Rodrigo Maia

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Rodrigo Maia
54º Presidente da Câmara dos Deputados do Brasil
Período 14 de julho de 2016
até a atualidade
Antecessor(a) Waldir Maranhão (interino)
Deputado Federal pelo Rio de Janeiro
Período 1º de fevereiro de 1999
até a atualidade
Dados pessoais
Nascimento 12 de junho de 1970 (47 anos)
Santiago do Chile,  Chile
Nacionalidade brasileiro
Progenitores Mãe: Mariangeles Ibarra Maia
Pai: Cesar Maia
Esposa Patrícia Vasconcelos Maia (2005-presente)[1]
Partido DEM
Religião Católico apostólico romano[2]
Profissão Político
Assinatura Assinatura de Rodrigo Maia
Website rodrigomaia.com.br
linkWP:PPO#Brasil

Rodrigo Felinto Ibarra Epitácio Maia (Santiago, 12 de junho de 1970) é um político brasileiro, nascido no Chile, porém com nacionalidade brasileira, filiado ao Democratas (DEM). É atualmente o presidente da Câmara dos Deputados, reeleito para o biênio 2017 – 2019.[3] Com o impeachment da presidente Dilma Rousseff, e com a posse de Michel Temer como presidente da República, Rodrigo Maia tornou-se o primeiro na linha de sucessão à presidência da República.[4] Está em seu quinto mandato como deputado federal.[5]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Rodrigo Maia nasceu no Chile, na época de exílio de seu pai Cesar Maia, sendo registrado no consulado do Brasil em Santiago, o que o caracteriza brasileiro nato.[6] Iniciou a faculdade de economia na Universidade Candido Mendes, mas não concluiu o curso. Em 2005 casou-se com Patrícia Vasconcelos.[7] É casado, pai de quatro filhos (três meninas e um menino) e filho de Cesar Maia, ex-prefeito do Rio de Janeiro.

Em 1990, antes de entrar para política, foi funcionário do Banco BMG e funcionário do Banco Icatu de 1993 a 1997. Foi posteriormente Secretário Municipal, Prefeitura do Rio de Janeiro de 1997 a 1998.[8]

Em abril de 2012, ganhou título de cidadão do Estado do Rio de Janeiro.[9]

Atuação política[editar | editar código-fonte]

Aos 26 anos, Rodrigo Maia foi nomeado Secretário de Governo da Prefeitura do Rio de Janeiro, na gestão do então Prefeito Luiz Paulo Conde. Seus principais atos à frente da Secretaria foram a criação da Secretaria Especial do Trabalho, o Projeto Cidadania, que auxilia famílias carentes da cidade, e o ordenamento de feiras e do mercado ambulante.[9]

Foi eleito para seu primeiro mandato de Deputado Federal aos 28 anos, em 1998, com 96.385 votos. Neste primeiro mandato, dedicou-se às questões trabalhistas, tentando sempre promover melhorias na legislação, onde atuou como presidente da Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público.[10]

Já em 2002, foi reeleito para seu segundo mandato, com 117.229 votos. A Comissão Parlamentar (Mista) de Inquérito (CPI) de Evasão de Divisas, ou CPI do Banestado foi criada pela Câmara dos Deputados do Brasil em 26 de junho de 2003 a fim de investigar as responsabilidades sobre a evasão de dívidas do Brasil para paraísos fiscais, entre 1996 e 2002, quando foram retirados indevidamente do país mais de 20 bilhões de dólares através de contas CC5 do Banco do Estado do Paraná ou Banestado, segundo estimativas reveladas pela operação Macuco, realizada pela Polícia Federal. O presidente da CPI foi o senador Antero Paes de Barros (PSDB), o vice-presidente foi Rodrigo Maia (PFL) e o relator foi o deputado José Mentor (PT) mensaleiro que mais tarde descobriu estar na lista dos beneficiados. O desempenho do relator da CPI, o deputado José Mentor, foi bastante criticado, sendo ele acusado por alguns parlamentares de ter sabotado a CPI. Mentor foi autor também de um polêmico projeto que se aprovado daria anistia a todas as pessoas que enviaram ilegalmente para o exterior. Segundo o deputado, tal medida teria como objetivo repatriar recursos no exterior. Após um ano e meio de investigações, Mentor concluiu o relatório sugerindo o indiciamento de 91 pessoas pelo envio irregular de dinheiro a paraísos fiscais através de contas CC5, desvios que chegariam na ordem de 20 bilhões de dólares.

Em 2003, atuou na articulação para a aprovação da MP do Futebol, lutando pela equiparação das atividades profissionais a atos de empresas e para que uma punição para maus dirigentes fosse incluída na legislação. Integrou ainda as Comissões de Finanças e Tributação; Constituição, Justiça e de Cidadania; Fiscalização Financeira e Controle; Legislação Participativa e Relações Exteriores e de Defesa Nacional. Como presidente da Comissão Especial de Saneamento, analisou a nova política de saneamento básico no País.[11]

Já em 2006, foi reeleito para o terceiro mandato, sendo o mais votado do partido e o segundo mais votado no estado do Rio de Janeiro, obtendo 198.770 votos nominais. Foi o período em que liderou a oposição no Congresso para apurar o escândalo do Mensalão.[9][12]

Em 2010, foi mais uma vez reeleito, com 86.162 votos.[13]

Desde 2002, Rodrigo Maia está entre os 100 parlamentares mais influentes do Congresso Nacional, em pesquisa realizada pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap).[14] Em março de 2013, Rodrigo Maia assumiu a presidência da Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados.[15] Atualmente integra ainda a comissão especial que elabora as propostas para a reforma política, sendo o representante do Democratas. Também foi presidente da Comissão Externa para Jornada Mundial da Juventude, ocorrida em julho de 2013, no Rio de Janeiro.[16]

Em 2015, foi o relator da então proposta de reforma política que buscava inviabilizar fiscalização sobre doações e diminuiria sanções sobre quem usasse dinheiro irregular para campanhas políticas.[17]

Preocupado com as contas públicas, Maia é favorável à reforma previdenciária.[18] Sobre o descontentamento de alguns grupos, ele é objetivo: “Alguém vai sempre ficar de fora e reclamar“.[19]

Presidência da Câmara dos Deputados[editar | editar código-fonte]

Maia e Rogério Rosso se abraçam após a confirmação de que disputariam o segundo turno da eleição especial para presidente da Câmara.

No dia 14 de julho de 2016, por ocasião da renúncia do deputado Eduardo Cunha à presidência da Câmara dos Deputados, o deputado federal Rodrigo Maia foi eleito com 285 votos, tendo ficado em primeiro lugar nos dois turnos. O deputado Rogério Rosso ficou em segundo lugar nos dois turnos, totalizando 170 votos no segundo. Em declaração, o deputado Silvio Costa (PTdoB-PE), fiel escudeiro de Dilma, disse: "Ambos são ruins, mas um, além de ruim, tem o carimbo de Eduardo Cunha", ao defender voto em Maia.[20] Rodrigo Maia vai completar o mandato até fevereiro de 2017.[4]

Já como presidente, em entrevista, Maia declarou-se contrário à legalização do comércio da maconha e ao casamento entre pessoas do mesmo sexo.[21] Pontuou, contudo, que estas pautas ficariam em segundo plano no seu breve mandato, no sentido de priorizar a agenda econômica do governo federal.[22]

Com o fato do atual presidente Michel Temer não ter um vice-presidente, Rodrigo Maia, sendo o presidente atual da Câmara de Deputados, é o primeiro na linha sucessória para a presidência da República. A primeira vez que assumiu o cargo interinamente foi no dia 31 de agosto de 2016, enquanto o Presidente Michel Temer viajava à China.[23][24]

Na madrugada de 24 de novembro de 2016, articulou a reunião parlamentar que alinhou colocar em pauta a emenda para anistiar congressistas que participaram de ações de corrupção,[25] indo contrário as reivindicações populares.[26][27]

Em fevereiro de 2017, Rodrigo Maia foi reeleito com 293 votos para o cargo de Presidente da Câmara dos Deputados.[28]

Atividade partidária[editar | editar código-fonte]

Foi primeiro vice-líder do então PFL, entre 2003 e 2005. A partir daí, foi líder da bancada entre 2005 e 2007.[29] Após, foi eleito presidente do partido, quando mudou o nome de Partido da Frente Liberal para Democratas (DEM), e trabalhou para eleger governadores, prefeitos e parlamentares, até 2011.

Candidatura à prefeitura do Rio de Janeiro[editar | editar código-fonte]

Na Eleição municipal do Rio de Janeiro em 2012, as famílias Garotinho e Maia se uniram em uma inesperada aliança, em prol de derrotar o então prefeito, Eduardo Paes que concorria a reeleição. A coligação "Um Rio Melhor Pros Cariocas" PR/DEM foi encabeçada por Rodrigo Maia, filho do ex-prefeito Cesar Maia e teve Clarissa como vice. A chapa causou surpresa, sendo amplamente debatida. Numa campanha polarizada entre o atual prefeito Eduardo Paes do PMDB e o deputado do PSOL Marcelo Freixo, obteve apenas 95.328 votos (3% dos votos válidos), e Eduardo Paes foi reeleito com mais de 2 milhões de votos (64% dos votos válidos).[30] Nesta campanha, o cantor de funk Naldo fez o jingle da campanha,[31] sendo uma paródia de sua música de maior sucesso, Amor de Chocolate.[32]

Operação Lava Jato[editar | editar código-fonte]

Rodrigo Maia não possui pendências com a Justiça, mas seu nome já apareceu em investigações da Operação Lava Jato. De acordo com uma reportagem da revista Época, ele trocou mensagens de celular com o empreiteiro Léo Pinheiro, do Grupo OAS, para tratar de doações eleitorais.[33][34] Já no dia 8 de fevereiro de 2017, em reportagem veiculada no Jornal Nacional da Rede Globo, a Polícia Federal concluiu as investigações e demonstrou indícios de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O inquérito se iniciou através das mensagens de celular trocadas entre Leo Pinheiro, ex-presidente da OAS, e o próprio deputado. Ele é acusado de prestar “favores políticos” e defender interesses da OAS no Parlamento em 2013 e em 2014; ainda segundo a PF, a ajuda consistia por exemplo, em apresentação de emenda a medida provisória que criava regras para a aviação regional, dispositivo de texto formulado sob encomenda para agraciar a construtora. Os investigadores acreditam que Rodrigo Maia solicitou à empreiteira um milhão de reais em doações eleitorais no ano de 2014 (dinheiro repassado oficialmente à campanha de César Maia) e que o repasse foi uma tentativa de ocultar a procedência da propina. Através da assessoria, o deputado negou qualquer envolvimento de "receber vantagem indevida para apreciar qualquer matéria" e relatou que durante seus cinco mandatos sempre votou conforme orientação da bancada ou pela própria consciência. A decisão de abrir denúncia contra o deputado será de responsabilidade do Ministério Público Federal, em razão do foro privilegiado.[35][36]

Denunciado pela Procuradoria-Geral da República[editar | editar código-fonte]

Em 15 março de 2017, documentos liberados pelo STF acusam Maia de ter pedido e recebido propina num valor de 600 mil reais, além de outros recursos ainda não contabilizados, da Odebrecht.[37] Após a homologação de diversas delações premiadas, a Procuradoria-Geral da República denunciou diversos políticos por envolvimento em corrupção, entre eles Rodrigo Maia. O procurador-geral, Rodrigo Janot, pediu a retirada do sigilo da documentação que havia sido entregue no mesmo dia ao Supremo Tribunal Federal (STF), sob o argumento de que é necessário promover transparência e atender ao interesse público, o pedido foi acolhido, desta forma a informação veio a público sem que houvesse anulação da mesma.[38]

Referências

  1. «Embalos do PFL no casamento de Rodrigo Maia». Isto É Gente. 12 de setembro de 2005. Consultado em 16 de janeiro de 2013 
  2. «Rodrigo Maia participa de missa no Corcovado». O Dia Online. 18 de setembro de 2012. Consultado em 16 de janeiro de 2013 
  3. «Rodrigo Maia é reeleito em primeiro turno presidente da Câmara dos Deputados». G1. Globo.com. Consultado em 2 de fevereiro de 2017 
  4. a b Felipe Amorim (14 de julho de 2016). «Rodrigo Maia é eleito novo presidente da Câmara». UOL. Consultado em 14 de julho de 2016 
  5. «Deputado RODRIGO MAIA - Câmara dos Deputados». www.camara.leg.br. Consultado em 9 de agosto de 2016 
  6. «Ter nascido no Chile quase atrapalha Rodrigo Maia». Consultado em 14 de julho de 2016 
  7. Talita Fernandes e Murilo Ramos (13 de julho de 2016). «Ter nascido no Chile quase atrapalha Rodrigo Maia». Época. Globo.com. Consultado em 9 de agosto de 2016 
  8. «RODRIGO MAIA - DEM/RJ». Câmara dos Deputados. Consultado em 14 de julho de 2016 
  9. a b c «PROJETO DE RESOLUÇÃO Nº 679/2012». Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. Consultado em 14 de julho de 2016 
  10. «Conheça os candidatos à presidência da Câmara dos Deputados». ZH 2014 
  11. User, Super. «Política - Quem é Rodrigo Maia, o novo presidente da Câmara». www.litoralnews.com. Consultado em 18 de maio de 2017 
  12. «Votação por município/país/ 2006». TSE. TSE. Consultado em 9 de agosto de 2016 
  13. «Rodrigo Maia: 86.162 vezes Muito Obrigado». Democratas Rio de Janeiro. Consultado em 1 de setembro de 2016 
  14. «Publicações do DIAP - Os Cabeças do Congresso Nacional». DIAP - Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar. Consultado em 9 de agosto de 2016 
  15. «Rodrigo Maia é eleito presidente da Comissão de Viação e Transportes». Câmara dos Deputados. 7 de março de 2013. Consultado em 14 de julho de 2016 
  16. Valéria Bretas. «Conheça Rodrigo Maia, o novo presidente da Câmara». Exame. abril. Consultado em 1 de setembro de 2016 
  17. «Reforma política aprovada pela Câmara dificulta fiscalização de doações». O Globo. Globo.com. Consultado em 13 de julho de 2016 
  18. Marcelo de Moraes. «'A reforma da Previdência será aprovada no 1º semestre', diz Maia». Consultado em 15 de março de 2017 
  19. Catarina Alencastro. «Maia defende reformas da Previdência e trabalhista e diz que empregador é 'herói'». O Globo. Globo.com 
  20. «Quem é Rodrigo Maia, eleito presidente da Câmara em reação anti-Cunha». BBC Brasil. Consultado em 1 de setembro de 2016 
  21. «Maia quer conversa com Meirelles antes de eventual aumento de imposto». G1. Globo. 18 de julho de 2016. Consultado em 29 de julho de 2016 
  22. «Câmara tem pauta econômica como prioridade, afirma Rodrigo Maia». Estado de Minas. 27 de julho de 2016. Consultado em 29 de julho de 2016 
  23. «Com viagem de Temer à China, Rodrigo Maia assumirá Presidência | VEJA.com». Consultado em 1 de setembro de 2016 
  24. «Rodrigo Maia assume interinamente a presidência com viagem de Temer à China». Agencia Brasil. EBC. 31 de agosto de 2016. Consultado em 31 de agosto de 2016 
  25. «Todos os líderes - Brasil - O Antagonista». www.oantagosnista.com. Consultado em 24 de novembro de 2016 
  26. «Polêmica sobre anistia a caixa 2 é alvo de críticas na web; veja repercussão». G1. Globo.com. Consultado em 25 de novembro de 2016 
  27. «Chance de anistia ao caixa 2 causa revolta nas redes sociais». Estadão. 24 de novembro de 2016. Consultado em 25 de novembro de 2016 
  28. «Rodrigo Maia é reeleito em primeiro turno presidente da Câmara dos Deputados». G1. Globo.com 
  29. «Aos 46 anos, Rodrigo Maia presidirá a Câmara no 5º mandato de deputado». G1. Globo.com. Consultado em 14 de julho de 2016 
  30. «Divulgação de Registro de Candidaturas 2012». TSE. 3 de agosto de 2012. Consultado em 5 de agosto de 2012 
  31. «Funkeiro Naldo grava jingle da campanha de Rodrigo Maia». Extra Online 
  32. Folha1. «Naldo grava a nova música de Rodrigo e Clarissa». BlogdoBastos 
  33. «Com viagem de Temer, Rodrigo Maia assume». DW.COM. Consultado em 1 de setembro de 2016 
  34. «Rodrigo Maia é eleito novo presidente da Câmara». Carta Capital. 14 de julho de 2016. Consultado em 14 de julho de 2016 
  35. «Polícia Federal conclui inquérito sobre Rodrigo Maia e aponta indícios de corrupção». Congresso Em Foco. 8 de fevereiro de 2017. Consultado em 9 de fevereiro de 2017 
  36. Vladimir Netto e Marcelo Parreira (8 de fevereiro de 2017). «PF conclui inquérito sobre Rodrigo Maia e vê indícios de corrupção; deputado nega». G1. Consultado em 9 de fevereiro de 2017 
  37. «Ex-executivo da Odebrecht aponta repasses de R$ 600 mil para Rodrigo Maia». O Globo. Consultado em 15 de março de 2017 
  38. «Janot pede ao STF 83 inquéritos para investigar políticos citados por delatores». G1. Globo.com. Consultado em 15 de março de 2017 

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