André Lara Resende

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André Pinheiro de Lara Resende (Rio de Janeiro, 1951) é um economista brasileiro, filho do escritor Otto Lara Resende. Formado em Economia pela PUC-Rio, obteve posteriormente o título de Phd em Economia pelo Massachusetts Institute of Technology.

Trabalhou no Banco de Investimentos Garantia, no Unibanco e foi sócio fundador do Banco Matrix, junto com Luiz Carlos Mendonça de Barros. Ao lado de Persio Arida, Edmar Bacha, João Sayad e Dilson Funaro, entre outros, arquitetou o Plano Cruzado, durante o governo do ex-presidente Sarney (1986), numa tentativa fracassada de combater a inflação. Em entrevista a Globo News em 2012, no Dossiê GloboNews, o ex-presidente Fernando Collor de Melo afirma que em uma consulta com André, Daniel Dantas e Mário Henrique Simonsen debateu a possibilidade do bloqueio de ativos financeiros. André confirmou o efeito técnico do bloqueio dos ativos financeiros, pois indicava que com a elevada liquidez do mercado a hiperinflação poderia ser debelada com uma súbita redução de disponibilidade de ativos financeiros. Porém, ambos foram unânimes em afirmar que a solução era politicamente "impossível".[1]

Foi diretor do Banco Central do Brasil, negociador chefe da dívida externa e um dos integrantes da equipe econômica que elaborou o Plano Real. Deixou o posto de sócio-diretor do Banco Matrix a convite do Presidente da República Fernando Henrique Cardoso para assumir o cargo de assessor especial da Presidência e, posteriormente, a presidência do BNDES, em abril de 1998.

Em novembro de 1998 foi obrigado a renunciar à presidência do BNDES devido ao escândalo do grampo do BNDES, que também derrubou seu ex-sócio Luiz Carlos Mendonça de Barros da chefia do Ministério das Comunicações.

Acusado de improbidade administrativa em ação movida pelo Ministério Público Federal, em razão do processo de privatização da Telebrás ocorrido em 1998, durante o governo Fernando Henrique Cardoso, foi absolvido pela Justiça Federal de primeira instância em março de 2009, em sentença proferida pelo juiz titular da 17ª Vara Federal de Brasília[2].

Hoje, está no mercado com uma companhia de investimentos e atua como conselheiro econômico da candidata à presidência Marina Silva.[3]

Em janeiro de 2017, por meio do artigo “Juros e Conservadorismo Intelectual”, publicado no Valor Econômico, criticou a política de juris altos:

No Brasil, a inflação é muito pouco sensível à taxa de juros. As razões da ineficácia da política monetária são muitas e controvertidas, mas a baixa sensibilidade da inflação à taxa de juros é indiscutível, uma unanimidade. Por outro lado, com a dívida pública em torno de 70% do PIB, uma taxa nominal de juros de 14% ao ano exige um superávit fiscal de quase 10% do PIB para que a dívida nominal fique estável. Com a economia estagnada e a inflação perto dos 6% ao ano, isso significa que é preciso um superávit fiscal primário de quase 5% da renda nacional para estabilizar a relação entre a dívida e o PIB. A carga tributária está perto dos 40% do PIB, alta até mesmo para países avançados, ameaça estrangular a economia e inviabilizar a retomada do crescimento. A dificuldade política para reduzir despesas é enorme. Fica assim claro que o custo fiscal da política monetária não é irrelevante.

[4].

Referências

  1. «Revelações de Collor». Istoé Dinheiro. 29 de outubro de 2003. Consultado em 28 de agosto de 2014 
  2. Justiça absolve tucanos no processo de privatização da Telebrás
  3. Henrique Gomes Batista (14 de agosto de 2014). «Na economia, principal bandeira de Marina Silva é a austeridade fiscal». O Globo. Consultado em 28 de agosto de 2014 
  4. A miséria intelectual dos economistas de mercado, acesso em 11 de fevereiro de 2017.
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Precedido por
Luiz Carlos Mendonça de Barros
Presidente do BNDES
de abril até novembro de 1998
Sucedido por
José Pio Borges de Castro Filho
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