Ernane Galvêas

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Ernane Galvêas
Informe o parâmetro "preposição". Exemplo: se a presidência for a de Moçambique, digite de
Período Não assumiu
Presidente do Banco Central do Brasil Brasil
Período 1968
a 1974
Antecessor(a) Rui Leme
Sucessor(a) Paulo Hortêncio Pereira Lira
Presidente do Banco Central do Brasil Brasil
Período 1979
a 1980
Antecessor(a) Carlos Brandão
Sucessor(a) Carlos Geraldo Langoni
Ministro da Fazenda Brasil
Período 1980
a 1985
Antecessor(a) Karlos Heinz Rischbieter
Sucessor(a) Francisco Dornelles

Ernane Galvêas (Cachoeiro de Itapemirim, em 1 de outubro de 1922), filho de José Cardoso Galvêas e Maria de Oliveira Galvêas. Bacharel em Ciências e Letras(1940),Contabilidade(1945), Economia(1956) e Direito(1964).

Carreira Profissional e Política[editar | editar código-fonte]

Ingressou no Banco do Brasil em 1942 tornando-se em 1953, chefe adjunto do Departamento Econômico da Superintendência da Moeda e do Crédito (SUMOC).

No ano seguinte, realizou curso de extensão em política monetária no Centro de Estudos Monetários Latino-Americanos, no México. Em 1956, concluiu o curso de Economia e, em 1964, o curso de Direito. Estudou no Economic Institute, em Wisconsin, e em 1959 na Yale University, em Connecticut, instituição na qual obteve o grau de mestre.

Em 1961, deixou a SUMOC para tornar-se assessor econômico do Ministro da Fazenda, permanecendo na função até 1966, durante os governos Jânio Quadros, João Goulart e Castelo Branco. Também em 1961, integrou a delegação brasileira que esteve presente à reunião do Conselho Interamericano Econômico Social da Organização dos Estados Americanos (OEA), em que foi criada a Aliança para o Progresso. Em 1962, contratado pelo Banco Intramericano de Desenvolvimento (BID), participou de uma equipe de técnicos latino-americanos incumbida de elaborar um estudo sobre o financiamento das exportações de bens de capital. Integrou os conselhos deliberativos da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e da Superintendência Nacional de Abastecimento(Sunab).

De setembro de 1963 a junho de 1965, assumiu a direção financeira da Comissão de Marinha Mercante. No governo Castelo Branco (1964/1967) foi assessor econômico do Ministério da Fazenda, na gestão do ministro Octávio Gouvêa de Bulhões. Em julho de 1966, assumiu o cargo de diretor da Carteira de Comércio Exterior(CACEX)do Banco do Brasil. Em fevereiro de 1968, deixou a direção da Cacex para assumir a presidência do Banco Central, cargo que exerceu nos governos Costa e Silva (1967-1969) e Médici (1969-1974), período em que Delfim Netto esteve à frente do Ministério da Fazenda.

Durante o governo Ernesto Geisel atuou na iniciativa privada, assumindo as funções de diretor e presidente na Aracruz Celulose. Retornou às funções públicas no início do governo João Figueiredo (1979-1985), voltando a ocupar a presidência do Banco Central por um breve período (agosto de 1979 a janeiro de 1980), assumindo em seguida o Ministério da Fazenda, em substituição a Karlos Rischbieter. Ao lado de Delfim Netto, então ministro-chefe da Secretaria de Planejamento(Seplan), passou a comandar a equipe econômica do governo. Sua chegada ao ministério ocorreu durante a segunda crise do petróleo (1979-1980), momento em que o governo buscava combater a inflação, equilibrar o balanço de pagamentos, reduzir a dependência de energia importada e, sobretudo, conceber uma estratégia que possibilitasse o ajustamento da economia brasileira a uma nova realidade econômica internacional. Sua administração enfrentou esse quadro adverso, que logo em seguida foi agravado por uma forte elevação das taxas de juros no mercado internacional, pelo aprofundamento da recessão mundial e pela queda dos preços internacionais dos principais produtos brasileiros de exportação, fatores que ampliaram as dificuldades do balanço de pagamentos e da dívida externa.

Um dos mais graves problemas enfrentados pelo país, naquela conjuntura, foi a “crise da dívida externa”, decorrente da moratória do México, em 1982, seguida de uma severa restrição de liquidez nos mercados financeiros, provocada pela brusca interrupção dos fluxos normais de empréstimos do sistema bancário internacional para os países em desenvolvimento. Os acordos com o Fundo Monetário Internacional(FMI)e a negociação com os credores internacionais foram às soluções adotadas pela equipe econômica, exigindo, em contrapartida, medidas restritivas destinadas a combater a inflação. Em resposta aos que propunham que a saída para a crise deveria ser buscada no reaquecimento da economia, Galvêas defendeu a redução dos gastos públicos, o controle da expansão monetária e a expansão das exportações e da atividade agrícola. Promoveu ainda, em fevereiro de 1983, uma desvalorização cambial de 30%, visando fortalecer as exportações brasileiras. Os dois últimos anos de sua gestão, foram marcados por um relativo sucesso no cumprimento das exigências determinadas pelo acordo com o FMI, sem que isso significasse, no entanto, uma vitória na luta contra a escalada inflação.

Após deixar o Ministério da Fazenda, no final do governo Figueiredo, quando foi substituído por Francisco Dornelles, passou a atuar na área de consultoria econômica. Participou do Conselho de Administração da Aracruz Celulose e do Grupo Lorentzen, e exerce desde outubro de 1988 a função de Consultor Econômico da Presidência da Confederação Nacional do Comércio. É também presidente da APEC – Associação Promotora de Economia, Secretário Geral do Comitê Brasileiro da Câmara de Comércio Internacional e membro do Conselho de Administração da Fundação Getúlio Vargas.

Atividades Acadêmicas[editar | editar código-fonte]

Em diversas oportunidades, foi professor da cadeira Moeda e Crédito do Curso de Ciências Econômicas da Faculdade de Economia e Finanças, Rio de Janeiro. Professor da cadeira de "Comércio Internacional" da Faculdade de Ciências Econômicas do Estado da Guanabara(Amaro Cavalcante); Professor de "Política Monetária" (1960) e de "Política de Comércio Internacional" (1961-1963) do Curso de Análise Econômica e Pós-Graduação do Conselho Nacional de Economia.

Obra Acadêmia[editar | editar código-fonte]

Além da publicação de inúmeros artigos como economista, Ernane Galvêas escreveu vários livros sobre problemas essenciais do País, tais como inflação, balanço de pagamentos e desenvolvimento econômico, abaixo enumerados:

  • Brasil: fronteira do desenvolvimento (Rio de Janeiro, APEC Editora, 1974)
  • Brasil: desenvolvimento e inflação (Rio de Janeiro, APEC Editora, 1976)
  • Brasil: economia aberta ou fechada? (Rio de Janeiro, APEC Editora, 1982)
  • Aprendiz de empresário (Rio de Janeiro, Livro Técnicos e Científicos Editora, 1983)
  • Sistema Financeiro e Mercado de Capitais (Rio de Janeiro, IBMEC, 1985)
  • A Saga da Crise (Rio de Janeiro, Ed. Forense Universitária, 1985)
  • A Crise do Petróleo (Rio de Janeiro, APEC Editora, 1985)
  • As Duas Faces do Cruzado (Rio de Janeiro, APEC Editora, 1987)
  • Inflação, Déficit e Política Monetária (Rio de Janeiro, CNC, 1985)
  • Crônicas Econômicas: Análise retrospectiva 2002/2005
  • Crônicas Econômicas: Análise retrospectiva 2006/2010
Ernane Galvêas

Condecorações[editar | editar código-fonte]

Governos Estrangeiros: Portugal (1972 e 1981 - Grã-Cruz), Chile (1980) e França (1981).

Governo Brasileiro: Ordem Nacional do Rio Branco - Ministério das Relações Exteriores; Mérito Militar - Ministérios do Exército, da Marinha e da Aeronáutica; Mérito Judiciário - Ministério do Trabalho; Mérito Tributário, Mérito das Comunicações, Mérito Industrial (FIRJAN)

Governos Estaduais: Minas Gerais (Inconfidência Mineira e Santos Dumont), Mato Grosso, Brasília, Espírito Santo (Jerônimo Monteiro) e Rio de Janeiro (Medalha Rui Barbosa, do Tribunal de Contas)

"Man of the Year" - Brazilian American Chamber (New York 1983)

Missões Internacionais

  • Reuniões do Conselho Interamericano Econômico e Social - CIES, da Organização dos Estados Americanos - OEA:

- Reunião para instituição da Aliança para o Progresso, como Assessor Técnico da Delegação Brasileira - Punta del Este, 1961; - II Reunião sobre a Aliança para o Progresso - Cidade do México, outubro de 1962; - Reunião de Punta del Este, abril de 1967; - Reunião do CIES/CIAP - Rio de Janeiro, setembro de 1967; - V Reunião Anual Ordinária do CIES, em nível técnico e ministerial - Viña del Mar, junho de 1968.

  • Reuniões de Associação Latino-Americana de Livre Comércio - ALALC:

Como Assessor Técnico: - Assessor de técnicos para examinar o Problema de Pagamento - Montevidéu, 1960; Como Presidente do Banco Central do Brasil: - Reunião do Conselho de Política Econômico-financeira da ALALC - Assembléia da Junta de Governadores do CEMLA - Viña del Mar, abril de 1970 - Reunião do Conselho de Política Econômico-financeira da ALAC - Trinidad e Tobago, maio de 1972; - IX Reunião - Curaçau, Antilhas Holandesas, abril de 1973.

  • Reuniões Anuais da Junta de Governadores do Banco Interamericano de Desenvolvimento BID:

Como Governador Suplente temporário pelo Brasil: - II Reunião - Rio de janeiro - 1961; - III Reunião - Buenos Aires, abril/1962; Como Delegado do Brasil: - IV Reunião - Caracas, abril 1963 Como Governador Suplente pelo Brasil: - VIII Reunião - Washington, abril de 1967; - IX Reunião - Bogotá, abril de 1968; - X Reunião - Guatemala, abril de 1969; - XI Reunião - Punta del Este, abril de 1970; - Reunião Extraordinária - Buenos Aires, março de 1971; - XII Reunião - Lima, maio de 1971; - XIII Reunião - Quito, maio de 1972; - XIV Reunião - Jamaica, maio de 1973

  • Reuniões do Comitê da Assembléia de Governadores do BID

Como Governador Suplente do Brasil: - II Reunião - Caracas, fevereiro de 1971 - III Reunião - Buenos Aires, fevereiro de 1971; - V Reunião - Washington, outubro de 1971 - VI Reunião - Brasília, janeiro de 1972; - VII Reunião - Quito, maio de 1972; - VIII Reunião - Jamaica, maio de 1973.

  • Reuniões Anuais Conjuntas de Governadores do Fundo Monetário Internacional (FMI) do Banco Mundial e entidades filiadas:

Como Delegado do Brasil - XXII Reunião - Rio de Janeiro, setembro de 1967; Como Governador Suplente do Brasil: - XXIII Reunião - Washington, setembro de 1968; - XXIV Reunião - Washington, setembro de 1969; - XXV Reunião - Copenhague, setembro de 1970; - XXVI Reunião - Washington, setembro de 1971; - XXVII Reunião - Washington, setembro de 1972; - XXVIII Reunião - Nairobi, setembro de 1973; - XXIII Reunião - Belgrado, setembro de 1979. Como Governador, Chefe da Delegação Brasileira, na qualidade de Ministro de Estado da Fazenda: - XXIV Reunião - Washington, outubro de 1980; - XXV Reunião - Washington, outubro de 1981; - XXVI Reunião - Toronto, setembro de 1982.

  • Reuniões de Governadores de Bancos Centrais do Continente Americano:

Como Presidente do Banco Central do Brasil: - V Reunião - Alta Gracia, maio de 1968: - VI Reunião - Williamsburg, abril de 1969; - VII Reunião - Viña del Mar, abril de 1970; - VIII Reunião - Quito, maio de 1971; - IX Reunião - Trindad e Tobago, maio de 1972; - X Reunião - Curaçau, abril de 1973.

  • Reuniões de Governadores de Bancos Centrais Latino-Americanos:

Como Presidente do Banco Central do Brasil: - VI Reunião - Alta Gracia, maio de 1968; - VII Reunião - Tegucigalpa, setembro de 1968; - VIII Reunião - Williamsburg, abril de 1969; - IX Reunião - São Domingos, setembro de 1969; - X Reunião - Viña del Mar, abril de 1970; - XI Reunião - Madri, setembro de 1970; - XII Reunião - Quito, maio de 1971; - XIII Reunião - Bogotá, setembro de 1971; - XIV Reunião - Trinidad e Tobago, maio de 1972; - XV Reunião - Manágua, setembro de 1972; - XVI Reunião - Curaçau, abril de 1973.

  • Reuniões de Governadores Latino-Americanos e das Filipinas junto ao FMI e ao BIRD:

Como Governador Suplente pelo Brasil: - V Reunião - Tegucigalpa, setembro de 1968; - VI Reunião - São Domingos, setembro de 1969; - VII Reunião - Madri, setembro de 1970; - VIII Reunião - Bogotá, setembro de 1971; - IX Reunião - Manágua, setembro de 1972; - X Reunião - Rio de Janeiro, setembro de 1973; - XVI Reunião - Madri, setembro de 1979. Como Governador, Chefe da Delegação Brasileira, na qualidade de Ministro de Estado da Fazenda: - Reunião do Grupo dos 24 e dos Comitês Interino e de Desenvolvimento - Hamburgo, abril de 1980; - Reunião do Grupo dos 24 e dos Comitês Interino e de Desenvolvimento - Libreville, maio de 1981. - XXVI Sessão do Grupo dos 24 e XX Sessão do Comitê Interino do FMI - Washington, fevereiro de 1983.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Wikiquote
O Wikiquote possui citações de ou sobre: Ernane Galvêas


Precedido por
Rui Leme
Presidente do Banco Central do Brasil
1968 — 1974
Sucedido por
Paulo Hortêncio Pereira Lira
Precedido por
Carlos Brandão
Presidente do Banco Central do Brasil
1979 — 1980
Sucedido por
Carlos Geraldo Langoni
Precedido por
Márcio Fortes
Ministro da Fazenda
1980 — 1985
Sucedido por
Francisco Dornelles