Paulo Roberto Costa

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Paulo Roberto Costa
Durante depoimento na na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras, na Câmara dos Deputados. Foto:Marcelo Camargo/ABr
Nascimento 1954 (63 anos)
Telêmaco Borba, PR
Nacionalidade brasileiro
Ocupação Engenheiro

Paulo Roberto Costa (Telêmaco Borba, 1954[1]) é um engenheiro brasileiro e ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, entre 2004 e 2012, conhecido por seu envolvimento no esquema de corrupção na estatal investigado pela Operação Lava Jato.[2][3]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Nasceu no distrito de Cidade Nova, atual município de Telêmaco Borba, emancipado do município de Tibagi. Costa é formado em Engenharia mecânica pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduado em engenharia de instalações no mar.[4] Foi funcionário de carreira da Petrobras desde 1978 e começou a assumir cargos de direção a partir de 1995, ainda no primeiro governo de Fernando Henrique Cardoso, tendo sido diretor da Gaspetro de 1997 a 2000.[5]

Em 2004, por indicação do deputado federal José Janene,[6] do PP, foi nomeado ao cargo de diretor de Abastecimento pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.[7]

Em novembro de 2016 fechou acordo de cooperação com o FBI (polícia federal americana) e o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, se comprometendo a cooperar com as investigações no âmbito da Promotoria de Justiça americana, com fornecimento de documentos e outros materiais.[8] Ele também deverá comparecer a depoimentos e entrevistas sempre que for convocado.[9]

Acusação de corrupção[editar | editar código-fonte]

Segundo divulgado por alguns veículos, usou o cargo para consolidar um esquema de corrupção que juntou altos funcionários da estatal, grandes empreiteiros, membros do Senado e da Câmara, ministros de estado, governadores, dirigentes de partidos aliados do Planalto e doleiros especializados em lavagem de dinheiro.[10]

Em março de 2014, foi preso pela Polícia Federal (PF) na Operação Lava Jato, tendo sido apontado pela PF como integrante de um esquema que movimentou de forma suspeita cerca de 10 bilhões de reais.[11]

Em 5 de setembro de 2014, delatou à PF políticos que teriam recebido como propina parte do dinheiro de contratos da estatal com outras empresas. Além de parlamentares (deputados federais e senadores), Costa também teria mencionado governadores nos depoimentos.[12] Entre os nomes divulgados estão o na época presidente da Câmara Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB-MA). Do Senado, foi apontada a participação do presidente nacional do PP, Ciro Nogueira (PI), e de Romero Jucá (PMDB-RR). Entre os deputados delatados por Costa estão Cândido Vaccarezza (PT-SP) e João Pizzolatti (PP-SC).[13] Em janeiro de 2015, revelou-se que em um quarto de hotel de luxo em Ipanema, no Rio, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras recebeu uma caixa de garrafas de cachaça recheada com R$ 200 mil em dinheiro vivo.[14]

Em fevereiro de 2017, o Ministério Público Federal pediu ao juiz Sérgio Moro a suspensão dos benefícios de delação premiada de Paulo Roberto Costa, e sua condenação à prisão. Os procuradores querem que Costa responda com base na lei de organizações criminosas. Os procuradores alegam que Costa mentiu em sua colaboração, o que pela lei seria suficiente para quebrar o acordo firmado com a Justiça Federal.[15]

CPI da Petrobras[editar | editar código-fonte]

Em 25 de agosto de 2015, Paulo Roberto Costa voltou a afirmar que autorizou o repasse de 2 milhões de reais para a campanha da então candidata à Presidência da República Dilma Rousseff em 2010. De acordo com Costa, o dinheiro foi pedido pelo ex-ministro chefe da Casa Civil Antonio Palocci. A afirmação foi feita durante a acareação entre Costa e o doleiro Alberto Youssef realizada pela CPI da Petrobras na Câmara dos Deputados.[16]

Condenação[editar | editar código-fonte]

Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef foram condenados juntamente com os executivos afastados da Camargo Corrêa pelo esquema de corrupção na Petrobras nas obras REPAR, RNEST (Refinaria Abreu e Lima) e Comperj. O ex-diretor da Petrobras foi condenado a 12 anos de prisão, no entanto, vai cumpri-los em prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica, pela contribuição com a Justiça nos termos da delação premiada. Em outubro de 2016, passou para o regime semiaberto.[17]

Leilão de bens[editar | editar código-fonte]

Em 13 de outubro de 2016, Paulo Roberto Costa teve sua lancha "Costa Azul" leiloada por 1,4 milhão de reais. O pagamento será incorporado aos cofres públicos como parte da restituição dos danos causados pelo ex-diretor à Petrobras.[18]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Mazui, Guilherme. «CASO PETROBRAS O DELATOR — De fino trato a homem-bomba». ClicRBS. Consultado em 14 de fevereiro de 2015. Antes de se transformar em homem-bomba, [Paulo Roberto] Costa foi Paulinho, um menino brincalhão nascido em 1954, quando Telêmaco Borba, cidade do interior paranaense, começava [...] 
  2. Os próximos capítulos da Lava Jato - Jornal Gazeta do Povo
  3. Sady Osires Mercer Guimarães (7 de junho de 2014). «Telêmaco Borba – Cidade tem um "Filho" envolvido na operação "Lava Jato" da Policia Federal. Paulo Roberto Costa é telemacoborbense». TB AquiAgora. Consultado em 6 de outubro de 2014 
  4. Fernando Jaasper. «Petrobras participa do Papo de Mercado». Gazeta do Povo. Consultado em 6 de dezembro de 2009 
  5. «Leitores: Delator trabalha na Petrobras desde 1978 - Viomundo». Viomundo. 8 de setembro de 2014. Consultado em 11 de setembro de 2014 
  6. «Partido Progressista, o 'filho' da ditadura que coleciona escândalos». EL País. 7 de março de 2015. Consultado em 19 de março de 2015 
  7. Lucas Salomão (6 de março de 2015). «PGR vê indícios de 'organização criminosa complexa'». G1. Consultado em 19 de março de 2015 
  8. Mario Braga (21 de novembro de 2016). «Paulo Roberto Costa fecha acordo de cooperação com FBI, diz jornal». InfoMoney. Consultado em 21 de novembro de 2016 
  9. Mônica Bergamo (21 de novembro de 2016). «Ex-diretor da Petrobras faz acordo de colaboração com FBI e Justiça dos EUA». Folha de S.Paulo. Consultado em 21 de novembro de 2016 
  10. Andréia Sadi. «Empresas ligadas à Petrobras faziam repasses a políticos, indica documento». Folha de S.Paulo. Consultado em 8 de setembro de 2014 
  11. Humberto Trezzi (11 de junho de 2014). «Ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa é preso novamente». Zero Hora. Consultado em 11 de setembro de 2014 
  12. «Ex-Diretor da Petrobras delate políticos em depoimentos». O Globo. Consultado em 8 setembro de 2014 
  13. «Revista divulga nomes de políticos delatados por ex-diretor da Petrobras». ZH News. Consultado em 6 de setembro de 2014 
  14. Fausto Macedo. «Deputados do PP pagaram propina de R$ 200 mil em caixa de garrafa de cachaça». Estadão. Consultado em 9 de janeiro de 2015 
  15. Gustavo Schmitt (17 de fevereiro de 2017). «MPF pede a Moro suspensão de benefícios e condenação de Paulo Roberto Costa». O Globo. Globo.com. Consultado em 17 de fevereiro de 2017 
  16. Leandro Prazeres (25 de agosto de 2015). «Na CPI, Costa reafirma pedido para campanha de Dilma; Youssef nega». UOL. Consultado em 11 de março de 2016 
  17. «Justiça Federal condena réus ligados à empreiteira Camargo Corrêa». G1. 20 de julho de 2015. Consultado em 2 de setembro de 2015 
  18. «Lancha de Paulo Roberto Costa é leiloada por R$ 1,4 milhão». O Globo. Globo.com. 13 de outubro de 2016. Consultado em 13 de outubro de 2016 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]