Delações da JBS na Operação Lava Jato

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As delações da JBS na Operação Lava Jato referem-se ao acordo de leniência firmado entre a empresa JBS e a Procuradoria-Geral da República (PGR) em abril de 2017, no âmbito da Operação Lava Jato. O Supremo Tribunal Federal (STF) homologou o acordo em 18 de maio de 2017 a partir da delação premiada dos donos Joesley e Wesley Batista e de executivos da empresa.[1] Em 14 de setembro de 2017, o ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot rescindiu o acordo da JBS por suspeitas de obstrução de investigação feitas pelos colaboradores[2].

Fatos relevantes[editar | editar código-fonte]

O jornal O Globo, em 17 de maio de 2017, publicou que os empresários e executivos da empresa JBS firmaram acordo com o Ministério Público Federal (MPF) no âmbito da Operação Lava Jato. A princípio as informações davam conta do encontro gravado em áudio pelo empresário Joesley Batista e o presidente Michel Temer sobre o pagamento de mesada ao ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, e ao doleiro Lúcio Funaro para que estes ficassem em silêncio. Outra gravação relatava suborno paga ao ex-presidente do PSDB, senador Aécio Neves de Minas Gerais, que teria pedido R$ 2 milhões ao empresário. O dinheiro teria sido entregue a um primo de Aécio. A entrega foi registrada em vídeo pela Polícia Federal, que rastreou o dinheiro e descobriu que o montante foi depositado numa empresa do senador Zezé Perrella (PMDB-MG). Isso foi apenas o começo das informações contidas nas delações.[3]

Repasse a candidatos[editar | editar código-fonte]

O diretor da JBS Ricardo Saud traçou um inventário dos valores ilícitos, com listagem de doações que somam quase R$ 600 milhões para 1829 candidatos de 28 partidos das mais variadas colorações. Saud detalhou que a empresa conseguiu eleger 179 deputados federais de 19 siglas, bancou 28 senadores da República e fez 16 governadores. Apesar do extensa lista de políticos beneficiados entregue por ele ao Ministério Público, há muitos repasses de valores baixos como R$ 84 e R$ 200. Ele alertou que praticamente "tudo é propina". A lista com valores, cargos, partidos, entre outras informações, foi entregue por Saud aos investigadores.[4]

Apoio em campanhas presidenciais[editar | editar código-fonte]

Apoio de Dilma em 2014[editar | editar código-fonte]

O diretor Ricardo Saud afirmou que pagou R$ 35 milhões em propina a cinco atuais e ex-senadores do PMDB para garantir o apoio de todo o partido à reeleição de Dilma Rousseff nas eleições de 2014. Receberam o dinheiro os senadores Eduardo Braga (AM), Jader Barbalho (PA), Eunício Oliveira (CE, presidente do Senado), Renan Calheiros (AL), além do ex-senador Vital do Rego, hoje ministro do Tribunal de Contas da União (TCU). Afirmou também que, desse valor, R$ 1 milhão deveria ser destinado à senadora Kátia Abreu (TO), mas ela não teria recebido o dinheiro. O pedido de pagamento foi feito pelo ex-ministro da Fazenda Guido Mantega a Joesley Batista, que estão transmitiu a ordem ao diretor. Segundo Saud, o dinheiro saiu de uma cota de R$ 300 milhões que a JBS havia disponibilizado ao PT para serem gastos na campanha de 2014.[5]

Apoio de Aécio em 2014[editar | editar código-fonte]

Joesley Batista diz ter sido o "maior e mais fiel" financiador da campanha eleitoral de Aécio Neves (PSDB), senador afastado, ex-governador de Minas e candidato derrotado à Presidência em 2014. Afirma ter atendido um pedido de propina ao comprar "sem necessidade de uso" um prédio de R$ 18 milhões em Belo Horizonte. Relata também o pedido de Andrea Neves, irmã do tucano, de propina de R$ 2 milhões "com o argumento que ele precisava pagar advogados". Diz ter dito a ela que seria arriscado pagar com notas, e que Andrea Neves - presa nesta semana - sugeriu superfaturar notas de advogados que já trabalhavam para a JBS, que também seriam utilizados pelo senador. A JBS também relata encontro de Frederico Pacheco de Medeiros, primo de Aécio, com um executivo da empresa para discutir maneiras de "esquentar" repasses de propina que tinham sido feitos a Aécio por pagamentos em espécie e emissão de notas frias. Joesley relata ainda o encontro com Aécio em março de 2017, cujo áudio foi gravado pelo empresário, em que o tucano diz da necessidade de aprovação da lei de abuso de autoridade e de anistia ao caixa 2, e faz críticas à Polícia Federal. [6]

Repasse a presidentes[editar | editar código-fonte]

  • Michel Temer - Joesley diz que em 2017 o presidente Michel Temer pediu “vantagem indevida” para resolver um assunto de grande interesse do grupo – o fim do monopólio da Petrobras no fornecimento de gás natural. O auxílio também se estenderia a outras demandas da companhia, como o “destravamento das compensações de créditos de Pis/Cofins com débitos do INSS”. O presidente da República, segundo ele, receberia 5% em propina dos valores em questão. Joesley Batista cita ainda o repasse, em 2014, de valores próximos a 15 milhões de reais para Temer “em troca da atuação favorável aos interesses do grupo J&F”. A J&F é a holding da qual faz parte o frigorífico JBS. O ex-diretor do frigorífico JBS Ricardo Saud afirmo que o presidente Michel Temer pediu a entrega de R$ 1.000.000, em dinheiro vivo, numa empresa do coronel aposentado João Baptista Lima. O militar, amigo de Temer, é um dos homens de confiança do presidente.[7]
  • Lula e Dilma Rousseff -

Joesley Batista diz que transferiu para uma conta no exterior, a título de “vantagens indevidas”, US$ 70 milhões destinados ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e mais US$ 80 milhões[8] em outra conta, também no exterior, em favor da ex-presidente Dilma Rousseff. Os recursos ilegais, disse ele, foram feitos por intermédio do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega. O dono da JBS afirmou que abriu contas no exterior, vinculadas aos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, que, somadas, juntavam cerca de 150 milhões de dólares em 2014.

Segundo a Revista Época, a JBS teria depositado cerca de 300 milhões de reais numa conta secreta na Suíça, cujo titular oficial é uma empresa de fachada de Joesley Batista, sediada no Panamá. Segundo, Joesley, o ex-presidente Lula podia fazer saques nessa conta para, em seguida, transferir o dinheiro para contas oficiais das campanhas eleitorais do PT em 2010 e 2014. O saldo dessa conta era gerado, segundo o empresário, a partir de vantagens ilegais obtidas pela JBS junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), sobretudo no período em que Luciano Coutinho presidia o banco (2007-2016).[9]

Em 19 de maio, divulgou-se que o empresário Joesley Batista relatou ter feito pagamentos que chegaram a 150 milhões de dólares em propina em favor dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, mediante depósitos em contas distintas no exterior. Ainda segundo o delator, Lula foi destinatário de 50 milhões de dólares, enquanto Dilma teria recebido 30 milhões de dólares.[10]

Repasse à senadores[editar | editar código-fonte]

  • Eunício Oliveira - Segundo Ricardo Saud, um dos principais executivos de JBS, o senador Eunício Oliveira recebeu R$5 milhões para ajudar a aprovação de uma medida provisória que tratava da cobrança de PIS e Cofins, um tema de grande interesse da companhia. Meses depois, no entanto, ele teria traído o grupo aprovando, em outra MP, proposta que derrubava o que fôra combinado.
  • Aécio Neves - Os donos e executivos da JBS contam que o senador afastado Aécio Neves, do PSDB, recebeu em 2014 valores próximos a 63 milhões de reais para defender interesses da J&F, a holding da qual faz parte a JBS. Aécio ajudaria, por exemplo, a liberar créditos de ICMS devidos à empresa. Joesley Batista cita ainda o repasse de 2 milhões ao tucano “em razão da aprovação da lei de abuso de autoridade e anistia ao caixa dois”.
  • José Serra - O senador tucano José Serra, segundo Joesley Batista, foi destinatário de 20 milhões de reais. O dinheiro foi repassado, diz ele, a pretexto de auxiliá-lo em campanha eleitoral à Presidência de 2010. O dono da JBS teria doado o valor em partes: R$ 6 milhões por meio de notas frias para a empresa LRC Eventos e Promoções, com a falsa venda de um camarote no autódromo de Interlagos, em São Paulo; R$ 420 mil também em notas frias, mas para a empresa APPM Análise e Pesquisa e o restante em doações oficiais, que deveriam ser feitas seguindo indicação do candidato. O pagamento teria sido organizado por uma amigo de Serra, já morto. [11]
  • Marta Suplicy - A senadora do PMDB, ex-petista, recebeu 1 milhão de reais do grupo a pretexto de auxílio à campanha eleitoral de 2010. Outros 3 milhões, segundo Joesley, foram repassados em troca de “possíveis negócios caso Marta Suplicy vencesse a eleição para a Prefeitura de São Paulo”. Metade do valor teria sido pago por meio de doação oficial e a outra parte em espécie. Joesley disse que a senadora indicou seu marido, Marcio, para operacionalizar o recebimento do dinheiro. De acordo com ele, foram feitos pelo menos 15 pagamentos mensais de R$ 200 mil em troca de possíveis negócios caso Marta viesse a ser eleita para no caso da prefeitura. [12]

Repasse à deputados federais[editar | editar código-fonte]

  • Eduardo Cunha - O delator diz que que, por meio de conta corrente gerenciada pelo operador de mercado Lúcio Funaro, repassou 50 milhões de reais entre 2009 e 2014 a Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados. Os pagamentos foram em troca de facilidades em financiamentos da Caixa Econômica Federal. Josley também cita um pagamento de 20 milhões de reais a Cunha em troca de alterações na legislação para desonerar a folha de pagamento de funcionários – um tema que beneficiava financeiramente a JBS. Ele relata ainda o repasse de mais 30 milhões de reais para que Cunha, enquanto presidente da Câmara, apoiasse as demandas do grupo empresarial no Congresso.
  • Rodrigo Rocha - O deputado afastado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) foi filmado recebendo uma mala de dinheiro com R$ 500 mil enviados por Joesley, após combinar pagamento semanal no mesmo valor pelo período de 20 anos. Loures é apontado como intermediário do presidente Michel Temer para assuntos relativos ao preço do gás fornecido pela Petrobras à termelétrica do grupo JBS junto ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). O valor semanal poderia chegar a R$ 1 milhão para a comercialização da energia.[13]

Repasse à ministros de Estado[editar | editar código-fonte]

  • Guido Mantega - A partir de 2009, Joesley diz que passou a tratar diretamente com Mantega, sem intermediários, e cita um diálogo em que o ex-ministro teria dito que acertariam os percentuais de propina "caso a caso". A partir de 2014, disse Joesley, ele passou a ter encontros quase semanais com Mantega, em reuniões em que o ex-ministro apresentava "múltiplas listas de políticos e partidos que deveriam receber doações de campanha". Joesley cita ainda ter feito, a pedido de Mantega, um empréstimo de US$ 5 milhões à empresa Pedala Equipamentos Esportivos, que acabou não sendo pago, e um investimento de US$ 20 milhões em uma conta no exterior. [14]
  • Antônio Palocci - Joesley Batista contou que conheceu Antônio Palocci em 2008, quando ele não exercia cargo público. O empresário disse que "tinha curiosidade de atender a mecânica dos movimentos e dos bastidores políticos". Joesley teria então contratado a empresa Projeto Consutoria, de Palocci, de forma legal. A empresa teria também assessorado o empresário em 2009 num parecer sobre o mercado americano de frango. Em 2010, Palocci tornou-se o braço direito da ex-presidente Dilma na campanha presidencial e teria pedido R$ 30 milhões em doações a Joesley Batista. De acordo com a delação, o valor não foi pago integralmente, mas R$ 2,8 milhões foram recebidos em espécie; R$ 600 mil foram divididos em três notas fiscais da Hedge Assessoria e Consultoria Empresarial; e R$ 16 milhões foram pagos em doações oficiais a diversos candidatos indicados por Palocci. [15]
  • Marcos Pereira - Marcos Pereira, ministro do presidente Temer, é citado como beneficiário de suborno. O titular do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior recebeu repasses de dinheiro em troca da aprovação de um empréstimo de 2,7 bilhões de reais junto à Caixa. O valor acertado foi de R$ 6 milhões, a título de propina, ao político e o partido PRB, sendo o pagamento desse dinheiro em parcelas de R$ 500 mil.[16]
  • Gilberto Kassab - Wesley Batista e o executivo Ricardo Saud contam que o ministro das Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações e ex-prefeito da cidade de São Paulo Gilberto Kassab também recebeu ilegalmente 20 milhões de reais. Segundo o empresário, os repasses ocorreram entre o final de 2009 e o final de 2016 e que os pagamentos já vinham sendo feitos pelo frigorífico Bertin, comprado pela JBS em 2009. Com a fusão, os novos donos decidiram que os repasses deveriam prosseguir.[17]
  • Wagner Rossi - Joesley Batista afirmou ter recebido um pedido de Michel Temer para pagamento de mensalinho no valor de R$ 100 mil a Wagner Rossi, então ministro da Agricultura. Segundo o empresário, foi Rossi quem o apresentou a Temer em 2010, quando ele ainda era presidente da Câmara dos Deputados. Ainda segundo o delator, em agosto e setembro de 2010, Temer fez outro pedido para pagamento de R$ 240 mil em propina à empresa Ilha Produções, com sede em Ribeirão Preto, São Paulo, e que tem como donos filhos de Rossi.[18]

Repasse a governadores[editar | editar código-fonte]

Ceará[editar | editar código-fonte]

  • Cid Gomes - O ex-governador do estado do Ceará Cid Gomes é acusado de ter ido pessoalmente ao escritório do grupo, em São Paulo, e solicitado a Wesley Batista uma contribuição de R$ 20 milhões à campanha de 2014. Afirmou ter feito o acerto, pelo qual a JBS conseguiu R$ 98 milhões em créditos e repassou R$ 9,8 milhões mediante emissão de notas frias (sem prestação de serviços) e R$ 10,2 milhões de propinas "dissimuladas de doações oficiais" de campanha.[19]
  • Camilo Santana - A campanha de Camilo Santana declarou R$ 4 milhões em doações da JBS, além de aproximadamente R$ 335 mil em recursos da empresa recebidos via comitê da campanha de Dilma Rousseff. O governador Camilo Santana disse saber do caso apenas pela imprensa.

Minas Gerais[editar | editar código-fonte]

  • Fernando Pimentel - O dono da JBS descreve uma audiência com Dilma em novembro de 2014 no Palácio do Planalto que, na ocasião, disse ter discutido com a então presidente um pedido de contribuição de R$ 30 milhões feito por Edinho Silva (PT), coordenador financeiro da campanha de Dilma naquele ano, para a campanha de Fernando Pimentel (PT) ao governo de Minas. Ele disse ter informado Dilma que o saldo das duas contas acertadas com Mantega se esgotaria caso o pedido fosse atendido. Dilma teria confirmado a necessidade e pediu que procurasse Pimentel. O valor foi repassado após encontro com Pimentel mediante compra de 3% da empresa concessionária do estádio Mineirão. Na prestação de contas da campanha de Pimentel, aparecem repasses de R$ 3,9 milhões da JBS, quando ainda era ministro de Dilma Rousseff.[20] [21]

Mato Grosso[editar | editar código-fonte]

  • Silval Barbosa - A relação da JBS com o ex-governador do Mato Grosso do PMDB, preso desde setembro de 2015 por diferentes acusações, teria começado em 2010, quando Barbosa pediu contribuições para sua campanha eleitoral. De acordo com Joesley, em contrapartida, o candidato prometeu que as doações da empresa seriam compensados com a redução de impostos estaduais. Em 2012, o governador teria pedido propina em contrapartida às alterações, no valor de R$ 10 milhões por ano até 2014. Ainda segundo os documentos da PGR, os valores foram pagos conforme o combinado, com exceção de 2014, quando nem todas as parcelas foram quitadas. [22]

Mato Grosso do Sul[editar | editar código-fonte]

  • Zeca do PT - Em 2003, no governo de Zeca do PT (1999-2006), Joesley Batista teria acertado o pagamento de propina de 20% de qualquer benefício fiscal concedido à empresa no Estado. Em 2010, o mesmo Zeca teria pedido R$ 3 milhões para sua campanha eleitoral, pagos em duas partes: R$ 1 milhão em doação oficial e R$ 2 milhões em espécie. [23]
  • André Puccinelli - O governador seguinte, André Puccinelli (PMDB) teria ajustado o valor da propina para 30% dos benefícios fiscais.
  • Reinaldo Azambuja - O atual governador do PSDB do é acusado de ter recebido R$ 150 milhões em propina como contrapartida a benefícios fiscais recebidos pelo grupo empresarial no território sul-matogrossense.

Rio de Janeiro[editar | editar código-fonte]

  • Sérgio Cabral - Ricardo Saud, diretor de relações institucionais do grupo, contou aos procuradores que conseguiu uma fábrica nova em Piraí, Rio de Janeiro, para o grupo sem pagar um centavo para a antiga dona, a BRF. Conseguiu graças ao ex-governador fluminense Sérgio Cabral. O preço foi de R$ 27,5 milhões em propinas. O dinheiro foi usado na campanha de Luiz Fernando Pezão para o governo do estado.[24]

Rio Grande do Norte[editar | editar código-fonte]

  • Robinson Faria - O governador do PSD é acusado de ter recebido junto com seu filho, o deputado Fábio Faria, R $5 milhões de reais em troca da privatização da companhia de água e esgoto do estado.

Santa Catarina[editar | editar código-fonte]

  • Raimundo Colombo - O governador do PSD é acusado de ter recebido R$ 10 milhões de reais em troca de favorecimento na licitação na companhia de água e esgoto do estado.

Outros personagens[editar | editar código-fonte]

  • Lúcio Bolonha Funaro - Operador do peemedebista e do empresário em esquemas de corrupção. Teria recebido mesada de R$ 400 mil para manter silêncio em seus depoimentos. [25]
  • Andréa Neves - Considerada braço direito de seu irmão, Aécio Neves, ela teria pedido R$ 40 milhões para comprar um apartamento no Rio de Janeiro a Joesley, mas este afirmou que só daria o dinheiro caso Bendine fosse indicado a uma diretoria da Vale.
  • Elsinho Mouco - Pouco antes de assumir a Presidência, Temer teria procurado Joesley para uma reunião em seu escritório em São Paulo pedindo R$ 300 mil para pagar despesas de marketing político na internet. O dinheiro. de acordo com Joesley, foi entregue a Elsinho Mouco em espécie.
  • Willer Tomaz - Advogado de Renan e Romero Jucá, estava tentando atrapalhar o processo de colaboração premiada ora em curso, com o escopo, possivelmente de proteger amigos políticos integrantes do PMDB". Teria receberia R$ 8 milhões de Joesley.

Outros dados[editar | editar código-fonte]

Facilidades junto ao BNDES[editar | editar código-fonte]

Joesley Batista diz que o apoio do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) à internacionalização do grupo JBS ocorreu mediante pagamentos de propinas durante os governos Lula (2003-2010) e Dilma (2011-2016). Ele aponta a figura de Guido Mantega, ex-presidente do BNDES (2004-2006) e ex-ministro da Fazenda (2006-2015), como fundamental ao fechamento dos acordos. Entre as operações que teriam motivado propina de 4% por operação, Joesley cita um financiamento de US$ 80 milhões para compra da Swift da Argentina, em 2005, e as aquisições de 25% do capital social da JBS pelo banco estatal, ao valor de US$ 1 bilhão, em 2007 e 2008. Em 2009, o banco fez uma operação em que o comprou US$ 2 bilhões em títulos da JBS. Em 2011, uma nova operação de financiamento de US$ 2 bilhões foi feita para que a JBS para comprasse uma planta de celulose.[26]

Facilidades junto ao CADE[editar | editar código-fonte]

A J&F foi ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) contra a Petrobras em setembro de 2015. Sob o argumento de que a Petrobras era monopolista no fornecimento de gás, o grupo pedia ao Cade para intervir na questão e viabilizar o fechamento de contrato de fornecimento em condições favoráveis. Enquanto o caso corria no Cade, Joesley levou a questão ao presidente Michel Temer em encontro no dia 7 de março de 2017, segundo sua delação. O empresário disse que seguiu as negociações sobre o caso com Rocha Loures após a indicação de Temer. A intenção de Joesley era conseguir que os políticos viabilizassem um contrato de longo prazo com a Petrobras para fornecimento de gás. A promessa era pagamento semanal de propina por até 25 anos, com valores que variam conforme o preço da energia. [27]

Usina termelétrica de Cuiabá[editar | editar código-fonte]

Uma usina termelétrica de Cuiabá está no centro do escândalo que levou o presidente Michel Temer a ser investigado pelo crime de corrupção passiva. Foi por causa desse negócio que o grupo de Joesley Batista entregou uma mala com R$ 500 mil ao ex-deputado Rocha Loures. A UTE Cuiabá foi comprada pelo grupo J&F em 2015 e ficou anos parada por falta de fornecimento de gás e era considerada um "mico". O grupo de Joesley entendia que era mais vantajoso operar diretamente a usina do que arrendar para a Petrobras. O grupo seguiu com o plano de assumir a usina e rescindiu o contrato de locação com a Petrobras em setembro de 2015. O risco de tirar a Petrobras do negócio era a falta de garantia de fornecimento de gás. A Âmbar, empresa de energia da J&F, assumiu as operações em março de 2016 e queria um contrato de longo prazo para comprar gás da Petrobras, mas as negociações entre as empresas não avançaram. Depois que os dois contratos de curto prazo acabaram, em janeiro de 2016, a usina ficou praticamente parada o ano todo e só produziu energia por 21 dias. Na sua delação, Joesley relatou que deixa de ganhar de R$ 1 milhão a R$ 3 milhões por dia quando a usina está desativada. Foi nesse contexto que a J&F ofereceu propina para destravar o negócio. [28]

Compra de deputados para votar contra o impeachment de Dilma[editar | editar código-fonte]

Joesley Batista disse que o deputado federal João Bacelar apareceu em sua casa na noite anterior à votação do impeachment querendo comprar deputados para votar contra o impeachment de Dilma. Cada deputado custaria 5 milhões de reais. Joesley ouviu e assentiu então que ele virasse o voto de cinco deputados ao custo máximo de 3 milhões de reais cada um. Queria também a lista dos que viraram o voto. Dos 15 milhões de reais, Joesley pagou 3,5 milhões de reais. A última parcela foi em março deste ano.[29]

Ajuda de Temer no STF e BNDES[editar | editar código-fonte]

Joesley Batista diz que ouviu do presidente Michel Temer que poderia ajudar Eduardo Cunha, preso desde o ano passado, no Supremo Tribunal Federal. O presidente afirma que teria como auxiliar o ex-deputado junto a dois ministros da Suprema Corte. No Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Temer teria intervido em favor da JBS. No entanto, o lobby teria sido infrutífero, segundo o MP, porque Maria Silvia Bastos Marques, presidente do banco, não levou as conversas adiante.

Propina à Procurador da República[editar | editar código-fonte]

O procurador da República Ângelo Goulart Villela, integrante da força-tarefa responsável pela Operação Greenfield, que tinha a JBS como um dos alvos, embolsava uma mesada-propina de R$50 mil. O executivo pagaria o dinheiro “a título de ajuda de custo”, em troca de informações privilegiadas da investigação.[30]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «Ministro Edson Fachin homologa delação premiada da JBS». Agência Brasil. EBC. 18 de maio de 2017. Consultado em 19 de maio de 2017 
  2. «Janot decide rescindir acordo de delação com Joesley e Saud». UOL Notícias. UOL. 14 de setembro de 2017. Consultado em 18 de setembro de 2017 
  3. «Todas as acusações da delação da JBS». Veja online ed. Abril. 19 de maio de 2017. Consultado em 19 de maio de 2017 
  4. «Delator diz que dinheiro da JBS irrigou 1 829 candidatos de 28 partidos». O Globo. 19 de maio de 2017. Consultado em 19 de maio de 2017 
  5. «JBS pagou R$ 35 milhões a senadores do PMDB por apoio a Dilma, diz delator». Globo. 19 de maio de 2017. Consultado em 19 de maio de 2017 
  6. «Guia da delação da JBS: entenda as acusações que abalaram o mundo político». BBC. 19 de maio de 2017. Consultado em 24 de junho de 2017 
  7. «Todas as acusações da delação da JBS». Veja online ed. Abril. 19 de maio de 2017. Consultado em 19 de maio de 2017 
  8. «Delação da JBS==== veja os vídeos e os principais pontos dos depoimentos». G1 
  9. Escosteguy, Diego. «JBS mantinha conta na Suíça com R$ 300 milhões em propina do PT». Época. Globo. Consultado em 18 de maio de 2017 
  10. «Dono da JBS relata pagamentos de US$ 150 mi em propina para Lula e Dilma». Uol. Folha da manhã. 19 de maio de 2017. Consultado em 19 de maio de 2017 
  11. «Guia da delação da JBS: entenda as acusações que abalaram o mundo político». BBC. 19 de maio de 2017. Consultado em 24 de junho de 2017 
  12. «Guia da delação da JBS: entenda as acusações que abalaram o mundo político». BBC. 19 de maio de 2017. Consultado em 24 de junho de 2017 
  13. «Filmado recebendo mala de dinheiro, deputado Rocha Loures chega ao Brasil». G1. Globo. 19 de maio de 2017. Consultado em 20 de maio de 2017 
  14. «Guia da delação da JBS: entenda as acusações que abalaram o mundo político». BBC. 19 de maio de 2017. Consultado em 24 de junho de 2017 
  15. «Guia da delação da JBS: entenda as acusações que abalaram o mundo político». BBC. 19 de maio de 2017. Consultado em 24 de junho de 2017 
  16. «Dono da JBS fala em acordo para repassar R$ 6 milhões em propina a Marcos Pereira». G1. Globo. 19 de maio de 2017. Consultado em 19 de maio de 2017 
  17. «Delator conta que JBS repassou R$ 20 milhões a Kassab». Veja online ed. Abril. 19 de maio de 2017. Consultado em 19 de maio de 2017 
  18. «Em delação, dono da JBS diz que Temer pediu mensalinho de R$ 100 mil para ex-ministro da Agricultura». Globo. 19 de maio de 2017. Consultado em 20 de maio de 2017 
  19. «Delatores da JBS citam propina de R$ 20 milhões a Cid Gomes e de R$ 5 milhões a Eunício». Diário do Nordeste. Verdes mares. 19 de maio de 2017. Consultado em 19 de maio de 2017 
  20. «Os governadores da JBS». O Antagonista. 19 de maio de 2017. Consultado em 19 de maio de 2017 
  21. «Guia da delação da JBS: entenda as acusações que abalaram o mundo político». BBC. 19 de maio de 2017. Consultado em 24 de junho de 2017 
  22. «Guia da delação da JBS: entenda as acusações que abalaram o mundo político». BBC. 19 de maio de 2017. Consultado em 24 de junho de 2017 
  23. «Guia da delação da JBS: entenda as acusações que abalaram o mundo político». BBC. 19 de maio de 2017. Consultado em 24 de junho de 2017 
  24. «Cabral recebeu R$ 27,5 milhões em propina por fábrica em Piraí, diz delator». G1. Globo. 19 de maio de 2017. Consultado em 19 de maio de 2017 
  25. «A delação da JBS: os nomes que já foram citados». Estadão. 19 de maio de 2017. Consultado em 30 de julho de 2017 
  26. «Guia da delação da JBS: entenda as acusações que abalaram o mundo político». BBC. 19 de maio de 2017. Consultado em 24 de junho de 2017 
  27. «Por que a J&F comprou uma usina 'mico' e, segundo delação, ofereceu propina por contrato da Petrobras?». G1 Globo. 25 de junho de 2017. Consultado em 25 de junho de 2017 
  28. «Por que a J&F comprou uma usina 'mico' e, segundo delação, ofereceu propina por contrato da Petrobras?». G1 Globo. 25 de junho de 2017. Consultado em 25 de junho de 2017 
  29. «Joesley comprou deputados para votar contra impeachment de Dilma». Veja online ed. Abril. 19 de maio de 2017. Consultado em 20 de maio de 2017 
  30. «Joesley pagava mesada de 50 000 reais a procurador». Veja online ed. Abril. 19 de maio de 2017. Consultado em 19 de maio de 2017