Maria da Conceição Tavares

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Maria da Conceição Tavares
Maria da Conceição Tavares, 2004
Nome completo Maria da Conceição de Almeida Tavares
Conhecido(a) por Estudos da economia brasileira
desenvolvimentismo
substituição de importações
Nascimento 24 de abril de 1930 (91 anos)
Anadia, Portugal
Residência Brasil, Portugal
Nacionalidade portuguesa, brasileira
Alma mater Universidade de Lisboa
Universidade de Paris II
Universidade Federal do Rio de Janeiro
Prêmios Medalha Pedro Ernesto
Medalha de Honra da Inconfidência
Comendador da Ordem do Mérito de Portugal
Prêmio Jabuti
Ordem de Bernardo O'Higgins
Ordem de Rio Branco
Prêmio Almirante Álvaro Alberto para Ciência e Tecnologia
Filiação PMDB (1980-1989)
PT (1994-presente)
Orientador(es)(as) John Meyer
Orientado(a)(s) Fábio Gianbiagi
Edward Amadeo
Aloísio Teixeira
Mário Luis Possas
João Manuel Cardoso de Melo
Instituições Unicamp e UFRJ
Campo(s) Economia, Matemática e Estatística
Notas É uma das principais acadêmicas da história do Instituto de Economia da UFRJ e, mais tarde, do instituto homônimo da Unicamp.

Maria da Conceição de Almeida Tavares (Anadia, 24 de abril de 1930) é uma economista, matemática e escritora portuguesa naturalizada brasileira.[1] Trabalhou na elaboração do Plano de Metas de Juscelino Kubitschek e atualmente é professora-titular da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e professora-emérita da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).[2][3]

Filiada ao Partido dos Trabalhadores (PT), ela também foi deputada federal pelo estado do Rio de Janeiro entre 1995 e 1999, e é autora de diversos livros sobre desenvolvimento econômico.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Maria da Conceição nasceu em Anadia, em Aveiro, mas cresceu em Lisboa. Sua mãe era católica, e seu pai, um anarquista que abrigou refugiados da Guerra Civil Espanhola, em plena era Salazar.[4]

Após iniciar o curso de Engenharia na Universidade de Lisboa, Maria transferiu-se para Ciências Matemáticas, licenciando-se em 1953. Para fugir da ditadura salazarista em Portugal, transferiu-se para o Brasil em fevereiro de 1954, já casada com seu primeiro marido, o engenheiro Pedro José Serra Soares e grávida de sua filha Laura. Ela se estabeleceu com a família no Rio de Janeiro.[5][2][3]

Percurso[editar | editar código-fonte]

Quando chegou ao Brasil, ela começou a participar das atividades e debates promovidos pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Por não conseguir a equivalência de diplomas que lhe permitiria dar aulas em universidade, em 1955 começou a trabalhar como estatística no Instituto Nacional de Imigração e Colonização (INIC), atual Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA). Em 1957, adotou a cidadania brasileira. Nessa época, depois de ter percebido que o conhecimento da matemática não era suficiente para o caminho profissional que pretendia seguir, matriculou-se, ainda em 1957, no curso de Economia da Universidade do Brasil, hoje Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). No ano seguinte, tornou-se Analista Matemática do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), onde trabalhou até 1960. Entre 1958 e 1960 ela foi também membro do Grupo Executivo de Indústria Mecânica Pesada (Geimape), um dos grupos executivos surgidos durante o governo do presidente Juscelino Kubitschek. Seu trabalho era ligado ao Conselho do Desenvolvimento, organismo central de planejamento subordinado diretamente à presidência da República, encarregado de elaborar e coordenar os programas setoriais definidos pela política econômica do governo.[2]

Seu trabalho sofreu influência de três outros economistas brasileiros: Celso Furtado, Caio Prado Jr. e Ignácio Rangel, que a despertou para as questões relacionadas ao capital financeiro. "Isso eu devo ao Ignácio Rangel, que chegou para mim e disse: "A esquerda tem a mania de não estudar essa coisa de moeda e finanças, e isso dá muito mau resultado." Eu disse: "Em finanças públicas tem gente." "Mas eu não estou falando disso, estou falando de bancos, balanços, essas coisas que vocês nem dão bola. Precisa estudar, precisa saber, porque a inflação..." E começou com as coisas dele sobre a inflação."[6]

Maria da Conceição escreveu centenas de artigos e vários livros, destacando-se o clássico Auge e Declínio do Processo de Substituição de Importações no Brasil – Da Substituição de Importações ao Capitalismo Financeiro, de 1972. O texto foi escrito no fim dos anos 1960, quando chefiava o escritório da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) no Brasil.[7][8][9]

Entre 1968 e 1972, durante a ditadura militar, auto exilou-se no Chile, onde trabalhou no Ministério da Economia, durante o governo de Salvador Allende.[10] No ano de 1998, venceu o Prêmio Jabuti na categoria 'Economia'.[11]

Em 2016, se manifestou contra a aprovação da PEC do Teto dos Gastos Públicos.[12]

Ao longo de 60 anos, formou gerações de economistas e líderes políticos brasileiros, entre eles José Serra, Carlos Lessa, Edward Amadeo, Aloísio Teixeira, Luciano Coutinho, Luís Gonzaga Beluzzo, e João Manuel Cardoso de Melo. Maria da Conceição Tavares é torcedora apaixonada do Club de Regatas Vasco da Gama.[13]

Em setembro de 2018, foi lançado um documentário sobre sua vida, dirigido por José Mariani, com a duração de 75 minutos.[14][15][16]

Prêmios e reconhecimentos[editar | editar código-fonte]

Maria da Conceição Tavares já recebeu diversos prêmios e honrarias pelo seu trabalho, destacando-se:[3]

Citação[editar | editar código-fonte]

Maria da Conceição Tavares em Brasília com o então Ministro da Fazenda, Guido Mantega.

"Este mundo globalizado, visto como fábula, erige como verdade um certo número de fantasias, cuja repetição, entretanto, acaba por se tornar uma base aparentemente sólida em sua interpretação" Maria da Conceição Tavares, Destruição não criadora, 1999 [18] em Milton Santos Por uma outra globalização, 2000.

Obras selecionadas[editar | editar código-fonte]

  • Da substituição de importações ao capitalismo financeiro. Rio de Janeiro, Zahar, 1972 (Fazem parte desse livro os artigos: "Auge e declínio do processo de substituição de importações no Brasil"; "Notas sobre o problema do financiamento numa economia em desenvolvimento - o caso do Brasil"; "Além da estagnação"; Natureza e contradições do desenvolvimento financeiro recente).
  • Acumulação de capital e industrialização no Brasil. Campinas, Editora da Unicamp, 1986. Republicada em 1998 pelo Instituto de Economia da Unicamp.
  • Ciclo e crise: o movimento recente da industrialização brasileira. Campinas, Instituto de Economia, 1998.
  • Poder e dinheiro. José Luís Fiori (org.) Petrópolis, Vozes, 1997 (Destacam-se seus artigos: A retomada da hegemonia norte-americana e, em co-autoria com Luiz Eduardo Melin, Pós-escrito 1997: a reafirmação da hegemonia norte-americana).
  • (Des)ajuste global e modernização conservadora. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1993.
  • "Uma reflexão sobre a natureza da inflação contemporânea" (com Luís Gonzaga Beluzzo). In: Rego, José Márcio (org.). Inflação inercial, teorias sobre inflação e o Plano Cruzado. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1986.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Brasil, CPDOC-Centro de Pesquisa e Documentação História Contemporânea do. «MARIA DA CONCEICAO DE ALMEIDA TAVARES». CPDOC - Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil. Consultado em 15 de outubro de 2021 
  2. a b c Brasil, CPDOC-Centro de Pesquisa e Documentação História Contemporânea do. «MARIA DA CONCEICAO DE ALMEIDA TAVARES». CPDOC - Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil. Consultado em 10 de abril de 2021 
  3. a b c de Melo, Hildete Pereira (2019). «Maria da Conceição Tavares: Vida, ideias, teorias e políticas» (PDF). Editora Expressão Popular. Consultado em 10 de abril de 2021 
  4. Entrevista com Maria da Conceição Tavares - "Lula é um gênio do povo"[ligação inativa]. Carta Capital, 29 de outubro de 2010.
  5. Maria da Conceição Tavares, pessimista com os Estados Unidos e o mundo, tem crítica menos dura para o Brasil, "que vai bem na crise". Valor Econômico, 09 de novembro de 2009
  6. Entrevista com Maria da Conceição Tavares Arquivado em 3 de dezembro de 2005, no Wayback Machine. por Isaac Kerstenetzky (PUC-Rio), Raul Ekerman (EPGE, FGV), José Murilo de Carvalho (Iuperj), Alberto Passos Guimarães Filho (CBPF), Otávio Velho (Museu Nacional) e César Benjamin (Ciência Hoje). Publicada em março/abril de 1986.
  7. da., Conceiçāo Tavares, Maria (1975). Da substituiçāo de importaçōes ao capitalismo financeiro : ensaios sobre economia brasileira. [S.l.]: Zahar Ed. OCLC 255282114 
  8. Conceição., Tavares, Maria da (1998). Acumulação de capital e industrialização no Brasil. [S.l.]: Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Economia. OCLC 42718028 
  9. Almeida., Tavares, Maria da Conceição de (1996). (Des)ajuste global e modernização conservadora. [S.l.]: Paz e Terra. OCLC 817642991 
  10. Fernandes, Maria (27 de setembro de 2019). «Maria da Conceição Tavares propõe pacto para investir recursos das privatizações». Valor Econômico. Consultado em 16 de outubro de 2020 
  11. Brasil, CPDOC-Centro de Pesquisa e Documentação História Contemporânea do. «MARIA DA CONCEICAO DE ALMEIDA TAVARES». CPDOC - Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil. Consultado em 16 de outubro de 2020 
  12. "PEC 241 é um suicídio programado", diz Maria da Conceição Tavares, acesso em 27 de abril de 2017.
  13. «À mestra, com carinho». Carta Maior. 25 de março de 2010. Consultado em 15 de outubro de 2020 
  14. Ficha técnica, acesso em 25 de setembro de 2018
  15. Maria da Conceição Tavares em filme sobre sua vida e seu trabalho, acesso em 25 de setembro de 2018
  16. Conceição Tavares e a procura de uma nação chamada Brasil, acesso em 25 de setembro de 2018
  17. «A influência de Conceição». revistapesquisa.fapesp.br. Consultado em 10 de abril de 2021 
  18. Santos, Milton (2000). Por uma outra globalização. Brasil: Editora Record. 18 páginas 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]