Tesouraria

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Tesouraria-geral da Companhia de Moçambique em foto de 1910

Uma tesouraria ou tesoiraria é o órgão de uma entidade (um governo, um partido político, uma autarquia ou qualquer outra instituição) encarregado da contabilidade, armazenamento ou transações de dinheiro. Em caso de entidades governamentais, costuma receber o nome de tesouro. A pessoa encarregada da tesouraria recebe o nome de tesoureiro.[1]

Estrutura típica de tesouraria[editar | editar código-fonte]

As principais operações financeiras numa tesouraria são contas a receber, contas a pagar, administração do fluxo de caixa, captação e aplicação de recursos financeiros.

Negociação com clientes e fornecedores em torno de descontos por conta de mudanças nos prazos de recebimentos e pagamentos são operações financeiras complementares numa tesouraria.

Todas as operações mencionadas são interdependentes e se interligam por meio do fluxo de caixa financeiro, que é uma das principais ferramentas de apoio às decisões da tesouraria.

Contas a pagar e receber[editar | editar código-fonte]

As operações de pagamento e recebimento precisam observar três princípios básicos: agilidade operacional, confiabilidade e economia.

A crescente informatização das operações de pagamento e recebimento - nota fiscal eletrônica, sistemas ERP e internet - agilizam sua execução. Por outro lado, os aspectos tributários envolvidos, principalmente a expansão das retenções tributárias sobre pagamentos realizados agem no sentido inverso, trazendo maior carga operacional para contas a pagar e receber.

A combinação adequada entre agilidade operacional e confiabilidade tem conseqüência econômica: o custo de pagar e receber. Por exemplo, se a confiabilidade de execução for a única meta de contas a pagar, a agilidade operacional ficará comprometida, exigindo maiores prazos para processamento dos pagamentos. Este fato por sua vez, tende a elevar muitos preços pagos pela empresa ao comprar produtos ou contratar serviços.

A distribuição dos pagamentos e recebimentos ao longo do mês tem influência sobre o formato do fluxo de caixa que por sua vez pode influir sobre o custo de captação ou o retorno das aplicações financeiras.

Do ponto de vista estritamente econômico, um fluxo de caixa com variações significativas em dias isolados do mês tende a ser desvantajoso, aumentando o custo de captação ou reduzindo o retorno das aplicações das sobras de caixa.

Administração do fluxo de caixa[editar | editar código-fonte]

O fluxo de caixa faz, em circunstâncias normais, a ligação entre as projeções de recebimento e pagamento e as decisões de captação e aplicação de recursos financeiros.

Em situações especiais, notadamente quando a empresa está com grandes dificuldades financeiras, o fluxo de caixa pode ser usado para definir os pagamentos a serem realizados.

Para que a tesouraria funcione eficazmente, é imprescindível que ela disponha de fluxo de caixa. O ideal é ter dois fluxos de caixa. Um de curto prazo, em base diária, cobrindo pelo menos um mês à frente e outro de médio prazo, em base mensal, cobrindo doze meses à frente.

O maior desafio da tesouraria na administração do fluxo de caixa é obter um razoável grau de acerto nas previsões realizadas. É considerado satisfatório o fluxo de caixa que tem uma margem de erro até 15%. Significa um grau de acerto de pelo menos 85% entre a primeira projeção efetuada e os valores efetivamente realizados.

Captação de recursos financeiros[editar | editar código-fonte]

Esta é uma das operações financeiras mais presentes no dia a dia de uma tesouraria. Existe uma variedade de linhas de crédito à disposição das empresas com custos diferenciados.

Quando existe uma adequada programação de captação de recursos financeiros, os respectivos custos financeiros tendem a ser menores.

O fator chave para que a organização tenha uma adequada programação de captação de recursos financeiros é seu fluxo de caixa financeiro.

Se o fluxo de caixa financeiro é muito imprevisível, haverá necessidade de a organização dispor de linhas de crédito como maior índice de compromisso por parte dos bancos, característica que torna os custos mais elevados.

Aplicação de recursos financeiros[editar | editar código-fonte]

As aplicações temporárias de sobras de caixa são dirigidas aos ativos financeiros de baixo risco e alta liquidez.

Uma mais vez que o fator risco é considerado mandatório, apenas a liquidez das aplicações financeiras pode de alguma forma ser administrada de modo a se obter uma determinada meta de rentabilidade.

Como regra, quanto maior a liquidez de um ativo financeiro, menor será sua rentabilidade. Acrescente-se a isso, o fato de que o IOF penaliza fortemente as aplicações financeiras de curtíssimo prazo, chegando a 96% dos rendimentos para as aplicações por uma dia de prazo.

Assim, também nas aplicações financeiras, o fluxo de caixa financeiro tem um papel muito relevante em relação aos resultados financeiros obtidos. Um fluxo de caixa pouco preciso terá como consequência a necessidade elevadas margens de segurança. Isto significa deixar um maior volume de recursos financeiros ociosos ou aplicações financeiras com prazo de aplicação mais curto e a consequente redução de rentabilidade.

Negociação com clientes e fornecedores[editar | editar código-fonte]

Em virtude da grande diferença entre as taxas de captação e de aplicação verificadas no Brasil, existe um espaço grande para que as empresas negociem descontos com seus clientes e fornecedores, fazendo operações financeiras mutuamente vantajosas.

Para citar um exemplo, consideremos um fornecedor que dá trinta dias de prazo de pagamento para um cliente. Este por sua vez, busca descontar a duplicata correspondente, digamos a 3,5% ao mês. O cliente pode ter uma aplicação financeira rendendo 1% ao mês. Assim, antecipar o pagamento ao fornecedor obtendo uma taxa de desconto de 2,5% ao mês, é interessante para ambos. A organização compradora trocará uma taxa de aplicação de 1% ao mês por outra (desconto) de aproximadamente 2,5% ao mês. A organização fornecedora trocará uma taxa de desconto de duplicatas de 3,5% ao mês por uma taxa de desconto de 2,5% ao mês dada à compradora.

Falhas frequentes na operação da tesouraria[editar | editar código-fonte]

Na maioria das organizações uma série falhas ocorrem frequentemente na operação da tesouraria. Elas provocam estrangulamentos operacionais com reflexos negativos sobre a eficiência da tesouraria, principalmente a redução de produtividade.

As principais dessas falhas são comentadas a seguir.

Controle inadequado de depósitos de terceiros nas contas da empresa[editar | editar código-fonte]

Falhas no controle de depósitos de terceiros nas contas das empresas geralmente ocorrem quando são concedidas muitas opções de pagamento aos clientes da empresa e a comunicação com estes não é satisfatória. Com o continuado avanço da tecnologia e do processamento bancário, esse problema deverá ser bastante reduzido. Enquanto isso não ocorre, a solução é melhorar o fluxo de informações entre as área comercial e financeira da organização e explorar todo o potencial de informações dos serviços bancários..

Conciliação bancária com muitas pendências[editar | editar código-fonte]

Excesso de pendências na conciliação bancária é um indicador seguro de que é grande o número de eventos financeiros fora de padrão e que por isso não são capturados pelos sistemas informatizados de apoio à tesouraria. Podem ter origem em falhas na implantação do sistema de controle financeiro ou em mudanças nos processos de pagamento ou recebimento. Se o problema não tiver sido causado pelo sistema de controle financeiro, serão necessárias mudanças nos procedimentos financeiros para resolvê-lo.

Insatisfatório controle da inadimplência de clientes[editar | editar código-fonte]

Falhas no controle da inadimplência podem surgir em decorrência de causas variadas sendo as mais comuns a passividade da área de cobrança, inadequação do sistema de controle financeiro. O aprimoramento do fluxo de informações entre as áreas comercial e financeira da organização é um passo importante para a eliminação ou redução desse tipo de falha.

Recebimento tardio de documentos de cobrança emitidos por fornecedores[editar | editar código-fonte]

A principal causa desse problema é o fato de algumas organizações, além de conviverem com seu descontrole interno, também tentam exportá-lo para seus clientes, contando com a tolerância por parte destes. Outra possível causa para o problema é falta de procedimentos claros de pagamento por parte da organização compradora. A solução para os dois casos é a busca deliberada da correção dos desvios, independente da origem.

Pouca padronização dos processos de pagamento[editar | editar código-fonte]

Processos de pagamento pouco homogêneos, gerando excessiva demora para sua liquidação ocorrem devido a estruturação ineficiente do processo de contas a pagar. Multiplicidade de sistemas informatizados de apoio às operações da tesouraria e mudanças frequentes das rotinas de pagamento são as causas mais frequentes do problema. A solução costuma ser trabalhosa e pode requerer exaustivo trabalho de mudanças nos processos de pagamento.

Grande número de pagamentos urgentes.

Excessivo número de pagamentos urgentes é sinal de que as demandas das áreas pagadoras têm prioridade sobre a boa operação da área financeira. A solução requer negociação e principalmente capacidade de articulação e de convencimento por parte da tesouraria para demonstrar as perdas operacionais e financeiras com os pagamentos urgentes.

Fluxo de caixa com alta margem de erro[editar | editar código-fonte]

As causas para esse problema são bastante variadas, mas sempre refletirão a inexistência de adequado nível de cultura de planejamento nos vários setores da organização. A tesouraria isoladamente não conseguirá resolver o problema. Assim, precisará demonstrar e convencer seus pares sobre a importância da qualidade das informações geradas para o fluxo de caixa.

Também chama-se tesouraria ao setor de uma empresa encarregado de controlar seus fluxos monetários (dinheiro em caixa, bancos ou investimentos financeiros).

Na Igreja Católica[editar | editar código-fonte]

No caso de um cabido metropolitano, é uma das dignidades dos cónegos, mas, nesse caso, o cónego tesoureiro recebe o nome de tesoureiro-mor.

Referências

  1. FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 1 670.
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