Arte bruta

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Adolf Wölfli, Irrenanstalt Band-Hain, 1910.

A expressão arte bruta (em francês Art Brut) foi concebida por Jean Dubuffet, em 1945, para designar a arte produzida por criadores livres da influência de estilos oficiais, incluindo as diversas vanguardas, ou das imposições do mercado de arte.

Dubuffet via nesses criadores - oriundos de fora do meio artístico, a exemplo dos internos em hospitais psiquiátricos e os autodidatas isolados não doentes - a forma mais pura de arte. O suíço Adolf Wölfli (1864-1930), que viveu em um asilo de alienados desde 1895 até sua morte, é apontado por Dubuffet como autor símbolo da arte bruta.[1]

Em 1948 é fundada pelo pintor francês Jean Dubuffet a Companhia de Arte Bruta, com o objetivo de constituir uma coleção dessas obras. E Dubuffet fundou em 1976 o museu Collection de L'Art Brut, em Lausane (Suíça) com obras de artistas como Carlo Zineli, Aloïse, Adolf Wolfli, e Henry Darger, o maior museu do género em todo o mundo. Em 1967 acontece exposição importante no Musée des Arts décoratifs de Paris, apresentando uma seleção de 700 obras.[2]

O artista autodidata que desenvolve o seu trabalho criativo, sem influência da arte erudita ou mesmo da arte popular tradicional, responde a uma forte motivação intrínseca e muitas vezes utiliza materiais e técnicas inéditas e improváveis.

O termo Outsider Art foi cunhado pelo crítico de arte Roger Cardinal, em 1972, traduzindo para o inglês o conceito de Art Brut.[3] De notar que "brut" foi utilizado por Dubuffet no sentido francês de "crua", e dado que em português "bruto" significa pessoa violenta e traduz ideia depreciativa, hoje é mais utilizada a expressão internaciona Arte Outsider.

O Museu Miguel Bombarda, em Lisboa, aberto ao público desde 2004 e que se mantém após o encerramento do Hospital em 2011, exibe parte da mais antiga e maior coleção de Arte Outsider/Arte de Doentes de Portugal, com cerca de 5000 obras, abrangendo todas as décadas do século XX, incluindo autores como Jaime Fernandes, José Gomes, Joaquim Demétrio e o poeta-pintor Ângelo de Lima, publicado na Orpheu por Fernando Pessoa.

Referências

  1. Swissinfo, 16 de Outubro de 2006. A arte que ignora seu nome, por Doris Lucini.
  2. Switzerland, Collection de l’Art Brut, Lausanne,. «Chronology of the Collection de l'Art Brut, Lausanne, Switzerland». www.artbrut.ch. Consultado em 27 de março de 2017 
  3. Roger Cardinal, Outsider Art, London, 1972.

Blibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Roger Cardinal, Art Brut. In: Dictionary of Art, Vol. 2, London, 1996, p. 515-516.
  • Turhan Demirel, "Outsider Bilderwelten", Bettina Peters Verlag, 2006, ISBN 3-939691-44-5
  • Jean Dubuffet: L’Art brut préféré aux arts culturels, 1949 .
  • Hal Foster, Blinded Insight: On the Modernist Reception of the Art of The Mentally Ill. In: October, No. 97, Summer 2001, pp. 3-30.
  • Deborah Klochko and John Turner, eds., Create and Be Recognized: Photography on the Edge, San Francisco: Chronicle Books, 2004.
  • John M. MacGregor, The Discovery of the Art of the Insane. Princeton, Oxford, 1989.
  • John Maizels, Raw Creation art and beyond, Phaidon Press Limited, Londres, 1996.
  • Lucienne Peiry, Art brut: The Origins of Outsider Art, París: Flammarion, 2001.
  • Lyle Rexer, How to Look at Outsider Art, New York:Abrams, 2005.
  • Colin Rhodes, Outsider Art, spontaneous Alternatives, London, 2000.
  • Michel Thévos, "Jaime Fernandes", Cahiers de L'Art Brut, Lausanne, 2004
  • www.aparteoutsider.org

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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