Benedito Calixto

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Disambig grey.svg Nota: Para a praça, veja Praça Benedito Calixto.
Benedito Calixto de Jesus

Benedito Calixto de Jesus (Itanhaém, 14 de outubro de 1853São Paulo, 31 de maio de 1927) foi um pintor, desenhista, professor, historiador e astrônomo amador brasileiro.

Os Quatro Grandes da Pintura Paulista[editar | editar código-fonte]

No final de século XIX e início do século XX, quatro gigantes das artes plásticas se destacaram no cenário paulista: Almeida Júnior, Pedro Alexandrino, Oscar Pereira da Silva e Benedito Calixto.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Considerado um dos maiores expoentes da pintura brasileira do início do século XX, Benedito Calixto de Jesus nasceu em 14 de outubro de 1853, no município de Itanhaém, litoral sul de São Paulo. Calixto é o que se pode chamar de um talento nato. Autodidata, começa seus primeiros esboços ainda criança, aos 8 anos. Aos 16 anos muda-se para Santos onde tem um começo de vida difícil, chegando a pintar muros e placas de propaganda para sobreviver.

Em Brotas[editar | editar código-fonte]

Entre os 17 e 18 anos, a convite do irmão mais velho, muda-se para Brotas, interior de São Paulo, na época, próspera por sua produção de café. Vai morar na casa do irmão João Pedro, situada na esquina de uma praça, hoje denominada "Benedito Calixto". Como o irmão era o responsável pela conservação da igreja e das imagens ali existentes, Calixto, que já tinha habilidades nesse oficio, o ajudava nessa missão, mas logo acaba ficando com a incumbência. Tendo material à sua disposição, nas horas vagas pintava telas com vistas do local, que oferecia aos amigos. Entre os primeiros quadros feitos no município estão o Casamento dos Bugres e A Saída do Ninho, hoje em mãos de colecionadores em Brotas.

Na época decorou também a sala de jantar da casa do capitão Joaquim Dias de Almeida com motivos da fauna e flora brasileiras. Seu gênio alegre e comunicativo lhe trouxe grandes amizades no município. Um desses amigos, era o coronel Cherubim Vieira de Albuquerque, abastado cafeicultor da região, que veio a lhe encomendar diversos quadros. Entre estes, vistas de suas fazendas Paraíso e Monte Alegre em 1873.Retratou também nessa época o próprio coronel e sua filha Da. Maria Eugênia de Albuquerque Pinheiro, quadros que ainda hoje se encontram no município.

De volta a Itanhaém[editar | editar código-fonte]

Em 1877 retorna a Itanhaém para casar-se com sua prima de segundo grau, Antônia Leopoldina de Araújo. De volta a Brotas, continua pintando paisagens das fazendas locais e retratos de grandes cafeicultores. Em 1881 deixa Brotas e volta a Itanhaém, onde nasce sua primeira filha, Fantina. No final desse mesmo ano muda-se com a família para Santos, onde passa a pintar paisagens nos tetos e paredes das mansões dos prósperos comerciantes daquela cidade litorânea.

Primeira exposição[editar | editar código-fonte]

Autorretrato de 1923

Fez sua primeira exposição em 1881 no salão do jornal Correio Paulistano, em São Paulo, não tendo conseguido vender nenhum trabalho, mas obteve apreciação favorável da crítica.

Em 1882, a sorte bate em sua porta. É convidado a realizar trabalhos de entalhe e pintura na parte interna do Teatro Guarany, em Santos, o que lhe rendeu homenagens e uma bolsa de estudos, custeada por Nicolau de Campos Vergueiro, o Visconde de Vergueiro, para se aprimorar em Paris, onde fica por quase um ano e frequenta o ateliê do mestre Rafaelli e a Academia Julian. Na Europa, realizou várias exposições de sucesso. Em 1884, de volta à Santos, trouxe, na bagagem, um equipamento fotográfico e tornou-se pioneiro, no Brasil, em pintar a partir de fotografias.

Nos anos de 1886 e 87, respectivamente, nascem seus filhos Sizenando e Pedrina. Em 1890, muda-se para São Paulo. Sete anos depois volta para o litoral e vai morar em uma casa construída por ele mesmo, em São Vicente. Produz obras importantes para vários museus, entre eles o do Ipiranga, em São Paulo, para inúmeras igrejas em todo o país, para associações, fundações, instituições, a exemplo da "Bolsa Oficial do Café", em Santos, onde uma de suas principais obras "A Fundação de Santos" ocupa uma parede inteira do salão principal, além de outras duas que também têm como tema o município de Santos e o vitral do teto com alegoria para os Bandeirantes.

Durante toda a sua trajetória produziu aproximadamente 700 obras, das quais 500 são catalogadas. Pintou marinhas, retratos, paisagens rurais, urbanas e obras religiosas. Estas últimas lhe renderam a comenda de São Silvestre, outorgada pelo papa Pio XI, em 1924.

Além da pintura se revelou como historiador, escritor e fotógrafo. Como historiador, resgatou a existência da então ignorada Capitania de Itanhaém[1] , assim como sua importância na história da exploração e colonização do interior do Brasil, raças a minuciosas pesquisas a a documentos seculares esquecidos em Itanhaém, São Vicente e São Paulo[2] .

Faleceu de infarto, no dia 31 de maio de 1927, em São Paulo, na casa de seu filho Sizenando, para onde tinha ido com a intenção de comprar material para terminar duas telas para a Catedral de Santos. Foi enterrado no cemitério do Paquetá, em jazigo perpétuo doado pela Prefeitura Municipal de Santos. Suas duas últimas obras são intituladas "Noé" e "Melchisedech".

Foi homenageado na cidade de São Paulo com a Praça Benedito Calixto.

Em Bocaina[editar | editar código-fonte]

Uma obra do acaso trouxeram as telas de Calixto para Bocaina, município do centro do Estado de São Paulo, hoje com 11 mil habitantes. A história registra que ele deveria pintar os seus quadros na Igreja Matriz de Jaú. Não houve acordo quanto ao preço e ele foi embora. Em Bocaina, na época, estava o padre José Maria Alberto Soares. Ele gostaria de ter as telas do pintor em sua igreja e começou a escrever a Calixto, falando dessa vontade. Conseguiu sensibilizar o artista que veio a Bocaina e pintou as telas por um preço bem menor daquele que pedira em Jaú. As obras podem ser consideradas o melhor da arte sacra pintada por Calixto, que por ter nascido e vivido em cidades litorâneas, pintou muitas marinhas. O próprio pintor considerava as telas Salomé recebe a cabeça de João Batista e Transfiguração, como os seus melhores trabalhos sacros. Elas estão em Bocaina.

A 10 de dezembro de 1923 começava seu último grande trabalho, a pintura dos quadros para a Matriz de São João Batista de Bocaina. Dominado pela ideia da morte próxima, dizia que nessa igreja seria o lugar onde se perpetuaria a sua derradeira arte.

Em São Carlos exposição permanente[editar | editar código-fonte]

  • Há uma exposição permanente "Benedito Calixto na Terra do Pinhal", com amplo panorama da vida e obra do célebre pintor brasileiro e trabalhos originais realizados por ele para o antigo Palácio Episcopal de São Carlos e que hoje pertencem ao acervo da municipalidade são-carlense, os quais são 8 afrescos que também estão na exposição.
  • A exposição é no Museu da "Estação Cultura" na Estação de São Carlos em São Carlos, de terça a sexta das 8h às 18h, e aos sábados, domingos e feriados, das 13h às 17h. A entrada é franca. O agendamento de grupos e escolas pode ser feito por telefone.

Galeria de pinturas[editar | editar código-fonte]

A Fundação Pinacoteca Benedito Calixto, entidade sem fins lucrativos, localizada em um antigo casarão em estilo eclético e interior em Art Noveau à Avenida Bartolomeu de Gusmão, 15, Boqueirão, Santos, São Paulo, tem uma exposição permanente de obras de Calixto. Seu acervo é de cerca de 60 obras do pintor - marinhas, paisagens, retratos e nus [desenhados na Academia Julian, Paris]. O local está aberto para visitação de terça a domingo das 09h00 às 18h00. Grupos ou escolas, que quiserem monitoria, podem ser agendados. A Pinacoteca conta também com uma biblioteca, com acervo de livros de arte, e um Centro de Documentação sobre Calixto e sua obra.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • CONCEIÇÃO, Júlio. Benedito Calixto (1853-1927): separata do tomo XVII, parte 2ª, 1932 da Revista do Museu Paulista.
  • JUSNEVALDO BRAGA, Teodoro. Artistas pintores no Brasil. São Paulo: São Paulo Edit., 1942.
  • LOBÃO, Chiquinha Neves. Pintores de minha terra. São Paulo: s.edit., 1950.
  • SILVA SOBRINHO, José da Costa e. Santos noutros tempos. São Paulo: Ed. Revista dos Tribunais, 1953.
  • PONTUAL, Roberto. Dicionário das artes plásticas no Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1969.
  • LEITE AZEDO, José Roberto Teixeira Meus Bago. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988.
  • OLIVEIRA, Maria Alice Milliet de. Benedito Calixto: memória paulista. São Paulo: Banespa/Pinacoteca do Estado, 1990.
  • SOUZA, Marli Nunes de (org.). Benedito Calixto: um pintor à beira mar. Santos: Fundação Pinacoteca Benedito Calixto, 2002.
  • ALVES, Caleb Faria. Benedito Calixto e a construção do imaginário republicano. Bauru: EDUSC, 2003.
  • POLETINI, Moisés/BRAZ, Pedro José. A pintura sacra de Benedito Calixto. Santos: Fundação Pinacoteca Benedito Calixto, 2004.
  • BENEZIT, E. Dictionnaire, etc.. Paris: Gründ, 1999.
  • LEITE AZEDO, José Roberto Teixeira Meus Bago. Arte brasileira dos séculos XIX e XX na Coleção Bovespa. Rio de Janeiro: Pinakotheke, 2007.

Referência[editar | editar código-fonte]

  • 500 Anos da Pintura Brasileira, CD-Rom.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Commons
O Commons possui imagens e outras mídias sobre Benedito Calixto

Ligações externas[editar | editar código-fonte]