Zezé Perrella

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Zeze Perrella
Senador por Minas Gerais
Período 11 de julho de 2011
até 31 de janeiro de 2019
Antecessor Itamar Franco
Deputado Estadual de Minas Gerais
Período 1 de fevereiro de 2007
até 31 de janeiro de 2011
Deputado Federal por Minas Gerais
Período 1 de fevereiro de 1999
até 31 de janeiro de 2003
Dados pessoais
Nascimento 22 de fevereiro de 1957 (64 anos)
São Gonçalo do Pará, MG
Partido PFL (1999-2003)
PSDB (2005-2009)
PDT (2009-2016)
PTB (2016-2017)
MDB (2017-presente)
Profissão Empresário
linkWP:PPO#Brasil

José Perrella de Oliveira Costa (São Gonçalo do Pará, 22 de fevereiro de 1957), conhecido como Zezé Perrella ou Zeze Perella [sic],[1] é um empresário, dirigente esportivo e político brasileiro do estado de Minas Gerais, filiado ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB).[2]

Carreira[editar | editar código-fonte]

Foi presidente do Sindicato das Indústrias de Carne e Derivados e de Frios de Minas Gerais (Sinduscarne) de 1992 a 1997. Também foi diretor da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) de 1998 a 2001.

Cruzeiro Esporte Clube[editar | editar código-fonte]

Assumiu pela primeira vez a presidência do Cruzeiro em 1994, cargo que ocupou entre 1995 e 2002, durante três mandatos. Em 2003 seu irmão Alvimar Perrella assumiu a cadeira.

Em 2008 foi novamente eleito presidente do Cruzeiro, assumindo em 2009 o seu quarto mandato no comando do clube com término em 2011.[3][4] Durante este último mandato, Zezé Perrella e Alexandre Kalil, presidente do Atlético Mineiro, protagonizaram diversas trocas de farpas. Em certa ocasião, o presidente do Cruzeiro brincou, afirmando que a sala de troféus do Galo se parecia com a praia de Guarapari, no Espírito Santo, por só ter mineiros, devido ao número de turistas de Minas Gerais que frequentam a cidade ser muito elevado.[5] Em outubro de 2017, Perrella foi eleito por aclamação como presidente do conselho deliberativo do clube.[6]

Política[editar | editar código-fonte]

Foi deputado federal pelo PFL, no período de 1999 a 2003 atingindo a segunda maior votação entre os candidatos à Câmara dos Deputados em Minas Gerais. Em 2002 candidatou-se ao Senado, obtendo 2,94 milhões de votos, quarta colocação no estado.[7]

Foi eleito deputado estadual em Minas Gerais em 2006, pelo PSDB.[8]

Em 2009 deixou o PSDB e filiou-se ao PDT.[9]

Em junho de 2010, seu nome foi oficializado como primeiro suplente na candidatura de Itamar Franco ao senado. Com o falecimento de Itamar, Perrella foi empossado em 11 de julho de 2011 para cumprir o restante do mandato.[10] Na época, era investigado por suspeita de lavagem de dinheiro na venda do zagueiro Luisão, em 2003, investigação que já dura 12 anos, sem que nenhuma denúncia fosse feita por parte do Ministério Publico.[11] Esta investigação foi aberta pelo promotor Eduardo Nepomuceno, promotor afastado por seus pares no Conselho Nacional do Ministério Público, por conter irregularidades em processos de sua autoria e abuso de poder.[12] É dono de uma fazenda em Minas Gerais avaliada em 60 milhões de reais.[13]

Em março de 2016 anuncia sua saída do PDT e dias depois o ingresso no PTB.[14] Em janeiro de 2017, ingressa no PMDB.[15]

Em julho de 2017 votou a favor da reforma trabalhista.[16]

Em outubro de 2017 votou a favor da manutenção do mandato do senador Aécio Neves derrubando decisão da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal no processo onde ele é acusado de corrupção e obstrução da justiça por solicitar dois milhões de reais ao empresário Joesley Batista.[17][18]

Em novembro de 2018, o senador votou a favor do aumento de salário dos integrantes do STF, que gerará o reajuste de milhares de salários no nível federal, estadual e municipal, com impacto negativo estimado de 6 bilhões de reais/ano no orçamento nacional.[19]

Escândalo da cocaína no helicóptero[editar | editar código-fonte]

Em 2013, seu nome esteve vinculado à apreensão de 445 kg de pasta base de cocaína, dentro de um helicóptero de propriedade da família Perrella, quando a aeronave aterrissava em uma fazenda em Afonso Cláudio, no Espírito Santo, em 24 de novembro daquele ano.[20]

Em nota à imprensa, divulgada em 10 de dezembro do mesmo ano, referente à investigação sobre a apreensão da cocaína, a Superintendência da Polícia Federal do Espírito Santo informou que até então não ficara configurado "qualquer indício de envolvimento da empresa proprietária do helicóptero utilizado para o transporte da droga, nem de seus representantes legais", e que as investigações apontavam para "envolvimento isolado do piloto da empresa." Ainda segundo a nota de 2013, "a investigação segue atualmente perante a Justiça Federal no Estado do Espírito Santo, com o acompanhamento do Ministério Público Federal."[21] Nem Zezé Perrella, nem seu filho, o deputado estadual Gustavo Perrella, foram indiciados, e o helicóptero lhes foi devolvido[22] (o que, em tese, contraria o disposto no art. 62 da Lei Antidrogas[23]). Os quatro presos em flagrante durante a operação da Polícia Federal ficaram seis meses na prisão e foram libertados.[24] Hoje, o piloto Alexandre José de Oliveira Júnior exerce normalmente sua profissão, sendo proprietário de três helicópteros.[25]

Em 2017, delegados que trabalharam no caso do chamado "helicoca" informaram não ter sido encontrados indícios de que o senador José Perrella ou qualquer familiar dele estivesse envolvido com o transporte da cocaína encontrada no helicóptero da família.[26] Ainda em 2017, durante conversa telefônica (grampeada mediante autorização do Supremo) com o senador Aécio Neves, Zezé Perrella queixou-se por ainda ser lembrado pelo caso do helicóptero carregado de cocaína. "Eu não faço nada de errado, eu só trafico drogas", ironizou o senador.[27][28][29]

Também em 2017, Zezé Perrella foi citado como aparente destinatário final de um suposto pagamento de propina. O empresário Joesley Batista, da JBS, entregou à Procuradoria-Geral da República (PGR) uma gravação na qual Aécio pede 2 milhões de reais ao empresário para ajudar a pagar a sua defesa na Lava Jato. O dinheiro teria sido entregue a Frederico Pacheco de Medeiros, primo de Aécio e coordenador da sua campanha à presidência da República, em 2014. Um dos quatro pagamentos de 500 mil reais foi filmado pela Polícia Federal. Quem entregou o dinheiro ao primo de Aécio foi o diretor de Relações Institucionais da JBS, Ricardo Saud. A PF seguiu Frederico, que foi filmado repassando a pagamento a Mendherson Souza Lima, assessor parlamentar do senador Zezé Perrella (PSDB-MG), amigo pessoal e aliado político de Aécio. O dinheiro foi rastreado até uma empresa que pertence a Gustavo Perrella, filho de Zezé Perrella. Não existe, segundo a PGR, nenhuma indicação de que o dinheiro tenha sido repassado para algum advogado de Aécio Neves.[30] No final das contas ele foi sequer investigado e a carga do helicóptero foi devolvida a família dele pela polícia federal.[31] Ele foi alvo de estudo econômico da Ufmg em 2012.[32]

Caso do áudio vazado (2019)[editar | editar código-fonte]

Em novembro de 2019, um registro de áudio vazado de Thiago Neves, antes da partida entre Cruzeiro Esporte Clube e CSA, trazia à tona insatisfação do meio campista e de todo o elenco cruzeirense com o até então gestor de futebol Zezé Perrella. Nesse áudio se encontra registrada a cobrança por pagamentos atrasados. Segue a transcrição do que foi dito por Thiago Neves: "Fala Zezé, bom dia, cara. Deixa eu te falar uma coisa. Eu estou pensando aqui, sei que está difícil para vocês aí arrumarem recursos, sei que está correndo atrás, mas estou falando por mim, não falei com ninguém tá, do time. Vê se você não consegue pelo menos pagar esses outros 60% antes do jogo de quinta-feira, que aí não precisa nem ter bicho, entendeu, para ganhar jogo. É uma motivação a mais para a gente cara, acertar o salário aí. Aí você não precisa arrumar uma premiação para ganhar o jogo, porque a obrigação nossa é ganhar esse jogo. Tá louco! Se a gente não ganhar do CSA, pelo amor de Deus. Pô, faz esse esforço para a gente aí, até quinta-feira, tentar acertar esses 60% que estão atrasados do salário."[33] O Cruzeiro perderia o jogo contra o CSA, com pênalti perdido por Neves. No dia 12 de dezembro, Zezé deixou o comando do futebol cruzeirense.[34]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «Pessoal de Gabinete de Zeze Perrella em 2017». Transparência. Senado Federal. Consultado em 22 de março de 2017. Cópia arquivada em 22 de março de 2017 
  2. Erro de citação: Etiqueta <ref> inválida; não foi fornecido texto para as refs de nome curriculo
  3. «Zezé toma posse e dá continuidade à dinastia Perrella no Cruzeiro». GloboEsporte.com. 17 de dezembro de 2008. Consultado em 22 de abril de 2020 
  4. «Zezé Perrella toma posse como presidente do Cruzeiro». Estadão. 18 de dezembro de 2008. Consultado em 22 de abril de 2020 
  5. Gustavo Andrade (6 de maio de 2010). «Kalil retruca dirigente cruzeirense: "Tem sete anos que não ganham nada"». UOL Esporte. Consultado em 22 de abril de 2020 
  6. «Após seis anos, Zezé Perrella volta à política do Cruzeiro». ESPN.com.br. 24 de outubro de 2017. Consultado em 22 de abril de 2020 
  7. «Cópia arquivada». Consultado em 2 de julho de 2011. Arquivado do original em 4 de dezembro de 2010 
  8. «Veja a lista dos deputados estaduais eleitos por MG». Portal Terra 
  9. Perrella é acusado de receber R$ 1,3 milhão da Assembleia de Minas para reembolso de gastos pessoais. Ação do Ministério Público do Estado diz que o atual senador obteve enriquecimento ilícito e lesou o erário ao utilizar verbas indenizatórias quando foi deputado estadual, entre 2007 e 2010. Por Eduardo Kattah e Mateus Coutinho. Estadão, 10 de julho 2015.
  10. Zezé Perrela, suplente de Itamar Franco, toma posse no Senado. Senado Notícias (atualizado em 20 de fevereiro de 2015).
  11. «Jornal: Perrella volta a ser investigado por 'Caso Luisão'». ESPN.com.br. 3 de janeiro de 2014. Consultado em 22 de abril de 2020 
  12. [1]
  13. Breiller Pires. «Por falar nos Perrella». Revista Placar. Consultado em 22 de novembro de 2014. Arquivado do original em 4 de dezembro de 2013 
  14. Lima, Mauricio (20 de abril de 2016). «PDT manda carta ameaçando expulsar senador do PTB». Radar On-Line. Veja. Consultado em 26 de fevereiro de 2017 
  15. Cipriani, Juliana (1.º de fevereiro de 2017). «Zezé Perrella se filia ao PMDB e bancada na Assembleia de MG contesta». Política. Estado de Minas. Consultado em 26 de fevereiro de 2017 
  16. «Reforma trabalhista: saiba como votaram os senadores no plenário». Carta Capital. 11 de julho de 2017. Consultado em 22 de abril de 2020 
  17. «Veja como votou cada senador na sessão que derrubou afastamento de Aécio». Consultado em 17 de Outubro de 2017 
  18. «Janot denuncia Aécio Neves ao STF por corrupção e obstrução da Justiça». Consultado em 17 de Outubro de 2017 
  19. «Como votou cada senador no aumento dos salários dos ministros do STF». VEJA.com 
  20. Paulo Peixoto (10 de dezembro de 2013). «Helicóptero da família Perrella apreendido com droga esteve no Paraguai, diz PF». Folha de S.Paulo. Consultado em 5 de março de 2016 
  21. Superintendência da Polícia Federal no Espírito Santo. «Nota à imprensa» 
  22. Justiça manda devolver helicóptero apreendido com droga aos Perrella O Globo.
  23. «Lei n° 11.343 de 23 de agosto de 2006. Institui o Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas - Sisnad». www.planalto.gov.br. Consultado em 7 de junho de 2016  Citação: Art. 62. Os veículos, embarcações, aeronaves e quaisquer outros meios de transporte, os maquinários, utensílios, instrumentos e objetos de qualquer natureza, utilizados para a prática dos crimes definidos nesta Lei, após a sua regular apreensão, ficarão sob custódia da autoridade de polícia judiciária, excetuadas as armas, que serão recolhidas na forma de legislação específica.
  24. «Justiça manda soltar acusados de tráfico em helicóptero dos Perrella». Folha de S.Paulo. 8 de abril de 2014. Consultado em 7 de junho de 2016 
  25. «Exclusivo: piloto do 'helicoca' está livre e dando aulas em SP. Por Joaquim Carvalho». www.diariodocentrodomundo.com.br. Consultado em 7 de junho de 2016 
  26. O helicóptero de Perrella e as ações controladas. Os detalhes por trás da apreensão de 450 quilos de cocaína na aeronave de Zezé Perrella sugerem que o senador foi enganado. O problema agora é outro. Por Leonardo Coutinho. Veja, 2 de junho de 2017.
  27. "Só trafico drogas", diz Zezé Perrella ao senador afastado Aécio Neves. Último Segundo - iG, 31 de maio de 2017.
  28. Novos grampos telefônicos afundam Aécio Neves em “mar de lama”. Senador afastado ironiza financiamento de campanha e pressiona para mudar PF e pasta da Justiça. Por Breiller Pires. El País, 31 de maio de 2017.
  29. Áudio: Zezé Perrella e Aécio Neves - Conversa telefônica (em inglês), consultado em 30 de maio de 2017 
  30. Primo de Aécio Neves acusado de receber mala de dinheiro é preso. Último Segundo - iG, 18 de maio de 2017.
  31. «Rafael Braga: o preso político da política de segurança». Justificando. 25 de abril de 2017. Consultado em 23 de dezembro de 2020 
  32. Rocha, Bruno; Sanches, Fábio; Souza, Igor; Silva, José Carlos Domingos da (1 de maio de 2013). «Does monitoring affect corruption? Career concerns and home bias in football refereeing». Applied Economics Letters (8): 728–731. ISSN 1350-4851. doi:10.1080/13504851.2012.736938. Consultado em 29 de dezembro de 2020 
  33. «Em áudio vazado, Thiago Neves cobrou salários a Zezé Perrella e via vitória sobre CSA como obrigação». Superesportes. 29 de novembro de 2019. Consultado em 22 de abril de 2020 
  34. Gabriel Duarte (12 de dezembro de 2019). «Zezé Perrella deixa o comando do futebol do Cruzeiro após dois meses». GloboEsporte.com. Consultado em 22 de abril de 2020 

Precedido por
César Masci
Presidente do Cruzeiro Esporte Clube
1995 - 2002
Sucedido por
Alvimar Perrella
Precedido por
Alvimar Perrella
Presidente do Cruzeiro Esporte Clube
2009 - 2011
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Gilvan Tavares