Romero Jucá

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Romero Jucá
Senador por Roraima Roraima
Período 1 de fevereiro de 1995
até a atualidade
(3 mandatos consecutivos)
Ministro do Planejamento do Brasil Brasil
Período 12 de maio de 2016
até 23 de maio de 2016
Presidente Michel Temer
Antecessor(a) Valdir Simão
Sucessor(a) Dyogo Oliveira (interino)
Ministro da Previdência Social do Brasil Brasil
Período 22 de março de 2005
até 21 de julho de 2005
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva
Antecessor(a) Amir Lando
Sucessor(a) Nelson Machado
Governador de Roraima Roraima
Período 15 de setembro de 1988
até 1 de janeiro de 1991
Antecessor(a) Roberto Pinheiro Klein
Sucessor(a) Ottomar Pinto
Vida
Nascimento 30 de novembro de 1954 (61 anos)
Recife, Pernambuco, Brasil
Dados pessoais
Casamentos : Germana de Holanda Menezes (div.)
: Teresa Jucá (div.)
Partido MDB (19791980)
PMDB (19801990)
PDS (19901993)
PPR (19931995)
PSDB (19952002)
PMDB (2003presente)
Profissão Economista

Romero Jucá Filho (Recife, 30 de novembro de 1954) é um economista e político brasileiro.[1][2] Está em seu terceiro mandato como senador. Foi Ministro do Planejamento do Brasil, pedindo exoneração após a divulgação de uma gravação com Sérgio Machado, da Transpetro, publicada pela Folha de S.Paulo, em que Jucá sugere um "pacto" para barrar a Lava Jato.[3][4][5][6][7][8][9]

Iniciou sua carreira política em Pernambuco, e em 1988 transferiu-se para Roraima como último governador do então território federal, tornando-se meses depois o primeiro governador do recém-criado estado, onde está radicado até a atualidade.[1][10] Também foi Ministro da Previdência Social no Governo Lula.

Foi casado com Maria Teresa Surita, atual prefeita de Boa Vista e irmã do apresentador de televisão Emílio Surita. Ele é dono do maior grupo de comunicação do estado de Roraima sendo duas emissoras de televisão na capital Boa Vista afiliadas da Rede Record, TV Imperial, e afiliadas da Rede Bandeirantes além de um jornal impresso e duas estações de rádio.[11][12] Em 2015 se casou com a economista Rosilene Brito.[13]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Romero Jucá Filho nasceu no Recife, capital de Pernambuco, no dia 30 de novembro de 1954, filho de Romero Regueira Jucá Rego Lima e de Helga Ferraz Jucá Rego Lima.[10] Estudou economia na Universidade Católica de Pernambuco e fez pós-graduação em engenharia econômica.[14]

Cursou o primário no Grupo Escolar João Barbalho e o secundário no Colégio Marista, ambos na capital pernambucana.[15]

Vida pública[editar | editar código-fonte]

Em 1973 ingressou no curso de economia da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), trabalhou como permutador de serviços burocráticos na Secretaria da Fazenda e como gerente da Companhia de Navegação Nordeste (Conave).[15]

Em 1974, participou do treinamento para formação de monitores na Escola de Administração Fazendária da Receita Federal e foi diretor administrativo do Ginásio de Esportes Geraldo Magalhães.[15]

Em 1975 estagiou no Conselho de Desenvolvimento de Pernambuco (Condepe). Desse ano a 1979, no governo Moura Cavalcanti, foi diretor do Departamento de Serviços Gerais da Secretaria de Educação de Pernambuco.[15]

Formou-se em economia em 1976, representou a Secretaria de Educação na Comissão Coordenadora da Administração Patrimonial de Pernambuco até 1977, ano em que fez o curso de pós-graduação em Engenharia agronômica na Unicap.[15]

Em 1984, foi nomeado secretário extraordinário de Coordenação da Prefeitura do Recife. Trabalhou ainda como professor universitário, gerente e diretor de órgãos públicos e privados. Após essa experiência, presidiu a Fundação Projeto Rondon em 1985 e, no mesmo ano, foi secretário executivo da Comissão Interministerial de Educação e Desenvolvimento Regional.

De maio de 1986 a setembro de 1988, presidiu a Fundação Nacional do Índio (Funai), apontado por Marco Maciel, no governo de João Figueiredo.[16] Em 1988, foi nomeado pelo então presidente da república José Sarney e aprovado pelo Senado, governador do Território Federal de Roraima.[14][17]

Candidato derrotado em 1990 ao governo do recém-criado Estado de Roraima, elegeu a esposa, Maria Teresa Surita Jucá, para a Prefeitura de Boa Vista em 1992. Naquele ano, Romero foi diretor de Abastecimento da Companhia Nacional de Abastecimento e Secretário Nacional de Habitação do Governo Federal.[18]

Em 1992, diretor de Abastecimento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e secretário nacional de Habitação do Governo Federal.[18]

Em 1994, foi eleito senador pelo PPR. Ocupou a vice-liderança do governo do então presidente Fernando Henrique.

Entre março e julho de 2005, foi ministro da Previdência Social,[18] mas, por conduta suspeita de corrupção, com empréstimos bancários irregulares, foi exonerado poucos dias depois.

Em 23 de março de 2005, John Danilovich, embaixador dos Estados Unidos no Brasil, escreveu um telegrama com pequeno perfil de Romero Jucá, que assumia o Ministério da Previdência Social. John Danilovich informou aos Estados Unidos que o Romero Jucá desviou verba de um fundo de assistência social de Roraima, retirou recursos públicos destinados a projetos de construção civil no mesmo estado e permitiu o desmatamento em terras indígenas quando foi presidente da FUNAI.[19]

Em 2006, Romero foi escolhido líder do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cargo que também ocupou na gestão da presidente Dilma Rousseff, sendo substituído pelo senador Eduardo Braga (PMDB do Amazonas) em 13 de março de 2012 após a pessoa indicada pela presidente para o comando da Agência Nacional de Transportes Terrestres ter seu nome rejeitado em plenário.[20]

Nas eleições de 2010, foi o candidato mais votado no Estado de Roraima para o Senado Federal.[carece de fontes?]

Nas eleições de 2014, três dias depois da votação no primeiro turno, desacatou uma juíza eleitoral no município de Mucajaí, quando a magistrada cumpria determinação de retirar as placas com propagandas de candidatos que estavam a menos de 200 metros dos locais de votação.[21]

Em 2016, foi Ministro do Planejamento no governo interino de Michel Temer, e deixou o cargo após vazamento de áudios de uma conversa com ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, onde Jucá diz que “tem que ter impeachment” e fala da necessidade de “um pacto” em relação à Operação Lava Jato. Jucá negou as acusações de irregularidades e anunciou que se licenciaria do ministério para reassumir o mandato de senador para, segundo ele, evitar que "qualquer manipulação mal intencionada possa comprometer o governo".[22] No dia seguinte à divulgação da conversa, foi publicada a sua exoneração.[3]

Processos e corrupção[editar | editar código-fonte]

FUNAI[editar | editar código-fonte]

Nos cinco primeiros meses de sua gestão, o quadro de funcionários do órgão subiu de 3 300 para 4 200: somente em Recife, sua terra natal, o escritório chegou a ter 400 funcionários, chegando a sofrer intervenções do Tribunal de Contas da União devido a irregularidades financeiras no órgão. Mesmo após deixar o cargo, continuou alvo de um processo no Superior Tribunal de Justiça, por ter autorizado ilegalmente a extração de madeira em área indígena.[1][23]

Enquanto presidente da FUNAI, Jucá foi quem mais demarcou territórios indígenas ianomâmis, frequentemente reduzindo seus tamanhos. Jucá reduziu o tamanho do Parque Yanomami para quase 75% dos 9,4 milhões de hectares que já haviam sido aprovados pela própria FUNAI em 1985. Foi ainda durante sua presidência que todos os missionários e pessoal médico foram expulsos da área em 1987.[17] O projeto propunha reduzir a área do parque em 2,4 milhões de hectares e dividi-lo em 19 áreas isoladas, baseadas em grupos de comunidades Yanomami. O restante da área se tornaria "parques nacionais" - abertos para extração de madeira e mineração. O plano foi denunciado como "genocídio" pelo bispo italiano dom Aldo Mongiano, o então bispo de Roraima.[1]

Em 28 de setembro de 1987, como presidente da Funai, assinou, com a Cometa, um contrato de alienação de 9 322 metros cúbicos de madeira em toras de cerejeira, ipê, mogno, angelim e cedro.[1][23]

De acordo com o relatório da Comissão Nacional da Verdade, Romero Jucá é o responsável pelo genocídio de índios ianomâmis em consequência das epidemias levadas pelos garimpeiros, que entraram em terras indígenas com autorização de Romero Jucá, na época, presidente da FUNAI.[1][19]

Recentemente o senador apresentou projetos de lei flexibilizando o licenciamento ambiental e abrindo as terras indígenas à exploração econômica.

Operação Lava Jato[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Petrolão

Romero Jucá teve seu nome envolvido no esquema de corrupção da Petrobras, investigado pela Operação Lava Jato, nos depoimentos de colaboração com a justiça do ex-diretor da estatal, Paulo Roberto Costa.[24] Jucá ainda foi citado em recebimento de propina em obras de Angra 3, também investigado pela força-tarefa da Lava Jato.[25]

Em 6 de março de 2015, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Teori Zavascki, autorizou a abertura de investigação contra o senador, tirando o sigilo do pedido de abertura de inquérito.[26]

Em 23 de maio de 2016, o jornal Folha de S.Paulo, divulgou a gravação de uma conversa entre Jucá e Sérgio Machado, da Transpetro. Em diálogos gravados em março passado, Romero Jucá sugeriu ao ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado que uma "mudança" no governo federal resultaria em um pacto para "estancar a sangria" representada pela Operação Lava Jato, que investiga ambos.[27] No mesmo dia Jucá se licenciou do cargo, e o ministro do Planejamento interino seria seu vice, Dyogo Oliveira, também investigado por corrupção, pela Operação Zelotes.[28] No dia seguinte, foi exonerado.[3]

Em 7 de junho de 2016, o Procurador-Geral da República (PGR), Rodrigo Janot, pediu a prisão de Romero Jucá, de Renan Calheiros e o ex-presidente José Sarney. De acordo com o PGR, eles tentaram mudar a decisão do Supremo que prevê a prisão de condenados a partir da segunda instância e que planejaram mudar a lei, para permitir delação premiada apenas para pessoas em liberdade, e não para presos investigados e também pressionaram para que acordos de leniência das empresas pudessem esvaziar as investigações.[29] [30]

Em 5 de setembro de 2016, a Polícia Federal apontou indícios de que o PMDB e os senadores Romero Jucá (RR), Renan Calheiros (AL), Jader Barbalho (PA) e Valdir Raupp (RO) receberam propina das empresas que construíram a usina de Belo Monte, no Pará, por meio de doações legais, segundo relatório que integra inquérito que corre no Supremo Tribunal Federal. Um dos indícios é o volume de contribuições que o partido recebeu das empresas que integram o consórcio que construiu a hidrelétrica: foram R$ 159,2 milhões nas eleições de 2010, 2012 e 2014. O relatório da PF ainda junta a versão com informações de outro delator, o ex-senador Delcídio do Amaral, de que senadores peemedebistas comandavam esquemas de desvios de empresas do setor elétrico. A conclusão do documento foi de que todos os quatro receberam as maiores contribuições de suas campanhas não de empresas, mas do PMDB. [31]

Operação Zelotes[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Operação Zelotes

Em final de abril de 2016, a relatora da Operação Zelotes, ministra Cármen Lúcia do Supremo Tribunal Federal, abriu inquérito para apurar suposto envolvimento do presidente do Senado, Renan Calheiros, e do senador Romero Jucá, com a venda de emendas a medidas provisórias relacionadas ao setor automotivo editadas pelo governo federal. Renan e Jucá já são investigados em outros inquéritos da Operação Lava Jato por envolvimento com fraudes na Petrobras.[32]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d e f Romero Jucá: Índio não vota. Luigi Eusebi (1991). «A barriga morreu!: o genocídio dos Yanomami». Edições Loyola. , páginas 44-46.
  2. «Romero Jucá - RR». Senado. Consultado em 30 de abril de 2016. 
  3. a b c «Governo publica exoneração de Romero Jucá no 'Diário Oficial'». G1. Globo. 24 de maio de 2016. Consultado em 24 de maio de 2016. 
  4. Brazil Interim Gov't Under Fire in Wake of Leaked Recording pela ABC News (2016)
  5. secret tape reveals plot to topple President Rousseff publicado pelo The Guardian (2016)
  6. New Political Earthquake in Brazil: Is It Now Time for Media Outlets to Call This a “Coup”? por Glenn Greenwald publicado no The Intercept (2016)
  7. Brazil leaked tape forces minister Romero Juca out por Ivan Watson, CNN (2016)
  8. Brazil Interim Gov't Under Fire in Wake of Leaked Recording pela "THE ASSOCIATED PRESSMAY" publicado no The New York Times (2016)
  9. Brazil's turmoil deepens as leaked recording forces planning minister out pela Reuters publicado no The Washington Post
  10. a b «Romero Jucá Filho - Biografia». FGV. Consultado em 15 de maio de 2016. 
  11. Rádio Senado (18/11/2014). «Romero Jucá rebate denúncias contra administração de Boa Vista». Senado Notícias. Consultado em 17/3/2015. 
  12. Chico de Gois (2013). Os ben$ que os políticos fazem. LEYA BRASIL. p. 172. ISBN 978-85-8044-932-7.
  13. «No casamento de Jucá, empresários e políticos discutem futuro de Dilma». O Globo. Consultado em 15 de maio de 2016. 
  14. a b Rádio Senado (18/11/2014). «Romero Jucá, uma homenagem ao Senador de Roraima». Confederação Nacional dos Trabalhadores Liberais Universitários Regulamentados. Consultado em 17/3/2015. 
  15. a b c d e «Romero Jucá Filho». FGV CPDOC. Consultado em 24/5/2016. 
  16. Beto Ricardo; Fany Ricardo (1991). Povos Indígenas no Brasil: 1987/1990. Instituto Socioambiental. pp. 41–45.
  17. a b Dennison Berwick (1992). Savages: The Life and Killing of the Yanomami. Dennison Berwick. pp. 127 – 128. ISBN 978-0-921912-33-0.
  18. a b c Redação (30/03/2015). «Planejamento, Desenvolvimento e Gestão». Agência Senado. Consultado em 24/5/2016. 
  19. a b https://wikileaks.org/plusd/cables/05BRASILIA792_a.html
  20. IGLESIAS, Gabriela Guerreiro Simone (12 de março de 2012). «Romero Jucá deixa liderança do governo no Senado». Folha de S.Paulo. Consultado em 5 de abril de 2012. 
  21. «senador Romero Juca desacata Juíza eleitoral». 
  22. Redação (23/05/2016). «Senadores repercutem gravação de diálogo entre Romero Jucá e Sérgio Machado». Agência Senado. Consultado em 24/5/2016. 
  23. a b Mauro Leonel (1995). Etnodiceia urueu-au-au: O ENDOCOLONIALISMO E OS INDIOS NO CENTRO DE RONDON. EdUSP. pp. 129–131. ISBN 978-85-314-0089-6.
  24. Débora Bergamasco (5 de março de 2015). «Romero Jucá está na lista de Janot sobre Lava Jato». Estadão. Consultado em 30 de novembro de 2015. 
  25. Diego Escosteguy (5 de setembro de 2015). «A propina atômica em Angra 3». Época. Consultado em 30 de novembro de 2015. 
  26. Motta, Severino (6 de março de 2015). «Teori divulga lista com 54 investigados pela Operação Lava Jato». Folha de S.Paulo. Consultado em 10 de março de 2016. 
  27. «Em diálogos gravados, Jucá fala em pacto para deter avanço da Lava Jato». Folha de S.Paulo. 23 de maio de 2016. Consultado em 23 de maio de 2016. 
  28. Brazilian senator caught in secret recording planning impeachment of ousted president por STEPHANIE NOLEN, publicado no "The Globe and Mail" (2016)
  29. «Janot pede prisão de Cunha, Renan Calheiros, Sarney e Romero Jucá». G1. Globo. 7 de junho de 2016. Consultado em 7 de junho de 2016. 
  30. «Procurador-geral da República pede prisão de Renan, Sarney, Jucá e Cunha». Úlitmo Segundo. iG. 7 de junho de 2016. Consultado em 7 de junho de 2016. 
  31. «Investigação liga doações a senadores do PMDB a propinas de Belo Monte». Folha online. Folha. 5 de setembro de 2016. Consultado em 19 de setembro de 2016. 
  32. Jailton de Carvalho (30 de abril de 2016). «Supremo abre nova investigação contra Renan Calheiros e Romero Jucá». O Globo. Consultado em 30 de abril de 2016. 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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