Guido Mantega

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Guido Mantega
Guido Mantega
Ministro da Fazenda do Brasil
Período 27 de março de 2006
até 1 de janeiro de 2015
Presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (2006-2011)
Dilma Rousseff (2011-2015)
Antecessor Antonio Palocci
Sucessor Joaquim Levy
Ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão do Brasil
Período 1 de janeiro de 2003
até 18 de novembro de 2004
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva
Antecessor Guilherme Gomes Dias
Sucessor Nelson Machado
Presidente do BNDES
Período 22 de novembro de 2004
até 27 de março de 2006
Presidente Luis Inácio Lula da Silva
Antecessor Carlos Lessa
Sucessor Demian Fiocca
Dados pessoais
Nascimento 7 de abril de 1949 (70 anos)
Gênova, GE
Itália
Nacionalidade Italiano
brasileiro
Ocupação Economista
Assinatura Assinatura de Guido Mantega

Guido Mantega[nota 1] (Gênova, 7 de abril de 1949) é um economista brasileiro nascido na Itália. Durante o período que o PT esteve no Governo Federal ocupou vários cargos. Foi Ministro do Planejamento, Presidente do BNDES e Ministro da Fazenda nos dois mandatos do Presidente Lula. No primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff continuou no comando da Fazenda. Após a reeleição de Dilma foi sucedido no cargo por Joaquim Levy.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Mantega em 2009

Guido nasceu em Gênova na Itália e chegou ao Brasil quando tinha três anos.[1] Filho de um empresário do ramo moveleiro, o seu pai queria que Guido ajudasse na empresa da família, daí a opção do futuro ministro pelo curso de Economia. Quando cursava Economia na USP se aproximou do Movimento Estudantil e ingressou no Partido Operário Comunista, no entanto nunca se envolveu em ações armadas.[1] Após se formar pela Universidade de São Paulo, fez o doutorado e especialização em sociologia. Foi professor de economia no curso de mestrado e doutorado da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, de 1982 a 1987. Teve entre seus alunos Demian Fiocca e José Márcio Rego. É professor licenciado da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas.

Foi assessor de Paul Singer na Secretaria Municipal de Planejamento de São Paulo durante a administração da prefeita Luiza Erundina (1989-1992).[2]

Como ex-membro do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (CEBRAP), teve o prefácio de seu primeiro livro, Acumulação Monopolista e Crise no Brasil, assinado por Fernando Henrique Cardoso. Seu livro com José Márcio Rego "Conversas com Economistas Brasileiros II" teve prefácio do economista Luiz Gonzaga Belluzzo.

A partir de 1993, trabalhou como assessor econômico do então candidato à presidência pelo PT, Luiz Inácio Lula da Silva. Em 2002, foi um dos coordenadores do programa econômico do Partido dos Trabalhadores (PT).[3]

Governo Lula[editar | editar código-fonte]

Com a posse de Lula, assumiu a pasta do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, sendo depois transferido para a presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), após a renúncia de Carlos Lessa.[4]

Em 27 de março de 2006, assumiu o Ministério da Fazenda, substituindo Antonio Palocci.[5]Durante o segundo mandato de Lula medidas como a redução de impostos e a oferta de crédito pelos bancos públicos foram cruciais para que o País não fosse afetado pela crise econômica iniciada nos Estados Unidos em 2008. Embora tenha havido queda do PIB em 2009, no ano seguinte a economia brasileira cresceu 7,5%, o maior índice em 24 anos.[6]

Governo Dilma[editar | editar código-fonte]

Em 24 de novembro de 2010, foi indicado para continuar no cargo de Ministro da Fazenda durante o governo da presidente eleita, Dilma Rousseff, sendo o primeiro ministro confirmado.[7] Em sua gestão, adotou um conjunto de medidas chamadas de Nova Matriz Econômica, que incluíam corte de impostos, redução da tarifa de energia e controle dos preços dos combustíveis. O objetivo era o aumento da produtividade, mas tais medidas foram apontadas por alguns economistas como sendo causa da crise econômica de 2014.[8]

Dados da economia após a passagem de Guido pelo Ministério da Fazenda

Em 27 de novembro de 2014, Dilma anunciou que Mantega deixaria o cargo, nomeando Joaquim Levy em sua substituição,[9] tendo como principais objetivos o combate à crise e o equilíbrio das contas públicas.[10]Ao deixar o Ministério da Fazenda a taxa de desemprego de 5% era das menores já registradas no País.[11]

Vida pós-política[editar | editar código-fonte]

Operação Zelotes[editar | editar código-fonte]

Em 9 de maio de 2016, já fora do Governo Dilma, depôs em São Paulo, sob condução coercitiva, na Operação Zelotes da Polícia Federal, que investiga favorecimentos de redução ou cancelamentos de multas a empresas, como a Cimento Penha, suspeita de ter comprado decisões do CARF.[12]

Operação Lava Jato[editar | editar código-fonte]

No dia 22 de setembro de 2016, foi preso temporariamente na operação Arquivo X, 34ª fase da Operação Lava Jato, por supostas fraudes da Petrobras. A operação foi motivada por um depoimento espontâneo à justiça feita pelo empresário Eike Batista, também investigado, de que Mantega, quando presidente do Conselho de Administração da Petrobras, teria operado um esquema de propina para facilitação de contratos entre a OSX, então presidida por Eike, e a Petrobras.[13]

As informações dadas pelo advogado de Guido Mantega e a Polícia Federal a respeito da prisão divergem. O advogado alegou que os agentes da PF prenderam o ex-ministro dentro do Hospital Albert Eistein, no centro cirúrgico. Já a PF afirmou que, nas proximidades do hospital, estabeleceu contato telefônico com Mantega, que apresentou-se espontaneamente na portaria do edifício. Segundo o G1, "'Não houve entrada de policiais no hospital, ainda mais no centro cirúrgico para retirar o ex-ministro', disse o delegado Igor Romário de Paula, coordenador da Lava Jato na Polícia Federal".[14] No entanto, foram feitas críticas à realização da prisão, uma vez que Eike Batista não apresentou provas concretas de suas alegações contra Mantega. Neste caso, a prisão de Mantega teria contrariado o princípio da presunção de inocência e do ônus da provas.[15]

Em 21 de agosto de 2019, decisão da justiça negou pedido de prisão, mas ordenou que Guido Mantega utilize tornozeleira eletrônica, além de proibir que o ex-ministro movimente contas no exterior, deixe o país, mude de endereço sem autorização ou exerça cargos públicos.[16].

Ver também[editar | editar código-fonte]

Notas[editar | editar código-fonte]

  1. Pelas normas do italiano, a sílaba tônica de seu sobrenome é a primeira. Em seu prenome a letra "u" é pronunciada: Güido.

Referências

  1. a b «Guido Mantega Brasileiro do Ano 2012». IstoÉ. 30 de novembro de 2012. Consultado em 2 de março de 2020 
  2. «Guido Mantega: quem é e quais seus feitos no Governo?». colegioweb.com.br. 6 de novembro de 2014. Consultado em 9 de maio de 2016 
  3. Patricia Duarte (9 de outubro de 2014). «Mantega e Fraga marcam diferenças econômicas entre PT e PSDB». Exame. Consultado em 9 de maio de 2016. Arquivado do original em 6 de agosto de 2016 
  4. «Lessa é demitido do BNDES; Mantega assume». Folha de S. Paulo. Folha da manhã. 19 de novembro de 2004. Consultado em 9 de maio de 2016 
  5. «Antônio Palocci pede afastamento; Guido Mantega assume o Ministério da Fazenda». Uol. 27 de março de 2006. Consultado em 20 de março de 2020 
  6. «PIB do Brasil cresce 7,5% em 2010 e tem maior alta em 24 anos». BBC Brasil. 3 de março de 2011. Consultado em 23 de março de 2020 
  7. «Em nota, Dilma confirma Tombini, Mantega e Miriam Belchior na equipe». Estadão. O Estado de São Paulo. 24 de novembro de 2010. Consultado em 9 de maio de 2016 
  8. «Quais os argumentos de quem vê exagero na crítica à 'Nova Matriz Econômica'». NEXO. 4 de outubro de 2017 
  9. «Novo ministro da Fazenda tem experiência no mercado e no setor público». UOL. Folha da manhã. 27 de novembro de 2014. Consultado em 9 de maio de 2016 
  10. «Levy deixa Fazenda após 11 meses no cargo e sucessivas derrotas». Economia - G1. 18 de dezembro de 2015. Consultado em 2 de dezembro de 2019 
  11. «Veja o que marcou a era Mantega e seus ciclos à frente da Fazenda». Folha de São Paulo. 21 de dezembro de 2014. Consultado em 2 de março de 2020 
  12. Mascarenhas, Gabriel (9 de maio de 2016). «Ex-ministro Mantega é levado para depor em nova fase da Zelotes». Folha de S. Paulo. Folha da manhã. Consultado em 9 de maio de 2016 
  13. «Eike Batista disse ter pago US$ 2,35 milhões a pedido de Mantega, diz MPF». 22 de setembro de 2016. Consultado em 24 de setembro de 2016 
  14. «Mantega é preso em nova fase da Operação Lava Jato». G1. Globo. 22 de setembro de 2016. Consultado em 22 de setembro de 2016 
  15. «Barbárie jurídica, golpe eleitoral e desobediência civil». Consultado em 24 de setembro de 2016 
  16. «Juiz nega pedido de prisão, mas manda Guido Mantega usar tornozeleira eletrônica». Folha de S.Paulo. 22 de agosto de 2019. Consultado em 22 de agosto de 2019 

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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