Ibovespa

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Ibovespa
Website oficial www.b3.com.br
Evolução do índice Ibovespa entre 1994 e 2019.

Índice Bovespa (Ibovespa) é o mais importante indicador do desempenho médio das cotações das ações negociadas na B3 - Brasil, Bolsa, Balcão. É formado pelas ações com maior volume negociado nos últimos meses. O valor atual representa a quantia, em moeda corrente, de uma carteira teórica de ações, constituída em 2 de janeiro de 1968, a partir de uma aplicação hipotética.[1] Atribuiu-se o valor-base de 100 a um lote-padrão cujo carteira se avoluma sem receber mais nenhum aporte, com o acréscimo exclusivo de proventos gerados pelas ações que compõem o lote-padrão tais como o reinvestimento de dividendos, dos valores recebidos a título de juros sobre capital próprio, o exercício de direitos e recebimento de bonificações, tratando-se de um índice de retorno total.

Na B3, os investidores podem negociar ações de aproximadamente 500 empresas diferentes. Para se ter um indicador que represente de forma fiel e eficiente o comportamento do mercado, foi criado o Ibovespa. Trata-se da formação de uma carteira de investimentos teórica que, ao final de 2021, era composta de 91 ações de 84 empresas,[2] retratando a movimentação dos principais papéis negociados na B3, representando não só o comportamento médio dos preços mas também o perfil das negociações - do mercado à vista - observadas nos pregões.

Estas ações, em conjunto, representam 80% dos negócios e do volume financeiro transacionado no período anterior à formação da carteira. Como critérios adicionais, exige-se que a ação apresente, no mínimo, 95% de presença nos pregões do período, limitando o peso de um papel a 20% do índice e proibindo a entrada das chamadas penny stocks, aquelas negociadas a valores muito baixos (no caso brasileiro, abaixo de R$ 1,00 por ação). O critério no cálculo do Ibovespa é o Índice de Negociabilidade do papel, definido com o peso de um terço para o número total de negócios realizados e dois terços para os volume transacionado - excluídos os negócios diretos. Para que sua representatividade se mantenha ao longo do tempo, a composição da carteira teórica é reavaliada a cada quatro meses.[3]

O índice é calculado em tempo real, considerando instantaneamente os preços de todos os negócios efetuados no mercado à vista com ações componentes de sua carteira (lote padrão) e é divulgado pela B3, podendo ser acompanhado on line.

História[4][editar | editar código-fonte]

A metodologia do Índice Bovespa foi criada com o primeiro índice da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, desenvolvido pelo Prof. Mário Henrique Simonsen e equipe em 1962. Em 1966, Luís Sérgio Coelho de Sampaio, Superintendente Técnico, concebeu e implantou várias alterações metodológicas no antigo índice. Em janeiro de 1967 inicia-se o IBV - Índice da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, cuja metodologia foi adotada pela Bolsa de Valores de São Paulo na implantação do índice Bovespa em janeiro de 1968, tendo sido inúmeras vezes aprimorada. A primeira carteira para o IBOVESPA abrangia 18 blue chips. Na segunda carteira, houve a expansão para 27:

Em maio de 1971 o índice registrou um pico de cotações (boom) com as ações se valorizando no período de janeiro de 1968 a 1971, 12 vezes em termos reais (descontada a inflação conforme IGP-DI da Fundação Getúlio Vargas). Essa época ficou conhecida como "milagre brasileiro". Após a alta, o mercado sofreria com o estouro da bolha especulativa nas Bolsas do Rio de Janeiro e São Paulo, conhecido como "Crash de 1971", com um longo período de declínio das cotações do IBOVESPA que chegou ao nível mais baixo desse período em janeiro de 1973. Entre 1977 a 1982 o índice flutuaria em patamares ainda mais baixos até que em 1983 ocorreria o início de um boom vigoroso que atingiria o pico em abril de 1986 (subida real de 988,46% em 35 meses) mas que, assim como o "crash" de 1971, seria sucedido por um novo processo de baixa vertiginosa em 1987.

A bolsa registrou grandes baixas com a “crise de 2008” e em 2014 com o início de uma recessão no Brasil, novas perdas foram registradas.

O mercado financeiro tinha forte resistência à agenda econômica do governo Dilma Rousseff, e a partir do momento que o seu impeachment se tornou mais provável, o Ibovespa registrou ganhos com as expectativas geradas pelas mudanças econômicas prometidas pelo seu vice-presidente e sucessor Michel Temer, mesmo sem que a economia brasileira fosse capaz de retomar o patamar anterior a 2014. Em 19 de junho 2019, o índice fechou o dia pela primeira vez a marca dos cem mil pontos (100 303,41), patamar que havia superado apenas 18 de março do mesmo ano, tendo caído antes do fim do pregão.[5]

Com a popularização dos bancos digitais e das plataformas de investimentos, diminuindo o valor mínimo a partir do qual é economicamente viável manter investimentos na bolsa de valores, a partir de 2019 houve um crescimento vertiginoso no número de pessoas negociando papéis na B3 a uma taxa aproximada de 500 mil novos investidores por semestre, passando de 600 mil pessoas em 2017 para mais de 3,2 milhões de investidores em 2021:[6]

Evolução no número de investidores na B3.png

Em 2020, a Pandemia causada pelo coronavírus derrubou bolsas mundiais, o índice brasileiro foi fortemente afetado, a queda fez a bolsa sair de que era o seu recorde nominal (119 527,63) em 23 de janeiro de 2020 e atingir a sua mínima (63 569,62) em 23 de março de 2020.

Com a recuperação dos mercados acionários em todo o mundo, as bolsas brasileiras tiveram uma grande recuperação, ultrapassando as máximas anteriores em 7 de janeiro de 2021 (122 385,92) e chegando a um novo recorde nominal em 7 de junho de 2021 (130 776,27).[7]

Ajustes do Ibovespa[editar | editar código-fonte]

Valor-base do lote-padrão em 2 de janeiro de 1968 = 100

Ver também[editar | editar código-fonte]

Postscript-viewer-blue.svgVer também a categoria: Empresas no Ibovespa

Referências

  1. «IBOV - Índice Bovespa». br.advfn.com. Consultado em 29 de novembro de 2017 
  2. «B3 divulga nova carteira do Ibovespa». B3 - Brasil, Bolsa, Balcão. 6 de setembro de 2021. Consultado em 19 de outubro de 2021 
  3. «Ibovespa B3». B3 - Brasil, Bolsa, Balcão. 6 de setembro de 2021. Consultado em 19 de outubro de 2021 
  4. LEITE, Helio de Paula & SANVICENTE, Antonio Zoratto - Índice Bovespa: Um padrão para os investimentos brasileiros - Ed. Atlas - São Paulo, 1995 - pgs. 44-52 - ISBN 85-224-1184-0 - Patrocinadores: Bolsa de Valores de São Paulo e Bolsa de Mercadorias & Futuros
  5. «As razões por que a bolsa bate recorde enquanto a economia patina». BBC Brasil. 20 de março de 2019. Consultado em 19 de outubro de 2021 
  6. «Uma análise da evolução dos investidores na B3: Pessoa Física». B3 - Brasil, Bolsa, Balcão. Agosto de 2021. Consultado em 19 de outubro de 2021 
  7. FERREIRA, Gustavo (7 de junho de 2021). «É HEXA! Ibovespa bate 6º recorde seguido ao som das promessas de Lira». Valor Investe. Consultado em 19 de outubro de 2021 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

  • B3
  • Gráfico Enfoque, com a evolução do Índice Bovespa ao longo das últimas cinco décadas.