Cerdocyon thous

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Como ler uma infocaixa de taxonomiaCachorro-do-mato
Crab-eating Fox (cropped).JPG
Estado de conservação
Espécie pouco preocupante
Pouco preocupante (IUCN 3.1)
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Carnivora
Família: Canidae
Género: Cerdocyon
Espécie: C. thous[1]
Nome binomial
Cerdocyon thous
Linnaeus, 1766
Distribuição geográfica
nordeste, centro-oeste, sudeste e sul do Brasil; alguns países do norte da América-do-sul; partes do Uruguai, Paraguai, Argentina, e Bolívia.
nordeste, centro-oeste, sudeste e sul do Brasil; alguns países do norte da América-do-sul; partes do Uruguai, Paraguai, Argentina, e Bolívia.
Sinónimos
  • Dusicyon thous

O Cerdocyon thous (mais conhecido como cachorro-do-mato), é mamífero da família dos canídeos (incluindo espécies como o Lobo-guará, Raposa-do-campo e o Cachorro-do-mato-vinagre)[2], e se encontra dividido pela América do Sul. [3]É também conhecido como: lobinho, graxaim-do- mato, graxaim, raposa, lobete crab-eating fox, crab-eating zorro, common zorro, zorro de patas negras, perro de monte, lobo, zorro de monte, zorro perro, zorro común, zorro perruno; sendo esses nomes para diferentes regiões, sendo as últimas em espanhol. [4] Três, das suas cinco subespécies , podem ser encontradas no Brasil, sendo elas: C.t. entrerianus, encontrada no sul e sudeste do Brasil; C. t. azarae, no sudeste, centro-oeste, assim como a C.t. thous, ambas podem ser localizadas no nordeste e norte do Brasil.[4]

Características e hábitos[editar | editar código-fonte]

É uma espécie considerada notívaga (seres que possuem maior atividade durante a noite), com tamanho aproximado em 65 cm de comprimento e 40 cm de altura, pesam entre 5 e 8 kg. Esses animais dispõem de uma pelagem cinza-clara de base amarelada e sua faixa dorsal é negra (estendendo-se da nuca à extremidade da cauda que apontada para trás e para o chão com grande quantia de pelos longos e escuros). Há também indivíduos com pelagem diferente, mais clara, em um mesmo local, que pode ser observado no norte do Pantanal e na Mata Atlântica em São Paulo, tornando-se necessários mais estudos acerca das diferenças de coloração. Possuem patas escuras (ou pretas) e orelhas arredondadas, medianas e escuras nas pontas. Focinho comprido e moderadamente estreito. Abrigam-se em ocos de árvores e tocas. É uma espécie que não apresenta dimorfismo sexual [2](diferentes características não sexuais entre entre indivíduos macho e fêmea). São indivíduos onívoros, assim sua dieta inclui frutas e também presas animais, incluindo-se carcaças de animais mortos. E, como consequência desta última, podem ser atropelados, pelo consumo de carcaças animais às margens da pista. Pesquisas apontam que que está no topo da lista de animais silvestres que morrem atropelados. [5] [6][7][8][3][4][9][10][11][12][13]

O cachorro-do-mato é classificado como um caçador solitário, modificando essa característica em épocas de acasalamento,quando andam em pares, ou quando andam em grupos de até 4 indivíduos[3]. Quando jovens também podem andar em matilhas de até quatro animais.[14]

Distribuição e habitat[editar | editar código-fonte]

O lobete é um canídeo que avistado em vários habitats incluindo todos os tipos de ambientes, sendo esses: Savanas (Cerrado, preferindo áreas de cerradã ), Florestas Subtropicais, Florestas espinhosas de cactus, matas arbustivas, Caatinga, Planícies e Campos, dentre outros. É disseminado pela América do Sul, aparecendo no Norte da Colômbia; Venezuela; distribuído no Brasil; em todo Paraguai e Uruguai; norte da Argentina; na Bolívia a leste dos Andes; sendo pouco registrados em Suriname e Guiana. Foi registrada no Panamá recentemente.

Na Amazônia, suas localizações são nordeste do rio Amazonas e rio Negro, sudeste do rio Amazonas e Araguaia. Na Bolívia, é encontrado ao sul do rio Beni.[4]

Estudos realizados e comparados a um dos estudos realizados pela Universidade Federal de São Carlos, pelo Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Recursos Naturais, observa-se as utilizações de recursos do habitat e padrões indicam certa aproximação da espécie com regiões alteradas e cultivadas.[2]

Registros[editar | editar código-fonte]

Há poucos registros da espécie recentemente pelo Brasil. A seguir, uma tabela com alguns registros tidos nos últimos anos[15]:

Ano             Localização
2011 Estrela do Indaiá – MG
2012 Miranda – MS
2012 Aquidauana – MS
2013 Barretos – SP
2013 Cachoeira do Sul –RS
2013 Itapoã do Oeste – RO
2013 Joinville – SC
2013 São Francisco do Sul – SC
2013 Itapoá – SC
2013 Tupã – SP
2014 Cabreúva – SP
2015 Jauru – MT
2016 Itatiaia – RJ
2016 Ariquemes – RO
2016 Itaverava – MG
2017 Tupã – SP
2017 Tietê – SP
2017 Ariquemes – RO
2017 Campinas - SP
2018 Jardim – MS
2018 Dores do Indaiá – MG
2018 Guarulhos - SP
2018 São José do Vale do Rio Preto – RJ

Dieta[editar | editar código-fonte]

São indivíduos onívoros, assim sua dieta inclui frutas (sendo considerados um dispersor de semente) como por exemplo os frutos da embaúba e baguaçu; ovos; artrópodes; anfíbios; répteis; mamíferos de pequeno porte; crustáceos; e carcaças de animais mortos. Quando em estação chuvosa, esses animais alimentam-se majoritariamente de frutos e insetos, ao passo que em estações secas consomem pequenos mamíferos, como por exemplo roedores. Pelo fato de ser uma espécie oportunista, provavelmente sua alimentação se dá pelos recursos do ambiente.[2]

Um indivíduo empalhado no Museu de História Natural de Gênova.

Reprodução[editar | editar código-fonte]

A maturidade sexual da espécie Cerdocyon thous ocorre a partir dos nove meses de idade. Têm uma gestação de 52 a 59 dias, onde dão à luz entre 3 e 6 filhotes por ninhada, cada cria com, em média, 120-160 gramas, amamentados até o terceiro mês após nascimento e pelagem escura. As fêmeas dessa espécie concebem uma ou duas vezes a cada ano, sendo seu par de reprodução monogâmico. Por ser um animal do tipo tropical, a reprodução desses indivíduos não possui época do ano determinada para a procriação.[12][10][9][16]

Apesar de sua característica solitária comum, o machos da espécies podem levar às fêmeas lactantes ou grávidas o alimento.[17]

Conservação[editar | editar código-fonte]

É uma espécie considerada Menos Preocupante (LC) a nível de conservação pela IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza) por ser habitual em sua faixa de distribuição; possui populações estáveis, mesmo não havendo estimativas exatas sobre seus números na natureza.[4]

Exemplares do Centro Mastozológico da Universidade Estadual de Santa Cruz. Cachorro-do-mato fêmea à esquerda, lontra e Cachorro-do-mato macho à direita.

Uma das principais causas do risco de extinção da espécie é o contato com animais domésticos não vacinados. Por procurarem alimentos no lixo humano, o contato é inevitável[6]. Devido à influência, pesquisas realizadas evidenciaram o vírus da raiva, cinomose e Leishmaniose em indivíduos da espécie Cerdocyon thous. Outros fatores como atropelamento e envenenamento também contribuem para o desaparecimento da espécie.[4]

Apesar da espécie apresentar-se em risco, não se encontra na lista de espécies ameaçadas dos estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul ou São Paulo[4], mas pode ser encontrada na Lista Vermelha da Bahia[18]. Ainda assim o animal não se encontra protegido por algum tipo de lei específica em nenhuma país, dessa forma, seus números na natureza encontram-se ainda mais prejudicados.[8] Porém consta no apêndice II da convenção acerca do Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Fauna e Flora Silvestres. [4]

Mesmo com a influência humana presente, a espécie é, aparentemente, tolerante a tal interferência[4],exceto pelo contato com animais e lixo doméstico, que podem lhes transmitir doenças.

A conscientização de pessoas que trabalham em ambientes rurais sobre o risco de desaparecimento da espécie e treinamento para a construção de currais para animais domésticos (devido os ataques a filhotes de caprinos e ovinos), ajudaria na forma de conservação desses indivíduos, evitando o conflito com humanos.[5]

Há o Programa de Conservação Mamíferos do Cerrado, coordenado por Frederico Gemesio Lemos e Fernanda Cavalcanti de Azevedo, no qual ambos vêm estudando C. thous, desde o ano 2002, na região sudeste de Goiás, no município de Cumari. O grupo pesquisa um melhor modo para atender à ecologia espacial da espécie, como ela utiliza de recursos ambientais e alimentares e sua relação com canídeos simpátricos, como a Lycalopex vetulus (raposa-do-campo) e Chrysocyon brachyurus (lobo-guará), incluindo a causa da mortalidade em ambientes antropizados (aqueles que receberam influência humana).[4]

Contribuição com o meio[editar | editar código-fonte]

Em diversos biomas os indivíduos da espécie Cerdocyon thous, possuem uma atividade bastante importante para o ambiente: dispersão de sementes de plantas nativas, especialmente na Caatinga. Dessa forma, contribuem para a manutenção da flora da região e também a recuperação de áreas afetadas. [5]

Contato humano[editar | editar código-fonte]

O Cerdocyon thous é uma espécie relativamente parecida com outros canídeos, dessa forma, podem assim ser confundidas. Há relatos de domesticação do cachorro-do-mato, sendo um deles ocorrido em Cruzeiro do Oeste (PR). O animal se encontrava preso à uma corrente e alimentava-se de ração, possuía características de um animal domesticado; foi criado desde filhote com determinado cidadão.[19]

A criação ilegal de animais silvestres pode transmitir aos humanos várias doenças como: raiva e leptospirose; além de ser um crime ambiental. Essa atividade requer a autorização do órgão competente Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), no Brasil.[20] Ter animais silvestres, sem a devida autorização é um crime ambiental, como consta na Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998 no Art. 2º Quem, de qualquer forma, concorre para a prática dos crimes previstos nesta lei, incide nas penas a estes cominadas, na medida da sua culpabilidade, bem como o diretor, o administrador, o membro de conselho e de órgão técnico, o auditor, o gerente, o preposto ou mandatário de pessoa jurídica, que, sabendo da conduta criminosa de outrem, deixar de impedir a sua prática, quando podia agir para evitá-Ia, as pessoas serão penalizadas administrativa e civilmente, gerando multas e, em casos mais graves, a prisão do infrator. Além disso, há o decreto nº 6.514, de 22 de julho de 2008, que tem a finalidade de defesa dos animais.[21]

Os animais resgatados vão para Centros de Reabilitação de Animais Silvestres, os Cetas, são setores encarregados do manejo de animais silvestres, obtidos pelo IBAMA, de ações fiscalizatórias, resgates ou até mesmo entregas voluntárias. Os Cetas possuem o intuito de receber, diferenciar, marcar, fazê-los passar pelo processo de triagem, avaliar, tratar, reabilitar e devolvê-los à natureza (quando há tal possibilidade). Além do mais, podem realizar pesquisas acerca da espécie, assim como ensino e extensão. Nos últimos dez anos, cerca de 200.000 animais apreendidos foram devolvidos à natureza pelos Cetas. Esses animais são soltos em Áreas de Soltura de Animais Silvestres, ASAS, propriedades rurais que foram cadastradas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, recebendo animais nativos e reabilitados. [22]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Cerdocyon thous
  1. Wozencraft, W.C. (2005). Wilson, D.E.; Reeder, D.M. (eds.), ed. Mammal Species of the World 3 ed. Baltimore: Johns Hopkins University Press. p. 578. ISBN 978-0-8018-8221-0. OCLC 62265494 
  2. a b c d Dorneles, Patrícia; Silva, Carla Regina; Costa, Samira Lima da (2016). «EDITORIAL». Cadernos de Terapia Ocupacional da UFSCar. 24 (1): 1–2. ISSN 2238-2860. doi:10.4322/0104-4931.ctoed2401 
  3. a b c G1. «Cachorro-do-mato - Fauna e Flora | Terra da Gente». faunaeflora.terradagente.g1.globo.com. Consultado em 7 de novembro de 2018 
  4. a b c d e f g h i j Beisiegel, Beatriz de Mello; Lemos, Frederico Gemesio; Azevedo, Fernanda Cavalcanti de; Queirolo, Diego; Pinto, Rodrigo Silva (30 de junho de 2013). «Avaliação do risco de extinção do cachorro-do-mato Cerdocyon thous (Linnaeus, 1766) no Brasil». Biodiversidade Brasileira. 0 (1): 138–145. ISSN 2236-2886 
  5. a b c «Cachorro-do-mato: Dispersador de sementes nativas - xapuri.info». xapuri.info. 19 de agosto de 2016 
  6. a b «Cachorro-do-mato». EMBRAPA. Consultado em 17 de Maio de 2016 
  7. Heliodoro, Gabriela. «Bichos do Jardim» (PDF). Jornal Folha do Jardim - Associação de Amigos do Jardim Botânico 
  8. a b «CACHORRO-DO-MATO (Cerdocyon thous)». Instituto Pró-carnívoros 
  9. a b «Instituto Rã-bugio para Conservação da Biodiversidade». www.ra-bugio.org.br. Consultado em 8 de novembro de 2018 
  10. a b Fagliari, José Jurandir [UNESP], Universidade Estadual Paulista (UNESP). «Prevalência dos antígenos eritrocitários caninos em cães domésticos (Canis familiaris) e investigação dos parâmetros hematológicos e da ocorrência de antígenos eritrocitários em lobos-guará (Chrysocyon brachyurus) e cachorros-do-mato (Cerdocyon thos) criados no Brasil». 31 de janeiro de 2003 
  11. «Cachorro-do-mato | Criadouro Onça Pintada». criadourooncapintada.org.br. Consultado em 7 de novembro de 2018 
  12. a b Pescadinha, Amadeus Ramos. «Curso Joomla 01 - Cachorro-do-mato». cursojoomla01.unb.br (em inglês). Consultado em 12 de novembro de 2018 
  13. «Cachorro-do-mato curiosidades». Projeto abrace o Brasil. 15 de setembro de 2014. Consultado em 15 de setembro de 2018 
  14. «Cachorro-do-mato é caçador solitário e um eficiente plantador de árvores». Fauna. 3 de maio de 2016 
  15. «Pesquisa de registros - Táxeus | registros de espécies». www.taxeus.com.br. Consultado em 29 de novembro de 2018 
  16. Administrator. «Cachorro-do-Mato». www.portalpantanal.com.br. Consultado em 16 de novembro de 2018 
  17. Beisiegel, Beatriz. «Contribuição ao estudo da história natural do cachorro-do-mato, cerdocyon thous, e do cachorro vinagre, speothus venaticus». Tese apresentada ao Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo. Consultado em 17 de setembro de 2018 
  18. «Mamiferos DO ESTADO DA BAHIA - Lista vermelha da Bahia». www.listavermelhabahia.org.br (em inglês). Consultado em 18 de outubro de 2018 
  19. «Polícia resgata cachorro-do-mato e aves de cativeiro em Cruzeiro do Oeste, PR – Olhar Animal». olharanimal.org. Consultado em 17 de novembro de 2018 
  20. «Os prejuízos da criação de animais silvestres como animais de estimação - Pensamento Verde». Pensamento Verde. 8 de abril de 2014 
  21. «Lei da vida dos crimes ambientais» (PDF). IBAMA. 2014. Consultado em 1 de dezembro de 2018 
  22. «Centros de Triagem de Animais Silvestres (Cetas)». IBAMA. 18 de Novembro de 2016. Consultado em 30 de Novembro 2018 
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