima para a criação, produção e distribuição de bens e serviços[2]. Na definição de Andrea Matarazzo, autor do projeto “Distritos Criativos”: "o que move a Economia Criativa é a criatividade e a inovação como matéria-prima, portanto, o processo de criação é tão importante quanto o produto final, ou seja, uma cadeia produtiva baseada no conhecimento e capaz de produzir riqueza, gerar empregos e distribuir renda."[3]

“A economia criativa abrange todo o ambiente de negócios que existe em torno da indústria criativa, aquela baseada em bens e serviços criativos”, afirma Ana Carla Fonseca Reis, economista especializada no tema [4]

História[editar | editar código-fonte]

Segundo Renata Reps, mestre em Indústrias Criativas pela Universidade Paris, a primeira referência governamental a importância de áreas ligadas à tecnologia e à criatividade para o crescimento econômico de um país deu-se em um relatório de 1983, publicado pela primeira-ministra Margaret Thatcher.[5]

Em 1994, o primeiro-ministro Australiano Paul Keating lançou o primeiro conjunto de políticas públicas de um país com foco em cultura e arte. O documento chamado Creative Nation citava o termo economia criativa.[6]

Logo depois, o primeiro-ministro britânico Tony Blair incluiu o assunto em sua plataforma de governo, durante sua campanha para o cargo de primeiro-ministro em 1996.[7][8]

Setores[editar | editar código-fonte]

Não há um consenso sobre as áreas englobadas pela economia criativa. Cada instituição que estuda o tema tem uma lista de acordo com seus interesses e metas de ação. Elas também mudam de país para país de acordo com os potenciais e mercados de cada um deles.

A Conferência das Nações Unidas para o Comércio Internacional e o Desenvolvimento (UNCTAD) organiza a áreas em quatro grupamentos[9]:

1) Herança ou Patrimônio: no qual se encontram as expressões culturais tradicionais como artesanatos, festivais e celebrações; além dos sítios

culturais (museus, bibliotecas, exposições etc.) e arqueológicos.

2) Artes: visuais (pintura, escultura, fotografia e antiguidades) e performáticas (música ao vivo, teatro, dança, ópera, circo, marionetes etc).
3) Mídia: reúne a produção de conteúdo criativo com objetivo de comunicação com o grande público, como a editorial (livros, imprensa e

outras publicações) e a audiovisual (cinema, televisão, rádio e outras transmissões).

4) Criação funcional: grupo formado por atividades como design (de interior, gráfico, moda, joias, brinquedos); a chamada nova mídia (software, videogames e conteúdo criativo digitalizado); e os “serviços criativos”, como o arquitetônico, a publicidade, os culturais e os recreativos, P&D, entre outros.

No Brasil, a Secretaria de Economia Criativa criada pelo Decreto 7743, de 1º de junho de 2012 e vinculada ao Ministério da Cultura considera 20 setores dentro da economia criativa: artes cênicas, música, artes visuais, literatura e mercado editorial, audiovisual, animação, games, software aplicado à economia criativa, publicidade, rádio, TV, moda, arquitetura, design, gastronomia, cultura popular, artesanato, entretenimento, eventos e turismo cultural.

No Brasil[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Indústria criativa no Brasil

Segundo dados do SEBRAE o setor tem mais de dois milhões de empresas e gera R$ 110 bilhões equivalente a 2,7% do Produto Interno Bruto (PIB) total produzido no país. A cifra chega a R$ 735 bilhões, se considerada a produção de toda a cadeia, equivalendo a 18% do PIB nacional em 2015.[10] No perído de 1997 a 2014, o BNDES investiu R$ 3,18 bilhões no setor de economia criativa através do Departamento de Economia da Cultura do banco[11].

Um dos principais empreendimentos do setor no país é o Porto Digital em Recife que criou um ambiente de negócios orientado para o mercado global. Fundado em 2000, o projeto nasceu com três empresas e 46 pessoas. Em 2014 eram 230 companhias e 7 000 funcionários incluindo multina­cionais como Microsoft, IBM e Accenture. No mesmo ano a Fiat Chrysler Automobiles anunciou a instalação de um centro de tecnologia automotiva que terá um investimentos de 500 milhões de reais e empregará 1 000 pessoas, entre engenheiros, técnicos e outros profissionais.[12]

Em agosto de 2016 foi inaugurada na Vila Madalena em São Paulo a Escola Britânica de Artes Criativas (Ebac)[13]. A instituição tem como proposta preparar profissionais para atuarem no mercado da Economia Criativa com enfase em design, arte digital, animação e arquitetura[14]. O prédio da instituição é um projeto do arquiteto paulistano Isay Weinfeld. [15]

Em Portugal[editar | editar código-fonte]

Estima-se que o setor cultural e criativo movimentou 5,1 mil milhões de euros em Portugal e empregou 78,6 mil pessoas através de mais de 50 mil empresas, no ano de 2012. Na União Europeia, o setor contribui com 860 mil milhões de euros, equivalente a 6,8% do PIB europeu, de acordo com o estudo da Forum D’Avignon.[16]

Controvérsia[editar | editar código-fonte]

Uma das principais discussões sobre o tema é quais órgãos deveriam cuidar do assunto. No Brasil as políticas públicas pras indústrias criativas ficam a cargo do Ministério da Cultura, enquanto na Indonésia há o Ministério do Turismo e da Economia Criativa. Na Argentina, quem cuida do assunto é o Ministério do Desenvolvimento.

Na análise de Stuart Cunnigham, que comparou políticas culturais para economia criativa em países como Estados Unidos, China e Canadá: "a maneira pela qual tais governos definiam as indústrias criativas e atuavam nesses setores produtivos variava enormemente, de acordo com as relações historicamente constituídas entre Estado, iniciativa privada e comunidade artística, além da posição dos mercados de cultura na economia de cada nação."[17]

Há ainda importantes teórico, como Justin O’Connor[18] e Gaëtan Tremblay[19], que acreditam que não faz sentido ditar quais setores são criativos ou não, porque a criatividade deve ser aplicada a qualquer área da economia.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. http://www.cultura.gov.br/documents/10913/636523/PLANO+DA+SECRETARIA+DA+ECONOMIA+CRIATIVA/81dd57b6-e43b-43ec-93cf-2a29be1dd071
  2. http://g1.globo.com/mato-grosso-do-sul/especial-publicitario/sebrae/crescendo-com-o-sebrae/noticia/2015/11/empreendedorismo-criativo-talento-inspiracao-ou-transpiracao.html
  3. http://www.segs.com.br/economia/55271-conferencia-municipal-dos-distritos-criativos-promove-debate-sobre-economia-criativa-em-sao-paulo.html
  4. Reis, Ana Carla Fonseca. «O que é Economia Criativa». Projeto Draft. Consultado em 27 de novembro de 2015 
  5. http://projetodraft.com/verbete-draft-o-que-e-economia-criativa
  6. http://theconversation.com/paul-keatings-creative-nation-a-policy-document-that-changed-us-33537 Em Inglês
  7. http://www.theguardian.com/politics/2006/sep/26/labourconference.labour3 Em inglês
  8. http://www.create.ac.uk/blog/2013/02/10/cultural-policy-and-the-idea-of-the-creative-economy Em inglês
  9. http://www.bndes.gov.br/SiteBNDES/export/sites/default/bndes_pt/Galerias/Arquivos/conhecimento/bnset/set3007.pdf
  10. http://g1.globo.com/mato-grosso-do-sul/especial-publicitario/sebrae/crescendo-com-o-sebrae/noticia/2015/11/empreendedorismo-criativo-talento-inspiracao-ou-transpiracao.html
  11. http://oglobo.globo.com/economia/economia-criativa-avanca-mesmo-durante-recessao-18399357
  12. http://exame.abril.com.br/revista-exame/edicoes/1064/noticias/o-novo-polo-da-economia-criativa
  13. http://vejasp.abril.com.br/cultura-lazer/escola-dedicada-as-artes-critativas-e-inaugurada-na-vila-madalena/
  14. http://exame.abril.com.br/carreira/esta-nova-escola-quer-convencer-voce-a-nao-fazer-intercambio/
  15. http://www1.folha.uol.com.br/saopaulo/2016/08/1801708-escola-britanica-na-vila-madalena-dara-cursos-voltados-para-economia-criativa.shtml
  16. http://observador.pt/especiais/economia-criativa-os-negocios-tambem-sao-arte/
  17. http://www.revistas.usp.br/novosolhares/article/viewFile/69826/72486
  18. http://kulturekonomi.se/uploads/cp_litrev4.pdf Em inglês
  19. http://www.gmj.uottawa.ca/0801/inaugural_tremblay.pdf Em fracês

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Howkins, John (2012). Economia Criativa. Como Ganhar Dinheiro Com Ideias Criativas. São Paulo: M Books. ISBN 8576802066 
  • De Beukelaer, Christiaan (2015). Developing Cultural Industries. Learning from the Palimpsest of Practice. Amsterdam: European Cultural Foundation. 192 páginas. ISBN 9789062820672  Em Inglês.
  • GUIMARAES, Patricia B.V.; XAVIER, Yanko M.A. (Org.) O DIREITO DA ECONOMIA CRIATIVA: TEMAS DE DESENVOLVIMENTO E PROPRIEDADE INTELECTUAL. São Paulo: Max Limonad, 2015. ISBN 978-85-7549-067-9

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


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