José Arthur Giannotti

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José Arthur Giannotti (São Carlos, 25 de fevereiro de 1930) é um professor universitário brasileiro. Agraciado em 2001 com o Prêmio Anísio Teixeira.[1]

Carreira e biografia[editar | editar código-fonte]

É professor emérito da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, onde ingressou como aluno em 1950. Foi iniciado nos estudos de lógica por Gilles-Gaston Granger e nos estudos de política por Claude Lefort. Esteve na França (Rennes e Paris) entre 1956 e 1958, onde frequentou os cursos de Victor Goldschmidt, Martial Guéroult, Maurice Merleau-Ponty e Jules Vuillemin. Doutorou-se em 1960 com a tese "John Stuart Mill: o psicologismo e a fundamentação da lógica", orientada por Granger. Obteve o título de livre-docente pela USP em 1965 com a tese "Alienação do trabalho objetivo", orientada por João Cruz Costa. Junto com Oswaldo Porchat Pereira e Bento Prado Júnior, foi sucessor de Cruz Costa e Lívio Teixeira no departamento de Filosofia da USP, que lideraram na segunda metade da década de 1960. Esteve nos Estados Unidos (New Haven e New York) para estágios de pesquisa nas Universidades Yale (1972-73) e Columbia (1980-82).

Com o endurecimento do regime militar, Giannotti e Bento Prado foram aposentados compulsoriamente da Universidade em abril de 1969. Enquanto Bento partia para estudar na França, onde residiria por vários anos, Giannotti permaneceu no Brasil e ajudou a fundar o Cebrap, centro de estudos sociais e, na época, de formulação de políticas de oposição ao regime, em que se encontraram, dentre outros, Fernando Henrique Cardoso, Ruth Cardoso e José Serra. Com o abrandamento da ditadura, depois de lecionar por alguns anos na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Giannotti reassumiu seu cargo na USP em 1979 (com a lei de anistia) e lecionou na Unicamp, aposentando-se em meados da década de 1980, ao atingir o tempo de serviço necessário para tanto. Em 1986 fundou no Cebrap o Programa de Formação de Quadros Profissionais, programa interdisciplinar na área de humanidades que reunia estudantes de universidades de todo o país, que coordenou até seu encerramento em 2007 pela Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), então dirigida pelo também professor de filosofia da USP Renato Janine Ribeiro.

Destacou-se como conhecedor respeitado do pensamento de Karl Marx, mas sempre manteve distância ideológica de seus colegas de esquerda que, como Marilena Chaui, Francisco de Oliveira e Paul Singer, foram participar do Partido dos Trabalhadores. Seus estudos sobre Marx datam de fins dos anos cinquenta, época em que teve início na USP um seminário de leitura d'O Capital que reunia jovens historiadores, economistas, cientistas sociais, críticos literários e filósofos. Participaram do "Seminário Marx", junto com Giannotti, Fernando Novais, Octavio Ianni, Paul Singer, Ruth e Fernando Henrique Cardoso, Francisco Weffort, Roberto Schwarz e Bento Prado Jr.

Escreveu uma série de livros, alguns dos quais se discute o marxismo, como "Origens da dialética do trabalho" (1966), traduzido para o francês (Paris: Aubier, 1971) e para o espanhol (Madrid: Comunicación, 1973). Publicou no México uma seleção de textos sob o título "Ensayos antisociológicos" (Grijalbo, 1978). Um de seus artigos mais conhecidos sobre o marxismo é "Contra Althusser" (1968), republicado no livro "Exercícios de filosofia" (1975). Seus estudos na área incluem ainda o livro "Trabalho e reflexão" (1983), talvez seu trabalho de maior fôlego, "Certa herança marxista" (2000) e "Marx: além do marxismo" (2000¹, 2010²). Também dedicou vários anos ao estudo de Wittgenstein, pesquisa que resultou nos livros "Apresentação do mundo" (1995) e "O jogo do belo e do feio" (2005), este voltado à estética. Em 2011 publicou o primeiro volume de uma introdução à filosofia, intitulado "Lições de filosofia primeira".

Giannotti teve forte participação na política científica nacional. Após os dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso, com a vitória de Lula em 2002, embora mantivesse presença no debate público, sua influência diminuiu em comparação com a que teve durante o governo anterior (1994-2001). Parte de seus artigos publicados na Folha de S.Paulo entre 2000 e 2010 foi reunida na coletânea "Notícias no espelho" (2011).

Referências

  1. «Agraciados». Prêmio Anísio Teixeira 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]