Usafedo

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Usafedo
Nascimento Século XXX a.C.
Morte 2995 a.C.
Sepultamento Umel Caabe
Cidadania Antigo Egito
Progenitores Mãe:Meritneit
Pai:Djet
Cônjuge Nakhtneith
Filho(s) Anedjib
Ocupação estadista
Título Faraó
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Usafedo (em latim: Usaphaedus; em grego clássico: Usaphaidos), Usafes (em latim: Usaphaes; em grego clássico: Usaphais) Udimu (em grego clássico: Oudimou), Den ou Dewen é o nome de Hórus (título heráldico) de um Faraó que governou durante a Primeira Dinastia Egípcia. Ele é o líder melhor atestado na arqueologia deste período. Usafedo trouxe prosperidade para o seu reino e inúmeras inovações são atribuídas ao seu reinado.[carece de fontes?] Ele foi o primeiro a usar o título de "Rei do Baixo e Alto Egito", e o primeiro descrito como vestindo a coroa dupla (vermelha e branca). O piso de sua tumba em Umel Caabe, próximo a Abidos, é feito de granito vermelho e preto, e foi a primeira vez no Egito que esta pedra dura foi usada como material de construção. Durante seu longo reinado, ele estabeleceu muitos dos padrões de rituais da corte e da realeza que vieram a ser utilizados posteriormente, Usafedo também foi altamente respeitado por seus sucessores imediatos.[carece de fontes?]

Foi um dos governantes mais importantes da Primeira Dinastia.[carece de fontes?] Seu reinado é marcado por um grande desenvolvimento na arquitetura funerária e pelo progresso do Estado na administração, economia, artesanato e religião. Mais de 30 mastabas foram erguidas em Sacará e Abu Roach durante o seu reinado por funcionários de todos os tipos.

Fontes acerca do nome[editar | editar código-fonte]

Sepati, nome em cartucho egípcio de Den na lista de reis de Abidos

O nome sereque do Faraó Usafedo é bem atestado em impressões de selos de barro, nos rótulos de marfim e em inscrições em vasos feitos de xisto, diorito e mármore. Os artefatos foram encontrados em Abidos, Sacará e Abu Roach. O nome do líder também é atestado em documentos posteriores. Por exemplo, o Papiro de Berlim(do Período de Ramessés) discute vários métodos de tratamento e terapias para uma série de doenças diferentes, alguns desses métodos são datados com origem no reinado de Usafedo, mas esta declaração pode ser interpretada como uma tentativa de dar um tom tradicional e autoritário à recomendação médica.[1] Da mesma forma, o faraó é mencionado no Papiro de Ani (também do mesmo período) no capítulo 64.[2]

Etimologia e identidade[editar | editar código-fonte]

Fragmento de um rótulo de marfim, mostrando o faraó usando a coroa dupla do Alto e Baixo Egito. Descoberto na tumba de Usafedo, e agora no Museu Egípcio.

O nome sereque de Usafedo era "Den" ou "Dewen", provavelmente significando "aquele que traz a água". Essa definição vai de acordo com seu nome de nascimento, “Khasty”, que significa "aquele dos dois desertos". Egiptólogos, como Toby Wilkinson e Francesco Tiradritti atestaram que o nome de nascimento se refere aos desertos do leste e do oeste - ambos em torno Egito como escudos de protetivos - do Baixo e Alto Egito. Isso também está de acordo com a introdução do título de Nisut-Bity atribuído a Usafedo. Este título real foi criado para legitimar o poder do faraó sobre todo o Império do Egito.[3][4]

O nome de nascimento do faraó foi mal interpretado na tradução dos tempos de Ramessés II. Na Lista Real de Abidos consta o nome “Sepatju” escrito com dois símbolos de "distrito". Este é derivado dos dois símbolos do deserto que o faraó Usafedo originalmente usou. No Papiro de Turim ele é referido como "Qenentj”, que é bastante difícil de traduzir. A origem dos hieróglifos usados pelo Cânone Real de Turim permanece desconhecida. Já a Tabuleta de Sacará misteriosamente o omite por completo.[5]

Família[editar | editar código-fonte]

A família de Usafedo tem sido objeto de investigação significativa. Sua mãe era a rainha Merneite; esta conclusão é apoiada por impressões de selos contemporâneos e pela inscrição na Pedra Palermo. As esposas do faraó eram as rainhas Semate, Naquete-Neite e, possivelmente, Qua-Neith. Ele também teve numerosos filhos e filhas, seus possíveis sucessores e herdeiros podem ter sido os reis Miebido e Semempsés.

A Casa Real do faraó foi também alvo de pesquisas. Túmulos subsidiários e mastabas em Caracá pertenciam a altos funcionários, como Ipka, Ankh-ka, Hemaka, Nebitka, Amka, Iny-ka e Ka-Za. Em um túmulo subsidiário nas necropolis, foi encontrado um estela raro de um anão chamado Ser-Inpu .[6]

Reinado[editar | editar código-fonte]

De acordo com registros arqueológicos, logo no começo de seu reinado, Usafedo teve que compartilhar o trono com sua mãe Merneite por vários anos. Provavelmente sendo muito jovem para reinar sozinho. Assim sendo, sua mãe reinou como regente ou faraó de facto por algum tempo. Tal curso de ações não era incomum na história egípcia antiga. A rainha Neitotepe pode ter assumido um papel semelhante antes de Merneite, enquanto rainhas como Sobekneferu e Hatshepsut eram mais tarde governantes egípcias. A mãe de Usafedo foi recompensada com seu próprio túmulo de dimensões reais e com seu próprio culto mortuário.[7][8]

Duração[editar | editar código-fonte]

O historiador do Egito antigo Manetão o chamou de "Oúsaphaîdos", creditando lhe um reinado de aproximadamente 20 anos,[9] uma vez que o Papiro de Turim foi danificado, impossibilitando extrair maiores informações sobre a duração do reinado de Usafedo.[10] Egiptólogos em geral acreditam que o mesmo teve um reinado de 42 anos, com base nas inscrições da Pedra de Palermo.

Legado[editar | editar código-fonte]

Assim como Quenquenés, parece que Usafedo também colaborou com a medicina e um dos estudos que se acredita serem de sua autoria versa sobre o tratamento de fraturas.

O faraó foi registrado em numerosos objetos e fragmentos. Um selo de marfim encontrado em Abidos, mostra o faraó atacando um prisioneiro asiático. Seu nome aparece no sereque encimado por Hórus, mas há na frente da cena a representação de Set em sua forma animal (chacal).

Além disso, Usafedo foi o pioneiro em uma série de eventos como:

  • O primeiro faraó a adotar o nome de Nebti ou Duas Senhoras;
  • O primeiro a ser representado usando a coroa dupla;
  • O primeiro a incorporar uma longa escadaria em sua tumba;
  • Foi o criador da posição de vizir para o Baixo Egito (ocupada em seu reinado por um homem chamado Hemaka, cuja tumba, muito rica, está em Sacará);
  • Também é creditado a ele a organização do primeiro censo no Egito, contando "todas as pessoas do norte, leste e oeste" para determinar os impostos.

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. Dietrich Wildung: Die Rolle ägyptischer Könige im Bewusstsein ihrer Nachwelt; pp 22-31.
  2. Walter Bryan Emery: Ägypten, Geschichte und Kultur der Frühzeit 3200-2800 v. Chr. Fourier, München 1964, página 90.
  3. 1879-1963., Gardiner, Alan H. (Alan Henderson), ([1961]). Egypt of the Pharaohs : an introduction. Oxford: Clarendon Press. pp. 401 – 402. ISBN 0756786649. OCLC 300350 
  4. Nicolas-Christophe., Grimal. A history of ancient Egypt. Oxford, UK: [s.n.] pp. 53 – 54. ISBN 0631174729. OCLC 25410477 
  5. Dietrich Wildung: Die Rolle ägyptischer Könige im Bewußtsein ihrer Nachwelt; Volume 1 (Münchener Ägytologische Studien 17). Dt. Kunstverlag, Munich-Berlin 1969, pp 22–31.
  6. 1914-1993., Helck, Wolfgang, (1987). Untersuchungen zur Thinitenzeit. Wiesbaden: O. Harrassowitz. pp. 124, 160 – 162 & 212 – 214. ISBN 3447026774. OCLC 18095816 
  7. H., Wilkinson, Toby A. (1999). Early dynastic Egypt. London: Routledge. pp. 74 – 75. ISBN 0203024389. OCLC 51717880 
  8. Silke., Roth, (2001). Die Königsmütter des Alten Ägypten von der Frühzeit bis zum Ende der 12. Dynastie. Wiesbaden: Harrassowitz. pp. 18 – 23. ISBN 3447043687. OCLC 49699280 
  9. Manetho., Waddell, W. G. (William Gillan), ([1940]). Manetho. Cambridge, Mass.,: Harvard University Press. pp. 33 – 37. ISBN 9780674993853. OCLC 690604 
  10. Alan H. Gardiner: The Royal Canon of Turin. Griffith Institute of Oxford, Oxford (UK) 1997, ISBN 0-900416-48-3; page 15 & Table I.