Museu do Ipiranga

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Museu do Ipiranga
Logotipo
Museu Ipiranga.jpg
Fotografia aérea do Museu Paulista e do Parque da Independência
Tipo Museu de arte e História
Inauguração 1895 (121–122 anos)[1]
Visitantes 362.000[2] (2006)
Diretor Solange Ferraz de Lima
Website www.mp.usp.br
Geografia
Localidade Parque da Independência, s/n
São Paulo, SP
 Brasil

Museu Paulista da Universidade de São Paulo, mais conhecido como Museu do Ipiranga ou também simplesmente Museu Paulista, é o museu público mais antigo da cidade de São Paulo, cuja sede é um monumento-edifício que faz parte do conjunto arquitetônico do Parque da Independência.[3] É o mais importante museu da Universidade de São Paulo e um dos mais visitados da capital paulista.

O museu foi inaugurado oficialmente em 7 de setembro de 1895 com o nome Museu de História Natural.[4] Este importante símbolo da Independência do Brasil está vinculado à Universidade de São Paulo desde 1963, como uma instituição científica, cultural e educacional que exerce pesquisa, ensino e extensão com atuação no campo da História.

É responsável por um grande acervo de objetos, mobiliário e obras de arte com relevância histórica, especialmente aquelas que possuem alguma relação com a Independência do Brasil e o período histórico correspondente. Uma das obras mais conhecidas de seu acervo é o quadro "Independência ou Morte", pintado pelo artista Pedro Américo, em 1888, recebendo em média 350 mil visitas anuais.[5] Além de exposições, as atividades do Museu do Ipiranga se estendem por meio de programas educativos, como cursos e pesquisas científicas que fazem uso dos recursos humanos e do acervo permanente da instituição. A ampliação de coleções se faz por meio de doações ou aquisições e parte importante das atividades desenvolvidas no museu envolve a conservação física, estudo e documentação do acervo.

Em 1922, no período do Centenário da Independência, formaram-se novos acervos, principalmente abrangendo assuntos da História de São Paulo, e executaram a decoração interna do edifício, contando com pinturas e esculturas no Saguão, na Escadaria e no Salão Nobre que apresentassem a História do Brasil, para assim reforçar a instituição como um símbolo histórico brasileiro. Foi nesta época que se instalou o Museu Republicano “Convenção de Itu”, uma extensão do Museu Paulista no interior do Estado de São Paulo. Desde agosto de 2013, o museu está fechado ao público "para obras, restauros e reparos" após um estudo apontar que a estrutura do prédio estava abalada. A previsão de reabertura é para o ano de 2022, como parte das comemorações do bicentenário da Independência.[6]

História[editar | editar código-fonte]

Construção política da Independência[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Independência do Brasil

A data de 7 de setembro de 1822 como um marco da história nacional foi, também, uma construção política. O ato da proclamação do, então príncipe, Pedro I do Brasil, no Riacho do Ipiranga teve pouca repercussão na imprensa na Corte do Rio de Janeiro. Nem mesmo o próprio protagonista do episódio, D. Pedro, deixou registros a seu respeito na carta que escreveu dirigindo-se aos paulistas no dia seguinte ao Grito do Ipiranga.[7]

Somente em setembro de 1823, na Assembleia Constituinte, é que membros do governo da província de São Paulo iniciaram as discussões sobre a possível construção de um monumento em memória do Grito. Somente em 1826, o Parlamento aprovou a introdução do 7 de setembro na categoria de “festividade nacional”.[7]

Museu do Ipiranga em 1902, foto de Guilherme Gaensly.
Festa escolar no Museu do Ipiranga em 1912

A partir daí o debate acerca de uma construção imponente de demarcação da data histórica foi ganhando espaço, mas sempre sendo postergada sob a justificativa da falta de recursos. Foi somente entre 1885 e 1890, ao mesmo tempo em que se intensificaram as propagandas republicanas e a luta abolicionista, que se deu a resolução do que órgãos da imprensa paulista da época chamavam de “questão do Ipiranga”. Desta forma, em meio a muitos debates e desencontros de ordem política, o Museu do Ipiranga veio para demarcar definitivamente o lugar de proclamação da Independência do Brasil, assinalando no imaginário popular o momento a partir do qual teria se originado a nação brasileira.[7]

O edifício inicialmente projetado para concretizar a versão conservadora da proclamação da independência, adquiriu outros significados a partir da Proclamação da República, dentre eles estava o de “renascimento da nação”. Com sua apropriação pelo governo do Estado de São Paulo, o que o transformou em museu público, a ressignificação do monumento passou pela ideia de que a história do progresso nacional era a história do progresso de São Paulo, colocando a colina do Ipiranga como uma caminho articulador das riquezas com o Porto de Santos, então recém inaugurado.[7]

Construção[editar | editar código-fonte]

O arquiteto e engenheiro italiano Tommaso Gaudenzio Bezzi foi contratado em 1884 para realizar o projeto de um monumento-edifício no local onde aconteceu o evento histórico da Independência do Brasil, embora já existisse esta ideia desde aquele episódio, em 1822. O edifício começou a ser construído em 1885 e conta com 123 metros de comprimento e 16 metros de profundidade com uma profusão de elementos decorativos e ornamentais. O estilo arquitetônico e eclético foi baseado no de um palácio renascentista. A técnica empregada foi basicamente a da alvenaria de tijolos cerâmicos, uma novidade para a época (a cidade ainda estava acostumada a construir com taipa de pilão).[carece de fontes?]

As obras encerraram-se em 15 de novembro de 1890, no primeiro aniversário da República. Cinco anos mais tarde, foi criado o Museu de Ciências Naturais, que se transformou no Museu Paulista. Em 1909, o paisagista belga Arsênio Puttemans executou os jardins ao redor do edifício. Este desenho de jardim foi substituído, provavelmente na década de 1920, pelo paisagismo do alemão Reynaldo Dierberger, desenho que se mantém, em sua maior parte, até os dias atuais.[carece de fontes?]

Problemas com furto[editar | editar código-fonte]

Em agosto de 2007 o Museu Paulista sofreu com Problemas relacionados a segurança, quando 900 cédulas e moedas raras foram furtadas, neste acervo eram encontradas moedas emitidas da Áustria e da Alemanha durante a primeira Guerra mundial e Brasileira do século 20, o furto foi descoberto por um funcionário que enquanto limpava o banheiro do funcionários encontrou em um saco de lixo algumas cédulas antigas e envelopes usados para guardas as peças. Em setembro de 2007 a policia conseguiu recuperar parte do acervo que havia sido furtado, porem ninguém foi preso. Na época o material furtado chegou a valer R$ 100 mil reais.[8][9]

Em consequência deste caso a segurança do museu foi reforçada em dezembro de 2007, com a adição de novas câmeras de vigilância mais modernas e alarmes, e os funcionários passaram por um treinamento para saberem como lidar em casos de furtos e roubos.[10]

Restauração[editar | editar código-fonte]

Em agosto de 2013 o Museu Paulista foi fechado após a constatação de problemas em sua estrutura. Desde então, a maior parte do acervo do Museu foi transferida para imóveis locados exclusivamente para armazenamento desses volumes. Muitas peças do acervo vêm sendo emprestadas a outros museus e espaços culturais para a realização de mostras. A Biblioteca foi reaberta ao público em outro endereço no próprio bairro do Ipiranga, bem como as atividades acadêmicas e educativas que são oferecidas pela instituição. O Museu declarou uma previsão de gastos iniciais de R$21 milhões, mas posteriormente alterado para R$100 milhões, sem ainda apresentar nenhuma nova execução de obras relevantes..[11] Declara também sua reabertura para 2022, ano de comemoração do bicentenário da Independência do Brasil..[12]

Acervo[editar | editar código-fonte]

Quadro Independência ou Morte, mais conhecido como "O Grito do Ipiranga" (óleo sobre tela de Pedro Américo - 1888), do acervo do museu.

O Museu Paulista tem em seu acervo de mais de 125 mil artigos, entre objetos (esculturas, quadros, joias, moedas, medalhas, móveis, documentos e utensílios de bandeirantes e índios), iconografia e documentação arquivística, do século XVI até meados do século XX, que servem para a compreensão da sociedade brasileira, com especial concentração na história de São Paulo. Os acervos têm sido mobilizados para as três linhas de pesquisa as quais o museu se dedica:[carece de fontes?]

  • Cotidiano e Sociedade
  • Universo do Trabalho
  • História do Imaginário

O acervo do Museu Paulista teve origem em uma coleção particular reunida pelo coronel Joaquim Sertório, adquirida pelo Conselheiro Francisco de Paula Mayrink em 1890 e doada, juntamente com objetos da coleção Pessanha, ao Governo do Estado. Em 1891, o presidente do Estado, Américo Brasiliense de Almeida Melo, deu a Albert Löfgren a incumbência de organizar esse acervo, designando-o diretor do recém-criado Museu do Estado. As coleções, ao longo dos mais de cem anos do museu, sofreram uma série de modificações com o desmembramento de parte de seus acervos e incorporações.[carece de fontes?]

O acervo do museu se encontra tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN.[13]

Escadaria[editar | editar código-fonte]

Vista parcial da Escadaria, com destaque para a escultura de Dom Pedro I.

A escadaria propriamente dita representa o Rio Tietê, que foi o ponto de partida dos Bandeirantes rumo ao interior do país. No corrimão há esferas com águas dos rios desbravados pelos paulistas entre os séculos XVI e XVIII, como por exemplo o Rio Paraná, Rio Paranapanema, Rio Uruguai e o Rio Amazonas.[carece de fontes?]

Nas paredes do ambiente estão estátuas dos heróis bandeirantes, como Borba Gato e Anhanguera, com as regiões por onde eles passaram mais notoriamente, localizadas nos atuais estados do Rio Grande do Sul até o Amazonas. No salão principal, há as duas maiores estátuas dos dois principais bandeirantes, Antônio Raposo Tavares e Fernão Dias. No centro está a representação de D. Pedro I como o herói da Independência.[carece de fontes?]

Junto às estátuas existem pinturas representando a participação paulista em diversos momentos da história brasileira, como o ciclo da caça ao índio, o ciclo do ouro e a conquista do amazonas. Acima existem nomes de cidades e seus respectivos fundadores paulistas pelo Brasil, como Brás Cubas e Santos. No teto há pinturas de paulistas importantes na história do país, como o patriarca da independência José Bonifácio.[carece de fontes?]

Biblioteca[editar | editar código-fonte]

A Biblioteca do Museu Paulista faz parte do edifício-monumento desde sua inauguração. Seu acervo conta com 39.831 livros e 39.019 fascículos de periódicos, incluindo obras preciosas sobre a História do Brasil e a História de São Paulo. Nos últimos 20 anos, tornou-se uma Biblioteca especializada nas áreas de História Cultural Material, Estudos de Objetos e Iconografia e Museologia.[14]

Vista panorâmica do Museu do Ipiranga.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «História do Museu Paulista». usp.br. Consultado em 3 de novembro de 2012 
  2. Alfano, Ana Paula. Istoé Gente. Retrieved on 2008-01-11.
  3. «Museu Paulista da USP». www.saopaulo.sp.gov.br. Governo do Estado de São Paulo. Consultado em 5 de setembro de 2016 
  4. «História do Museu Paulista». www.mp.usp.br. Museu Paulista da Universidade de São Paulo. Consultado em 5 de setembro de 2016 
  5. «Museu do Ipiranga - Museu Paulista». www.museudoipiranga.com.br. Museu do Ipiranga. Consultado em 5 de setembro de 2016 
  6. G1 (7 de setembro de 2014). «Museu do Ipiranga está fechado e só reabrirá em 2022». Consultado em 15 de setembro de 2014 
  7. a b c d Cecilia Helena de Salles Oliveira. «Museu Paulista da USP e a Memória da Independência» (PDF). Dezembro de 2002. Consultado em 14 de novembro de 2016 
  8. «Folha de S.Paulo - 900 cédulas e moedas raras são furtadas do museu do Ipiranga - 10/08/2007». www1.folha.uol.com.br. Consultado em 6 de abril de 2017 
  9. «G1 > Edição São Paulo - NOTÍCIAS - Polícia recupera parte de acervo roubado de Museu do Ipiranga». g1.globo.com. Consultado em 6 de abril de 2017 
  10. «Folha de S.Paulo - Museu do Ipiranga modernizou sistema após furto em agosto - 22/12/2007». www1.folha.uol.com.br. Consultado em 6 de abril de 2017 
  11. Paulo, iG São (6 de setembro de 2016). «7 de setembro: Quer visitar o Museu do Ipiranga? Esqueça - Home - iG». Último Segundo 
  12. «Obra do Museu do Ipiranga está parada». Istoé. Consultado em 12 de setembro de 2016 
  13. «Ministério da Cultura - IPHAN - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional». www.cultura.gov.br. Consultado em 28 de abril de 2017 
  14. «Biblioteca do Museu Paulista». usp.br. Consultado em 12 de setembro de 2016 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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