Partido Comunitário Nacional

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Partido Comunitário Nacional
Número eleitoral 31
Presidente Willian Pereira da Silva
Fundação 1985
Dissolução 1992
Sede São Paulo, SP
Ideologia Nacionalismo brasileiro
Conservadorismo liberal
Liberalismo econômico
Doutrina Social da Igreja
Espectro político Centro[1]
Cores       Azul

      Laranja

      Branco

Política do Brasil
Partidos políticos
Eleições

Partido Comunitário Nacional foi um partido político brasileiro atuante entre 1985 e 1992, que mesmo com poucos recursos e espaço eleitoral, conseguiu eleger alguns candidatos.[2] Seu número de registro era o 31, posteriormente usado pelo também extinto PHS.

Origem e conteúdo programático[editar | editar código-fonte]

O partido foi fundado após o fim do regime militar, do bipartidarismo e com a abertura política em julho de 1985 pelo gaúcho Willian Pereira da Silva (Passo Fundo, 1926 - Porto Alegre, 2003). Professor e político, integrou os quadros do MDB (Movimento Democrático Brasileiro) nos anos 70. Willian idealizou um partido para aglutinar pessoas com ideologia social, nacionalista e democrática e organizações comunitárias do país (daí o nome). Portanto, embora a sigla, não confundir com partidos de ideologia comunista ou socialista.

Sua criação foi facilitada pela aprovação, dois meses antes, da Emenda Constitucional nº 25 que, além de legalizar os partidos de esquerda, permitiu que demais partidos ainda em formação apresentassem nominatas de candidatos na eleição constituinte do ano seguinte (1986). Ao ser habilitado pelo TSE, o PCN já possuía comissões regionais provisórias nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Na época, o PCN foi definido pelo seu fundador como de centro-direita, de doutrina católica, com conteúdo programático em defesa do povo brasileiro, do território nacional, dos valores nacionais, do fortalecimento das fronteiras, da democracia, economia, da política e da família brasileira. Também tinha como ideais reduzir impostos nos gêneros de primeira necessidade nas 3 esferas - federais, estaduais e municipais, a participação dos empregados no lucro das empresas, bem como realização de eleições diretas (que ainda não estavam previstas).

O logo da sigla possuía cores em azul, laranja e branco, cujo símbolo à direita era uma lua crescente (representando crescimento) e 3 estrelas em um fundo azul representando a harmonia entre os 3 poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário). As letras P, C e N eram riscadas de forma manuscrita em cor laranja e com duas faixas horizontais, sobrepostas, riscadas em azul.

O diretório nacional do partido (sede) era na rua Teodoro Sampaio, 954, no bairro de Pinheiros, na capital paulista. Um antigo sobrado (hoje reformado em lojas comerciais) que era a antiga residência do fundador desde os anos 60, 70 e 80.

Campanhas políticas e eleições[editar | editar código-fonte]

O partido mesmo com poucos recursos teve boa atuação eleitoral em SP, obtendo vários membros filiados de diversas regiões da capital. Dentre seus quadros o maior destaque foi o radialista evangélico Francisco Rossi (ex-ARENA e PDS), que disputou pelo PCN a prefeitura de SP em 1985 e, mesmo com uma campanha modesta, foi 4º colocado entre 11 candidatos. Mais tarde, em outro partido - PTB - foi eleito deputado federal constituinte em 1986 e em 1988 foi eleito prefeito da cidade paulista de Osasco.

O PCN participou das eleições constituintes de 15 de novembro de 1986 (municipais, estaduais e federais) com quase 200 candidatos, mas sem eleger candidatos. Tempos depois nas presidenciais de 1989 (a primeira após o regime militar) com o economista paranaense Zamir José Teixeira, ex-vereador de Campo Mourão, que então possuía domicílio eleitoral no Acre. Como vice, o fundador Willian Pereira da Silva compôs chapa com Zamir a candidatura à presidência da República. O partido obteve recursos e espaço na propaganda eleitoral gratuita em nível nacional. Na época, o programa com pouco tempo de duração chamou a atenção na TV por ter uma narrativa curiosa que dizia 'Vote Zamir - Do Acre à Santa Catarina'.. (deixando de fora o Rio Grande do Sul, de onde, por ironia o fundador era nascido), o que gerou brincadeiras e especulações sobre separatismos. Entre 22 candidatos, Zamir ficou em 15º lugar, com 187.155 votos (0,26% dos votos no país). Durante a campanha ofereceu sua vaga ao apresentador e empresário Silvio Santos que se interessava em ser presidente. No entanto, Sílvio optou pelo PMB (Partido Municipalista Brasileiro) ao qual foi impugnada tempos depois.

Em 1990 o partido voltou a disputar, novamente sem sucesso, as eleições para o Congresso Nacional. Nessa ocasião, apoiou a candidatura derrotada do deputado Ademar de Barros Filho ao governo do Estado de São Paulo, lançada pelo PRP.

O PCN disputaria ainda as eleições municipais de 1992 sem, contudo, eleger qualquer prefeito.

Declínio e extinção da sigla[editar | editar código-fonte]

Em 1992, após as eleições municipais e o impeachment de Fernando Collor de Mello (PRN), surgiu a necessidade de profundas reformas partidárias no Brasil que visassem acabar com os chamados "partidos de aluguel" (como o próprio PRN de Collor) que abrigassem candidaturas avulsas, bem como restringir a participação de pequenas siglas nos processos eleitorais. Com a nova legislação, foi o "começo do fim" para o PCN. Além disso, seu presidente e fundador, Willian Pereira da Silva, passou por problemas de saúde (sofreu um AVC) e dificuldades econômicas diante da reforma partidária e das novas regras do fundo eleitoral. Dessa forma, não teve mais condições de manter as atividades do partido. Os demais integrantes do PCN saíram e se filiaram ao PDT, PTB e demais partidos atuais.

Outra questão para o declínio da sigla (muito comum na época) foi a total falta de renovação na cúpula partidária. A direção do PCN e os recursos do fundo partidário eram centralizados na presidência de forma pessoal, sem qualquer renovação de seus quadros (semelhante ao que ocorreu com o PDT de Brizola e o PT de Lula). Assim, sem coligações e na inércia da própria direção o desligamento de filiados foi gradual e inevitável. O PCN foi se esvaziando até sua completa dissolução e extinção pelo TSE em 1992.

O ex-presidente e fundador do partido, Willian Pereira da Silva, após a extinção da sigla, em fins de 1991, retornou a Porto Alegre/RS e afastou-se da vida política, falecendo em 2003.

Fontes[editar | editar código-fonte]

Referências

Ícone de esboço Este artigo sobre política ou um cientista político é um esboço relacionado ao Projeto Ciências Sociais. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.