Mappin

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Mappin
Foto do Edifício João Brícola, o icônico prédio que abrigou a unidade mais conhecida do Mappin, em 2018. Hoje, o edifício abriga uma loja da Casas Bahia.
Razão social Blue Group Participações Ltda.
Nome(s) anterior(es) Casa Anglo Brasileira S.A.

Mappin Stores (Brazil) Ltd.

Empresa de capital aberto
Cotação B3: CABR (1948-2000)
Atividade Lojas de departamento
Fundação 29 de novembro de 1913 (1913-11-29)
10 de junho de 2019 (2019-06-10) (comércio virtual)
Fundador(es)
  • Walter Mappin
  • Hebert Mappin
Sede São Paulo, SP, Brasil
Proprietário(s)
  • Alfred Sim (1939-1950
  • Alberto Alves Filho (1950-1982)
  • Cosette Alves (1982-1996)
  • Ricardo Mansur (1996-1999)
  • Nasser Fares (2019-atualmente)
Empregados 2.000 (1999)
Website oficial https://www.mappin.com.br/

Mappin é uma empresa fundada em 29 de novembro de 1913 na cidade de São Paulo como uma Loja de Departamentos, sistema muito utilizado nos países europeus, principalmente França e Inglaterra. As origens da empresa remetem-se a inglesa Mappin & Webb, criada na cidade de Sheffield ainda no século XVII, e trazida para o Brasil pelos irmãos Walter e Hebert Mappin, após inaugurarem uma filial da Mappin & Webb na então Capital da República na Rua do Ouvidor no Rio de Janeiro, em seguida inauguraram sua filial em São Paulo no ano de 1912, ocupando o prédio da Rua 15 de Novembro, 26 , sua especialidade eram produtos finos, cristais, pratarias e porcelanas importadas, além de relógios e joias. Neste endereço ficou por 24 anos, e em 1936 a Mappin & Webb encerrou suas atividades em São Paulo,

Um ano após a inauguração da Mappin & Webb, o inglês John Kitching que foi gerente de uma loja de departamentos na Inglaterra propõe aos Irmãos Mappin a fundação de uma loja nos mesmos moldes da qual ele fora gerente.Desta parceria acaba por surgir em 1913 uma nova empresa com a autorização para funcionamento concedida por decreto do então presidente da República, marechal Hermes da Fonseca, foi fundada em 29 de novembro de 1913, , a Mappin Stores , sua denominação oficial era Mappin Stores Sociedade Anônima Ingleza criada com vários departamentos voltados ao segmento dos mais abastados da sociedade, oferecendo diversos itens importados, serviços e ponto de encontros. A Mappin Stores teve foco inicialmente na venda de roupas femininas e crianças, artigos de armarinhos e cortinas, voltado para as mulheres da elite paulista.

A primeira loja da empresa foi instalada na Rua 15 de Novembro, no mesmo endereço que já funcionava a Mappin & Webb, dividindo o mesmo espaço do prédio,a entrada era única porém metade á esquerda funcionava Mappin & Webb e à direita era o Mappin Stores, local que nos anos seguintes se tornou o principal ponto de encontro da elite paulistana (impulsionada pelo mercado do café), que se encontrava no estabelecimento para tomar o chamado "chá das cinco", além de fazer compras.[1]

Após seis anos o prédio em que estava já não comportava mais a quantidade de clientes que passavam todos os dias por lá, seja para fazer compras ou para os encontros, eis que em 1919, o Mappin Stores deixou a Rua 15 de Novembro e se mudou para a Praça do Patriarca ocupando o Edifício Barão de Iguape de cinco andares. Lembrando que Mappin & Webb continuou ocupando o prédio todo da Rua 15 Novembro. e vendendo os cristais e pratarias até o ano de 1936..[1]

Com a mudança de endereço o Mappin aumentou consideravelmente o número de departamentos e funcionários, sempre voltado aos mais endinheirados. O Mappin teve que rever a sua estratégia e mudar o foco de seus negócios após a quebra da Bolsa de Nova Iorque em 1929. Desta forma, o Mappin começou a vender no crediário e a etiquetar os preços dos produtos que vendia nas vitrines para atender o grande público consumidor.[2]

Em 1936 com a saída dos Irmãos Mappin da sociedade , suas ações foram compradas em 1939 pelo inglês Mr.Alfred Sim, que ao se tornar o maior acionista da Loja implantou um novo modelo de administração. adequando ao modelo brasileiro e com mais opções de mercadorias nacionais. Com o novo modelo de negócios, a empresa retomou seu crescimento e mudou a razão social para Casa Anglo Brasileira S.A.

Inaugurou, em 1939, a sua famosa unidade na Praça Ramos de Azevedo, em frente ao Theatro Municipal de São Paulo, edifício que foi construído em arquitetura art déco. Na década de 1940, o avanço econômico brasileiro e a entrada de novas empresas de comércio varejista afetaram os negócios do Mappin, e abriu seu capital na bolsa de valores em 1948. Em 1950, a empresa teve seu controle acionário vendido ao advogado e empresário do ramo do café Alberto Alves Filho.

Alves Filho seguiu no comando da varejista até a sua morte, em 1982, e Cosette Alves herdou a empresa do marido e, assim, assumiu o controle do Mappin. Na década seguinte, a empresa adquiriu cinco lojas da Sears no Brasil. A partir daí, o endividamento da empresa começou a aumentar, registrando o maior prejuízo de sua história em 1995. Com isso, o negócio foi colocado a venda e acabou sendo adquirido pelo o empresário Ricardo Mansur em 1996, que na sequência assumiu a rival Mesbla. Porém, o problema do endividamento agravou a delicada situação financeira das companhias e ambas tiveram a falência decretada em 1999.[2]

Em 10 de junho de 2019, a empresa foi refundada, agora pelo comando da Marabraz, por meio de um site de compras voltado para o seguimento de venda em departamentos. Com a inauguração comercial do site, o Mappin voltou aos negócios depois de 19 anos da sua falência.

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

A origem do negócio do Mappin remete-se a criação da Mappin & Webb, originada na cidade Sheffield, Inglaterra, em 1775. Hoje, a empresa continua com os negócios ativos e é uma das principais joalherias do Reino Unido.[3] No final do século XIX, a Mappin & Webb começou a expandir seu negócio ao redor do mundo e abriu filiais em localidades como Joanesburgo, Buenos Aires e Hong Kong.[4] No Brasil, a Mappin & Webb foi trazida em 1912 pelos irmãos Walter e Hebert Mappin que abriram primeiramente uma filial na Rua do Ouvidor na Capital da República - Rio de Janeiro, e em seguida, abriram uma filial em São Paulo. Os dois irmãos ingleses se dedicaram a administrar as duas lojas de origem

Os Irmãos Mappin em 1913, aceitando a proposta de criar uma Loja de Departamento feita pelo conterrâneo John Kitching, investiram pesada soma e montaram uma nova loja totalmente independente de Mappin & Webb, surgindo assim uma loja-irmã , a Mappin Stores. A primeira loja criada no Brasil para vendas por departamentos, com história e administração independente da loja britânica citada.[1]

História[editar | editar código-fonte]

Vista do centro de São Paulo, com destaque para o prédio do Mappin, em fotografia de Werner Haberkorn.

Em 1774, as famílias de comerciantes Mappin e Webb inauguraram em Sheffield, na Inglaterra, uma sofisticada loja de artigos finos e prataria. Ao longo dos anos se mudaram para Londres, Buenos Aires até que, enfim, chegaram no Brasil pelas mãos dos irmãos Walter e Hebert Mappin que fundaram duas filiais da Mappin & Webb m a primeira na Capital Federal do Rio de Janeiro e a segunda na Rua 15 de Novembro em 1912, as quais passaram a gerenciar.[5] No ano seguinte fundaram no Brasil a Mappin Stores, loja voltada ao público feminino e crianças, com vestimentas e cortinas , além de artigos de armarinhos., que funcionou durante seis anos no mesmo endereço de Mappin & Webb..

A primeira loja do Mappin, inaugurada na rua 15 de Novembro, região central de São Paulo em 29 de novembro de 1913, na sua primeira fase trazia o conceito dos grandes magazines franceses do "Palais de La Femme", ou seja , um grande estabelecimento voltado a satisfazer as necessidades de consumo feminina.

Inicialmente foram estabelecidos onze departamentos com quarenta funcionários Em sua inauguração os departamentos eram : Roupas brancas, Layette (roupas de bebê),, Blusas femininas, Cortinas, Meia e luvas, Rendas e fitas, Golas e colarinhos, Artigos de armarinho, Lenços, Leques e bolsas e, por fim, Lingeries. Em 1914 passou a oferecer moda masculina.

[6] Pioneira com o conceito de Lojas de Departamentos reunindo produtos de diversos tipos em um único local. Em seu interior eram vendidos além de roupas femininas e masculinas, produtos de origem importada da Europa e forneciam serviços como Salão de Cabeleireiro Feminino e um concorrido Salão de Chá, que atraiam um público ainda maior para o espaço que se tornou um dos principais pontos de encontro da Capital.[1]

O interior da loja era muito luxuoso, possuía grandes lustres de cristais, móveis de madeira maciça e tapetes enormes importados da Europa. O ambiente proporcionava muito glamour para a elite paulista que frequentava constantemente as salas individuais com vendedores que traziam todas as mercadorias escolhidas no catálogo da loja, que era uma ideia extremamente inovadora na época.[1]

A loja era tão importante que, em 1914, foi palco da primeira exposição de arte de Anita Malfatti.[7]

Realizava liquidações semestrais, de inverno e verão, que tornaram-se verdadeiros acontecimentos na cidade e levavam famílias inteiras reunidas para às compras, inclusive, foi o primeiro estabelecimento a utilizar de técnicas de promoções temáticas principalmente na época de Natal em que a loja vendia decorações dos mais diversos tipos.[8] Em 1919, já em seu novo endereço Na Praça do Patriarca, contava com 35 departamentos e cerca de 200 funcionários.[9] O prédio, localizado na Praça do Patriarca, possuía arquitetura em estilo europeu e um relógio em sua fachada que, mais tarde, seria transferido para a próxima sede da loja.[10]

No ano de 1922, a loja foi parcialmente destruída por um grande incêndio[8] mas conseguiu diminuir o prejuízo ao promover uma liquidação enorme com as mercadorias que restaram chamuscadas após a catástrofe, formando filas enormes em frente à loja. Foi a primeira vez que os mais pobres conseguiram entrar na loja.

Em 1929, com a crise econômica, o café perdeu grande valor afetando diretamente à elite paulistana da época. Na década de 30 as mercadorias ficaram paradas nas prateleiras. Foi então que John Kitching resolveu exibir os preços em etiquetas colocadas em todas as peças à venda na loja. A solução seria marcar os preços e, com isso, facilitar a compra para um público mais amplo. O Mappin inovou mais uma vez sendo o pioneiro a introduzir etiquetas de preços nas vitrines, atraindo consumidores de camadas mais populares. Com isso chegaria outra novidade na loja: o crediário. E desta forma o Mappin ganhou fôlego, retomou o crescimento

A possibilidade de popularização criou uma cisma entre cria e criador. Os Irmãos Mappin não concordavam com a alternativa apresentada pelo sócio John Kilching de fazer concessões e expandir os espectros sociais, atingindo um público mais popular, assim como acontecia com as lojas de departamento mundo afora.

A tradição do nome Mappin & Webb imperava para os Irmãos que davam nome a loja-irmã, e que também estavam acostumados a servir a elite do setor cuteleiro e de presentes finos em seu país de origem, a |Inglaterra. Apesar de terem os Irmãos Mappin e Henry Portlock como proprietários em comum , a Mappin & Webb e a Mappin Stores possuíam administração e gerências diferentes no Brasil, eram lojas com funcionamento independentes.

Desta forma, em 1936, os Irmãos Mappin se retiraram da sociedade, colocando à venda suas ações no mercado londrino. Ao mesmo tempo que encerraram as atividade das Lojas Mappin & Webb no Brasil. Por anos eles reivindicaram na justiça a retirada de seu sobrenome Mappin do nome da loja brasileira.Mas não conseguiram.

Mappin – Segunda Fase

Em 1939 o investidor Mr. Alfred Sim compra as cotas dos Irmãos Mappin e passa a ser o principal acionista da Mappin Stores, e por Decreto do Estado Novo de Getúlio Vargas e por pressão de forte propaganda nacionalista a mudança da razão social, que a partir de então passou a ser Casa Anglo-Brasileira S/A.em 02 de julho de 1939 . Sua intenção principal era alterar a estrutura de vendas do Mappin, dando características mais brasileiras à loja e ampliando definitivamente seu público consumidor.

Uma de sua primeiras providências foi a mudança para um prédio maior para adaptar-se à nova realidade econômica, e poder pensar em sua expansão, A mudança para o endereço ocorreria no mesmo ano de 1939.para seu novo e enorme prédio na Praça Ramos de Azevedo.

Já restabelecida economicamente, em 1939, a marca pôde expandir para o novo prédio na Praça Ramos de Azevedo. O edifício foi reformado pelo valor de 400 contos de réis na época e criava toda uma atmosfera de requinte para a clientela que, além de serem atendidos em salas de estar particulares, era servido com chás e petits-fours.[8] As novas instalações contavam com 5357m² em cinco andares que abrigavam 50 departamentos e mais de 500 funcionários.[11]

O Edifício João Brícola, foi construído pelo arquiteto Elisário Bahiana, mesmo que projetou o Viaduto do Chá e o Jockey Club, e havia sido construído para ser a sede do Banespa mas, por conta da localização considerada distante do centro financeiro da época, houve uma troca e o prédio tornou-se propriedade da Santa Casa.[12]

Na época, era possível realizar as compras, também, pelo telégrafo, pelo telefone - bastava discar o número 45, ou pelos correios ao encaminhar os pedidos para uma caixa postal.[8]

Possuía um famoso jingle que fazia parte das principais campanhas publicitárias da época, se tornando viral entre a população brasileira que, até hoje, se recorda da letra e ritmo da música:

Mappin
Venha correndo, Mappin
Chegou a hora, Mappin
É a liquidação!
Mappin
Tem tudo aqui no Mappin
Muitos descontos, Mappin
É a liquidação!
Mappin
Venha correndo, Mappin
Chegou a hora, Mappin
É a liquidação!
Liquidação no Mappin![13]

Jingle Mappin

A loja na Praça Ramos de Azevedo, se tornou referência da marca. Os departamentos eram divididos nos vários andares do prédio, interligados por elevadores. Cada andar vendia um tipo de produto, como roupas, móveis, eletrodomésticos e brinquedos, etc. Mas crescer, requer, melhoria na gestão em proporção maior do que o esperado.Em 1947, foi inaugurado uma nova seção de roupas voltada para a classe média da população, que já era alvo das principais lojas da cidade.

Alguns anos depois, na segunda metade da década de 40, o Mappin começaria a sentir o peso da aceleração da economia brasileira que atraia novos concorrentes. e passou a ter dificuldades. A empresa apresentou grande dificuldade em entender às necessidades desse novo público que, queria ter acesso a produtos de grande qualidade sem precisar pagar muito por isso. O controle acionário foi vendido em 1950.[11] passando a ser controlada pela família "Alves Filho.

O novo administrador, o advogado Alberto José Alves , fazendeiro e Industrial da Fábrica de Tecidos Santa Margarida em Guaranésia e seu filho, o negociador de café, advogado Alberto Alves Filho promoveriam uma série de mudanças na operação da empresa, principalmente sua total popularização, como a substituição dos produtos importados pelos nacionais, novas políticas de crediário e de funcionamento. O empresário Alberto Alves Filho seguiu inovando a frente do Mappin, deixando a empresa cada vez mais popular e conhecida e, em 1972, abriu o capital da empresa..[1].

Alves Filho, que ficou no comando do Mappin até seu falecimento em 1982, enxergando a necessidade de adequação à nova realidade econômica de seus consumidores, substituiu os produtos importados por nacionais para que tivessem uma maior rotatividade de seus estoques e menor margem, criou novas políticas de crédtto que permitiam o parcelamento do pagamento em até dez vezes e abriu o capital da empresa, além de ter criado famosas propagandas de TV que passavam na extinta Rede Tupi e aumentaram ainda mais a popularidade da loja varejista. Em 1973, a empresa já apresentava um aumento de vendas de cerca de 54,86%.[11]

No final da década de 70, se tornou a primeira empresa da América Latina a implantar o PDV - caixa no ponto de venda, que trouxeram ganhos de produtividade extremamente significativos.[11]

Em 1982 e no ano seguinte, o Mappin foi considerado a empresa do ano[7] e segundo uma pesquisa realizada pelo Instituto Gallup, 97% da população paulistana conhecia a empresa. Nos próximos anos, a marca investiu na compra de outras empresas concorrentes do setor como a Sears[14] que, na época, possuía cinco unidades localizadas em shoppings da capital e cidades próximas.

Algumas filiais foram abertas:

O tradicional relógio no prédio da primeira grande loja localizada na Praça Ramos de Azevedo.
  • 1969 – Rua São Bento
  • 1977 – Avenida São João: a primeira de São Paulo a ter estacionamento próprio
  • 1984 – Itaim Bibi
  • 1987 – Shopping Mappin Santo André - a primeira loja fora da capital e em shopping center
  • 1991 – Adquiriu a Sears e suas unidades: Shopping Center Norte, Shopping West Plaza, Shopping Morumbi e outras duas em Campinas
  • 1993 – Criada a TV Mappin em Santos: loja destinada a atender ao público por meio de terminais multimídia nos quais os próprios consumidores escolhiam os produtos na tela e efetuavam as compras
  • 1993 - Mappin Store Company: venda de produtos importados por meio de catálogos
  • 1993 – Shopping Plaza Sul.
  • 1995 – Esplanada Shopping, em Sorocaba, interior de São Paulo.
  • 1997 - Inauguração da primeira loja franqueada da empresa, em São Roque
  • 1997 - CenterVale Shopping, em São José dos Campos - SP (inaugurada em 4 de maio de 1997)
  • 1997 - No segundo semestre foram abertas três novas lojas: Shopping Jardim Sul, Tatuapé e Ribeirão Preto
  • 1998 - Shopping Interlagos

Em 1995, era a única loja de departamentos completa do Brasil com mais de 85 mil ítens distribuídos em seções como Eletrodomésticos, Eletrônicos, Eletro-portáteis, Confecções, Móveis, Esportes, Lazer, Bazar e Cama/Mesa/Banho.[11]

Todos esses investimentos acabaram por trazer um prejuízo, anunciado no ano de 1995, de quase 20 milhões de reais e dar um grande "passo" em direção a venda da empresa que ocorreu no ano seguinte. O empresário Ricardo Mansur, dono da Mesbla e do Banco Crefisul adquiriu a marca por 25 milhões de reais com um projeto para expandir a loja através de mais 40 filiais por todo o Brasil, porém as ideias não deram certo.[15]

No início de 1999, a real situação da empresa veio a público: em péssima situação financeira, passou a atrasar o pagamentos de fornecedores. Os próximos meses marcaram o fechamento das lojas São Bento e São João.[16]

Em 29 de julho de 1999, o Mappin encerrou suas atividades, após 86 anos de sua fundação, com uma dívida de 1.2 bilhão de reais.

Campanhas[editar | editar código-fonte]

  • Liquida, liquida!:Eletrodomésticos, higiene, autopeças, etc. (1975)
  • Economia é só no Mappin (1977/78)
  • Compre tudo para a Copa do Mundo (1986)
  • Compre de novo para a Copa do Mundo (1990)
  • TV Mappin (1992)
  • Turma da Mônica (1980-1999) (falência)

Fim[editar | editar código-fonte]

Encerrou suas atividades em 1999, durante a administração de Ricardo Mansur. Teve falência decretada junto com as lojas Mesbla, que haviam sido incorporadas ao Mappin em 1996. Ainda em 1999, o Grupo Pão de Açúcar, por meio do Extra Hipermercados, com a bandeira "Extra Mappin", sendo abandonada logo em seguida.[17] Em 2003, a loja foi fechada sob a alegação de possuir baixa rentabilidade, não compensando os custos de manutenção do ponto de venda, e que a loja não atendia mais aos "padrões de qualidade que devem fazer parte de todas as bandeiras do grupo".[18] O edifício pertence a Santa Casa de São Paulo[19] e atualmente é administrado pela Via Varejo,[20] que mantém instalada uma loja da Casas Bahia nos primeiros andares do prédio, inaugurada em 2004.[21]

O Retorno[editar | editar código-fonte]

Em dezembro de 2009, em um leilão judicial, a rede de lojas Marabraz arrematou a marca por 5 milhões de reais. Durante anos, a compra da marca pela Marabraz gerou rumores de uma possível volta do Mappin, como em 2014, que foi anunciado uma possível volta da marca em 2016.[22]Porém, foi só em 2019, próximo aos 20 anos de falência do Mappin, que a marca retornou por meio da criação de um site www.mappin.com.br voltado para compras em varejo. O plano da Marabraz é de, em 2020, abrir lojas físicas da marca na cidade de São Paulo.[23]

Controvérsias[editar | editar código-fonte]

Segundo a coluna de Mônica Bergamo em 3 de junho de 2009, Ricardo Mansur, último proprietário da rede, considerou reabrir o Mappin, inclusive tendo encaminhado pedido ao juiz de seu processo de falência e tenta captar dinheiro com investidores internacionais.[24] Porém, em 2011, Mansur foi condenado a 11 anos e meio de prisão por gestão fraudulenta no Mappin.

O Ministério Público denunciou, em 2016, 15 pessoas envolvidas em crimes na falência da empresa. Os mesmos ocorreram no período entre 2009 e 2012, em que foram desviados quase 1,65 milhões de reais prejudicando os credores da massa falida. Esses crimes envolveram uma funcionária do Poder Judiciário e alguns de seus familiares, que desviavam dinheiro público para uso próprio ao fraudarem informações no sistema do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo e expedirem falsos mandados de levantamento judicial. Em 2014, uma ex-funcionária já havia sido condenada a devolver 3,5 milhões de reais que haviam sido desviados por meio da falsificação de guias para pagar credores.

Em 2017, foi realizada uma das últimas etapas do processo de falência do Mappin, quando o último bem disponível (um edifício em que funcionava uma unidade) foi colocado em leilão. O valor arrecadado serviria para sanar as dívidas trabalhistas e pagar todos os débitos fiscais. Mas, mesmo juntando o valor arrematado no leilão, com uma quantia que já se encontrava em caixa, é uma tarefa árdua conseguir pagar todas as dívidas, ainda faltam cerca de 314 milhões de reais.[25]

No mês de setembro de 2017, um evento realizado no Museu do Ipiranga, levantou questões ligadas a construção de gênero em anúncios antigos da loja Mappin. A palestra, realizada pela pesquisadora Raissa Monteiro dos Santos, defendeu que os anúncios publicitários podem ajudar na construção de um entendimento a respeito da representação da feminilidade e masculinidade da época, como um reflexo dessa sociedade.[26]

Referências

  1. a b c d e «Uma breve história do Mappin – São Paulo Antiga». São Paulo Antiga. 29 de novembro de 2013 
  2. a b «Mappin faria 100 anos; relembre a história da loja de departamentos» 
  3. «It all started with silver: the Mappin & Webb story». The Telegraph. 6 de novembro de 2016. Consultado em 25 de junho de 2018 
  4. Andre Decourt (20 de junho de 2006). «"chic" Rua do Ouvidor, Mappin & Webb». foi um RIO que passou. Consultado em 25 de junho de 2016 
  5. «Mappin - Que fim levou? - Terceiro Tempo». Terceiro Tempo. Consultado em 27 de novembro de 2018 
  6. «Prédios de S.Paulo: Mappin - Notícias - Estadão». Estadão 
  7. a b «A Loja Mais Querida de São Paulo - A História do Mappin». SP In Foco. 11 de março de 2015 
  8. a b c d São Paulo, a juventude do centro. [S.l.]: Conex. 2004. pp. Página 143 e 144 
  9. «Desenvolvimento do formato de lojas de departamento no Brasil» (PDF) 
  10. Martins, Magda (21 de setembro de 2016). «Você conhece a interessante história do "Relógio do Mappin"?». HISTORY 
  11. a b c d e Battilana, Abramo Nicola; Beraldo, Valter (2004). «Aplicação do conceito do ciclo de vida organizacional na definição e determinação das fases de uma organização varejista». Revista Brasileira de Gestão de Negócios. 6 (15). ISSN 1806-4892 
  12. «Edifício João Brícola». Wikipédia, a enciclopédia livre. 11 de outubro de 2018 
  13. «Jingle é a Alma do Negócio». www.google.com.br. Consultado em 27 de novembro de 2018 
  14. «Era uma vez em SP ... lojas Sears - noticias - Estadao.com.br - Acervo». Estadão - Acervo 
  15. Varotto, Luís Fernando (3 de outubro de 2006). «História do varejo». GV-executivo. 5 (1): 86–90. ISSN 1806-8979 
  16. «Aplicação do conceitodo ciclo de vida organizacional na definiçãoe determinação das fases de uma organização varejista» 
  17. Fabiano Futema (1 de outubro de 2003). «Sindicato protesta no último dia de operação do Extra Mappin». Sindicato Mercosul. Consultado em 17 de junho de 2018. Arquivado do original em 12 de setembro de 2012 
  18. «Extra fecha na terça-feira a ex- loja do Mappin». DCI. 29 de março de 2003. Consultado em 17 de junho de 2018 
  19. Cley Scholz (24 de abril de 2014). «Prédios de S.Paulo: Mappin». Acervo Estadão. O Estado de S. Paulo. Consultado em 16 de junho de 2018 
  20. Douglas Nascimento (29 de maio de 2015). «Casas Bahia limpa relógio do antigo Mappin». São Paulo Antiga. Consultado em 17 de junho de 2018 
  21. «Casas Bahia assume local que consagrou o Mappin». Diário do Grande ABC. 25 de novembro de 2004. Consultado em 16 de junho de 2018 
  22. Isabella Villalba (19 jun. 2013). «Mappin: gigante do varejo volta, mas só em 2016». Consumidor moderno. Consultado em 11 de julho de 2014. Arquivado do original em 16 de julho de 2014 
  23. «Família Fares inaugura versão online do Mappin na segunda (10)». Veja 
  24. «Mônica Bergamo: Mansur quer reabrir o Mappin». Mercado. Folha de S.Paulo. 3 de junho de 2009. Consultado em 17 de junho de 2018 
  25. «Venda de imóvel é última etapa de falência do Mappin». Valor Econômico 
  26. «Evento discute a construção de gênero em anúncios da loja Mappin» 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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