André Lara Resende

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André Lara Resende
Nome completo André Pinheiro de Lara Resende
Nascimento 24 de abril de 1951 (71 anos)
Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil
Nacionalidade brasileiro
Alma mater PUC-Rio
Ocupação economista e banqueiro
Principais trabalhos Plano Real
Plano Cruzado
BNDES
BACEN

André Pinheiro de Lara Resende (Rio de Janeiro, 24 de abril de 1951) é um banqueiro e economista brasileiro.[1][2]

Ele é filho do escritor Otto Lara Resende. É graduado em Ciências Econômicas pela PUC-Rio, obteve posteriormente o título de Phd em Economia pelo Massachusetts Institute of Technology.

Trabalhou no Banco de Investimentos Garantia, no Unibanco e foi sócio fundador do Banco Matrix, junto com Luiz Carlos Mendonça de Barros. Em setembro de 1984 publicou na Gazeta Mercantil o texto "A moeda indexada: Uma proposta para eliminar a Inflação inercial" que causou enorme polêmica e rendeu várias críticas a Lara Resende.[3] Em dezembro de 1984 escreveu para o mesmo jornal o texto "A Moeda Indexada: nem mágica, nem panaceia", no qual rebate as críticas suscitadas pelo seu texto de setembro.[3] Ainda em dezembro de 1984 escreveu em coautoria com Pérsio Arida o texto "Inflação, inercial e reforma monetária: Brasil", que apresentava as ideias de ambos para acabar com a alta inflação brasileira, no entanto o texto foi duramente criticado pelo economista Rudi Dornbusch, que apelidou o texto de "Plano Larida".[3] Embora tenha integrado a equipe econômica do ministro da Fazenda Dilson Funaro, ao assumir cargo no Banco Central, suas ideias não foram usadas no Plano Cruzado. Na implantação do Plano Real pôde ver suas ideias expressas nos textos dos anos 1980 testadas na prática com a utilização da URV antes do Real entrar em circulação.[3]Tanto na entrevista concedida ao jornalista Luis Nassif para a Folha de São Paulo em 2005 como em entrevista a Globo News em 2012, no Dossiê GloboNews, o ex-presidente Fernando Collor de Melo afirma que em uma consulta com André, Daniel Dantas e Mário Henrique Simonsen debateu a possibilidade do bloqueio de ativos financeiros.[4] André confirmou o efeito técnico do bloqueio dos ativos financeiros, pois indicava que com a elevada liquidez do mercado a hiperinflação poderia ser debelada com uma súbita redução de disponibilidade de ativos financeiros. Porém, ambos foram unânimes em afirmar que a solução era politicamente "impossível".[5][4]

Foi diretor do Banco Central do Brasil, sucedeu Pedro Malan em setembro de 1993 como negociador chefe da dívida externa e um dos integrantes da equipe econômica que elaborou o Plano Real.[6] Deixou o posto de sócio-diretor do Banco Matrix a convite do Presidente da República Fernando Henrique Cardoso para assumir o cargo de assessor especial da Presidência em setembro de 1997 e, posteriormente, assumiu a presidência do BNDES, em abril de 1998.[7][8]

Em novembro de 1998 foi obrigado a renunciar à presidência do BNDES devido ao escândalo do grampo do BNDES, que também derrubou seu ex-sócio Luiz Carlos Mendonça de Barros da chefia do Ministério das Comunicações.

Acusado de improbidade administrativa em ação movida pelo Ministério Público Federal, em razão do processo de privatização da Telebrás ocorrido em 1998, durante o governo Fernando Henrique Cardoso, foi absolvido pela Justiça Federal de primeira instância em março de 2009, em sentença proferida pelo juiz titular da 17ª Vara Federal do Distrito Federal.[9]

Posteriormente, atuou no mercado com uma companhia de investimentos. Em 2014, atuou como conselheiro econômico da candidata à presidência Marina Silva.[10]

Em janeiro de 2017, por meio do artigo “Juros e Conservadorismo Intelectual”, publicado no Valor Econômico, criticou a política de juros altos[11]:

No Brasil, a inflação é muito pouco sensível à taxa de juros. As razões da ineficácia da política monetária são muitas e controvertidas, mas a baixa sensibilidade da inflação à taxa de juros é indiscutível, uma unanimidade. Por outro lado, com a dívida pública em torno de 70% do PIB, uma taxa nominal de juros de 14% ao ano exige um superávit fiscal de quase 10% do PIB para que a dívida nominal fique estável. Com a economia estagnada e a inflação perto dos 6% ao ano, isso significa que é preciso um superávit fiscal primário de quase 5% da renda nacional para estabilizar a relação entre a dívida e o PIB. A carga tributária está perto dos 40% do PIB, alta até mesmo para países avançados, ameaça estrangular a economia e inviabilizar a retomada do crescimento. A dificuldade política para reduzir despesas é enorme. Fica assim claro que o custo fiscal da política monetária não é irrelevante.

Em maio de 2019, criticou o dogmatismo fiscal, trazendo como exemplo as consequências desastrosas do pacote de austeridade na Grécia.[12][13]

Ver também[editar | editar código-fonte]

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Referências

  1. Brasil, CPDOC - Centro de Pesquisa e Documentação História Contemporânea do. «RESENDE, André Lara | CPDOC - Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil». CPDOC - Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil. Consultado em 30 de maio de 2017 
  2. Rubião, Murilo; Resende, Otto Lara; Cabral, Cleber Araújo (29 de novembro de 2016). Mares interiores: Correspondência de Murilo Rubião & Otto Lara Resende. [S.l.]: Autêntica Editora. ISBN 9788551300763 
  3. a b c d R.M. do Prado, Maria Clara. A real história do Real. [S.l.]: e-galaxia. ISBN 9786587639048 
  4. a b «Bloqueio de cruzados era inevitável, diz Collor». Folha de São Paulo. 16 de março de 2005. Consultado em 5 de junho de 2022 
  5. «Revelações de Collor». Istoé Dinheiro. 29 de outubro de 2003. Consultado em 28 de agosto de 2014 
  6. Lara Resende propõe debate. Jornal do Brasil, 27 de agosto de 1993. P 28
  7. «André Lara Resende retorna ao governo em setembrlo». Folha de São Paulo. 9 de agosto de 1997. Consultado em 4 de junho de 2022 
  8. «Economistas já foram sócios em banco». Folha de São Paulo. 23 de novembro de 1998. Consultado em 5 de junho de 2022 
  9. Justiça absolve tucanos no processo de privatização da Telebrás
  10. Henrique Gomes Batista (14 de agosto de 2014). «Na economia, principal bandeira de Marina Silva é a austeridade fiscal». O Globo. Consultado em 28 de agosto de 2014 
  11. A miséria intelectual dos economistas de mercado, acesso em 11 de fevereiro de 2017.
  12. «Liberalismo e dogmatismo». Valor Econômico. 13 de maio de 2019. Consultado em 13 de maio de 2019 
  13. «Insider por oito meses». Quatro Cinco Um. 1 de dezembro de 2017. Consultado em 16 de abril de 2022 

Precedido por
Luiz Carlos Mendonça de Barros
Presidente do BNDES
de abril até novembro de 1998
Sucedido por
José Pio Borges de Castro Filho
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