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Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
(Redirecionado de PSTU)
Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado
SiglaPSTU
Número eleitoral16[1]
PresidenteZé Maria[1]
Fundação5 de julho de 1994 (31 anos)[2]
Registro19 de dezembro de 1995 (30 anos)[1]
SedeSão Paulo, SP
IdeologiaTrotskismo[3]
Morenismo[4]
Internacionalismo
Espectro políticoExtrema-esquerda[5]
PublicaçãoOpinião Socialista
Ala de juventudeColetivo Rebeldia
AntecessorConvergência Socialista[6]
Dividiu-se dePT
SucessorMAIS (dissidência)
CSOL (dissidência)
MTL (dissidência)
MRT (dissidência)
Membros (2026)14.710 filiados[7]
Afiliação internacionalLIT-QI
Governadores (2026)
0 / 27
Prefeitos (2024)[8]
0 / 5 569
Senadores (2026)
0 / 81
Deputados federais (2026)
0 / 513
Deputados estaduais (2022)
0 / 1 024
Vereadores (2024)[9]
0 / 58 026
Cores     Vermelho
     Amarelo
Bandeira do partido
Bandeira do PSTU
Página oficial
pstu.org.br

O Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) é um partido político de extrema-esquerda[10][11][12] do Brasil fundado em 1994 e registrado definitivamente em 1995.[1] Em dezembro de 2025 possuía 14.710 filiados.[7] O PSTU é uma organização socialista, que reivindica o marxismo revolucionário, baseando-se nas teorias e práticas de Leon Trótski e de Nahuel Moreno.

O PSTU também é a seção no Brasil da Liga Internacional dos Trabalhadores - Quarta Internacional (LIT-QI), sendo a maior seção dessa organização, que em outros países se articula como partido legalizado ou não, ou como corrente interna de partidos anticapitalistas amplos.

Assim como o Partido Comunista Brasileiro (PCB), o Partido da Causa Operária (PCO), a Unidade Popular (UP) e algumas tendências do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), o PSTU faz oposição de esquerda aos governos municipais, estaduais (inclusive aqueles governados pelo Partido dos Trabalhadores) e federal.

História

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Fundação

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Em abril de 1992, o deputado José Dirceu apresenta, na reunião da Executiva Nacional do PT, uma resolução que foi aprovada, dando prazo de 15 dias para que a Convergência Socialista se adaptasse à nova regulamentação de tendências.

Esta proibia manifestações abertas contra a política da direção majoritária. Afirmava José Dirceu que, para evitar a publicidade de tais manifestações, se deveriam proibir sedes próprias, jornal próprio, finanças próprias, relações internacionais públicas e de partido, pois estas seriam a exteriorização de uma política contrária às resoluções do PT e do seu primeiro Congresso.[13]

Após sair do Partido dos Trabalhadores, em meados de 1992, a Convergência Socialista (CS) deu início à formação de um novo partido, juntamente com outros pequenos grupos de extrema-esquerda que, na época, formavam a chamada Frente Revolucionária (FR), que, além da CS, contava com outras organizações, tais como:

  1. O Partido da Frente Socialista (PFS), antes denominado como Partido da Libertação Proletária (PLP)[14];
  2. o Movimento Socialista Revolucionário;
  3. a Democracia Operária, formada principalmente por bancários de Porto Alegre, um dos seus líderes era Victor Hugo Ghiorzi;
  4. a Liga, formada por militantes que romperam com o PT em no início de 1993, tais como Júnia Gouveia, Celso Lavorato, Edmilson Araújo, Rômulo Rodrigues, Santiago, Henrique Martins e Lays Machado;
  5. o Grupo Independente de Diadema; e
  6. o Coletivo Luta de Classes, dentre os seus dirigentes, podem-se citar Carlos Bauer e Magno de Carvalho.

Entre 3 e 5 de julho de 1994 a FR reuniu em um Congresso para fundar o PSTU.[2]

Cisão de 2016

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Em julho de 2016, 739 militantes assinaram um manifesto de ruptura com o partido, chamado "Arrancar alegria ao futuro" e, posteriormente, fundaram o Movimento por uma Alternativa Independente e Socialista (MAIS).[15] Em agosto de 2017, o MAIS oficializou sua entrada como corrente interna no PSOL. A decisão foi tomada no congresso da organização, que aconteceu dos dias 27 a 30 de julho, em São Paulo. Posteriormente o MAIS e outros grupos fundiram-se dando origem a Resistência, corrente interna do PSOL.[16]

Prisão de Lula

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Vera Lúcia, candidata a presidência em 2018 e 2022.

Em 2018, no contexto da prisão de Luiz Inácio Lula da Silva, o PSTU tomou posição a favor da prisão do então ex-presidente, julgando ser inaceitável a narrativa petista de que Lula estava sendo preso por conta da seletividade da justiça. O partido não considerou, no entanto, a prisão do ex-presidente como suficiente para o fim da corrupção, defendendo também a prisão de políticos como Aécio Neves, Michel Temer e Eduardo Cunha e de empresários como Joesley Batista e Marcelo Odebrecht.[17] O partido viria, em 2021 a alegar que a prisão teria se tratado de arbitrariedade promovida pelo juiz Sérgio Moro, revertendo sua posição anterior [18]. Em 2022, o PSTU viria a apoiar a candidatura de Lula para o segundo turno das eleições.[19]

Eleições de 2022 e o Polo Socialista Revolucionário

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Em outubro de 2021, o PSTU lançou o "Polo Socialista Revolucionário" (PSR), com a pretensão de unir diferentes organizações de esquerda, movimentos sociais e ativistas para disputar as eleições de 2022 sob a legenda do partido.[20][21] As filiações se deram por "filiação democrática", em que partidos, organizações e ativistas políticos, sem legenda eleitoral registrada no Tribunal Superior Eleitoral, lançam suas candidaturas sob a legenda de outro, porém, mantendo sua independência política e posicionamentos próprios, a partir de um acordo mútuo.[22] Tal procedimento já havia sido adotado por outros grupos sem registro eleitoral, em eleições anteriores, como a Unidade Popular, por filiação democrática no PSOL.[23] Nessa ocasião, houve um manifesto proposto pelo PSTU e assinado pelos participantes, além de debates posteriores referentes ao programa, propostos pelo próprio PSTU, CST e MRT.[21]

Entre as organizações que compuseram o PSR estavam a Corrente Socialista de Trabalhadoras e Trabalhadores (CST), corrente política fundada em 1992, dentro do Partido dos Trabalhadores, que nas eleições atuava como tendência interna do PSOL, mas apoiou candidaturas do PSTU ao poder executivo e lançou Barbára Sinedino, do estado do Rio de Janeiro, ao Senado Federal, pela legenda do PSTU, embora as demais candidaturas ainda tenham sido lançadas pelo PSOL.[24] Também estava o Movimento Revolucionário de Trabalhadores (MRT), que lançou candidatos a deputados federais e estaduais,[25][26] a corrente Socialismo ou Barbárie (SoB), advinda do PSOL, que lançou candidatura no estado de São Paulo, a corrente Revolução Brasileira, de Nildo Ouriques, também advinda do PSOL, além dos grupos Iniciativa Socialista, Emancipação Socialista, Política Revolucionária, o Petroleiros Socialistas e Plinio de Arruda Sampaio Jr., editor do jornal Contrapoder.[27]

Após as eleições, em dezembro de 2022, o PSTU propôs encerrar o PSR. Discordaram dessa proposta Plínio de Arruda Sampaio Jr., o grupo Petroleiros Socialistas, CST, MRT e a Iniciativa Socialista.[28][29]

Organização

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Número de filiados

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Data Filiados[7] Crescimento anual
dez./2006 13.568
dez./2007 13.332 Baixa 236 -1,7%
dez./2008 13.156 Baixa 176 -1,3%
dez./2009 11.867 Baixa 1.309 -11%
dez./2010 12.541 Aumento 674 +5,6%
dez./2011 13.159 Aumento 382 +4,9%
dez./2012 14.177 Aumento 1.018 +7,7%
dez./2013 16.756 Aumento 2.579 +18%
dez./2014 17.141 Aumento 385 +2,3%
dez./2015 17.375 Aumento 234 +1,3%
dez./2016 17.403 Aumento 28 +0,1%
dez./2017 17.177 Baixa 226 -1,3%
dez./2018 17.143 Baixa 34 -0,2%
dez./2019 15.873 Baixa 1.270 -8,0%
dez./2020 15.858 Baixa 15 -0,1%
dez./2022 15.303 Baixa 237 -1,5%
dez./2023 14.951 Baixa 352 -2,3%
dez./2024 14.922 Baixa 29 -0,1%
dez./2025 14.710 Baixa 212 -1,4%

Desempenho eleitoral

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Eleições presidenciais

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Ano Imagem Candidato(a) a Presidente Candidato(a) a Vice-Presidente Coligação Votos Posição
1994 Luiz Inácio Lula da Silva
(PT)
Aloizio Mercadante
(PT)
Frente Brasil Popular pela Cidadania
(PT, PSB, PCdoB, PPS, PV e PSTU)
17.122.127 (27,04%)
1998 Zé Maria José Maria de Almeida
(PSTU)
José Galvão de Lima
(PSTU)
Sem coligação 202.659 (0,30%)
2002 Zé Maria José Maria de Almeida
(PSTU)
Dayse Oliveira
(PSTU)
Sem coligação 402.232 (0,47%)
Segundo turno: apoio crítico ao candidato vitorioso Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
2006 Heloísa Helena Heloísa Helena
(PSOL)
César Benjamin
(PSOL)
Frente de Esquerda
(PSOL, PCB e PSTU)
6.575.393 (6,85%)
Segundo turno: voto nulo
2010 Zé Maria José Maria de Almeida
(PSTU)
Cláudia Durans
(PSTU)
Sem coligação 84.609 (0,08%)
Segundo turno: voto nulo
2014 Zé Maria José Maria de Almeida
(PSTU)
Cláudia Durans
(PSTU)
Sem coligação 91.209 (0,09%)
Segundo turno: voto nulo
2018 Vera Lúcia Salgado Vera Lúcia Salgado
(PSTU)
Hertz Dias
(PSTU)
Sem coligação 55.762 (0,05%) 11ª
Segundo turno: apoio crítico ao candidato derrotado Fernando Haddad (PT)
2022 Vera Lúcia Salgado Vera Lúcia Salgado
(PSTU)
Raquel Tremembé
(PSTU)
Sem coligação 25.625 (0,02%) 10ª
Segundo turno: apoio crítico ao candidato vitorioso Luiz Inácio Lula da Silva (PT)

Referências

  1. a b c d TSE. «Partidos políticos registrados no TSE». Consultado em 1 de maio de 2021 
  2. a b Antônio Ozaí da Silva (1 de agosto de 2001). «As origens e ideologia do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU)». Revista Espaço Acadêmico. Consultado em 1 de maio de 2021 
  3. Formação, Henrique Canary, da Secretaria Nacional de (27 de setembro de 2011). «Quem foi Leon Trotsky?». PSTU. Consultado em 31 de outubro de 2024 
  4. «O morenismo à deriva diante da vitória de Bolsonaro». Esquerda Diario. Consultado em 21 de abril de 2025 
  5. Congresso em Foco (2 de março de 2018). «Partido da extrema esquerda, PSTU lança operária sapateira como pré-candidata à Presidência da República». Consultado em 1 de maio de 2021 
  6. Redação (8 de junho de 2004). «Origens: uma história de trinta anos». PSTU. Consultado em 31 de outubro de 2024 
  7. a b c TSE. «Estatísticas do eleitorado – Eleitores filiados». Consultado em 8 de janeiro de 2026 
  8. g1 (27 de outubro de 2024). «Mapa de Apuração e Resultado do 10 Turno das Eleições de 2025». g1. Consultado em 27 de outubro de 2024 
  9. Wesley Bischoff (7 de outubro de 2024). «MDB, PP e PSD crescem e mantêm liderança no número de vereadores no Brasil; PSDB encolhe». G1. Consultado em 7 de outubro de 2024 
  10. «Folha de S.Paulo - PSTU defende 'revolução socialista' - 30/4/1995». www1.folha.uol.com.br. Consultado em 8 de outubro de 2024 
  11. «Nanicos de extrema esquerda desistem de candidaturas próprias e fazem as pazes com o PT». O Globo. 10 de agosto de 2018. Consultado em 8 de outubro de 2024 
  12. «Novo é sigla mais à direita e PSTU a mais à esquerda no Brasil, mostra GPS partidário». Folha de S.Paulo. 4 de setembro de 2024. Consultado em 8 de outubro de 2024 
  13. Silva, 2001; Cerdeira, 2009.
  14. E antes como Coletivo Gregório Bezerra (CGB), uma organização formada por militantes que acompanharam Luiz Carlos Prestes, na época de sua ruptura com o PCB.
  15. Gabriel Felice (6 de julho de 2016). «Impeachment da presidente Dilma racha o PSTU». Estado de Minas. Consultado em 1 de maio de 2021 
  16. MAIS (4 de agosto de 2017). «MAIS anuncia entrada no PSOL». Esquerda Online. Consultado em 1 de maio de 2021 
  17. Redação (9 de abril de 2018). «Tem que prender todos os corruptos e corruptores». PSTU. Consultado em 15 de julho de 2021 
  18. «O mesmo PSTU que comemorou a prisão de Lula, hoje diz que nunca confiou na Lava Jato». www.esquerdadiario.com.br. Consultado em 8 de janeiro de 2026 
  19. UOL (6 de outubro de 2022). «PSTU declara apoio 'crítico' a Lula para derrotar Bolsonaro no 2º turno». Consultado em 8 de janeiro de 2026 
  20. Salvador (BA), Roberto Aguiar, de (14 de outubro de 2021). «Com mais de 1.400 pessoas, plenária lançou manifesto pela construção do Polo Socialista e Revolucionário». PSTU. Consultado em 28 de fevereiro de 2026 
  21. a b «Manifesto - Polo Socialista Revolucionário». Polo Socialista Revolucionário. Consultado em 28 de fevereiro de 2026. Cópia arquivada em 19 de agosto de 2022 
  22. «Pré-candidato a deputado, Jones Manoel avisa: 'Se eles estão tendo problemas com o Glauber, comigo a coisa vai ser bem pior'». Brasil de Fato. 20 de janeiro de 2026. Consultado em 28 de fevereiro de 2026 
  23. Macedo, Edmar Almeida de (2017). «Recrutamento político da esquerda nas eleições municipais do Brasil em 2016» (PDF). Universidade Federal do Paraná. Paraná Eleitoral: revista brasileira de direito eleitoral e ciência política. 6 (1): 35-64. Consultado em 28 de fevereiro de 2026 
  24. «O Polo Socialista e Revolucionário realiza lançamentos de suas pré-candidaturas». CST-UIT. 14 de julho de 2022. Consultado em 23 de julho de 2024 
  25. Rojas, Gonzalo Adrián; Wanderley, Shimenny Ludmilla Araujo (28 de dezembro de 2022). «A IMPORTÂNCIA DA INDEPENDÊNCIA POLÍTICA NA LUTA CONTRA A EXTREMA DIREITA». Temporalis (44): 351–368. ISSN 2238-1856. doi:10.22422/temporalis.2022v22n44p351-368. Consultado em 28 de fevereiro de 2026 
  26. «Início oficial de campanha. Candidatos do MRT iniciam a campanha eleitoral oficialmente». Esquerda Diario - Rede internacional (em espanhol). Consultado em 28 de fevereiro de 2026 
  27. «Sobre os debates no Polo Socialista Revolucionário acerca de seu encerramento». CST-UIT. 21 de dezembro de 2022. Consultado em 28 de fevereiro de 2026 
  28. Almeida, Eduardo (20 de novembro de 2022). «Polo Socialista Revolucionário: balanço e perspectivas». PSTU. Consultado em 28 de fevereiro de 2026 
  29. «PSR. Sobre os debates no Polo Socialista Revolucionário acerca de seu encerramento». Esquerda Diario - Rede internacional (em espanhol). Consultado em 28 de fevereiro de 2026 

Ligações externas

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