Martial Gueroult

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Martial Gueroult
Nome nativo Martial Gueroult
Nascimento 15 de dezembro de 1891
Le Havre
Morte 13 de agosto de 1976 (84 anos)
Paris
Cidadania França, Brasil
Alma mater Escola Normal Superior de Paris
Ocupação filósofo, professor
Empregador Collège de France

Martial Gueroult foi um filósofo e historiador da filosofia notado pela análise das obras de autores modernos, em especial pela de Descartes.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Gueroult integra a École Normale Supérieure em 1912 , e é logo em seguida convocado ao serviço militar por três anos. Jules Vuillemin conta nestes termos a experiência militar de Gueroult:

"Mobilizado em 2 de agosto de 1914, Gueroult foi ferido em 20 de agosto na Batalha da Lorena (mais precisamente, na batalha de Bourgaltroff) por uma bala que o atingiu na cabeça sem lesar o cérebro. Deixado como morto, foi em seguida levado a um posto de socorros que foi atacado pelo inimigo. Dos trinta feridos, todos morreram, exceto três, um dos quais Gueroult [...]."[1].

Polêmica sobre Descartes[editar | editar código-fonte]

Uma polêmica o opôs a Ferdinand Alquié quanto a Descartes: Gueroult estudava-o "segundo a ordem das razões", isto é, conforme um sistema, enquanto Alquié o estudava enquanto um percurso existencial.

Obra[editar | editar código-fonte]

História da filosofia[editar | editar código-fonte]

  • La Philosophie transcendantale de Salomon Maimon, Paris: Alcan, 1929. (Sobre Maimônides)
  • L’Évolution et la structure de la doctrine de la science chez Fichte, Paris: Les Belles Lettres, 1930 ; réédition, Hildesheim : Georg Olms 1982.
  • Dynamique et métaphysique leibniziennes, suivi d'une Note sur le principe de la moindre action chez Maupertuis, Paris: Les Belles Lettres, 1934 ; deuxième édition sous le titre : Leibniz: dynamique et métaphysique, Paris: Aubier-Montaigne, 1967.
  • Étendue et psychologie chez Malebranche, Paris: Les Belles Lettres, 1939; réédition, Paris : Vrin, 1987.
  • Descartes selon l'ordre des raisons, Paris: Aubier, 1953.
    • tome 1 : L'Âme et Dieu
    • tome 2 : L'Âme et le corps
  • Nouvelles réflexions sur la preuve ontologique de Descartes, Paris: Vrin, 1955.
  • Malebranche, Paris : Aubier-Montaigne :
    • I. La vision en Dieu, 1955.
    • II. Les cinq abimes de la providence. 1. L'ordre et l'occasionalisme, 1959.
    • III. Les cinq abimes de la providence. 2. La nature et la grâce, 1959.
  • Berkeley. Quatre études sur la perception et sur Dieu, Paris: Aubier-Montaigne, 1956.
  • Spinoza, Paris: Auber-Montaigne (livre inachevé, Gueroult ayant rencontré des problèmes à construire le passage du livre II au livre III de l'Éthique)
    • tome 1 : Dieu (Éthique, livre I), 1968
    • tome 2 : L'Âme (Éthique, livre II), 1974
  • Études sur Fichte, Paris: Aubier, 1974.
  • Études de philosophie allemande, Hildesheim: Georg Olms, 1977.
  • Études sur Descartes, Spinoza, Malebranche et Leibniz, Hildesheim: Georg Olms, 1997.

Filosofia própria[editar | editar código-fonte]

Historiador da filosofia, Gueroult estudou vários grandes autores; mas, filósofo, não deixou de se interessar pelas condições de possibilidade de uma história da filosofia em geral.

O coroamento da obra de Gueroult deveria ser a Dianoemática (Dianoématique, em francês), mas morrera antes de acabá-la. É composta por dois livros:

  • livro 1 : Histoire de l'histoire de la philosophie, Paris: Aubier-Montaigne. [História da história da filosofia]
    • volume 1 : En Occident, des origines jusqu'à Condillac, 1984 [No Ocidente, das origens até Condillac
    • volume 2 : En Allemagne, de Leibniz à nos jours, 1988 [Na Alemanha, de Leibniz até nossos dias]
    • volume 3 : En France, de Condorcet à nos jours, 1988 [Em França, de Condorcet até nossos dias]
  • livro 2 : Philosophie de l'histoire de la philosophie, Paris: Aubier-Montaigne, 1979 [Filosofia da história da filosofia]

O primeiro livro examina as diversas relações que a filosofia pôde ter com sua história. O segundo põe a questão: como é possível uma história da filosofia, se tivermos em conta exigências aparentemente contraditórias da filosofia, enquanto o estudo das verdades eternas, e da história, enquanto escola de ceticismo?

Obras traduzidas para o português[editar | editar código-fonte]

Descartes segundo a ordem das razões, São Paulo: Discurso Editorial, 2016.

  1. Association amicale des anciens élèves de l'École Normale Supérieure, 1977, p. 59