Edna Lott

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Edna Lott
Nome completo Edna Marília Lott de Moraes Costa
Nascimento 28 de março de 1919
Rio de Janeiro
Morte 10 de junho de 1971 (52 anos)
Lambari
Nacionalidade brasileira
Progenitores Mãe: Laura Ferreira do Amaral
Pai: Henrique_Teixeira_Lott
Cônjuge Oscar de Moraes Costa (m. 1959)
Filho(s) Laura Lúcia (m. 1951), Oscar Henrique, Nelson Luiz, Carlos Eduardo e Laura Lúcia (2)[1]
Ocupação Política
Causa da morte Assassinato

Edna Marília Lott de Moraes Costa (Rio de Janeiro, 28 de maio de 1919Lambari, 10 de junho de 1971) foi uma política brasileira. Filha do Marechal Lott era, nas palavras de Sebastião Nery, presença "suave e carismática (...) que encantava com sua palavra fácil e seu charme".[2]

O Exército Brasileiro foi uma presença em sua vida: neta, filha e irmã de militares também seu marido era da farda, um dos cunhados apesar de civil era filho do Marechal Dutra enquanto outro pertencia à caserna, e seus dois filhos mais novos estudaram no Colégio Militar sendo que um deles, Nelson, chegou a entrar para a Força.[1] Foi este filho que a fez vivenciar a descoberta do submundo de prisões ilegais e torturas no qual as Forças Armadas haviam mergulhado durante a ditadura, e iniciar uma busca desenfreada pelo filho desaparecido pela ação do regime que levou-a, inclusive, a procurar pessoalmente o ditador da época, Emílio Garrastazu Médici.[1]

Justo quando Edna denuncia as práticas ilegais da ditadura ela morre assassinada, vítima de suposto feminicídio.[1]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Segunda filha do Marechal Henrique Teixeira Lott, estudou na Faculdade Nacional de Educação, formando-se professora de Geografia e História. Foi casada com o engenheiro militar Oscar de Moraes Costa (morto por infarto, em 1959), com quem teve cinco filhos, um dos quais, Nelson Luiz Lott de Moraes Costa, entrou para a ALN durante a ditadura militar.[1]

Entrou para a política trabalhando na campanha do seu pai nas eleições para a presidência em 1960. Em 1962, candidatou-se à Assembleia Legislativa do Estado da Guanabara pelo PTB. Foi eleita com os votos das professoras e se destacou como uma das poucas mulheres no plenário. Na eleição seguinte, já pelo MDB, obteve um resultado ainda mais expressivo, sendo reeleita com 25694 votos, a mais votada pelo MDB.[3] Integrou a Assembleia Constituinte que promulgou a segunda Constituição do Estado da Guanabara, em 1967.[4]

Ditadura Militar[editar | editar código-fonte]

Seu mandato foi cassado em 20 de outubro de 1969.[5]

Seu filho Nelson, que chegara a estudar na Escola Preparatória de Cadetes, em Campinas, deixou a farda por sentir-se perseguido pelos professores ao verem seu sobrenome: o avô, o Mal. Lott, em 1955 enquanto Ministro da Guerra havia tolhido a primeira tentativa de golpe militar justamente por aqueles que então ocupavam o poder na bem sucedida ruptura da democracia levada a cabo em !º de abril de 1964.[1] Nelson como civil ingressa na ANL e vem a ser preso; Edna principia então um périplo pelo filho, a princípio se recusando a acreditar que a instituição militar fosse capaz de atuar de modo ilegal e clandestino, muito menos de praticar a tortura — chegando inclusive a procurar os próprios torturadores para que a ajudassem nas buscas e, finalmente, tentar falar com o próprio ditador Médici — até se convencer da realidade e passar a denunciá-la diretamente, chegando a discursar mesmo em filas de banco.[1] Na prisão os torturadores procuraram, em suas sessões de maus tratos, fazer com Nelson implicasse o avô como suposto "líder comunista".[1] Acresce ainda que o chefe dos torturadores e comandante do I Exército, general Syzeno Sarmento, era inimigo do Mal. Lott.[1]

Havia, então, a percepção de que os militares envolvidos nos desvios de legalidade respeitavam os parentes das vítimas que mantinham sob os "porões"; mas o fato foi que Edna, filha de um militar considerado inimigo do regime golpista, mãe de esquerdista e política cassada, veio a morrer de forma violenta e suspeita justamente quando o país mergulhava na face mais obscura da ditadura.[1]

Assassinato[editar | editar código-fonte]

Foi assassinada em 1971 pelo seu motorista e secretário Eduardo Fernandes.[6] O assassinato foi considerado pela polícia e pela imprensa como um crime passional, mas parentes e companheiros políticos afirmaram que a ex-deputada foi morta por denunciar a tortura entre os militares.[7]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • WILLIAM, Wagner. O Soldado Absoluto - uma biografia do Marechal Henrique Lott. Editora Record, Rio de Janeiro, 2005. ISBN 85-01-06781-4
  • MOTTA, Marly Silva da. Saudades da Guanabara: o caso político da cidade do Rio de Janeiro (1960-1975). Editora FGV, Rio de Janeiro, 2000. ISBN 85-01-06781-4

Referências

  1. a b c d e f g h i j COSTA, Felipe Varzea Lott de Moraes (2016). «Entre dois amores: Ethos familiar e política na experiência de Edna Lott» (PDF). Universidade Federal Fluminense, Instituto de Ciências Humanas e Filosofia, Departamento de Ciências Sociais. Consultado em 2 de junho de 2018.. Cópia arquivada (PDF) em 2 de junho de 2018 
  2. Sebastião Nery (13 de março de 2016). «O "Jarareco" desastrado». Sítio oficial Sebastião Nery. Consultado em 2 de junho de 2018.. Cópia arquivada em 2 de junho de 2018 
  3. Edna Lott reeleita. Jornal do Brasil, 26 de Novembro de 1966. P 16.
  4. Constituição do Estado da Guanabara. FGV
  5. Projeto de Resolução Nº 1142/98. Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro
  6. Assassinada a ex-deputada Edna Lott. Correio da Manhã, 11 de junho de 1971. P. 6
  7. CARLONI, Karla Guilherme. Militares de Esquerda e o Regime Militar: “Marechal da Legalidade” na Defesa da Democracia. Revista Crítica Histórica Ano V, nº 10, dezembro/2014 ISSN 2177-9961. P. 171