Roberto Jefferson

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Roberto Jefferson
Roberto Jefferson
Deputado federal do Brasil pelo Rio de Janeiro Rio de Janeiro
Período 15 de março de 1983 - 14 de setembro de 2005
Vida
Nascimento 14 de junho de 1953 (63 anos)
Petrópolis, Rio de Janeiro Rio de Janeiro
Nacionalidade brasileiro
Dados pessoais
Progenitores Mãe: Neusa Dalva Monteiro Francisco
Pai: Roberto Francisco
Prole Cristiane Brasil
Alma mater Universidade Estácio de Sá
Partido PTB

Roberto Jefferson Monteiro Francisco (Petrópolis, 14 de junho de 1953) é um advogado e político brasileiro. É o presidente nacional do PTB.[1] Ficou nacionalmente conhecido por ser o delator do esquema de corrupção que ficou conhecido como mensalão.[2]

Roberto Jefferson é filho e neto de políticos petebistas. Seus pais são Roberto Francisco e Neusa Dalva Monteiro Francisco. É casado com Ana Lucia Novaes Jefferson Monteiro Francisco,[3] e te uma filha, Cristiane Brasil, deputada federal pelo Rio de Janeiro.[2]

Vida pessoal[editar | editar código-fonte]

Jefferson terminou os estudos colegiais no Colégio Werneck, de Petrópolis. Em 1975 ingressou na Universidade Estácio de Sá, onde formou-se em Direito em 1979. Ele conquistou notoriedade como advogado de pobres no popular "O Povo na TV", atração exibida na antiga TVS (atual SBT) na década de 1980.

Foi através de Roberto Jefferson que o chamado escândalo do mensalão adquiriu dimensões maiores.

É autor do livro "Nervos de aço - Um retrato da política e dos políticos no Brasil" publicado pela Editora Topbooks. Roberto Jefferson foi diagnosticado em julho de 2012 com um câncer de pâncreas em estágio inicial, do tipo papilar mucinoso ductal. O político foi submetido no Hospital Samaritano a uma duodenopancreatectomia, uma cirurgia de grande porte para a retirada de parte do pâncreas e duodeno.[4]

No dia 29 de maio de 2006 Jefferson foi entrevistado no Roda Viva da TV Cultura. Durante a entrevista, queixou-se do isolamento mas disse que está "de cabeça erguida". Jefferson disse também que os negócios como advogado não estão muito bem: ele é especialista em direito comercial e tributário, mas seus potenciais clientes - empresas e corporações - temem possíveis represálias de órgãos governamentais, caso entrem com petições assinadas por ele.[5]

Carreira política[editar | editar código-fonte]

Roberto Jefferson entrou oficialmente na vida pública em 1971, quando filiou-se ao MDB. Permaneceu no partido até 1979, quando filiou-se ao PDS (o atual PP). Deixou o PDS em 1980 para filiar-se ao PTB – partido cuja fundação, em 1945, havia tido a participação de seu avô. Jefferson continua no PTB até os dias de hoje, do qual foi o deputado federal mais antigo da bancada na Câmara dos Deputados até ter o seu mandato cassado em 2005. Foi também candidato à prefeitura do Rio de Janeiro em 1988 pelo PTB, e obteve quase 2% dos votos.

Em 1990 foi o relator de Comissão de Constituição, Justiça e Redação, cargo em que promulgou a Lei de Crimes Hediondos. Em 1999 o PTB o elegeu líder na Câmara,[6] e manteve-o como o líder até 2002. Em fevereiro de 2003 o PTB elegeu-o o presidente nacional,[7] cargo que ocupou até 17 de junho de 2005, quando pediu para ser afastado temporariamente porque estava sendo acusado de envolvimento em irregularidades praticadas na Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos.

Entre seus mandatos eletivos estão o de deputado federal (1983-1987, PTB-RJ), deputado federal Constituinte (1987-1991, PTB-RJ), deputado federal do Congresso Revisor (1991-1995, PTB-RJ) e deputado federal (1995-1999, PTB-RJ/1999-2003, PTB-RJ/2003-2007, PTB-RJ) cassado em setembro de 2005.[8]

No dia 14 de setembro de 2005, o mandato de Jefferson foi cassado, perdendo seus direitos políticos por oito anos. O placar da votação foi de 313 votos a favor e 156 contra (mais 13 abstenções, 5 votos em branco e votos nulos).[9]

Controvérsias[editar | editar código-fonte]

O nome de Jefferson passou a ser conhecido nacionalmente durante o processo de impeachment do então presidente Fernando Collor, em que atuou como militante da "tropa de choque" de deputados que tentavam defender o então presidente. Em 1993, seu nome foi citado entre os envolvidos no esquema de propina na CPI do Orçamento. Em 1994, durante depoimento, Jefferson chorou por duas vezes, lamentando o fato de sua família ter sido exposta. Nessa CPI, ele foi incluído na lista de 14 parlamentares sobre os quais seria necessária maior investigação. No relatório final da CPI, a conclusão era que, com crédito total de 470 mil dólares em cinco anos, seu patrimônio e movimentação bancária seriam compatíveis com o rendimento. A Subcomissão de Patrimônio teria constatado, porém, a existência de bens não declarados à Receita.

No 1° turno das eleições de 2002, Jefferson apoiou Ciro Gomes (então no PPS, tendo passado pelo PSB, pelo Partido Republicano da Ordem Social[10] (PROS), atualmente, desde 16 de setembro de 2015, está filiado ao PDT). No 2° turno das mesmas eleições, apoiou o candidato vitorioso Luiz Inácio Lula da Silva (PT).[carece de fontes?]

Como presidente do PTB, Jefferson determinou a aliança com o PT nas capitais para as eleições de 2004. Em troca, o PT ajudaria financeiramente o PTB. Em 2005, Jefferson admitiu que a ajuda incluiu uma quantia de 4 milhões de dólares não declarada à Justiça Eleitoral - o que caracteriza crime tanto do PTB quanto do PT. Em 2005, a revista Veja divulgou o suposto envolvimento de Roberto Jefferson num escândalo de corrupção nos Correios, na qual houve fraude a licitações e desvio de dinheiro público. Com a iminência da instauração de uma CPI no Congresso Nacional, Roberto Jefferson denunciou a prática da compra de deputados federais da base aliada ao governo federal (PL, PP, PMDB) pelo partido oficial: o PT. A prática ficou conhecida como o "mensalão".

Em 10 de outubro de 2005, Jefferson teve sua aposentadoria como deputado publicada no Diário Oficial. Assim, Jefferson se junta a outros deputados cassados que recebem aposentadoria pela Câmara: Sérgio Naya, Ibsen Pinheiro, Feres Nader, José Geraldo Ribeiro, Raquel Cândido Silva e Narciso Mendes de Assis.[carece de fontes?]

Mensalão[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Escândalo do mensalão

O ex-deputado foi condenado em 28 de novembro de 2012 a 7 anos e 14 dias de prisão julgado pelo Supremo Tribunal Federal por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Ele disse ser vítima de si mesmo. O presidente licenciado do PTB também rejeitou a tese de que teria vendido o apoio de seu partido ao PT.[11]

"Embora não concorde com as imputações, recebo com serenidade a decisão dos ministros. E reafirmo: não vendi o meu partido ao PT nem me apropriei para fins pessoais de nem um centavo sequer do dinheiro que a mim chegou para financiar campanhas eleitorais". Roberto Jefferson

Roberto Jefferson foi condenado a mais de 10 anos de reclusão em regime fechado, mas como recebeu o benefício da delação premiada, reduzindo em 1/3 a pena,[12] sua pena foi reduzida para 7 anos e 14 dias e será cumprida em regime semiaberto.[13]

Em maio de 2015, Roberto Jefferson passou a cumprir o restante de sua pena em regime aberto, após autorização concedida pelo ministro Luís Roberto Barroso.[14]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Gustavo Garcia (14 de abril de 2016). «Roberto Jefferson reassume presidência nacional do PTB». G1. Globo.com. Consultado em 22 de março de 2017 
  2. a b «Delator do mensalão, Roberto Jefferson é internado em Brasília». G1. Globo.com. 20 de maio de 2016. Consultado em 22 de março de 2017 
  3. Luciana Nunes Leal. «Roberto Jefferson se casa e menciona mensalão em declaração à noiva». Estadão. Consultado em 22 de março de 2017 
  4. «Tumor de Roberto Jefferson é maligno, segundo boletim médico». G1. 1 de agosto de 2012 
  5. «Roberto Jefferson». Roda Viva. 29 de maio de 2006. Consultado em 22 de março de 2017 
  6. «PL 1419/1999». Câmara dos Deputados. Consultado em 22 de março de 2017 
  7. «Roberto Jefferson é empossado na presidência do PTB». Memoria Agência Brasil. EBC. 16 de outubro de 2003. Consultado em 22 de março de 2017 
  8. «Plenário da Câmara aprova cassação de Roberto Jefferson». Folha de S.Paulo. Uol. 14 de setembro de 2005. Consultado em 22 de março de 2017 
  9. «Plenário da Câmara aprova cassação de Roberto Jefferson». Folha Online. 14 de setembro de 2005. Consultado em 22 de março de 2017 
  10. «Cid e Ciro Gomes anunciam filiação ao PROS». O Globo. 2 de outubro de 2013 
  11. «Sou vítima de mim mesmo, diz Jefferson sobre condenação». Exame. 28 de setembro de 2012 
  12. «Por delatar mensalão, Roberto Jefferson se livra de prisão em regime fechado». Último Segundo. iG. 28 de novembro de 2012. Consultado em 22 de março de 2017 
  13. «Roberto Jefferson é condenado a 7 anos e 14 dias em ação do mensalão». G1. Globo.com. 28 de novembro de 2012. Consultado em 22 de março de 2017 
  14. «Roberto Jefferson deixa a prisão e vai para regime domiciliar no Rio». G1. 16 de maio de 2015 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]