Samuel Pinheiro Guimarães Neto

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Samuel Pinheiro Guimarães Neto
Em 20 de outubro de 2009, no discurso de posse como ministro-chefe da SAE. Foto:Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr.
Alto Representante-Geral do Mercosul
Período 19 de janeiro de 2011
até 28 de junho de 2012
Antecessor(a)
Sucessor(a)
Ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos do  Brasil
Período 20 de outubro de 2009
até 31 de dezembro de 2010
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva
Antecessor(a) Daniel Barcelos Vargas (interino)
Sucessor(a) Moreira Franco
Dados pessoais
Nascimento 1939 (77–78 anos)
Rio de Janeiro (RJ)
Prémio(s) Prêmio Juca Pato (2006)
Profissão Diplomata

Samuel Pinheiro Guimarães Neto (Rio de Janeiro, 30 de outubro de 1939 ) é um diplomata brasileiro.

Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais, pela Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil (atual UFRJ) em 1963, ingressou no Itamaraty nesse mesmo ano.[1][2] É mestre em economia pela Boston University (1969).

Ao longo de sua carreira, o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães ocupou diferentes cargos públicos, deixando-os, muitas vezes, por defender, com independência, suas convicções. Em 1965, ainda início do regime militar (governo Castelo Branco), quando era Diretor da Assessoria de Cooperação Internacional da Sudene,[3] foi exonerado de suas funções por resistir à interferência da USAID (United States Agency for International Development). Já no governo Figueiredo, deixou a vice-presidência da Embrafilme durante a crise gerada pelo filme Pra frente, Brasil, uma crítica contundente à tortura de presos políticos no Brasil. No governo Collor, por discordar da rápida abertura às importações, também preferiu se afastar, servindo cinco anos na França. Durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, criticou publicamente a entrada do Brasil na Área de Livre Comércio das Américas ( Alca) Na entrevista que concedeu ao jornal Valor Econômico, em 2 de fevereiro de 2001, declarou que "a Alca e o Mercosul são incompatíveis, pois caso a Alca venha a existir ela absorverá o Mercosul".[4][5] [6] Como punição por suas declarações, em abril do mesmo ano[7]foi exonerado do cargo de diretor do Instituto de Pesquisas em Relações Internacionais (IPRI) do Itamaraty - que ocupava desde 1995.[8] [9]

Foi secretário-geral das Relações Exteriores do Ministério das Relações Exteriores de 9 de janeiro de 2003 até 20 de outubro de 2009, tendo sucedido Osmar Vladimir Chohfi. Foi então empossado como ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República (SAE).[10] Deixou o cargo em 31 de dezembro de 2010, no final do Governo Lula.

Em 19 de janeiro de 2011, o embaixador foi designado Alto-Representante Geral do Mercosul para um mandato de três anos, tendo como funções a articulação política, formulação de propostas e representação das posições comuns do bloco.[11] Na função, Samuel Pinheiro coordenava a implementação das metas previstas no Plano de Ação para um Estatuto da Cidadania do Mercosul, aprovado em Foz do Iguaçu em 16 de dezembro de 2010. Renunciou ao cargo, contudo, em 28 de junho de 2012. Segundo ele, a decisão ocorreu por falta de apoio político dos quatro Estados membros (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai) para a implementação de projetos.[12]

Foi professor da Universidade de Brasília (UnB), entre 1977 e 1979. Foi também Coordenador da Escola de Políticas Públicas e Governo da Universidade Federal do Rio de Janeiro e professor do Curso de Mestrado em Direito da Universidade Estadual do Rio de Janeiro. Foi coordenador do curso de Pós-Graduação em Comércio Exterior e Câmbio da FGV. Atualmente, é professor do Instituto Rio Branco (IRBr/MRE), onde leciona a disciplina Política internacional e política externa brasileira.

É autor dos livros Quinhentos anos de periferia (UFRGS/Contraponto, 1999) e Desafios brasileiros na era dos gigantes (Contraponto, 2006).[10] Por este último, Samuel Pinheiro Guimarães foi eleito Intelectual do Ano, recebendo o Troféu Juca Pato da União Brasileira de Escritores.[10][13]

Livros publicados[editar | editar código-fonte]

  • Desafios brasileiros na era dos gigantes . Rio de Janeiro: Contraponto, 2006
  • Brazilian views on South African foreign policy (org.). Brasília: Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais (IPRI), 2000;
  • África do Sul: Visões Brasileiras (org.). Brasília: Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais IPRI, 2000.
  • Alemanha: Visões Brasileiras (org.) Brasília: IPRI, 2000.
  • Argentina: Visões Brasileiras (org) Brasília: IPRI, 2000.
  • Estados Unidos: Visões Brasileiras (org.) Brasília: IPRI, 2000.
  • ALCA e Mercosul: riscos e oportunidades para o Brasil (org.) Brasília: IPRI, 1999.
  • Perspectivas: Brasil y Argentina (con José M. Lladós, ed.) Brasília: IPRI, 1999.
    • Perspectivas: Brasil e Argentina (com José M. Lladós, org.) Brasília: IPRI, 2000.
  • Quinhentos Anos de Periferia. Porto Alegre: Ed. da UFRGS/Contraponto, 1999.
  • Direitos Humanos no Século XXI (org.). Brasília: IPRI, 1998
  • Desafios: Reino Unido e Brasil (org.). Brasília: IPRI, 1998).
  • Estratégias: Índia e Brasil (org.). Brasília: IPRI, 1998.
  • Challenges: United Kingdom and Brazil (org.). Brasília: IPRI, 1997.
  • Brasil e Venezuela: esperanças e determinação na virada do século (org.). Brasília: IPRI, 1997.
  • Brasil e África do Sul: riscos e oportunidades no tumulto da globalização (org.). Brasília: IPRI, 1996.
  • South Africa and Brazil : risks and oportunities in the turmoil of globalisation (org.). Brasília: IPRI, 1996.
  • Brasil e Alemanha: a construção do futuro (org., IPRI, 1995)

Referências

  1. SG - Embaixador Samuel Pinheiro Guimarães Neto. Currículo.
  2. Secretário-geral do Itamaraty põe em dúvida ganhos com acordos comerciais, por Raquel Landim. Originalmente publicada por Valor Econômico, 5 de julho de 2006.
  3. Samuel Pinheiro Guimarães. Instituto de Estudos Avançados da USP, 2 de dezembro de 2013.
  4. Turbulências no Mercosul ameaçam criação da Alca. Por Denise Chrispim Marin e Sergio Leo. Valor Econômico, 26 de março de 2001 .
  5. Embaixador Samuel Pinheiro Guimarães questiona Alca
  6. GUIMARÃES, Samuel Pinheiro. Quinhentos anos de periferia. Porto Alegre/ São Paulo, Editora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul/Contraponto, 1999.
  7. Punido por defender o país. Por Marina Amaral, João de Barros, José Arbex Jr., Wagner Nabuco, Sérgio de Souza. Caros Amigos, n° 51, junho de 2001, pp 32-37
  8. UBE - União Brasileira de Escritores. Samuel Pinheiro Guimarães Neto
  9. Popó versus Mike Tyson. É desta forma que o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, punido pelo Itamaraty, define a entrada da economia brasileira na Alca. Por Hélio Contreiras. Istoé, ed. 1647, 21 de abril de 2001.
  10. a b c Embaixador Samuel Pinheiro Guimarães é o novo ministro da SAE. Secretaria de Assuntos Estratégicos, 20 de outubro de 2009. Acesso em 20 de outubro de 2009.
  11. «Embaixador Samuel Pinheiro Guimarães designado Alto Representante-Geral do Mercosul». Ministério das Relações Exteriores. 19 de janeiro de 2011. Consultado em 12 de fevereiro de 2011 
  12. Brasileiro deixa cargo de Alto Representante Geral do Mercosul. Em entrevista, Samuel Pinheiro Guimarães alega falta de apoio político, inclusive do Brasil, para implementar seus projetos. Por Gabriel Bonis. Carta Capital, 28 de junho de 2012.
  13. Pinheiro Guimarães é o vencedor do Juca Pato. Secretário-geral do Itamaraty receberá troféu de Intelectual do Ano de 2006. Folha de S. Paulo, 6 de junho de 2007.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


Precedido por
Daniel Barcelos Vargas (interino)
Ministro Chefe de Assuntos Estratégicos do Brasil
2009 – 2010
Sucedido por
Moreira Franco
Precedido por
Daniel Barcelos Vargas (interino)
Secretário-Geral das Relações Exteriores do Brasil
(Secretário-Geral do Itamaraty)

2003 – 2008
Sucedido por
Antonio Patriota