Crise do apagão

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Fernando Henrique Cardoso, presidente do Brasil durante o período.

A crise do apagão[nota 1] foi uma crise nacional ocorrida no Brasil, que afetou o fornecimento e distribuição de energia elétrica. Ocorreu entre 1 de julho de 2001 e 19 de fevereiro de 2002, durante o segundo mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso.

Com escassez de chuvas ao longo do ano de 2001, o nível de água nos reservatórios das usinas hidrelétricas brasileiras baixou. No início da crise, levantou-se a hipótese de que talvez se tornasse necessário fazer longos cortes forçados de energia elétrica em todo Brasil. Estes cortes forçados, ou blecautes, foram apelidados pela imprensa de "apagões".

Na época, previa-se grande possibilidade de ocorrer cortes de grandes dimensões no país, sobretudo nas grandes cidades. A aplicação desses cortes — que produziriam severas perdas na economia brasileira, que crescera 1,42% em 2001[1] — foi evitada graças ao bom resultado de uma campanha de um racionamento[nota 2] de energia.

Depois da recuperação de chuvas, o racionamento foi suspenso a partir de 19 de fevereiro de 2002.[2]

Em 21 de janeiro de 2002, um blecaute na região centro-sul causado pelo rompimento de um cabo entre a Usina Hidrelétrica de Ilha Solteira e Araraquara deixou o Distrito Federal e dez estados brasileiros sem energia elétrica por algumas horas. [3] Tal evento não teve qualquer relação causal com a falta de água e o racionamento ainda em vigor no país.[4]

Causas[editar | editar código-fonte]

A crise ocorreu por uma soma de fatores: as poucas chuvas, e a falta de planejamento e ausência de investimentos em geração e transmissão de energia. Com a escassez de chuva, o nível de água dos reservatórios das hidroelétricas baixou e os brasileiros foram obrigados a racionar energia.[5]

Após toda uma década sem investimentos na geração e distribuição de energia elétrica no Brasil, um racionamento de energia foi elaborado às pressas, na passagem de 2000 para 2001. [carece de fontes?]

A situação energética levou à necessidade urgente de cortar em 20% o consumo de eletricidade em quase todo o país, exceto a região sul, tendo em vista que suas represas estavam cheias e houvera retomada de investimentos no setor.[6] Estipularam-se benefícios aos consumidores que cumprissem a meta e punições para quem não conseguisse reduzir seu consumo de luz. Contudo, no dia 7 de dezembro de 2001 choveu copiosamente e o racionamento pôde ser suspenso em 19 de fevereiro de 2002[2]

O ex-ministro Delfim Netto calcula que cada brasileiro perdeu R$ 320 com o apagão.[5]

Auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU), publicada em 15 de julho de 2009 mostrou que o apagão elétrico gerou um prejuízo ao Tesouro de R$ 45,2 bilhões.[7]

Como forma de prevenção de novos problemas de geração de energia elétrica, o governo federal, em 21 de julho de 2001, iniciou um imenso programa de investimentos em uma rede de usinas termoelétricas, movidas a gás, carvão e óleo combustível que não dependem do ciclo das águas. Essa rede de usinas, segundo o governo, daria flexibilidade para o sistema e serviria de back-up em épocas de secas, complementando o sistema.[carece de fontes?]

Blecautes[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Lista de blecautes no Brasil

Houve outros chamados "apagões" na história recente do Brasil em nada relacionados com a Crise do Apagão, porém também relacionados à falta de planejamento, investimentos em geração de energia, falta de manutenção e de tecnologia adequada, sendo muitas vezes decorrentes de problemas técnicos em usinas, redes de transmissão ou estações retransmissoras. Desde janeiro de 2011 até o dia 4 de fevereiro de 2014, foram registrados 181 blecautes no país, considerando todas as falhas de energia, independentemente do tamanho da área afetada, do período ou da carga interrompida, segundo um levantamento feito pelo Centro Brasileiro de Infra Estrutura (CBIE).[8]

  • Em 7 de setembro de 2007, novamente os dois estados foram atingidos por desligamento de energia causado por problemas em Furnas.
  • Em 4 de fevereiro de 2011, quase toda a região Nordeste do País ficou às escuras a partir das 23h30 (horário local) - 0h30 (horário de Brasília), após um problema em linhas de transmissão locais. O blecaute atingiu pelo menos sete estados: Alagoas, Sergipe, Pernambuco, Paraíba, Bahia, Ceará e Rio Grande do Norte.[11]
  • Em 22 de setembro de 2012, outro grande problema no setor elétrico foi registrado no Nordeste Brasileiro.[12]
  • Em 3 de outubro de 2012, novo blecaute registrado por falha em transformador de Itaipu afetou cinco Estados. O blecaute atingiu áreas do Paraná, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Acre, Rondônia e parte do Centro-Oeste.[13]
  • Em 4 de outubro de 2012, devido ao desligamento geral da Subestação Brasília Sul, controlada por Furnas Centrais Elétricas, Brasília também enfrentou uma queda de energia por volta das 13h15 do dia 4 de Outubro de 2012 e durou por mais de 2 horas.[14]
  • Em 15 de dezembro de 2012, um blecaute atingiu municípios de ao menos seis estados do país, deixando, só no Rio de Janeiro e São Paulo, 2,7 milhões de consumidores sem luz. O blecaute foi causado por um problema na hidrelétrica de Itumbiara, em Goiás, de propriedade de Furnas. Foi o quinto blecaute desde setembro de 2012.[16]
  • Em 28 de agosto de 2013, um blecaute de energia elétrica atingiu áreas no Nordeste do país às 15h03 desta quarta-feira (28), informou o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico). Há relatos de falta de energia em Salvador (BA), Fortaleza (CE), Recife (PE), João Pessoa (PB) e Natal (RN).[17]
  • Em 4 de fevereiro de 2014, cerca de 6 milhões de consumidores foram afetados pela falta de energia nos estados do Sudeste, Centro-Oeste e Sul, segundo cálculo do diretor do ONS. O blecaute que atingiu ao menos 11 estados do país teve origem em um curto-circuito numa linha de transmissão no estado de Tocantins.[18]
  • Em 11 de fevereiro de 2014 às 20h20, mais de 40 cidades ficaram às escuras no ES, incluindo a capital Vitória, devido a uma falha em uma subestação de Furnas.[19][20]
  • Em 19 de janeiro de 2015 às 14h55, um blecaute atingiu parte de 10 estados (SP,RJ, ES, PR, SC, RS, GO, MG, MS, RO) e o DF causando falta de energia elétrica a mais de 3 milhões de unidades consumidoras. As causas, segundo as concessionárias de energia, foi uma ordem do ONS para que as mesmas reduzissem a carga devido a um pico de energia que ultrapassou a capacidade de produção do país. Por volta das 15h45 a situação começou a ser normalizada. Os reservatórios das usinas hidrelétricas baixos e o calor excessivo contribuíram para o evento.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Notas

  1. É importante notar também que no português de Portugal, "apagão" é uma palavra que pode se referir a qualquer tipo de blecaute, especialmente cortes acidentais de energia, e não um racionamento forçado e multa por consumo, como inicialmente significava o apagão brasileiro, pois no português do Brasil, as quedas ocasionais de energia, quando o restabelecimento demora mais que alguns minutos, são denominadas blecaute.
  2. O limite de consumo mensal de energia elétrica de uma residência, sem multa, foi fixado em 320 kWh. Pela regras de racionamento, se esse limite for ultrapassado, o consumidor deveria pagar 50% a mais sobre o excesso. Além disso, em agosto, a tarifa sofreu um reajuste de 16%.

Referências

  1. «EBC». memoria.ebc.com.br. Consultado em 17 de dezembro de 2020 
  2. a b «PAMPLONA, Nicola e TEREZA, Irany. Em 20 de agosto de 2000, o jeito foi racionar para não ter apagão Rio de Janeiro: O Estado de S. Paulo, 26/06/2006» 🔗. Consultado em 27 de junho de 2008. Arquivado do original em 24 de maio de 2011 
  3. «Folha Online - Dinheiro - Queda de cabo entre Ilha Solteira e Araraquara causou blecaute - 21/01/2002». www1.folha.uol.com.br. Consultado em 17 de dezembro de 2020 
  4. «UOL Últimas Notícias - Metade do Brasil afetado por apagão 21/01/2002 - 19h33». noticias.uol.com.br. Consultado em 17 de dezembro de 2020 
  5. a b NETTO, Delfim. Crescimento e Apagão. A barbeiragem do governo FHC com a falta de energia custou 320 reais ao bolso de cada brasileiro. Sextante, in CartaCapital
  6. Sérgio Bueno, Valor (4 de setembro de 2010). «Gestão que projetou Dilma divide o Sul». Consultado em 29 de março de 2012 
  7. Correio Braziliense. «Apagão elétrico custou R$ 45,2 bilhões aos brasileiros». 15 de julho de 2009 
  8. «Brasil registra 181 apagões desde 2011, mostra levantamento». G1. 5 de fevereiro de 2014 
  9. «Firjan: apagão causou prejuízo de R$ 1 bi na indústria do Rio». Terra. 12 de novembro de 2009 
  10. Fernandes, Sofia (11 de novembro de 2009). «Blecaute afetou 18 Estados do Brasil, mostra relatório». Folha de S. Paulo. Consultado em 15 de agosto de 2017 
  11. «Apagão atinge ao menos sete Estados do Nordeste». UOL Notícias. 4 de fevereiro de 2011 
  12. http://bandnewsfm.band.com.br/Noticia.aspx?COD=620896&Tipo=227
  13. «Itaipu admite falha em transformador após apagão que afetou cinco Estados na noite de quarta». UOL Notícias. 4 de outubro de 2012 
  14. «Apagão causa prejuízo e irrita consumidor». O Globo. 4 de outubro de 2012 
  15. «Incêndio em equipamento causou apagão no Nordeste, diz diretor do ONS». Jornal do Brasil. 26 de outubro de 2012 
  16. http://oglobo.globo.com/economia/apagao-de-sabado-foi-causado-por-falha-em-usina-de-furnas-em-itumbiara-goias-diz-governo-7066902/
  17. «Blecaute atinge áreas da região Nordeste». R7. 28 de agosto de 2013 
  18. «Apagão teve origem em curto-circuito em linha de transmissão, diz ONS». G1. 4 de fevereiro de 2014. Consultado em 15 de agosto de 2017 
  19. Gutierrez, Marcelle (11 de fevereiro de 2014). «Cidades no Espírito Santo ficam sem energia». Estadão. Consultado em 15 de agosto de 2017 
  20. http://gazetaonline.globo.com/_conteudo/2014/02/noticias/cidades/1478987-apagao-atinge-o-espirito-santo-e-deixa-quase-todo-o-estado-as-escuras.html