Academia Julian

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Academia Julian
Académie Julian
O Estúdio (1881) por Marie Bashkirtseff
Fundação Rodolphe Julian
Tipo de instituição Escola de arte
Localização Paris, França
Ativo 1867–1968

Academia Julian (em francês: Académie Julian) foi uma escola privada de pintura e escultura, fundada em Paris em 1867 pelo pintor francês Rodolphe Julian. Ela se tornou célebre pelo número e pela qualidade dos artistas que dali saíram durante o grande período de efervescência das artes plásticas que foi o início do século XX.

História[editar | editar código-fonte]

Rodolphe Julian (1839–1907), fundador da Académie Julian

Situada a princípio na passage des Panoramas e tendo a particularidade de aceitar a inscrição de mulheres desde o início dos anos 1870, a Academia Julian abriu a seguir dois outros ateliês, um na rue du Dragon, o outro na rue Vivienne. A partir de então o empreendimento só fez crescer: por volta de 1890, Julian contava com não menos do que cinco estúdios para homens e quatro para mulheres, espalhados em locais estratégicos de Paris.

Pela qualidade de seus professores, a Academia Julian adquiriu rapidamente uma certa notoriedade. Ela pôde assim apresentar seus alunos ao prix de Roma, ao mesmo tempo em que servia de trampolim àqueles que ambicionavam expor nos Salons ou se lançar em uma carreira artística independente. A disciplina não era, todavia, o seu ponto forte. Os estudantes, na maioria das vezes deixados a si mesmos, se faziam notar por seus embustes e seus desfiles nas ruas de Paris, os escândalos se sucedendo até a plena Belle Époque. Isso não impediu que um grupo de jovens pintores rebeldes se tornasse célebre sob o nome de Nabis, a partir de 1888–1889. Vários nomes famosos da pintura ficaram associados à Academia Julian, entre outros aqueles de Albert André, Marcel Baschet, André Favory, Leon Bakst, Pierre Clayette, Claude Schürr, Jean Dubuffet, Marcel Duchamp, Jacques Villon, Édouard Vuillard e Henri Matisse.

Parte da importância da Academia Julian se deve ao fato dela ter sido um ponto de atração para diversos grupos "marginalizados" na cena artística parisiense da virada do século XIX para o XX. Para as jovens mulheres, por exemplo, a Academia constituía a única alternativa aos cursos oferecidos pela École Nationale Supérieure des Beaux-Arts, já que a entrada nesse estabelecimento público lhes fora proibida até 1897. Na Julian, as mulheres tinham ainda a possibilidade de pintar nus a partir de modelos masculinos, prova de uma liberalidade intolerável aos olhos das instâncias oficiais. Com a desculpa de economizar o dinheiro dos contribuintes franceses, a École também desencorajava a inscrição de estudantes estrangeiros, através da exigência de uma prova de língua francesa de reputada dificuldade. Isso fez com que a Academia Julian atraísse um grande número de estudantes vindos de todos os países da Europa, assim como do continente americano, como foi o caso de diversos brasileiros, alguns dos quais se encontram abaixo listados. Por fim, a Academia acolhia não somente artistas profissionais, mas também os amadores competentes desejosos de aperfeiçoar sua arte.

Apesar de sua importância, a história da Academia Julian foi até hoje relativamente pouco estudada na França. Nenhum dossiê de artista foi conservado, e somente uma parte dos registros, os da seção de homens cobrindo com lacunas o período 1870–1932, ainda existe. Até o momento, a iniciativa das pesquisas sobre esse relevante ambiente de formação artística tem sido, na sua maior parte, devida a historiadores da arte norte-americanos, como indica a breve bibliografia abaixo relacionada.


Artistas brasileiros que frequentaram a Academia Julian[editar | editar código-fonte]

Referências

  • FEHER, Catherine. “New Light on the Académie Julian and its founder (Rodolphe Julian). In: Gazette des Beaux-Arts, maio/junho, 1984.
  • _______________. “Women at the Académie Julian in Paris”. In: The Burlington Magazine, Londres, cxxxvi (1100), novembro, 1994.
  • HEROLD, Martine. L’Académie Julian à cents ans. França: Biblioteca Nacional, 1968. (Brochura comemorativa dos 100 anos da Academie Julian).
  • Gabriel P. Weisberg et Jane R. Becker (editores). Overcoming All Obstacles: The Women of the Académie Julian. Dahesh Museum, New Brunswick, Rutgers University Press, New Jersey, 1999.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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