Tutancâmon

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Tutancâmon
Busto de madeira do rei menino, encontrado em seu túmulo
Busto de madeira do rei menino, encontrado em seu túmulo
Faraó do Egito
Reinado c. 1332–1323 a.C. Império Novo18º Dinastia
Predecessor Neferneferuaten
Sucessor Ay
SobrenomeNebkheperure
Senhor das Formas de Rá
NomeTutankhamun Hekaiunushema
Imagem Viva de Amon, Governante da Alta Heliópolis
Nome de HórusKanakht Tutmesut
O Touro Forte, Agradável de Nascimento
Nome de NebtyNeferhepusegerehtawy Werahamun Nebrdjer
Um de Leis Perfeitas, que Pacifica as Duas Terras; Grande do Palácio de Amon;
Senhor de Todos
Hórus de OuroWetjeskhausehetepnetjeru Heqamaatsehetepnetjeru Wetjeskhauitefre Wetjeskhautjestawyim
Que Usa Coroas e Agrada os Deuses; Governante da Verdade, que Agrada os Deuses; que Usa as Coroas de seu Pai, Rá;
Que Usa Coroas e Liga as Duas Terras

Esposa(s) Anchesenamon
Pai Aquenáton
Mãe "Younger Lady"
Nascimento c. 1341 a.C.
Falecimento c. 1323 a.C. (c. de 18 ou 19 anos)
Tumba KV62, Vale dos Reis

Tutancâmon (pt-BR) ou Tutancámon (pt), Tutancamon[1] ou ainda Tutankhamon [2] (c. 1 341 a.C. — c. 1 323 a.C.[3]) foi um faraó da décima oitava dinastia (governou de c. 1332–1323 a.C. na cronologia egípcia), durante o período da história egípcia conhecido como Império Novo.[4] Desde a descoberta de sua tumba intacta, foi referido coloquialmente como Rei Tut. Seu nome original, Tutankhaten, significa "Imagem viva de Áton", enquanto que Tutankhamun significa "Imagem viva de Ámon".[5] Em hieróglifos , o nome Tutankhamun era tipicamente escrito Amen-tut-ankh, devido a um costume dos escribas de colocarem um nome divino no começo de uma frase para a reverência apropriada.[6] Tutancâmon é possivelmente Nibhurrereya[7] mencionado nas Cartas de Amarna e provavelmente o rei da dinastia XVIII, Rathotis,[8] que, de acordo com Manetão, um historiador antigo, reinou por apenas nove anos — uma hipótese que está de acordo com a versão de Flávio Josefo do epítome de Manetão.[9]

A descoberta de 1922 por Howard Carter da tumba de Tutancâmon, financiada por Lord Carnarvon,[10][11] recebeu cobertura da imprensa mundial. Isso despertou um renovado interesse público pelo antigo Egito, do qual a Máscara mortuária de Tutancâmon, atualmente no Museu Egípcio, continua sendo um símbolo popular. Exibições de artefatos de sua tumba percorreram o mundo. Em fevereiro de 2010, os resultados do teste de DNA confirmaram que ele era o filho da múmia encontrada na tumba KV55, que alguns acreditavam ser Akhenaton. Sua mãe era a irmã e a esposa de seu pai, cujo nome é desconhecido, mas cujos restos mortais são positivamente identificados como a múmia "Younger Lady" encontrada na tumba KV35 (Possivelmente Nefertiti).[12] A morte de alguns envolvidos na descoberta da múmia de Tutancâmon tem sido popularmente atribuída à Maldição do faraó.[13]

Vida[editar | editar código-fonte]

Tutancâmon era filho de Aquenáton (anteriormente Amenhotep IV) com alguma irmã do próprio Aquenáton[14] ou possivelmente uma de suas primas.[15] Ainda como príncipe, era conhecido como Tutancaten.[16] Ele subiu ao trono em 1333 a.C., com a idade de nove ou dez anos, assumindo o nome Nebkheperure.[17] Sua ama de leite foi uma mulher chamada Maia, segundo conta em seu túmulo em Sacará.[18]Seu professor foi Sennedjem.[19]

Quando se tornou rei, se casou com uma meia-irmã chamada Ankhesenpaaten, que mais tarde mudou seu nome para Ankhesenamun. Eles tiveram duas filhas, nenhuma das quais sobreviveu até a infância.[12] Estudo de tomografia computadorizada lançados em 2011 revelam que uma filha nasceu prematuramente aos 5-6 meses de gestação e a outra a termo, aos 9 meses.[20] A filha que nasceu aos 9 meses de gestação tinha espinha bífida, escoliose e deformidade de Sprengel (uma condição que afeta a posição da escápula).[21]

Ancestrais[editar | editar código-fonte]

Amenófis II
Tiaa
Tutemés IV
Mutemuia
Yuia
Tuiu
Amenófis III
Tiye
KV55, possivelmente Aquenáton
KV35, possivelmente Nefertiti
Tutancâmon

Nomes[editar | editar código-fonte]

Shabti de Tutancâmon, as shabti são estatuetas funerárias destinadas a substituir o falecido na execução dos seus afazeres após a morte.
Nome
Hieroglifo Significado
Hórus
E1
D40
tG43tF31stG43Z3
𓅃𓃒𓂡𓏏𓅱𓏏𓄟𓋴𓏏𓅱𓏪𓊁
Kanakht Tutmesut
“O touro forte, agradável de nascença”[22]
Nebit
nfrO4
p
G43M40Z3sW11
r
V28D36
N17
N17
N21
N21

wraHprZ1imn
n
nb
r
Dr
r
A41
𓅒𓄤𓉔𓊪𓅱𓇩𓏪𓋴𓎼𓂋𓎛𓂝𓇿𓇿𓈅𓈅𓅨𓉥𓉐𓏤𓇋𓏠𓈖𓎟𓂋𓇥𓂋𓀯'
Neferhepusegerehtawy Werahamun Nebrdjer
“Aquele cujas leis são perfeitas, que pacifica as duas terras; o grande do palácio de Amón; Senhor de tudo”[23]
Hórus de Ouro
U39N28
Z2
O34R4
t p
R8AHqAq
Y1
mAats

Htp
t p
R8AwT
z
U39xa
Z2
it
f

A41
f
C2U39xa
Z2
Tz
z
tA
tA
m
𓅉𓍞𓈍𓏥𓊃𓊵𓏏𓊪𓊹𓊹𓊹𓋾𓈎𓏛𓁦𓋴𓊵𓏏𓊪𓊹𓊹𓊹𓅱𓍿𓊃𓍞𓈍𓏥𓇋𓏏𓆑𓀯𓆑𓁛𓍞𓈍𓏥𓋭𓊃𓇾𓇾𓅓
Wetjeskhausehetepnetjeru Heqamaatsehetepnetjeru Wetjeskhauitefre Wetjeskhautjestawyim
“Aquele que usa coroas e agrada aos deuses; Governante da Verdade, que agrada aos deuses; Aquele que usa as coroas de seu pai, Re; Que usa coroas e une as duas terras”
Nesut-biti
N5L1Z2
nb
𓇓𓆤 𓍹𓇳𓆣𓏥𓎟𓍺
Nebkheperure
Senhor das formas de Re
Filho de Ré
imn
n
tG43tS34HqAiwnSma
𓅭𓇳 𓍹𓇋𓏠𓈖𓏏𓅱𓏏𓋹𓋾𓉺𓇗𓍺
Tutankhamun Hekaiunushema
Imagem viva de Amon, governante do Alto Heliópolis


Reinado[editar | editar código-fonte]

Caixa pintada com cenas de Tutancâmon combatendo os núbios e asiáticos[24]
Detalhe da pintura frontal da caixa

Dada a sua idade, o rei provavelmente tinha conselheiros muito poderosos, presumivelmente incluindo o General Horemheb (Grão-Vizir, o possível filho de na lei e sucessor) e o Grão-Vizir Aí ( que sucedeu a Tutancâmon). Horemheb registra que o rei o nomeou "senhor da terra" como príncipe hereditário para manter a lei. Ele também notou sua capacidade de acalmar o jovem rei quando seu temperamento se agitava.[25]

Em seu terceiro ano de reinado, sob a influência de seus conselheiros, Tutancâmon reverteu várias mudanças feitas durante o reinado de seu pai. Ele terminou a adoração do deus Áton e restaurou o deus Amón à supremacia. A proibição do culto de Amon foi suspensa e os privilégios tradicionais foram restaurados ao seu sacerdócio. A capital foi transferida de volta para Tebas e a cidade de Akhetaten foi abandonada.[26] Foi quando ele mudou seu nome para Tutancâmon, "Imagem viva de Amon", reforçando a restauração de Amon.

Como parte de sua restauração, o rei iniciou projetos de construção, em particular em Carnaque em Tebas, onde dedicou um templo a Amon. Muitos monumentos foram erguidos, uma inscrição na porta do seu túmulo declara que o rei havia "passado a vida modelando as imagens dos deuses". Os festivais tradicionais foram novamente celebrados, incluindo os relacionados com o Touro Ápis, o Horemakhet e o Festival de Opet. Sua estela de restauração diz:

Os templos dos deuses e deusas ... estavam em ruínas. Seus santuários estavam desertos e cobertos pelo mato. Seus santuários estavam tão esquecidos que suas cortes eram usadas como estradas... os deuses viraram as costas para esta terra... Se alguém fizesse uma oração a um deus por um conselho, ele nunca responderia.[27]

O país estava economicamente fraco e em tumulto após o reinado de Aquenáton. As relações diplomáticas com outros reinos foram negligenciadas, e Tutancâmon buscou restaurá-las, em particular as relações com os Mitanni. A evidência de seu sucesso é sugerida pelos presentes de vários países encontrados em sua tumba. Apesar de seus esforços para melhorar as relações, foram registradas batalhas contra os núbios e asiáticos em seu templo mortuário em Tebas.[24] Seu túmulo continha armaduras corporais, bancos dobráveis apropriados para campanhas militares e arcos, além dele ter treinado o arco e flecha.[28] No entanto, dada a sua juventude (morto aos idade 18) e deficiências físicas que pareciam exigir o uso de uma bengala para caminhar, a maioria dos historiadores especula que não participou pessoalmente dessas batalhas.[12][29][30]

Saúde e aparência[editar | editar código-fonte]

Tutancâmon era magro e tinha quase 1,67 cm de altura.[31][32] Ele tinha grandes incisos frontais e a arcada dentária superior projetada para frente, característica da linhagem real Tuteméses à qual pertencia. Entre setembro de 2007 e outubro de 2009, várias múmias foram submetidas a estudos antropológicos, radiológicos e genéticos detalhados, como parte do King Tutankhamun Family Project. A pesquisa mostrou que Tutancâmon também tinha "um pouco de fissura palatina"[33] e possivelmente um caso leve de escoliose, uma condição médica na qual a coluna se desvia para o lado da posição normal. Foi postulado no documentário de 2002 "Assassination of King Tut" para o Discovery Channel que ele sofria de síndrome de Klippel-Feil, mas a análise subsequente excluiu isso como um diagnóstico aceitável.[34] O exame do corpo de Tutancâmon também revelou deformações no pé esquerdo, causadas por necrose do tecido ósseo. A aflição pode ter forçado Tutancâmon a andar com o uso de uma bengala, muitas dos quais foram encontrados em sua tumba..[35] Nos testes de DNA da múmia de Tutancâmon, os cientistas encontraram DNA dos parasitas transmitidos por mosquitos que causam a malária. Esta é atualmente a mais antiga prova genética conhecida da doença. Mais de uma cepa do parasita da malária foi encontrada, indicando que Tutancâmon contraiu múltiplas infecções por malária. De acordo com a National Geographic, "a malária enfraqueceu o sistema imunológico de Tutancâmon e interfeririu na cicatrização de seu pé. Esses fatores, combinados com a fratura em seu osso da coxa esquerda, que cientistas descobriram em 2005, pode ter sido o que acabou matando o jovem rei ".[35]

Morte e consequências[editar | editar código-fonte]

Pintura mural no túmulo de Tutancâmon

Tutancâmon faleceu aos dezenove anos em 1324 a.C.[36] Uma vez que o seu túmulo não estava ainda pronto, foi sepultado num túmulo de dimensões pequenas, pouco habitual para alguém que ocupou o cargo de faraó.

A sua viúva, Anchesenamon, toma uma atitude desconcertante. Numa carta enviada a Supiluliuma I, rei dos hititas, a rainha pede ao soberano um dos seus filhos como marido, prometendo-lhe o trono do Egito. Os hititas tinham sido inimigos do Egito, razão pela qual este pedido era estranho. Supiluliuma desconfiou das intenções da rainha, julgando tratar-se de uma armadilha. Na resposta enviada perguntou à rainha onde estava o filho de Tutancâmon. Anchesenamon, despeitada, afirma que não tem filhos. Depois de refletir o rei hitita decidiu atender ao pedido da rainha, enviando um filho que seria coroado rei do Egito. Contudo, este príncipe nunca chegou ao Egito, julgando-se que foi morto no caminho por espiões enviados por Horemheb ou Ay.

Ay casaria com Anchesenamon, talvez contra vontade desta, o que lhe permitiu tornar-se rei. Teria já uma idade avançada (entre os sessenta e os setenta anos), e inexplicavelmente meses depois, a rainha morre misteriosamente, tendo sido faraó durante quatro anos, morrendo de "causas naturais" meses após Horemheb retornar de uma das várias guerras que participava. Respeitou a memória de Tutancâmon, não usurpando os seus monumentos. Foi sucedido por Horemheb que não precisou se casar com ninguém, pois já não havia membros da família real vivos e o mesmo por ser herói de guerra, teve apoio maciço do povo, reinou durante vinte e sete anos e não deixou herdeiros.

Causa da morte[editar | editar código-fonte]

Devido à falta de elementos informativos relativos a Tutancâmon, especula-se sobre os motivos da morte do faraó.

Em 1925 foi realizada uma autópsia na múmia por Douglas Derry, tendo se considerado na época a hipótese de uma morte natural, talvez por tuberculose.

Em 1968 uma equipe da Universidade de Londres liderada por R.G Harrison obteve autorização para realizar raios-X à múmia. Uma ferida perto da orelha esquerda do faraó, que penetrou no crânio, produzindo uma hemorragia, foi apontada como causa da morte. Esta ferida poderia ter sido causada por um golpe ou um acidente. As radiografias mostraram como um osso tinha penetrado no crânio. Alguns investigadores avançaram com a hipótese de assassinato que teria tido como autores Ay e Horemheb. O que pelas confusões pelo poder na época é o mais provável.

Em janeiro de 2005 a múmia foi retirada do seu sarcófago no túmulo do Vale dos Reis, tendo sido alvo de um exame no qual se recorreu à tomografia computadorizada (TC). Este exame, que teve uma duração de quinze minutos, gerou 1700 imagens.

Os novos exames descartaram a hipótese de morte por assassinato. Em Novembro de 2006 o médico Ashraf Selim, com base em novas e sofisticadas análises, apresentou novas evidências que sustentam esta teoria.[37] Quanto ao osso encontrado no crânio julga-se que foi provocado por um erro durante o processo de embalsamento do corpo.

Em maio de 2005, egípcios, franceses e americanos reconstituíram sua face a partir de imagens de tomografia computadorizada. O rei Tut - como foi apelidado - tinha a parte posterior do crânio estranhamente alongada e o queixo retraído.

Conforme notícias divulgadas pela Agence France-Presse em 16 de fevereiro de 2010, Tutancâmon teria morrido, na verdade, devido à malária combinada com uma infecção óssea, segundo o estudo divulgado.[38] Para outro autor o faraó Tut teria passado por severo episódio de malária antes de assumir o trono, mas teria morrido assassinado por Aye com um golpe na porção posterior do crânio.[39]

O estudo parece abrir as portas a um novo enfoque de investigação em genealogia molecular e paleogenômica do período faraônico, opinaram os cientistas.[40]

De acordo com estudos recentes desenvolvidos em 2013, o faraó foi supostamente morto por ter sido atropelado por uma carruagem.[41]

A descoberta do túmulo de Tutancâmon[editar | editar código-fonte]

Inicialmente o túmulo de Tutancâmon estava destinado a situar-se em Amarna, sendo hoje identificado como o túmulo KV-29. Quando se mudou para Tebas foi ordenada a construção de um túmulo na parte oeste do Vale dos Reis. Contudo, como já foi referido, este túmulo não estava concluído quando ocorreu a morte do rei e Tutancâmon foi sepultado num túmulo privado adaptado para si, situado na parte leste do Vale dos Reis.

Em novembro de 1922 foi descoberto o túmulo de Tutancâmon, resultado dos esforços de Howard Carter e do seu mecenas, o aristocrata Lord Carnarvon. O túmulo encontrava-se inviolado, com excepção da antecâmara onde os ladrões penetraram por duas vezes, talvez pouco tempo depois do funeral do rei, mas por razões pouco claras ficaram-se por ali.

A câmara funerária foi aberta de forma oficial no dia 16 de Fevereiro de 1923. Estava preenchida por quatro capelas em madeira dourada encaixadas umas nas outras, que protegiam um sarcófago em quartzito de forma rectangular, seguindo a tradição da forma dos sarcófagos da XVIII dinastia. Em cada um dos cantos do sarcófago estão representadas as deusas Ísis, Néftis, Neite e Sélquis. Dentro do sarcófago encontravam-se três caixões antropomórficos, encontrando-se a múmia no último destes caixões; sobre a face a múmia tinha a famosa máscara funerária. Decorados com os símbolos da realeza (a cobra e o abutre, símbolos do Alto e do Baixo Egito, a barba postiça retangular e ceptros reais), o peso dos três caixões totalizava 1375 quilos, sendo o terceiro caixão feito de ouro. Na câmara funerária foram colocadas também três ânforas, estudadas em 2004 e 2005 por arqueólogos espanhóis coordenados por Rosa Lamuela-Raventós. Os estudos revelaram que a ânfora junto à cabeça continha vinho tinto, a colocada do lado direito do corpo continha shedeh (variedade de vinho tinto mais doce) e a terceira, junto aos pés, continha vinho branco. Esta pesquisa revelou-se importante pois mostrou que os egípcios fabricavam vinho branco, mil e quinhentos anos antes do que se pensava.

O ferro da lâmina de uma das adagas encontradas junto da múmia é feita do metal de um meteorito.[42]

Na câmara do tesouro estava uma estátua de Anúbis, várias jóias, roupas e uma capela, de novo em madeira dourada, onde foram colocados os vasos canópicos do rei. Neste local foram achadas duas pequenas múmias correspondentes a dois fetos do sexo feminino, que se julgam serem as filhas do rei, nascidas de forma prematura.

Embora os objetos encontrados no túmulo não tenham lançado luz sobre a enigmática vida de Tutancâmon, revelaram-se bastante importantes para um melhor entendimento das práticas funerárias e da arte egípcia.

A "maldição" do faraó[editar | editar código-fonte]

Em torno da abertura do túmulo e de acontecimentos posteriores gerou-se uma lenda relacionada com uma suposta "maldição" ou "praga da morte", lançada por Tutancâmon contra aqueles que perturbaram o seu descanso eterno. O mecenas de Carter, Lord Carnarvon, faleceu a 5 de abril de 1923, não tendo por isso tido a possibilidade de ver a múmia e o sarcófago de Tutancâmon. No momento da sua morte ocorreu na capital egípcia uma falha elétrica sem explicação e a cadela do lorde teria uivado e caído morta no mesmo momento na Inglaterra. Nos meses seguintes morreriam um meio-irmão do lorde, a sua enfermeira, o médico que fizera as radiografias e outros visitantes do túmulo. Para além disso, no dia em que o túmulo foi aberto de forma oficial o canário de Carter foi engolido por uma serpente, animal que se acreditava proteger os faraós dos seus inimigos. Os jornais da época fizeram eco destes fatos e contribuíram de forma sensacionalista para lançar no público a ideia de uma maldição. Curiosamente, Howard Carter, descobridor do túmulo, viveu ainda durante mais treze anos.

Acidente com a máscara mortuária[editar | editar código-fonte]

Um acidente causou danos irreversíveis na máscara, os conservadores utilizaram epóxi para corrigir um dano causado na peça que compõe a barba, atualmente não existem maiores detalhes sobre o incidente.[43]

Referências

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Bibliografia[editar | editar código-fonte]

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  • Egyptian Supreme Council of Antiquities, The Mummy of Tutankhamun: the CT Scan Report, as printed in Ancient Egypt, June/July 2005.
  • Haag, Michael. "The Rough Guide to Tutankhamun: The King: The Treasure: The Dynasty". London 2005. ISBN 1-84353-554-8.
  • Hoving, Thomas. The search for Tutankhamun: The untold story of adventure and intrigue surrounding the greatest modern archeological find. New York: Simon & Schuster, 15 October 1978, ISBN 0-671-24305-5 (hardcover)/ISBN 0-8154-1186-3 (paperback) This book details a number of interesting anecdotes about the discovery and excavation of the tomb
  • James, T. G. H. Tutankhamun. New York: Friedman/Fairfax, 1 September 2000, ISBN 1-58663-032-6 (hardcover) A large-format volume by the former Keeper of Egyptian Antiquities at the British Museum, filled with colour illustrations of the funerary furnishings of Tutankhamun, and related objects
  • Neubert, Otto. Tutankhamun and the Valley of the Kings. London: Granada Publishing Limited, 1972, ISBN 0-583-12141-1 (paperback) First hand account of the discovery of the Tomb
  • Reeves, C. Nicholas. The Complete Tutankhamun: The King, the Tomb, the Royal Treasure. London: Thames & Hudson, 1 November 1990, ISBN 0-500-05058-9 (hardcover)/ISBN 0-500-27810-5 (paperback) Fully covers the complete contents of his tomb
  • Rossi, Renzo. Tutankhamun. Cincinnati (Ohio) 2007 ISBN 978-0-7153-2763-0, a work all illustrated and coloured.

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