Demétrio Magnoli

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Demétrio Magnoli
Nome completo Demetrio Martinelli Magnoli
Nacionalidade  Brasileira
Ocupação jornalista, sociólogo e geógrafo

Demetrio Martinelli Magnoli (1958) é um jornalista, sociólogo e geógrafo brasileiro.[1] [2] Em 2012, foi denominado pela revista "Época" de um dos "novos trombones da direita".[3]

Vida profissional

Doutor em Geografia Humana pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP)[4] , é integrante do Grupo de Análises de Conjuntura Internacional (GACINT)[5] do Instituto de Relações Internacionais (IRI-USP) da referida universidade. Autor e coautor de diversas obras, também é colunista dos periódicos O Estado de S. Paulo e O Globo.[6] e comentarista de política internacional do "Jornal das Dez" da Globo News. Foi colunista da revista "Época" e da Folha de S.Paulo (até setembro de 2006[7] ). Também foi colunista da Rádio BandNews FM e comentarista do Jornal da TV Cultura.[8] Desde 1993, é diretor editorial do boletim "Mundo: Geografia e Política Internacional".[4]

Produção literária

Magnoli publicou seu primeiro livro em 1986 ("O que é Geopolítica?").[9] Em 1997, foi um dos finalistas do prêmio Jabuti, concorrendo com o livro "O Corpo da Pátria: imaginação geográfica e política externa no Brasil, 1808-1912" (UNESP).[10]

Polêmicas

Magnoli tem-se posicionado ativamente contra ações afirmativas e cotas raciais.[11] [12] Em seu livro de 2009, "Uma Gota de Sangue", a tese central é de que "ações afirmativas e o movimento negro resultam de uma armação ideológica" (o multiculturalismo), que "conspira contra o princípio da igualdade perante a lei". Seu ponto de vista de que no Brasil "a fronteira racial não existe na consciência das pessoas" e de que já no século XIX a História do Brasil era contada como uma "mescla de raças" (enquanto que nos Estados Unidos a segregação racial tornava-se norma), foi contestado mesmo em veículos dos quais ele participa ativamente, como a Folha de S. Paulo.[13] Magnoli refutou esta análise, afirmando que o autor da mesma (Marcelo Leite) havia sido "vítima da pressa" e que em seu livro havia "80 páginas" que comprovariam e esclareceriam sua tese.[14]

Magnoli, que quando era universitário nos anos 1980 foi militante de extrema esquerda (da facção Liberdade e Luta - Libelu, uma organização trotskista),[3] [15] fez críticas em 2011 aos estudantes da USP que protestaram de forma violenta contra intervenções da Polícia Militar de São Paulo no campus, em busca de usuários de maconha. Na época, ele contestou inclusive a escolha do reitor da universidade pelo voto direto, afirmando que isso só fazia sentido "nas décadas de 1960 e 1970", quando "havia a necessidade de preservar a instituição de ensino como um território da liberdade de expressão".[16]

Pitbulls da grande mídia

Demétrio Magnoli foi citado pelo vice-presidente do PT, Alberto Cantalice, como um dos "pitbulls da grande mídia". De acordo com Cantalice, as pregações desses pitbulls nos veículos de comunicação conservadores estimulam setores reacionários e exclusivistas da sociedade brasileira a maldizer os pobres e sua presença cada vez maior nos aeroportos, nos shoppings e nos restaurantes.[17]

Tal declaração foi recebida com insatisfação pelas personalidades citadas e Cantalice inclusive foi ameaçado de processo judicial por um colunista da revista Veja que classificou a crítica de Cantalice como uma suposta "lista negra".[18] A entidade Repórteres sem Fronteiras expressou sua inquietação pelas graves acusações dirigidas contra os jornalistas provenientes de um alto cargo do PT, afirmando que não ignora o contexto polarizado da mídia, que pode exagerar o descontentamento geral. No entanto, uma representante da organização afirmou que as dificuldades sentidas pelo PT "não justificam o recurso à propaganda de Estado.",[19] muito embora nenhuma instituição estatal tenha relação com a publicação do artigo.

Por outro lado, o Observatório da Imprensa publicou texto onde sustenta que todas as acusações feitas por Cantalice aos "gurus do conservadorismo midiático" são absolutamente verdadeiras, e que as personalidades citadas "posam de defensores da liberdade de expressão, mas acham ruim quando são criticados. Transformaram uma crítica política numa fictícia “lista negra”. Vestem a carapuça da vitimização, quando na verdade eles são os verdadeiros algozes".[20]

Alberto Cantalice defendeu-se afirmando que seu texto foi uma crítica, e que jamais defendeu qualquer espécie de censura. Segundo o vice-presidente do PT, as personalidades citadas não admitem receber críticas da mesma intensidade que eles costumam criticar todos os demais "se julgam intocáveis, acham que são o quarto poder, que têm o direito de achincalhar, de difamar e querem que todos abaixem a cabeça (...) Se dependesse dessa turma não haveria a internet, mas apenas as opiniões de seus patrões que eles vocalizam no rádio, na televisão e nos jornais impressos"; Cantalice também afirmou que um exemplo disso é o que está acontecendo com ele desde que a polêmica começou; "já fui chamado de Goebbels, eu é que deveria processá-los!".[21]

Além de Demétrio Magnoli, outros nomes citados por Cantalice como "pitbulls" foram: Arnaldo Jabor, Augusto Nunes, Guilherme Fiuza, Reinaldo Azevedo, Diogo Mainardi, Lobão e os humoristas Danilo Gentili e Marcelo Madureira.

Obras selecionadas

  • Magnoli, Demétrio. O que é geopolitica. São Paulo: Brasiliense, 1986. 74 p.
  • Magnoli, Demétrio. África do Sul: capitalismo e apartheid. São Paulo: Contexto, 1992. 83 p. ISBN 85-7244-021-6
  • Magnoli, Demétrio. O novo mapa do mundo. São Paulo: Moderna, 1993. 64 p. ISBN 85-16-00819-3
  • Magnoli, Demétrio. União Européia: história e geopolítica. São Paulo: Moderna, 1994. 80 p. ISBN 8516010147
  • Magnoli, Demétrio; Elaine Senise Barbosa. Formação do Estado Nacional: as capitais e os simbolos do poder politico. São Paulo: Scipione, 1996. 111 p. ISBN 8526228102
  • Magnoli, Demétrio. O corpo da pátria: imaginação geográfica e política externa no Brasil: 1808-1912. São Paulo: UNESP / Moderna, 1997. 318 p. ISBN 8516017877
  • Magnoli, Demétrio. O mundo contemporâneo: os grandes acontecimentos mundiais da guerra fria aos nossos dias. São Paulo: Atual, 2004. 320 p. ISBN 8535705066
  • Magnoli, Demétrio. Relações internacionais: teoria e história. São Paulo: Saraiva, 2004. 370 p. ISBN 8502046144
  • Magnoli, Demétrio; Regina Araujo. O projeto da Alca: hemisfério americano e Mercosul na ótica do Brasil. São Paulo: Moderna, 2005. 112 p. ISBN 8516037096
  • Magnoli, Demétrio; Carlos Serapião Jr.. Comércio exterior e negociações internacionais. São Paulo: Saraiva, 2006. 377 p. ISBN 8502060090
  • Magnoli, Demétrio. O grande jogo: política, cultura e idéias em tempos de barbárie. Rio de Janeiro: Ediouro, 2006. 271 p. ISBN 8500020695
  • Magnoli, Demétrio. Terror global. São Paulo: Publifolha, 2008. 77 p. ISBN 9788574029306
  • Magnoli, Demétrio. Uma gota de sangue: história do pensamento racial. São Paulo: Contexto, 2009. 398 p. ISBN 9788572444446
  • Magnoli, Demétrio; Elaine Senise Barbosa. Liberdade versus igualdade, vol. 1: o mundo em desordem: 1914-1945. São Paulo: Record, 2011. 457 p. ISBN 9788501092243

Referências

  1. ECA-USP: Demetrio Martinelli Magnoli. Visitado em 09-11-2013.
  2. O Estado de S. PauloDemétrio Magnoli critica reitor por propor política retrógrada. Visitado em 09-11-2013.
  3. a b Época (revista)Os novos trombones da direita. Visitado em 09-11-2013.
  4. a b Editora Contexto: Demétrio Magnoli. Visitado em 09-11-2013.
  5. Instituto de Estudos EmpresariaisDemétrio Magnoli participa de seminário do IEE neste sábado (18-10-2012). Visitado em 09-11-2013.
  6. CPFL Cultura: Palestrante Demétrio Magnoli. Visitado em 09-11-2013.
  7. Magnoli, Demétrio. Aquele Abraço. Folha de S.Paulo, 21/09/2006
  8. Instituto MilleniumDemétrio Magnoli. Visitado em 09-11-2013.
  9. Folha de S. PauloDemétrio Magnoli. Visitado em 09-11-2013.
  10. Revista Pangea Mundo. Visitado em 09-11-2013.
  11. Instituto MilleniumDemétrio Magnoli sobre a política de cotas raciais (8-05-2012). Visitado em 09-11-2013.
  12. Luiz Gustavo Pacete (24-09-2009). Sociólogo Demetrio Magnoli lança livro que questiona o mito das raças. Visitado em 09-11-2013.
  13. Marcelo Leite (23-09-2009). Folha de S. PauloMagnoli faz livro de combate contra cotas. Visitado em 09-11-2013.
  14. Demétrio Magnoli (10-10-2009). Folha de S. PauloResenha expôs leitura apressada de obra. Visitado em 09-11-2013.
  15. Ronald Freitas (3-01-2003). Época: A lenda Libelu. Visitado em 09-11-2013.
  16. Veja (revista)Os tumultos causados pelos rebeldes sem causa da USP (29-10-2011). Visitado em 09-11-2013.
  17. A desmoralização dos pitbulls da grande mídia Alberto Cantalice (2014). Visitado em 24-07-2015.
  18. Ajudem a espalhar: chefão do PT pede abertamente a cabeça de jornalistas Reinaldo Azevedo (2014). Visitado em 24-07-2015.
  19. Vice-presidente do PT publica lista negra de jornalistas "pitbulls" Reporteros sin Fronteras (2014). Visitado em 24-07-2015.
  20. A reação ensaiada dos ‘pitbulls’ da grande mídia Observatório da Imprensa (2014). Visitado em 24-07-2015.
  21. Cantalice ao 247: "Não vou recuar a eles, os censores" Brasil 24/7 (2014). Visitado em 24-07-2015.