Luiz Gonzaga Belluzzo

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Luiz Gonzaga Belluzzo
Luiz Gonzaga Belluzzo.
Nome completo Luiz Gonzaga de Mello Belluzzo
Nascimento 29 de outubro de 1942 (73 anos)
Bariri, SP
 Brasil
Página oficial
http://www.twitter.com/belluzzo_p

Luiz Gonzaga de Mello Belluzzo (Bariri, 29 de outubro de 1942[1] ) é um economista e professor brasileiro.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Quando jovem foi seminarista da Companhia de Jesus (jesuítas) e aluno do Colégio São Luís[2] .

Formou-se em Direito pela Universidade de São Paulo em 1965, e também estudou Ciências Sociais na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. Ingressou no curso de pós-graduação em Desenvolvimento Econômico, promovido pela CEPAL/ILPES e graduou-se em 1969. Foi professor colaborador na Universidade Estadual de Campinas, onde doutorou-se em 1975 e tornou-se professor-titular em 1986.

Entre 1974 e 1992, foi assessor econômico do PMDB e secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda (1985-1987), durante o governo de José Sarney. De 1988 a 1990, foi secretário de Ciência e Tecnologia do estado de São Paulo, durante a gestão de Orestes Quércia. Foi chefe da Secretaria Especial de Assuntos Econômicos do Ministério da Fazenda (governo Sarney).

Fundou a Facamp (Faculdades de Campinas), juntamente com os economistas João Manuel Cardoso de Mello, Liana Aureliano e Eduardo da Rocha Azevedo[3] .

Em 2001, foi incluído no Biographical Dictionary of Dissenting Economists entre os 100 maiores economistas heterodoxos do século XX.[4] . Recebeu o Prêmio Intelectual do Ano - Prêmio Juca Pato, de 2005. Em 26 de janeiro de 2009, foi eleito presidente da Sociedade Esportiva Palmeiras para o biênio 2009/2010. No final de 2009, Belluzzo foi o articulador da construção da nova Arena Allianz Parque.

Tais méritos acadêmicos e pessoais não o isentam de críticas. Especialmente lembrada é sua influência teórica na sugestão do controle de poupanças como forma de combate à inflação no fim dos anos 1980 e princípio de 1990 [5] , sugestão esta acatada pelo mal-sucedido Plano Collor, que levou a economia brasileira à iminência do colapso generalizado.

Sua gestão como presidente do Palmeiras também é criticada por muitos, que o responsabilizam pelas graves dificuldades financeiras que o time chegou no termino de sua administração: as dividas chegavam a quase 200 milhões de reais sem que tenha sido conquistado nenhum campeonato [6] [7] . Ainda, em sua gestão ocorreu a demissão do técnico Jorginho, que treinava a equipe do Palmeiras e mantinha sua liderança até então isolada no Campeonato Brasileiro, para contratação de Muricy Ramalho, a fim de demonstrar a eventuais opositores ao menos uma contratação de peso durante sua gestão. No fim daquele Campeonato, o Palmeiras sequer conseguiu terminar classificado para a Libertadores do ano seguinte. Ainda sob sua gestão, foram contratados nada menos do que 80 jogadores para o time profissional do Palmeiras, a maioria deles vinda do São Caetano Esporte Clube.

Foi membro do Conselho Diretor da mantenedora da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo e professor titular de economia da Unicamp. Foi presidente do Conselho Deliberativo do IPSO - Instituto de Pesquisas e Projetos Sociais e Tecnológicos. Também foi membro do Conselho de Administração da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), além de consultor editorial da revista semanal Carta Capital[8] . Foi ainda conselheiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP)[9] .

Foi ainda presidente do Conselho Curador da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), que opera a TV Brasil, uma emissora pública. Também fez parte do conselho deliberativo do Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento[10] . Foi consultor pessoal de economia do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Manifesto dos economistas brasileiros em 2014[editar | editar código-fonte]

Em novembro de 2014, logo após a eleição da presidente Dilma Rousseff para o seu segundo mandato, Belluzzo, Maria da Conceição Tavares, Ricardo Bielschowsky e Marcio Pochmann encabeçaram o "Manifesto dos economistas pelo desenvolvimento e pela inclusão social", contrapondo-se à opinião dos economistas liberais, segundo a qual a austeridade fiscal e monetária seria a única via para o Brasil.[11] Segundo os signatários do manifesto, o novo governo deveria manter baixas taxas de juros reais (isto é, descontada a inflação) e adotar um regime fiscal compatível com a retomada do crescimento. Para esses economistas, a política de austeridade seria inútil, tanto para retomar o crescimento como para combater a inflação numa economia sob ameaçada de recessão prolongada - e não de sobreaquecimento. O reforço da austeridade fiscal e monetária, nesse caso, deprimiria o consumo das famílias e os investimentos privados, levando a um círculo vicioso de desaceleração ou mesmo queda na arrecadação tributária, menor crescimento econômico e aumento da dívida pública líquida. Essa visão é totalmente oposta à defendida pelos bancos, de modo geral, que naquele contexto pregavam o aumento da taxa de juros e o corte nos gastos sociais e no investimento público, para destinar mais recursos ao pagamento da dívida pública. [12]

Referências

  1. Luiz Gonzaga Belluzzo - Ex-presidente do Palmeiras
  2. Entrevista com Luiz Gonzaga Belluzzo. Por Giuliano Contento de Oliveira. Instituto de Economia da UNICAMP . 5 agosto de 2014. Acesso em 30 de outubro de 2015.
  3. Facamp - Fundadores. Acesso em 30 de outubro de 2015.
  4. Biographical Dictionary of Dissenting Economists, acessado em 15/07/2011.
  5. As origens e a gênese do Plano Collor , acessado em 07/12/2015.
  6. Belluzzo deixa Palmeiras somando gafes, dívidas e fracassos em campo. UOL, 19 de janeiro de 2011.
  7. Dinheiro pelo ralo no Palmeiras. 12 de setembro de 2009.
  8. Colunistas Luiz Gonzaga Belluzzo. Carta Capital. Acesso em 30 de outubro de 2015.
  9. Fapesp, acessado em 15/07/2011
  10. Centro Celso Furtado, acessado em 15/07/2011.
  11. Manifesto dos economistas pelo desenvolvimento e pela inclusão social. Vídeo (entrevista com Belluzzo): "Políticas econômicas da crise mundial estão sendo abandonadas". Carta Maior, 6 de novembro de 2014.
  12. Dilma II e o elogio da inconsistência. Por Alberto Carlos Almeida. Valor Econômico, 14 de novembro de 2014.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


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