Luiz Ignácio Maranhão Filho

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Luiz Ignácio Maranhão Filho foi um deputado estadual militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB) que desapareceu no período da ditadura militar brasileira. Luiz Ignácio nasceu em 25 de janeiro de 1921 em Natal, no Rio Grande do Norte, e foi dado como desaparecido em São Paulo no dia 3 de abril de 1974, durante o governo de Ernesto Geisel. Também era advogado, jornalista e professor universitário.[1] É um dos casos investigados pela Comissão da Verdade, que apura mortes e desaparecimentos na ditadura militar brasileira.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Luiz Inácio Maranhão Filho nasceu em Natal, no Rio Grande do Norte, no dia 25 de janeiro de 1921, filho de Luís Inácio Maranhão e Maria Salmé Carvalho Maranhão. Era irmão de Djalma Carvalho Maranhão, deputado federal e prefeito de Natal, que também era filiado ao PCB e que, durante a Ditadura, foi para o exílio no Uruguai.[2] Luiz Ignácio era casado com Odette Roselli Garcia Maranhão. Era advogado e professor universitário, dando aulas no Atheneu Norte-Riograndense, na Fundação José Augusto e na UFRN. Também fazia colaborações como jornalista no Diário de Natal e na Revista Civilização Brasileira.

Entrou para o Partido Comunista Brasileiro em 1945 e, em 1952, foi preso e torturado pela Aeronáutica, em Parnamirin (RN).

Em 1958, foi eleito deputado estadual pelo Partido Trabalhista Nacional e ficou no cargo até 1962. No início de 1964, visitou Cuba e, ao voltar, foi preso e torturado. Luiz Inácio ficou preso em Fernando de Noronha com Miguel Arraes, ambos cassados de direitos políticos.

Ao sair da prisão, passou a viver no Rio de Janeiro e, em 1967, foi eleito membro do Comitê Central do Partido Comunista, no VI Congresso do PCB.[3]

Desaparecimento[editar | editar código-fonte]

No dia 3 de abril de 1974, Luiz Ignácio Maranhão Filho foi preso em São Paulo, desaparecendo em seguida. Seu caso foi analisado na Comissão Rubens Paiva, a 15ª audiência da Comissão da Verdade de São Paulo. A Comissão revela que no dia 3 de abril de 1974, Luiz Ignácio Maranhão Filho se encontrou com Walter de Souza Ribeiro e João Massena Melo. Em seguida, os três desapareceram e nunca mais foram encontrados.

Em maio, sua esposa Odette Roselli denunciou através de uma carta que Luiz Maranhão estava sendo torturado pelo delegado do DOPS Sérgio Paranhos Fleury. Sua carta foi encaminhada ao MDB e lida na Câmara Federal pelo Secretário-Geral do Partido, Deputado Thales Ramalho.

Após a denúncia pelo MDB, o Jornal do Brasil de 15 de maio dizia que o vice-líder da ARENA, deputado Garcia Neto, reafirmara a disposição do governo em verificar a procedência dos desaparecimentos. As providências para solucionar o caso, no entanto, nunca foram tomadas.

Odette Maranhão, junto de seu advogado Aldo Lins e Silva, buscou informações em diversas delegacias e entidades. Conseguiu uma audiência com o general Ednardo D’Avila, comandante do II Exército, que lhe disse ter procurado o coronel do Exército e Secretário de Segurança Pública Erasmo Dias e este lhe garantiu que Ignácio não estava sob sua responsabilidade. A viúva de Luiz Ignácio conseguiu ainda fazer um apelo ao presidente Ernesto Geisel para que o caso fosse apurado com urgência, mas de nada adiantou. A CNBB e a OAB também protestaram e exigiram respostas de Geisel.

Em 8 de abril de 1987, o ex-médico e torturador Amílcar Lobo revelou, em entrevista à revista Isto É, que viu Luiz Maranhão ser torturado no DOI-CODI do Rio de Janeiro. Em 18 de novembro, em entrevista a Veja, o ex-sargento do DOI-CODI de São Paulo, Marival Dias Chaves do Canto afirmou que ao menos oito militantes do PCB tiveram seus corpos esquartejados e atirados no Rio Novo em Avaré. Segundo o ex-sargento, Luiz Ignácio e João Massena Mello teriam recebido uma dose de injeção para matar cavalos. Sua mortes fizeram parte de uma operação ofensiva do exército iniciada em 73 para tentar dizimar o Partido Comunista Brasileiro.

Luiz Ignácio tinha 53 anos quando desapareceu. Ele é um dos onze membros do Comitê Central do PCB na lista de desaparecidos políticos pela ditadura militar de 1964.

Anistia[editar | editar código-fonte]

Em 21 de setembro de 1978, Luiz Ignácio Maranhão Filho ganhou anistia após o absolve Conselho Permanente de Justiça absolver, por prescrição penal, diversos membros do Partido Comunista acusados durante a ditadura militar. [4]

Morte[editar | editar código-fonte]

O Diário Oficial de Brasília, no número 232 de 5 de dezembro de 1995, reconheceu a morte de 136 desaparecidos políticos durante a ditadura. Estão na lista os militantes políticos desaparecidos entre 2 de setembro de 1961 e 15 de agosto de 1979. Luiz Ignácio era, então, declarado morto. [5]

Referências

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências