Raúl Castro

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Raúl Castro
Raúl Castro em Brasília, 2004.
16º Presidente de Cuba Cuba
Período 24 de fevereiro de 2008
até atualidade [nota 1]
Vice-presidente José Ramón Machado Ventura (2008-2013)
Miguel Díaz-Canel (desde 2013)
Antecessor(a) Fidel Castro
Sucessor(a) -
1º Vice-presidente de Cuba Cuba
Período 2 de dezembro de 1976
até 24 de fevereiro de 2008
Presidente Fidel Castro
Antecessor(a) Nenhum (cargo criado)
Sucessor(a) José Ramón Machado Ventura
Ministro da Defesa de Cuba Cuba
Período 16 de fevereiro de 1959
até 24 de fevereiro de 2008
Comandante Fidel Castro
Primeiro-secretário do Partido Comunista de Cuba Cuba
Período 19 de abril de 2011
até atualidade
Antecessor(a) Fidel Castro
Sucessor(a) -
Dados pessoais
Nascimento 3 de junho de 1931 (86 anos)
Birán, Mayarí, Holguín, Cuba
Cônjuge Vilma Espín Guillois (1959–2007)
Filhos Deborah
Mariela
Nilsa
Alejandro
Partido Partido Comunista
Profissão Militar
Assinatura Assinatura de Raúl Castro
Serviço militar
Lealdade Forças Armadas Revolucionárias
Serviço/ramo Movimento 26 de Julho
Anos de serviço 1953-1959
Graduação Comandante
Batalhas/guerras Revolução Cubana
Condecorações Herói da República de Cuba

Raúl Modesto Castro Ruz [1] (Birán, 3 de junho de 1931) é um político e revolucionário cubano; líder de seu país em razão de ocupar a presidência do Conselho de Estado da República de Cuba, desde 24 de fevereiro de 2008. Ele é o irmão mais jovem do ex-presidente cubano Fidel Castro, e ocupa os seguintes cargos: presidente, vice-presidente do Conselho de Ministros, primeiro vice-presidente do Conselho de Estado de Cuba, vice-secretário do Politburo e do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba (PCC), e Supremo General das Forças Armadas (Exército, Marinha e Força Aérea), e atual primeiro na Chefia de Comando.

Em 31 de julho de 2006, Raúl Castro assumiu o cargo de presidente do Conselho de Estado durante a transferência temporária de poder em virtude da enfermidade de Fidel Castro, cargo que viria a assumir com plenos poderes a 24 de fevereiro de 2008.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Juventude[editar | editar código-fonte]

Raúl é o mais jovem entre os três irmãos de Fidel Castro. Da mesma forma como Fidel, mais tarde Raúl ingressou no Colégio Jesuíta de Dolores em Santiago de Cuba, e no Colégio de Belén em Havana. Raúl estudou Ciências Sociais. Ao contrário de Fidel (que é membro do Partido Ortodoxo, nacionalista de esquerda), Raúl era um socialista convicto e se uniu à Juventude Socialista, afiliada ao Partido Comunista Cubano, de tipo soviético, então chamado Partido Socialista Popular (PSP).[2]

Os irmãos participaram ativamente de algumas manifestações estudantis contra o governo de Carlos Prío Socarrás, regularmente abalado por escândalos de corrupção. Em 1953, Raúl foi um dos integrantes do Movimento Revolucionário 26 de Julho, que atacou o Quartel de La Moncada. Como pena, passou 22 meses na prisão. Durante seu posterior exílio no México, participou dos preparativos da expedição Granma, desembarcando em Cuba em dezembro de 1956.

Castro conheceu Ernesto "Che" Guevara no México e ele introduziu-o ao círculo revolucionário de Fidel. Raúl também entrou em contato com o agente soviético da KGB Nikolai Leonov. Ambos teriam se conhecido durante uma viagem por países do bloco soviético. Esta relação persistiria até os irmãos Castro tomarem o poder em Cuba.

Revolução Cubana[editar | editar código-fonte]

Raúl Castro e Che Guevara na Sierra Maestra.

Como combatente do exército rebelde, tomou parte da campanha de Sierra Maestra, a 27 de fevereiro de 1958 e foi nomeado comandante e teve como missão cruzar a antiga província de Oriente, liderando uma coluna de guerrilheiros, para abrir a "Frente Este Frank País" até o noroeste.[2]

Em junho de 1959, frente aos bombardeios da aviação cubana, equipada com armas estadunidenses, ele responde com a "Operação Antiaérea" e sequestra vários cidadãos estadunidenses, inclusive militares. O objetivo era acabar com os bombardeios de Sierra Maestra que têm um impacto mortífero para as forças rebeldes e para a população civil da região. A operação é exitosa. O Washington Post e o Times Herald evocam “o tratamento digno de um rei” do qual se beneficiaram os reféns. “Os militares estadunidenses foram tratados tão bem, e foram tão convencidos pelos argumentos dos rebeldes, que vários deles desejavam ficar e lutar contra Batista”. “Uma figura extraordinária, esse Raúl Castro”, escreve de sua parte a revista estadunidense Time, citando um refém, e completa que o jovem comandante “desejava dar uma lição em Washington.”[2]

Raúl Castro e Lula da Silva

Raúl Castro Ruz passou a formar parte da Direção Nacional das Organizações Revolucionárias Integradas, e do Partido Unido da Revolução Socialista de Cuba. Foi o segundo secretário do Comitê Central do Partido desde que foi promulgada a primeira constituição em outubro de 1965 e segundo comissário da Assembleia Nacional do Poder Popular desde sua criação em 1976 até substituir seu irmão.

Raúl foi também primeiro vice-presidente dos conselhos de Estado e de Ministros, ministro e general máximo das Forças Armadas Revolucionárias desde 1959.

Família[editar | editar código-fonte]

Castro se casou com Vilma Espín, antiga estudante de engenharia química do Instituto de Tecnologia de Massachusetts e filha de um rico destilador de rum, em 26 de janeiro de 1959. Vilma se tornou presidente da Federação Cubana de Mulheres.[3] Possuem três filhas (Déborah, Mariela e Nilsa) e um filho (Alejandro Castro Espín).[4] Sua filha Mariela atualmente coordena o Centro Nacional Cubano para Educação Sexual, enquanto Déborah é casada com o coronel Luis Alberto Rodríguez, chefe da divisão econômica das Forças Armadas.[5] Vilma Espín morreu em 18 de junho de 2007; e acredita-se que uma filha e alguns parentes de Raúl residam na Itália.

Presidência[editar | editar código-fonte]

Todas as condenações à morte (cerca de trinta) são comutadas entre 2008 e 2010, embora nenhuma tenha sido executada desde 2003.[6]

Em 17 de dezembro de 2014, o presidente Barack Obama e Raúl Castro anunciaram a retomada das relações entre Cuba e Estados Unidos, dando fim a 53 anos de afastamento entre as duas nações[7][8] e desde então vem adotando uma política de abertura económica.[9] Foram libertados prisioneiros de ambos os lados como primeiros gestos de boa vontade.[10] Ambos os presidentes agradeceram ao Papa Francisco que teve uma participação fundamental nas negociações de reaproximação.

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Notas

  1. Virou interinamente ditador de Cuba, entre 31 de julho de 2006 e 24 de fevereiro de 2008, quando foi efetivado, devido ao afastamento de Fidel Castro por motivos de saúde.

Referências

  1. «Raúl Castro Ruz». Britanica. Consultado em 10 de novembro de 2008 
  2. a b c «50 verdades sobre Raúl Castro». Opera Mundi. Consultado em 1 de setembro de 2017 
  3. «TIME magazine Milestones». Time Magazine. 9 de fevereiro de 1959 
  4. Juan O. Tamayo. «Castro's Family: Fidel's private life with his wife and sons is so secret that even the CIA is left to wonder». Miami Herald 
  5. «Trying to make the sums add up». The Economist. 11 de novembro de 2010 
  6. «Governo de Cuba comuta pena do último condenado à morte no país». Mundo. 29 de dezembro de 2010 
  7. Keane, Angela Greiling; Dorning, Mike (17 de dezembro de 2014). «Obama Acts to End More Than Half-Century U.S.-Cuba Estrangement». Bloomberg. Consultado em 1 de julho de 2015 
  8. Baker, Peter (17 de dezembro de 2014). «U.S. to Restore Full Relations With Cuba, Erasing a Last Trace of Cold War Hostility». The New York Times. Consultado em 1 de julho de 2015 
  9. ​Cuba’s economic reforms: Socialism with neoliberal characteristics?
  10. «Cuba liberta americano em troca de três dos Cinco Cubanos». Folha de S. Paulo. 17 de dezembro de 2014. Consultado em 1 de julho de 2015 
Precedido por
Vice-presidente do Conselho de Estado da República de Cuba
1976 - 2008
Sucedido por
José Machado Ventura
Precedido por
Fidel Castro
Presidente do Conselho de Estado da República de Cuba
2008 - atualidade
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