Henrique Teixeira Lott

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Henrique Teixeira Lott
Nome completo Henrique Batista Duffles Teixeira Lott
Nascimento 16 de novembro de 1894 Minas Gerais Antônio Carlos
Morte 19 de maio de 1984 (89 anos) Rio de Janeiro Rio de Janeiro
País  Brasil
Força Exército
Hierarquia Marechal.gif Marechal
Comandos

Henrique Batista Duffles Teixeira Lott GCCGCA (Antônio Carlos, 16 de novembro de 1894Rio de Janeiro, 19 de maio de 1984) foi um militar brasileiro, que atingiu o posto de marechal.[1]

Carreira militar e política[editar | editar código-fonte]

Filho de Henrique Matthew Caldeira Lott (1855-1912), filho de um inglês natural de Exeter, e Maria Duffles Teixeira (1871-1941), estudou no Colégio Militar do Rio de Janeiro, onde foi comandante do Batalhão Escolar em 1910. Formou-se aspirante-a-oficial na Escola Militar de Realengo, em 1914. Foi adido militar do Brasil em Washington, Estados Unidos. Em 1944 chegou ao generalato. Entre dezembro desse ano e março de 1946, comandou a Infantaria Divisionária, em Santa Maria.[2]

Na crise de 1954 assinou o documento em que os generais, com receio de um golpe de estado devido à instabilidade política, exigiam o afastamento de Getúlio Vargas do poder em meio às inúmeras denúncias de corrupção.

A 10 de Dezembro de 1954 foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Avis de Portugal.[3]

Caracterizava-se pelos seus hábitos metódicos, pelo seu respeito à hierarquia militar e ao governo constituído. Após o suicídio de Vargas, Café Filho assumiu a presidência da República e nomeou Teixeira Lott ministro de Guerra, devido às pressões da caserna (sobretudo de oficiais generais), mas especialmente visando afastar a influência do general pró-Vargas, Newton Estillac Leal, sobre os militares. Quando Juscelino Kubitschek e João Goulart venceram as eleições presidenciais de outubro de 1955 - respectivamente para presidente e vice-presidente -, houve uma divisão das Forças Armadas, pois a chapa vitoriosa era constituída por dois candidatos getulistas, o mineiro Juscelino Kubitschek e o gaúcho João Goulart.

Em 11 de novembro o então general Lott desencadeou o movimento militar, dito de "retorno ao quadro constitucional vigente". Houve então a declaração do impedimento do presidente em exercício, Carlos Luz (Café Filho havia sofrido um infarto e afastara-se da presidência), a entrega de seu cargo ao presidente do senado Nereu Ramos e a garantia da posse dos eleitos, em obediência à Constituição. No início de 1956, Lott continuou como ministro da Guerra no governo de JK, pois garantira a posse do presidente, mobilizando as tropas nas ruas. Foi quando recebeu uma espada de ouro da comunidade defensora da legalidade constitucional (segundo familiares e amigos próximos, Lott teria recusado a espada de ouro, ao brandir sua tradicional espada de general). Este acontecimento ficou conhecido com Movimento de 11 de Novembro.

Se distinguiu pelo legalismo e por suas convicções democráticas. Na eleição presidencial brasileira de 1960, o Marechal Lott, já na reserva, foi postulado candidato à Presidência da República pela coligação governista PTB/PSD que elegera JK em 1955 e dera sustentação ao governo deste e recebeu apoio de Juscelino. A campanha de Teixeira Lott foi uma das primeiras a contar com um planejamento profissional, com técnicas de marketing político importadas dos Estados Unidos. O jingle utilizado em sua campanha é considerado um dos melhores já feitos em campanhas eleitorais no Brasil [4].

Porém fora derrotado por Jânio Quadros. Após isso tentou ainda permanecer na vida pública. A 17 de Maio de 1958 foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo de Portugal.[3] Em 1961 declarou-se contrário à tentativa de golpe planejada pelos ministros militares para impedir a posse de João Goulart após a renúncia de Jânio e foi de extrema importância para a Campanha da Legalidade de Brizola ao aconselhar a buscar apoio em chefes militares nacionalistas locais. No caso, os generais de Exército Oromar Osório, comandante em Santiago, e Peri Constant Bevilacqua, comandante em Santa Maria.[5] Para assegurar a legalidade, em 26 de agosto de 1961 (dia seguinte à renúncia do presidente Jânio Quadros), fez um importante manifesto às Forças Armadas:

Aos meus camaradas das Forças Armadas e ao povo brasileiro.
Tomei conhecimento, nesta data, da decisão do Senhor Ministro da Guerra, Marechal Odílio Denis, manifestada ao representante do governo do Rio Grande do Sul, deputado Rui Ramos, no Palácio do Planalto, em Brasília, de não permitir que o atual Presidente da República, Sr. João Goulart, entre no exercício de suas funções, e ainda, de detê-lo no momento em que pise o território nacional.
Mediante ligação telefônica, tentei demover aquele eminente colega da prática de semelhante violência, sem obter resultado. Embora afastado das atividades militares, mantenho um compromisso de honra com a minha classe, com a minha pátria e as suas instituições democráticas e constitucionais. E, por isso, sinto-me no indeclinável dever de manifestar o meu repúdio à solução anormal e arbitrária que se pretende impor à Nação.
Dentro dessa orientação, conclamo todas as forças vivas do país, as forças da produção e do pensamento, dos estudantes e intelectuais, dos operários e o povo em geral, para tomar posição decisiva e enérgica no respeito à Constituição e preservação integral do regime democrático brasileiro, certo ainda de que os meus camaradas das Forças Armadas saberão portar-se à altura das tradições legalistas que marcam sua história no destino da Pátria.[6][7]

Por conta desse pronunciamento, no qual se contrapunha ao Ministro da Guerra -que era contrário à posse de João Goulart - Lott foi preso. Estava em seu apartamento em Copacabana, com a família, quando chegaram militares para prendê-lo. Todavia, o marechal recusou-se a ser detido por um oficial de patente inferior à sua e exigiu que fosse cumprida a hierarquia militar. Aguardou, assim, a chegada do marechal Nilo Sucupira, para finalmente sair. Lott recebeu uma pena de 30 dias de prisão (dos quais cumpriu 15),[6] sendo três dias na inóspita Fortaleza da Laje.

Após o Golpe Militar de 1964, residindo em Teresópolis, no estado do Rio de Janeiro, em 1965, foi impedido, pela Justiça Eleitoral, de lançar sua candidatura ao governo do então estado da Guanabara. Foi declarado inelegível por falta de domicílio regular.

Retiro[editar | editar código-fonte]

O marechal afastou-se definitivamente da vida pública por não concordar com o regime militar que estava iniciando no Brasil.

Enterro sem honras militares[editar | editar código-fonte]

Quando morreu em 1984, seu enterro aconteceu sem honras militares.[8] O Ministério do Exército tentou minimizar e justificar o fato, mas a imprensa da época divulgou a ausência das honras militares no enterro de Lott. Leonel Brizola, na época governador do Rio de Janeiro decretou luto oficial de três dias e declarou que, na sua volta do exílio, a primeira pessoa que visitou foi o marechal. Cerca de trezentas pessoas compareceram ao seu enterro.

Na ocasião, seu grande amigo Sobral Pinto declarou ... se tivesse ido para a presidência do Brasil, teria instaurado um governo de legalidade e de respeito à pessoa humana, e uma vinculação com partidos políticos, porque era um democrata sincero, inteligente e honrado. Com Lott na presidência, não teríamos ditadura militar durante vinte anos, não teríamos a falência nacional. Nada disso teria acontecido.[carece de fontes?]

Representações na cultura[editar | editar código-fonte]

Quando a vida e a carreira política de Juscelino Kubitschek é mostrada na TV ou no cinema, a presença de Lott é quase que obrigatória, por causa de sua importância histórica neste período.

No filme Bela Noite para Voar, de 2005, é vivido pelo ator Cecil Thiré.

Em 2006, na minissérie JK da Rede Globo, Lott foi interpretado por Arthur Kohl.

Referências

  1. CPDOC-FGV. Biografia: Henrique Teixeira Lott
  2. «Galeria de Comandantes da 3ª DE». Consultado em 17 de dezembro de 2014 
  3. a b «Cidadãos Estrangeiros Agraciados com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de "Henrique Duffles Teixeira Lott". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 2 de abril de 2016 
  4. Jingle da campanha do Marechal Teixeira Lott em 1960
  5. Unirio. Memória social. Brasil: a democracia golpeada (1956-1964)
  6. a b Lott liderou posição antigolpe entre os militares em 61. Sul21, 5 de junho de 2011
  7. Pronunciamento do Marechal Henrique Lott em 26 de agosto de 1961, dia seguinte à renúncia de Jânio Quadros, contrapondo-se ao Ministro da Guerra, contrário à posse de João Goulart, e que o levaria à prisão. VICTOR, Mário. 5 anos que abalaram o Brasil: de Jânio Quadros ao Marechal Castelo Branco. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1965.
  8. O soldado da legalidade. Veja ed. 1934, 7 de dezembro de 2005. Matéria sobre o lançamento da biografia do Marechal Lott (O Soldado Absoluto; Record; 572 páginas), escrita pelo jornalista Wagner William.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Wikiquote
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Precedido por
Euclides Zenóbio da Costa
Ministro da Guerra
1954 - 1960
Sucedido por
Odílio Denys