Democratas (Brasil)

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Democratas
DEM logotipo.jpg
Número eleitoral 25
Presidente José Agripino Maia
Fundação 11 de setembro de 1986 (31 anos)
Registro 28 de março de 2007 (10 anos)[1]
Sede Brasília, DF
Ideologia
Espectro político Centro-direita [2]
Ala jovem Juventude Democratas
Antecessor Partido da Frente Liberal (1985–2007)
Membros  (2016) 1 095 712[3]
Afiliação internacional
Governadores (2014)[4]
0 / 27
Prefeitos (2016)[5]
267 / 5 568
Senadores (2016)[6]
3 / 81
Deputados federais (2014)[7]
28 / 513
Deputados estaduais (2014)[8]
43 / 1 024
Vereadores (2016)[9]
2 900 / 56 810
Cores
Página oficial
www.dem.org.br
Política do Brasil

Partidos políticos

Eleições

Democratas (DEM) é um partido político brasileiro de centro-direita[10][11][12][13][14][15] cuja ideologia política é o Liberalismo.[16][nota 1] É membro da Internacional Democrata Centrista (junto com diversos outros partidos de centro-direita como a CDU na Alemanha e Os Republicanos na França) e também da União Internacional Democrata (que reúne partidos de direita como os Republicanos dos Estados Unidos). Foi refundado em 28 de março de 2007, em substituição ao Partido da Frente Liberal (PFL).[nota 2] Seu código eleitoral é o 25,[17] seus membros são chamados de demistas[18] e suas cores oficiais são o azul, o verde e o branco. O Democratas são a primeira agremiação brasileira desde o fim do bipartidarismo em 1979 sem "Partido" no nome,[carece de fontes?] e também cuja sigla não é um acrônimo.

É o único partido conservador e liberal no Brasil.[carece de fontes?] O partido compôs a oposição ao governo Lula e ao governo Dilma (2011–2016) e faz parte da base aliada do governo Temer.[carece de fontes?] Possui a oitava maior bancada na Câmara Federal, e a sexta no Senado Federal, além de governar 267 prefeituras.[19]

A exemplo de seu antecessor imediato o novo partido possui raízes na política nordestina de onde provém a maior parte de sua bancada.[20] Houve uma redução dessa presença na região, porém, com a migração do clã Sarney para o PMDB e a morte de Antônio Carlos Magalhães em 2007. Ainda assim, metade dos senadores do partido é oriunda do Nordeste, dentre os quais o ex-vice-presidente da República Marco Maciel; na Câmara dos Deputados um terço da bancada representa os estados nordestinos (só a Bahia contribui com nove representantes).[quando?] Na Região Sudeste o partido elegeu dezenove representantes, sendo sete deputados e um senador por Minas Gerais e cinco deputados federais pelo estado do Rio de Janeiro.[quando?] No estado de São Paulo, o maior colégio eleitoral do país, o partido detém quatro deputados federais,[quando?] 11 deputados estaduais e 45 prefeituras.[quando?] Já no Rio de Janeiro, sob César Maia, que não pode aspirar a uma nova reeleição por estar em segundo mandato consecutivo, lançou a deputada federal Solange Amaral como candidata do partido, mas não logrou êxito.[quando?] Eduardo Paes, do PMDB foi o eleito. Rodrigo Maia, filho de César Maia, primo de José Agripino Maia, foi o primeiro presidente do DEM, eleito em 28 de março de 2007.[carece de fontes?] Assim como Rodrigo Maia, Antônio Carlos Magalhães Neto dá continuidade à linhagem política paterna.[carece de fontes?]

Nas eleições de 2006 e 2008, houve redução da bancada do partido na Câmara dos Deputados e do número de prefeituras administradas pelo partido.[carece de fontes?] O DEM governou de março de 2006 a 2011 a maior cidade do país, São Paulo, com Gilberto Kassab até a criação do PSD.[carece de fontes?] Em 2012, o partido elegeu João Alves Filho prefeito em Aracaju e Antônio Carlos Magalhães Neto em Salvador, suas duas únicas capitais.[carece de fontes?] Isso não impediu que o partido elegesse 278 prefeitos, número inferior ao registrado em 2008, em que pese o declínio da oposição, incluindo PSDB e PPS e a formação do terceiro PSD. Curiosamente, o PSD de Kassab, prefeito paulistano, que elegeu 497 prefeitos em 2012, venceu em 33 cidades em São Paulo. Atrás do DEM, que elegeu 45 prefeitos neste Estado.[carece de fontes?]

História[editar | editar código-fonte]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

O Democratas é o sucessor da antiga Frente Liberal (PFL), que por sua vez foi uma dissidência do antigo Partido Democrático Social (PDS), sucessor da Aliança Renovadora Nacional. É considerado como o herdeiro ideológico da antiga União Democrática Nacional (UDN).

  • União Democrática Nacional (UDN) — era um partido político brasileiro fundado em 7 de abril de 1945, frontalmente opositor às políticas e à figura de Getúlio Vargas e de orientação conservadora. Seu famoso lema era "O preço da liberdade é a eterna vigilância" e seu símbolo era uma tocha acesa.[carece de fontes?] O "udenismo" caracterizou-se pela defesa do liberalismo clássico e da moralidade, e pelo ataque ao populismo. Era um partido com forte apoio das classes médias urbanas e de parte da elite. Assim como o atual DEM, era considerado o partido mais à direita no espectro político brasileiro. Hoje, muitos integrantes do DEM são herdeiros políticos de antigas famílias udenistas, como os Caiado (GO), os Maia (PB, RN e RJ) e os Magalhães (BA).[carece de fontes?]
  • Aliança Renovadora Nacional (ARENA) — foi um partido político fundado em 4 de abril de 1966, meses após a extinção do pluripartidarismo a partir da adesão majoritária de membros da União Democrática Nacional (UDN) e do Partido Social Democrático (PSD) além das legendas conservadoras de menor vulto eleitoral. Base parlamentar do Regime Militar de 1964, recebeu uma votação esmagadora nas eleições legislativas de 1966 e 1970 graças a fatores como a fraqueza da oposição oficial, representada pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Contudo o avanço do MDB em 1974 e 1978 fez o governo alterar as regras políticas de modo a aumentar sua bancada. Uma semana após o decretado do fim do bipartidarismo, a ARENA é oficialmente extinta em 29 de novembro de 1979. Seus membros refundam o Partido Democrático Social (PDS) que passa a ser o suporte do governo do então presidente-general João Figueiredo.[carece de fontes?]
  • Partido Democrático Social (PDS) — ainda sob o efeito do crescimento oposicionista, o governo manobra para garantir maioria ao PDS nas eleições seguintes, dando o primeiro passo ao prorrogar a realização do pleito municipal de 1980, transferindo-o para 1982, quando seriam eleitos pelo voto direto os governadores de estado (pela primeira vez desde os anos 1960) e escolhidos os integrantes do Congresso Nacional que ajudariam a compor o Colégio Eleitoral na eleição do novo Presidente da República em 1985. Fazendo uso do decurso de prazo (instrumento que garantia a aprovação de um projeto de lei do Executivo nos moldes exatos em que foi enviado ao parlamento se este não o apreciar em tempo hábil) o governo aprova em 11 de janeiro de 1982 uma lei eleitoral que proibia as coligações partidárias e instituía a obrigatoriedade do voto apenas em candidatos de um mesmo partido. Graças a esses "planos de contingência" o PDS pode eleger o maior número de governadores, senadores, deputados federais, deputados estaduais, prefeitos e vereadores.[carece de fontes?] O ano de 1984 ficou marcado na história brasileira por uma série de acontecimentos que contribuíram para pôr fim ao regime militar instaurado em 31 de março de 1964. Durante os quatro primeiros meses do ano uma série de comícios organizados pela oposição e com o apoio maciço da sociedade civil deu forma à campanha das Diretas Já que exigia eleições diretas para Presidente conforme previa a Emenda Dante de Oliveira. Em 10 de janeiro o PDS rejeitou tal proposição, mas em 7 de fevereiro surgiu um grupo pró-Diretas no partido. Nesse meio tempo houve um comício em Curitiba e no dia do aniversário de São Paulo 300 mil pessoas compareceram a um outro na Praça da Sé. A reação do governo foi conhecida através de um pronunciamento do presidente Figueiredo pela televisão no vigésimo aniversário do regime quando o mesmo admitiu a eleição direta, mas somente para 1988. Às vésperas da votação, foi decretado estado de emergência no Distrito Federal e em alguns municípios de Goiás sendo que em 25 de abril de 1984 a ausência de 112 deputados pedessistas impediu que se alcançasse o quorum necessário para a apreciação da emenda pelo Senado Federal.[carece de fontes?]

Partido da Frente Liberal[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Partido da Frente Liberal
Partido da Frente Liberal

Frustrada a eleição direta as discussões sobre a sucessão presidencial se voltam para o Colégio Eleitoral. Nesse ponto o PDS se encontrava buliçoso e os embates resultaram nas candidaturas de Paulo Maluf, antigo governador biônico de São Paulo, e Mário Andreazza.[carece de fontes?]

Uma dissidência dentro do PDS, conhecida por Frente Liberal, que conversava com o PMDB, apoiou Tancredo Neves ainda antes da escolha de Paulo Maluf e Flávio Marcílio (deputado federal pelo Ceará e piauiense de nascimento) como candidatos a presidente e a vice-presidente da República em vez de Mário Andreazza e Divaldo Suruagy. Os malufistas, contudo, não puderam impedir a debandada de seus adversários rumo à candidatura oposicionista. Com o apoio de Aureliano Chaves, Marco Maciel, Jorge Bornhausen, Ney Braga e Guilherme Palmeira, dentre outros, a Frente Liberal indicou José Sarney como candidato a vice-presidente na chapa do PMDB. No dia 15 de janeiro de 1985 a chapa Tancredo/Sarney obteve 480 dos 686 votos do Colégio Eleitoral (70% do total). Nove dias depois, em 24 de janeiro de 1985, surgiu o Partido da Frente Liberal (PFL), arrimo da aliança que elegeu Tancredo Neves e sustentou a seguir o governo Sarney.[carece de fontes?]

Em mais de vinte anos de história, o Partido da Frente Liberal fez do Nordeste base de sua força política graças aos nomes de Antônio Carlos Magalhães na Bahia, Marco Maciel em Pernambuco e da família Sarney no Maranhão (embora José Sarney nunca deixou o PMDB). Ao todo o partido elegeu o governador no Distrito Federal e em mais treze estados bem como prefeitos em onze capitais brasileiras, inclusive Rio de Janeiro e Curitiba, marco de sua incursão no Sudeste e no Sul do Brasil, respectivamente. Quanto ao Congresso Nacional e às disputas municipais, o partido sempre esteve situado entre os dois primeiros lugares.[carece de fontes?]

Aureliano Chaves é escolhido candidato a Presidente da República em 1989. A tibieza de sua campanha contudo levou suas bases a apoiar a candidatura de Fernando Collor do PRN, ainda que senadores pefelistas tenham arquitetado a candidatura do empresário Silvio Santos numa manobra tolhida pelo Tribunal Superior Eleitoral. Aliado de Collor no segundo turno da eleição contra Luiz Inácio Lula da Silva, o PFL participou de seu governo e mesmo após o impeachment integrou a coalizão que sustentou Itamar Franco. Nos anos de 1994 e 1998 apoiou Fernando Henrique Cardoso e assim garantiu a vaga de vice-presidente para Marco Maciel. Próximo ao pleito de 2002 uma operação da Polícia Federal em São Luís prejudicou a pré-candidatura de Roseana Sarney à presidência e levou ao rompimento com o governo.[carece de fontes?]

Opositor indormido do governo Lula, o PFL recompôs sua coligação com o PSDB com vistas à eleição presidencial de 2006 e apresentou o senador pernambucano José Jorge como vice-presidente na chapa de Geraldo Alckmin. Nesse mesmo ano o partido assistiu à posse de Cláudio Lembo como governador de São Paulo após a renúncia de Alckmin para disputar o Planalto assim como a entronização de Gilberto Kassab como alcaide paulistano diante da renúncia de José Serra para disputar (e vencer) o governo do estado.

Após a derrota de Geraldo Alckmin no segundo turno das eleições presidenciais de 2006, o senador Jorge Bornhausen, presidente do partido à época, anunciou a intenção de lançar candidato próprio (talvez o prefeito do Rio de Janeiro César Maia) à Presidência da República em 2010 ao invés de apoiar novamente um candidato tucano. Em 28 de março de 2007, o partido é refundado.[carece de fontes?]

Refundação do partido[editar | editar código-fonte]

Convenção de refundação, em 2007.

Em 28 de março de 2007, o partido muda de nome para recuperar sua imagem após péssimos resultados nas eleições de 2006, em que perdeu dezenove cadeiras na Câmara dos Deputados e uma cadeira no Senado, além de conquistar apenas o governo do Distrito Federal. O primeiro nome escolhido foi "Partido Democrata" (PD). Entretanto, decidiram modificar sua sigla para DEM e seu nome para "Democratas". A eleição do deputado fluminense Rodrigo Maia como presidente do partido indica uma mudança de núcleo do Nordeste para o Rio de Janeiro e São Paulo.[23]

A tentativa de uma nova imagem para o antigo PFL não chegou a ser uma aspiração isolada, na verdade quando da organização da ainda Frente Liberal um dos nomes cogitados para a nova agremiação foi o de "Partido Liberal Progressista" (PLP), contudo tal ação não vingou. Segundo a Fundação Getúlio Vargas durante o governo Collor uma informação atribuída ao Ministro da Justiça Jarbas Passarinho (e por ele negada com veemência) dava conta de que o PDS e PFL teriam a intenção de se reagrupar no "Partido Social Liberal" (PSL), aliás o termo "social" surgiu como alternativa para uma mudança de nome do partido algum tempo depois, entretanto havia quem apregoasse somente a alteração na expressão "frente" de modo a preservar a sigla PFL. Durante a transição para a nova sigla foi revelado por Jorge Bornhausen que "PFL" era uma denominação provisória apesar de decorridos vinte e dois anos desde a fundação do partido e a expressão "democratas" serve como um contraponto ao que ele qualificou de "onda de populismo" na América do Sul.[carece de fontes?]

O partido trocou seus líderes por uma geração mais jovens como Gilberto Kassab ou Kátia Abreu.[24][25]

Como uma das maiores conquistas até o momento, o partido conseguiu a derrubada da CPMF, tendo sua bancada fechado questão no Senado Federal contra a contribuição, defendendo a filosofia liberal de redução da carga tributária.[25]

Para as eleições de 2010, DEM, PSDB e PPS formalizaram um pré-acordo para a constituição da coligação oposicionista, intitulada "Bloco Democrático-Reformista". Assim, o DEM lançou o deputado do Rio de Janeiro, Índio da Costa, como candidato a vice-presidente na chapa do candidato a presidente do PSDB, José Serra.

Em novembro de 2009, o partido defrontou-se com o escândalo Mensalão do GDF ou mensalão do DEM de Brasília,[26] envolvendo o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda. No entanto, como o partido deliberou pela expulsão de Arruda, o mesmo pediu desfiliação do partido no dia 10 de dezembro de 2009, para evitar um desgaste político ainda maior.

Cisão de 2011 e negociações de fusão[editar | editar código-fonte]

Sede do partido em Belo Horizonte.

Gilberto Kassab e outros correligionários insatisfeitos decidem criar em 2011 o Partido Social Democrático (PSD),[27] dedicado a uma orientação política menos conservadora e mais centrista. O Democratas recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral contra a criação da nova sigla, porém sem êxito.[28] O partido perdeu para o PSD dezessete deputados federais, uma senadora (Kátia Abreu), um governador (Raimundo Colombo) e diversos deputados estaduais e vereadores.[29]

Em 2015, foram expostas intensas negociações de fusão com o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), lideradas pelos presidentes das executivas nacionais José Agripino Maia (DEM) e Cristiane Brasil (PTB). A fusão interessava especialmente para o reverter o declínio do partido refundado em 2007 e para Roberto Jefferson, "inimigo declarado" do Partido dos Trabalhadores (PT) condenado no Escândalo do Mensalão. Entretanto, o processo esbarrava nos prazos de filiação partidária das regras eleitorais à medida em que se aproximavam as eleições municipais no Brasil em 2016, como também nas oposições internas com ameaças de desfiliação, destacadamente por parte do demista Ronaldo Caiado e dos petebistas Jovair Arantes e Armando Monteiro (ministro do Governo Dilma), e na dificuldade de compatibilização entre a posição governista do PTB e oposicionista do DEM. Assim, embora a cúpula do Democratas tenha apoiado a fusão imediata em 7 de abril (21 votos a quatro), no dia seguinte a cúpula do PTB rejeitou a fusão imediata por 25 votos contrários, optando manter consulta às bases até setembro. No fim de maio, os dirigentes de ambos os partidos anunciaram a desistência da unificação, porém houve tentativas de reabertura de diálogos, mas foram paralisadas em vista das eleições municipais.[30][31][32][33][34][35][36][37]

Em 2016, a vitória de Rodrigo Maia ao mandato-tampão de Presidente da Câmara dos Deputados do Brasil mostrou-se uma vitória importante diante da trajetória de declínio desde o início dos governos petistas.[20]

Diante da desconfiança da população brasileira com a classe política intensa à época, a fim da renovação e atração de eleitores e parlamentares foram estudadas mudanças para o partido. Uma delas foi nova renomeação da legenda para "Centro" (nome proposto pelo publicitário Fabiano Ribeiro, da agência de publicidade Propeg, conjuntamente com logomarca nas cores azul e amarelo)[38][39] e para "Movimento da Unidade Democrática" (MUDE).[40][41] A outra foi a fusão ou formação de uma frente partidária (quando ainda se discutia a aprovação de formações de federações partidárias), que incluiu a articulação para incorporar dissidentes do Partido Socialista Brasileiro — estes também disputados pelo Partido do Movimento Democrático Brasileiro.[42][43] Nessa articulação foi incluído também o Partido Social Democrático; os três reunidos numa "união liberal-socialista" possivelmente sob denominações "Partido Liberal Social" (PLS) ou "Centro Democrático".[44][45][46] Uma terceira mudança passa pela possibilidade de alterações no programa partidário para se transformar em uma organização mais centrista na versão tradicional do espectro político, tomando por inspiração a vitória eleitoral de Emmanuel Macron à presidência da França em 2017 e ao passo que a figura de Jair Bolsonaro posiciona-se na extrema-direita brasileira.[47]

Posição ideológica[editar | editar código-fonte]

O DEM afirma ser defensor da ética, da democracia, do exercício dos direitos humanos, da economia de mercado e do Liberalismo econômico. É apresentado como um partido de centro-direita, sendo afiliado a União Internacional Democrata, são adeptos do capitalismo laissez-faire. Em avaliação geral, os democratas são socialmente centristas e economicamente de direita.[carece de fontes?]

De acordo com o cientista político Jairo Nicolau, a refundação do PFL como DEM teve como objetivo coroar um processo geral de modernização do partido.[48] "O DEM gostaria de ser um partido de direita moderno, com um novo programa e dirigido às camadas médias urbanas; uma espécie de Partido Conservador do Reino Unido", diz.[48] De acordo com ele, isso explicou a saída de membros históricos da direção do partido e a ascensão de jovens dirigentes como Rodrigo Maia, Kátia Abreu e Gilberto Kassab.[48]

Aliado histórico do PSDB, o Democratas foi peça vital para a aprovação do Plano Real, das reformas constitucionais durante o governo FHC bem como da emenda constitucional que garantiu a possibilidade do então presidente Fernando Henrique Cardoso se recandidatar. Marco Maciel, ex-senador pelo PFL de Pernambuco, foi o vice-presidente nos dois mandados de FHC. Em 2002, o partido rompe com o governo na sequência de uma operação da polícia federal envolvendo Roseana Sarney, a então candidata à presidência pelo PFL. Porém nas eleições de 2006 alia-se novamente ao PSDB, sendo o senador pefelista pernambucano José Jorge o candidato a vice-presidente na chapa com Geraldo Alckmin. Tal aliança se repete em 2010 com o deputado federal democrata fluminense Índio da Costa para vice na chapa de José Serra.[carece de fontes?]

Após a cisão de diversas lideranças, como Gilberto Kassab, Kátia Abreu e Raimundo Colombo, que buscavam uma aproximação com o governo federal e um discurso mais centrista (com a fundação do Partido Social Democrático), o DEM passou a adotar uma postura mais enfática quanto ao ideário do partido, na tentativa de se aproximar do eleitorado mais conservador. O então senador Demóstenes Torres defendia uma guinada à direita por parte do partido. "Existe um eleitorado liberal, de perfil conservador, que precisa de um partido que o represente. Temos de falar a essas pessoas, representá-las no Congresso, com clareza", afirmou numa entrevista à Folha de S. Paulo.[49]

Junto com o PSDB e o PPS, o Democratas formou o maior bloco oposicionista durante o governo Lula e o governo Dilma, único momento em sua história onde foi oposição. Em todos os outros momentos, integrou a base governista.[carece de fontes?]

Organização[editar | editar código-fonte]

Juventude Democratas[editar | editar código-fonte]

Atual logotipo da Juventude Democratas.

A Juventude Democratas (JDEM) é um órgão doutrinário de ação partidária de âmbito nacional, de caráter político, cultural e social, integrante da estrutura organizacional do Democratas, com prazo de duração indeterminado. Como finalidade, a JDEM procura difundir a doutrina política adotada pelo partido Democratas, além de incentivar a participação política de jovens visando à ampliação dos quadros do partido e a formação de novas lideranças, apoiando ou promovendo eventos, estudos e pesquisas nas áreas política, econômica e social, destinados à divulgação, debate e discussão de temas ligados à juventude, à sua formação profissional e ao seu desenvolvimento.[50]

Presidentes nacionais da JDEM:

  • ACM Neto (1999-2001)
  • João Roma Neto (2001-2007)
  • Efraim Filho (2007-2011)
  • Henrique Sartori (2011-2013)
  • Hugo Neto (2013-2014)
  • Bruno Kazuhiro (2014-)

Membros notáveis[editar | editar código-fonte]

José Agripino, presidente do DEM

Ex-membros:

Participação e desempenho eleitorais[editar | editar código-fonte]

Participação em eleições parlamentares federais[editar | editar código-fonte]

Câmara dos Deputados[51]
Legislatura Bancada  % ±
48.ª (1987–1991)
118 / 513
23,00 Estável-0
49.ª (1991–1995)
83 / 513
16,18 Baixa 35
50.ª (1995–1999)
89 / 513
17,35 Aumento 6
51.ª (1999–2003)
105 / 513
20,47 Aumento 16
52.ª (2003–2007)
84 / 513
16,37 Baixa 21
53.ª (2007–2011)
65 / 513
12,67 Baixa 19
54.ª (2011–2015)
43 / 513
8,38 Baixa 18
55.ª (2015–2019)
21 / 513
4,09 Baixa 22
Senado Federal[52]
Legislatura Bancada  % ±
48.ª (1987–1991) sem dados Estável 0
49.ª (1991–1995) sem dados Estável 0
50.ª (1995–1999)
19 / 81
23,46 Estável 0
51.ª (1999–2003)
16 / 81
19,75 Baixa 3
52.ª (2003–2007)
15 / 81
18,52 Baixa 1
53.ª (2007–2011)
12 / 81
14,81 Baixa 3
54.ª (2011–2015)
6 / 81
7,41 Baixa 6
55.ª (2015–2019)
4 / 81
4,94 Baixa 2

Bancadas eleitas para legislaturas da Câmara dos Deputados[editar | editar código-fonte]

Legislatura Eleitos AC AL AM AP BA CE DF ES GO MA MG MS MT PA PB PE PI PR RJ RN RO RR RS SC SE SP TO
55.ª
(2015-2019)
28 0 0 1 1 3 0 0 0 1 0 4 1 1 1 2 2 0 2 1 2 1 1 1 0 1 4 1

Participação em eleições presidenciais[editar | editar código-fonte]

Ano Candidato a Presidente Candidato a Vice-Presidente Coligação Votos  % Colocação
2014 Aécio Neves (PSDB) Aloysio Nunes (PSDB) PSDB, PMN, SD, DEM, PEN, PTN, PTB, PTC e PTdoB 51 036 040 48,36 2.º
2010 José Serra (PSDB) Indio da Costa (DEM) PSDB, DEM, PTB, PPS, PMN e PTdoB 43 711 388 43,95 2.º
2006 Geraldo Alckmin (PSDB) José Jorge (PFL) PSDB e PFL 37 543 178 39,17 2.º
1998 Fernando Henrique Cardoso (PSDB) Marco Maciel (PFL) PSDB, PFL, PPB, PTB e PSD 35 936 540 53,06 1.º
1994 Fernando Henrique Cardoso (PSDB) Marco Maciel (PFL) PSDB, PFL, PTB 34 364 961 54,27 1.º
1989 Aureliano Chaves Cláudio Lembo sem coligação 600 838 0,83 9.º

Controvérsias[editar | editar código-fonte]

Corrupção[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Mensalão do DEM

O Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), que conta com o apoio de entidades de representação da sociedade civil, movimentos e organizações sociais e religiosas, divulgou em outubro de 2007 um balanço que aponta um ranking de cassações de políticos por corrupção eleitoral. Entre 2000 e 2007, 623 políticos de diversos partidos tiveram seus mandatos cassados, não incluídos casos de cassações por condenações criminais.

No período assinalado, foram 623 cassações de mandatos políticos, abrangendo quatro eleições, todas por corrupção. O DEM lidera este ranking, com um total de 69 cassações (20,4% do total), seguido pelo PMDB, com 66 (19,5%) e pelo PSDB, com 58 (17,1%).[53]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Notas e referências

Notas

  1. Visto o partido pertencer à Internacional Democrata Centrista (antiga Internacional Democrata Cristã e grupo do qual fazem parte partidos conservadores do mundo todo) e não a Internacional Liberal como os partido puramente liberais.
  2. Cujo nome sempre foi provisório desde a fundação durante a redemocratização.

Referências

  1. Tribunal Superior Eleitoral (TSE). «TSE - Partidos políticos registrados no TSE». Consultado em 7 de novembro de 2015 
  2. [1]
  3. Tribunal Superior Eleitoral (abril de 2016). «Filiados». Consultado em 8 de maio de 2016 
  4. Isabel Braga e Sérgio Roxo (28 de outubro de 2014). «Partidos discutem fusões para fazer oposição a Dilma». O Globo. Consultado em 9 de fevereiro de 2015 
  5. «Resultados da eleição municipal de 2016». Google Política e Eleições 
  6. «Senadores em 2016». Senado Federal 
  7. «Bancada da Eleição de 2014 para Deputado Federal (Titulares)». Câmara dos Deputados. Consultado em 3 de fevereiro de 2015 
  8. «Deputados estaduais 2014». UOL 
  9. «Vereadores Eleitos no País em 2016». G1 
  10. «Cesar Maia fala sobre eleições de 2012 no Rio». Diariodorio.com 
  11. «Kassab quer comando do DEM». iG. Ultimosegundo.ig.com.br 
  12. «Partidos iniciam articulação para 2011». Redebrasilatual.com.br [ligação inativa] 
  13. Luiz Carlos Azenha (19 de Agosto de 2010). «Guinada a direita». Vi o mundo. Viomundo.com.br. Consultado em 10 de Novembro de 2010 
  14. «DEM recusa ideia de fusão com o PSDB». Estadão.com.br 
  15. «DEM: CANDIDATURA PRÓPRIA EM 2014». Blogdemocrata.com.br 
  16. Adriana Vasconcelos. «Líder do DEM, senador Demóstenes Torres diz que companheiros de oposição têm batido cabeça». Consultado em 2 de dezembro de 2012. Cópia arquivada em 21 de maio de 2015 
  17. Tribunal Superior Eleitoral:. «Partidos políticos registrados no TSE». Tse.jus.br. Consultado em 25 de julho de 2007 
  18. Nobre, Juliana (14 de outubro de 2015). «Demistas rebatem opositores sobre propaganda de Salvador: não têm o que fazer». Bocão News. Consultado em 5 de setembro de 2017 
  19. «Prefeitos - Democratas». dem.org.br. Consultado em 5 de janeiro de 2017 
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Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • CANTANHEDE, Eliane (2007). O PFL. São Paulo: Publifolha 
  • Revista ISTO É: Brasil 500 Anos - Atlas Histórico. São Paulo: Editora Três. 1998 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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