San Tiago Dantas

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San Tiago Dantas
San Tiago Dantas
Nascimento 30 de agosto de 1911
Rio de Janeiro
Morte 6 de setembro de 1964 (53 anos)
Rio de Janeiro
Nacionalidade  Brasileiro
Ocupação Jornalista

Francisco Clementino de San Tiago Dantas (Rio de Janeiro, 30 de agosto de 1911 — Rio de Janeiro, 6 de setembro de 1964) foi um jornalista, advogado, professor e político brasileiro.

Formação e carreira acadêmica[editar | editar código-fonte]

Ingressou em 1928 na então Faculdade de Direito da Universidade do Rio de Janeiro, atual Faculdade Nacional de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro, concluindo o curso em 1932. Ainda nos tempos de estudante participou do Centro Acadêmico de Estudos Jurídicos e Sociais - CAJU, juntamente com Vinícius de Morais, Otávio de Faria, Thiers Martins Moreira, Antônio Galotti, Gilson Amado, Hélio Viana, Américo Jacobina Lacombe, Chermont de Miranda, Almir de Andrade e Plínio Doyle. Deste grupo de estudantes, vários ingressaram nas fileiras integralistas.

Ainda em 1932 filiou-se à Ação Integralista Brasileira (AIB), organização de inspiração fascista [1]. Ativo militante integralista, participa da edição da revista "Hierachia", mas afasta-se do movimento por ocasião da preparação do levante para depor o presidente Getúlio Vargas, em 1938. A partir de então, passou a dedicar-se à carreira acadêmica e à advocacia.

Assume a cátedra de Direito Civil na Faculdade Nacional de Direito em 1940, na qual ganha a alcunha de "catedrático-menino". Apesar das dificuldades iniciais na docência, em razão dos seus métodos diferentes e da pouca idade, supera a crítica dos alunos e firma-se como professor na escola em que se graduara. Suas aulas entre 1942 e 1945 foram taquigrafadas pelo estudante Victor Bourhis Jürgens e tornam-se referência no estudo do direito civil brasileiro. Sua aula inaugural na Faculdade Nacional de Direito, em 1955, é até hoje referência nos debates sobre a educação jurídica no Brasil.

Serviço público[editar | editar código-fonte]

Foi deputado federal, ministro das Relações Exteriores, ministro da Fazenda e um dos criadores, juntamente com Afonso Arinos e João Augusto de Araújo Castro, da chamada "Política Externa Independente" (PEI)[1], inicialmente implantada no Governo Jânio Quadros.

Especialista em temas de política externa, em 1943 representou o Brasil na Primeira Conferência de Ministros de Educação das Repúblicas Americanas, no Panamá.

Em 1951 foi conselheiro da Delegação Brasileira à IV Reunião de Consulta dos Chanceleres Americanos, em Washington. A partir de 1952 passou a ser membro do Comitê Permanente de Arbitragem da Haia. De 1955 a 1958 presidiu a Comissão Interamericana de Jurisconsultos, sediada no Rio de Janeiro. De 1957 a 1958, como diretor do Jornal do Comércio, dedicou editoriais - as chamadas "Várias" - a temas de política externa e, em 1959, coube-lhe colaborar na redação e discussão da Declaração de Santiago do Chile, um dos mais importantes documentos do Sistema Interamericano.

O conceito de "política externa independente" (PEI), por ele desenvolvido, e implantado pela primeira vez por Jânio Quadros, em seu curto governo, baseia-se nos seguintes objetivos:

participação intensa na ALALC e UNCTAD, visando à defesa dos preços dos produtos primários e à participação no crescimento do comércio internacional; desarmamento e coexistência competitiva, mas pacífica, e cooperação econômica internacional para o desenvolvimento dos países subdesenvolvidos.

A concepção básica era de que o Brasil, respeitadas as boas normas internacionais de procedimento, se resguardava o direito de negociar com todos os países, de acordo com suas próprias conveniências.

Foi eleito deputado federal por Minas Gerais em 1958 e, mais tarde, nomeado embaixador do Brasil nas Organização das Nações Unidas em 1961 pelo então presidente da República Jânio Quadros, todavia não chegou a assumir o cargo pois o presidente renunciou três dias após a nomeação.

Entretanto, tornou-se ministro das Relações Exteriores durante o período "parlamentarista" do governo João Goulart, quando o Brasil reatou suas relações diplomáticas com a União Soviética. Com a renúncia do gabinete Tancredo Neves, foi designado presidente do Conselho dos Ministros mas seu nome foi rejeitado pelo Parlamento.

Em 1963, com a volta do regime presidencialista, San Tiago Dantas foi indicado por Goulart para a pasta da Fazenda. Neste cargo adotou uma postura desenvolvimentista e exerceu influência decisiva para a construção do Porto de Tubarão. Permaneceu no cargo por cinco meses[2], até afastar-se por doença.

Em 1964, o presidente João Goulart foi destituído pelo Golpe de 1964. San Tiago Dantas morreu de câncer no pulmão 5 meses depois.

Como professor de Direito, publicou diversas obras jurídicas, inclusive alguns manuais muito utilizados nos cursos de graduação em direito no Brasil.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]


Precedido por
Afonso Arinos de Melo Franco
Ministro das Relações Exteriores do Brasil
1961 — 1962
Sucedido por
Afonso Arinos de Melo Franco
Precedido por
Miguel Calmon du Pin e Almeida Sobrinho
Ministro da Fazenda do Brasil
1963
Sucedido por
Carvalho Pinto


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  1. ONOFRE, Gabriel da Fonseca (Março de 2012). «Dissertação de mestrado» (PDF). EM BUSCA DA ESQUERDA ESQUECIDA: SAN TIAGO DANTAS E A FRENTE PROGRESSISTA. "Fundação Getúlio Vargas". p. 22. Consultado em 10 de novembro de 2016