O Povo (jornal de Fortaleza)

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O Povo
O Povo logo.svg
Capa O Povo.jpg
Capa da edição do dia 2 de janeiro de 2017.
Empresa Jornalística O Povo S/A
Periodicidade Diária
Formato Tabloide
Sede Fortaleza, Ceará
 Brasil
Preço R$ 3,00 (ed. diária)
R$ 4,00 (ed. domingo)
Slogan Você presente
Fundação 7 de janeiro de 1928 (89 anos)
Fundador(es) Demócrito Rocha
Presidente Luciana Dummar
Proprietário Grupo de Comunicação O Povo
Pertence a Grupo de Comunicação O Povo
Diretor Arlen Medina Néri
Editor-chefe Ana Nadaff
Editor-associado Erick Guimarães
Editor de opinião Daniela Nogueira
Editor de esportes Fernando Graziani
Editor de fotografia Iana Soares
Idioma (português brasileiro)
Circulação 17 298 exemplares em 2015
(média diária, impressos)[1]
Página oficial www.opovo.com.br

O Povo é um jornal brasileiro editado na cidade de Fortaleza, o mais antigo em circulação no Estado do Ceará. Pertence ao Grupo de Comunicação O Povo. É o segundo jornal em número de tiragem no Estado, atrás apenas do Diário do Nordeste [1]. Nenhum veículo cearense venceu mais o Prêmio ExxonMobil de Jornalismo: foram 14 conquistas, sendo oito na categoria Regional (1959, 1980, 1996, 1997, 1999, 2000, 2005 e 2006), cinco na categoria Criação Gráfica Nacional/Jornal (2002, 2005, 2010, 2013 e 2014) e um na categoria Nacional de Informação Tecnológica, Científica e Ecológica (2007). [2]

História[editar | editar código-fonte]

O Povo foi fundado em 7 de janeiro de 1928 pelo jornalista, odontólogo, poeta e político Demócrito Rocha. Seu nome foi escolhido em uma enquete entre o próprio público, realizado no jornal O Ceará, onde Demócrito Rocha trabalhava como redator [3]. Em suas 16 páginas iniciais, o jornal trazia artigos da nata da intelectualidade cearense como Rachel de Queiroz, que na época assinava "Rita de Queluz", Antônio Drumond, Filgueiras Lima, Jáder Moreira de Carvalho, Suzana de Alencar Guimarães, Beni Carvalho e outros.

Um ano após a fundação, juntaria-se ao jornal o então estudante de Direito Paulo Sarasate. Inicialmente redator-secretário, o futuro governador do Estado foi o braço-direito de Demócrito Rocha enquanto este esteve vivo [4]. Ele se casou, em 1936, com a filha de Demócrito Rocha, Albanisa Sarasate — esta que presidiu o jornal entre 1974 e 1985. Após a morte de Demócrito Rocha, Sarasate foi o presidente do jornal, cargo que ocupou de 1948 a 1968. Ainda foram presidentes da empresa Creuza Rocha (1968 a 1974) e Demócrito Dummar (1985 a 2008). Luciana Dummar é a atual presidente do Grupo de Comunicação O Povo.

A partir dos final dos anos 1980, o jornal passou a implementar diversas inovações editoriais. Em 1989, publicou uma Carta de Princípios, elaborada por um conselho editorial composto por diretores do jornal e vários membros da sociedade civil, como a escritora Rachel de Queiroz, o jurista Paulo Bonavides e o ex-reitor da Universidade Federal do Ceará Paulo Elpídio de Menezes Neto [5]. Dois anos depois, lança o Código de Ética da Empresa Jornalística O POVO [6]. Em 1993, implementa a função de ombudsman, um profissional que tem como função analisar criticamente o jornal — em 2017, só O Povo e a Folha de S.Paulo mantinham o ofício.[7][8]

Em 1997, lança o projeto Século XXI, em que adotou, pela primeira vez, um "projeto gráfico-editorial" [9]. Além da reformulação visual, O Povo passou por diversas mudanças conceituais, como o fim da editoria de Polícia, inversões na ordem dos cadernos (Cidades passou a abrir o jornal em vez de Política, por exemplo) e a criação de outras seções [10]. Dentre as metas estipuladas no projeto estavam "ser um jornal reconhecido como principal mediador da sociedade", "ser um jornal com foco centrado, essencialmente, na vida de Fortaleza", e "ser o primeiro jornal de referência regional no País até o ano 2000" [11].

Em 1999 [12], instituiu o seu Conselho de Leitores. Formado por representantes da sociedade civil, o Conselho se reúne mensalmente para avaliar, criticar e sugerir pautas [13].

Em 1997 [14], é fundado O POVO Online, versão digital do jornal. Em 2001, vai ao ar o portal NoOlhar.com, que traz como novidade a produção de conteúdo próprio. Em 2006, o NoOlhar.com é fundido ao O POVO Online [15]. Em 2009, o site foi agregado ao UOL. A parceria com o portal acabou em 2010.

Em 2012, o jornal deixa de circular no Interior do Ceará, sendo comercializado apenas em Fortaleza. [16]

Linha Editorial[editar | editar código-fonte]

Como costumeiro aos jornais da época, O Povo nasceu como um jornal de forte teor panfletário [17]. Era espaço para Demócrito Rocha fazer valer seus valores, como críticas aos "desmandos" do então presidente do Ceará, desembargador Moreira da Rocha. O jornal presta apoio à Revolução de 1930 e a Getúlio Vargas, embora, anos mais tarde, veja o movimento comandado por ele como autoritário, opondo-se ao Golpe de 1937. Na década de 1930, o jornal também manifestou apoio à Aliança Nacional Libertadora (ANL) [18]. Sob comando de Paulo Sarasate, o jornal se aproxima da UDN, partido ao qual o presidente da empresa era filiado.

O então diretor financeiro Osvaldo Euclides de Araújo conta que em 1989, no momento de confecção da Carta de Princípios, existia um consenso, endossado por Demócrito Dummar, de que o jornal deveria defender uma bandeira social-democrata. Rachel de Queiroz dissuadiu a ideia recordando que o fundador do jornal tinha ideias liberais, com certa simpatia pelo anarquismo [19]. No fim das contas, o documento passou a mostrar o jornal como um defensor da liberdade de expressão, da democracia, da Justiça, da regionalidade e da modernidade [20]. Já o Código de Ética da Empresa Jornalística O POVO, dentre outros, coloca como norte do jornal a "fiscalização da ação dos dos poderes públicos na defesa do interesse comunitário e da cidadania, na busca do equilíbrio político e no fortalecimento das instituições e liberdades democráticas". Ainda pontua ter como objetivo "informar e formar opinião consentânea com os valores da livre iniciativa" [21].

Em editorial de 12 de abril de 2017, o jornal reforçou esses valores, ao comentar pesquisa feita pela Fundação Perseu Abramo: "Os resultados, em sua grande parte, coincidem com os valores que O POVO costuma defender em seus editoriais. No entanto, são opostos à prática política de nossos governantes tão afeitos a um estado com muitos tentáculos, caro e ineficiente. O recado que pode ser extraído da insuspeita pesquisa feita pela Fundação petista é o seguinte: a maioria vê virtudes na iniciativa privada e vícios nas tentações estatizantes" [22].

Em 1992, documento secreto da Subsecretaria de Inteligência (SSI), do Governo Federal, descrevia O Povo como um jornal de "linha independente" e "liberal” [23]. "Sempre concedeu espaço às esquerdas, tanto em nível de divulgação dos movimentos por esta patrocinados como mediante a concessão de empregos a militantes de organizações esquerdistas. Ao mesmo tempo, conferiu cobertura e plena divulgação a fatos de interesse dos segmentos liberal-conservadores ou até mesmo da direita radical. Dessa forma, pode conviver em harmonia com os governos do regime militar sem que isso provocasse antagonismo com os setores esquerdistas".

Referências

  1. a b «Os maiores jornais do Brasil de circulação paga, por ano». Associação Brasileira de Jornais 
  2. «Linha do Tempo». Site do Prêmio ExxonMobil de Jornalismo. Consultado em 23 de abril de 2017 
  3. COSTA, José Raymundo (1988). Memória de um Jornal. [S.l.: s.n.] p. 21 
  4. COSTA, José Raymundo (1988). Memória de um Jornal. [S.l.: s.n.] p. 24 
  5. Edição Especial do O POVO 80 Anos. [S.l.: s.n.] 
  6. Edição Especial do O POVO 80 Anos. [S.l.: s.n.] 
  7. «O POVO integra projeto nacional contra notícias falsas». Jornal O POVO. Consultado em 23 de abril de 2017 
  8. Costa, Paula Cesarino (Julho–dezembro de 2017). «De que vale a função de ombudsman?». Revista de Jornalismo ESPM. 20: 39-43. ISSN 2238-2305 
  9. Edição Especial do O POVO 80 Anos. [S.l.: s.n.] 
  10. Edição Especial do O POVO 80 Anos. [S.l.: s.n.] 
  11. Edição Especial do O POVO 80 Anos. [S.l.: s.n.] 
  12. Edição Especial do O POVO 80 Anos. [S.l.: s.n.] 
  13. «Novos membros do Conselho de Leitores tomam posse». Jornal O POVO. Consultado em 23 de abril de 2017 
  14. «Especial de 20 anos do O POVO Online». O POVO Online. Consultado em 23 de abril de 2017 
  15. «Especial de 20 anos do O POVO Online». O POVO Online. Consultado em 23 de abril de 2017 
  16. «Sinais de mudança». Coluna do Ombudsman Paulo Rogério. Consultado em 23 de abril de 2017 
  17. Edição Especial do O POVO 80 Anos. [S.l.: s.n.] 
  18. Edição Especial do O POVO 80 Anos. [S.l.: s.n.] 
  19. ARAÚJO, Osvaldo Euclídes de (2006). Breve e incompleta Notícia sobre um Jornal. [S.l.: s.n.] 
  20. «Carta de Princípios do O POVO». Carta de Princípios do O POVO. Consultado em 23 de abril de 2017 
  21. «Código de Ética da Empresa Jornalística O POVO». Código de Ética da Empresa Jornalística O POVO. Consultado em 23 de abril de 2017 
  22. «Editorial: "A virtude da livre iniciativa"». Jornal O POVO". Consultado em 23 de abril de 2017 
  23. «Subsecretaria de Inteligência» (PDF). MEIOS DE COMUNICAÇÃO E SUAS RELAÇÕES POLÍTICAS CE. Consultado em 23 de abril de 2017 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]